quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

INFLAÇÃO E EXCESSO DE LIQUIDEZ

Já é da teoria econômica consagrada que a liquidez além de um certo ponto acaba gerando alta de preços.
O fenômeno pode ser percebido mundialmente através da bolha especulativa nas commodities agrícolas. Especificamente aqui nos, brasileiros, somos beneficiários.
Localmente o aumento mundial e especulativo dos preços das commodities acaba chegando às economias. Se não chegar pela moeda diretamente, chega pela carência de produtos para o mercado interno. No primeiro caso nosso câmbio real-apreciado acaba funcionando como barreira para a alta de preços no mercado mundial. No segundo caso a carne bovina é um bom exemplo. A demanda mundial por proteína animal é crescente e bastante lucrativa para o exportador. Nossa carne bovina está bem cotada. A exportação de carne bovina joga os preços internos para o alto e sua alta vai servindo de referência para a alta nas outras carnes: frango, porco e peixe.
O fato é que, para escapar da crise, todos os governos adotaram a mesma política de injeção de liquidez via gasto público. Não é apenas o governo brasileiro que foi além do que parecia conveniente. Não vale à pena ficar agora rediscutindo, mas era evidente que a injeção de liquidez não seria “solução final” e que a crise permanece, evidenciada pela não recuperação sustentada da economia mundial. Semana sim analistas falam em recuperação sustentada em andamento. Semana não falam que não há recuperação sustentada, mas pontual.
Voltando ao começo, a injeção de liquidez produziu inflação. Agora mesmo o Banco Central chinês fala num corte de 10% nos investimentos e o brasileiro começa a se preparar para uma corrida, curta ou longa?, de aumentos na Selic.
Fortemente pressionado pela indústria para adotar com mais firmeza medidas protecionistas na área cambial, o governo fica emparedado por sua própria “herança maldita”.
Demetrio Carneiro

FONTE: www.alternativabrasil.org

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