quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Enfim, um ano positivo

De acordo com balanço divulgado ontem pela Acrimat, segmento estadual teve o melhor ano depois de 2004
Seis anos se passaram até que o pecuarista mato-grossense olhasse para trás e fizesse um balanço positivo do exercício que acaba de findar. Com a evolução do preço da arroba do boi gordo, principalmente, a partir do segundo semestre de 2010, o segmento resgata um cenário que não era mais visto desde 2004. “O preço da arroba do boi gordo à vista foi o ponto alto em 2010 e isso deve se manter no decorrer deste novo ano”, resumiu o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), José João Bernardes.
O preço máximo obtido pela arroba revela alta superior a 44% comparando 2010 com 2009. Já em reais, a alta quer dizer que em média, a arroba valeu quase R$ 30 a mais ao criador estadual. A região que ofertou o maior preço ao boi gordo nos últimos doze meses foi a centro-sul, onde se pagava R$ 67,48 em 2009 e no ano passado chegou a R$ 78,73, incremento anual de cerca de 15%.
No entanto, o leque de boas novas à pecuária de Mato Grosso não se resume apenas à valorização da arroba – num claro reflexo de um consumo mais aquecido do que o processo de terminação dos animais -. Mesmo com mais de 40% dos frigoríficos parados no Estado, a restrição da oferta reduziu para níveis jamais vistos, o spreed – diferença – entre o preço da arroba paga à vista para a negociada a prazo. O spreed que desvalorizava a arroba em 4,42% no final de 2008, chegou ao final de 2010, a 1,85%. Pecuaristas comemoram a desaceleração do spreed e dizem que foram determinantes para isso, a oferta restrita de animais e a campanha que conscientizou os criadores a só venderem aos frigoríficos mediante pagamento à vista. “Depois de tantos calotes, criamos uma nova cultura de negociação no Estado. Atualmente, cerca de 75% das vendas de bois e vacas destinadas ao abate são feitas á vista”, frisa Bernardes.
Além do cenário interno positivo, com demanda aquecida, arroba valorizada, o desempenho das exportações também contribuiu para o sucesso de 2010. O volume exportado de 205,83 mil toneladas de equivalente carcaça (TEC), ficou abaixo das mais de 214 mil TEC contabilizadas em 2008, mas superou de longe, a 171 mil TEC de 2009, incremento de 20%. Outro dado positivo relativo ao mercado internacional foi o salto de 83% na participação do Oriente Médio como destino da carne estadual. Além de se tornar o maior mercado consumidor mato-grossense – que já pertenceu à Rússia – a participação passou de 18% em 2009 para 33% em 2010. A União Europeia continuou com 6% da fatia, enquanto a China caiu de 10% para 6% em 2010. A Rússia também comprou menos, de 34% em 2009 baixou para 26%.
ANÁLISE - Conforme dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a pedido da Acrimat, o preço máximo em vigor da arroba em 2009 foi de R$ 68,03 e em 2010 esse valor alcançou R$ 97,79 (+44%). “Houve uma recuperação no preço da arroba o que garantiu uma rentabilidade melhor para o produtor que vinha operando no vermelho há vários anos. Isso vai permitir que o pecuarista invista em sua propriedade no que se refere à recuperação de pastagem, infraestrutura da fazenda e melhoria genética do seu rebanho”, analisou.
Bernardes ressalta que esses investimentos têm reflexo direto no meio ambiente já que “diminuiu a pressão de abertura de novas áreas de pastagem”. O que ficou constado também no levantamento foi de que o valor de R$ 84,39 da arroba do boi gordo – preço médio ideal -, caso os custo de produção permanecem no mesmo patamar, garantirá produtor uma rentabilidade positiva neste novo ano.
Ainda avaliando o balanço do setor pecuário de 2010, Bernardes destaca que a ascensão foi possível porque houve manutenção dos preços dos custos de produção.
Para o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, a recuperação no preço da arroba aconteceu por diversos fatores. “A demanda pela carne vermelha é crescente em todo mundo e aqui no Brasil, a melhor distribuição de renda permitiu um consumo maior da proteína, fortalecendo assim, o mercado interno. Além disso, a oferta restrita de boi gordo, causada pelo abate excessivo de fêmeas em 2006 e 2007, teve reflexo direto na oferta de 2010, sem contar com a seca pesada que ocorreu no ano passado”. Para Vacari, 2010 foi um ano de consolidação do Brasil no mercado externo após crise de 2006 do segmento, o que garantiu o posto de 2º maior produtor de gado do mundo, com um rebanho de qualidade e volume. “Mato Grosso se mantém líder como maior produtor de gado do país, quase 28 milhões de cabeças, segundo em exportação de carne. A tendência é que essa posição continue em ascensão, pois países produtores como Argentina, Austrália, Nova Zelândia, enfrentam problemas que refletem diretamente sobre as exportações”.

FONTE: DIÁRIO DE CUIABÁ

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