terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Seca dispara preço da carne nos EUA

Por MARSHALL ECKBLAD e MARK PETERS

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cattle

Reuters
Gado se alimenta em fazenda do Colorado, EUA.

Os preços do gado subiram a níveis recordes com a seca nas planícies do Sul dos Estados Unidos que está começando a reduzir a oferta de carne bovina no país.

Enfrentando a pior seca desde 1930, pecuaristas de Estados como Texas e Oklahoma reduziram seus rebanhos no ano passado porque não tinham dinheiro para comprar ração e água suficientes para substituir pastos e bebedouros secos. Eles venderam gado jovem para o confinamento, onde os animais são engordados antes de serem abatidos.

O efeito dominó dessas decisões já está sendo sentido no mercado. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou na sexta-feira que 1,68 milhão de cabeças de gado foram vendidas para confinamento em dezembro, uma queda de 6% em 12 meses.

"Simplesmente não há gado suficiente para todos", disse John Roberts, diretor de marketing da Pecuaristas de Nebraska, um grupo do setor.

Consumidores de carne já estão assistindo a esse aumento de custos: o preço de varejo da carne bovina subiu mais do que o de qualquer outra categoria de alimentos importantes dos EUA em 2011, em torno de 10%, de acordo com estimativas do Departamento de Agricultura, que equivale, nos EUA, ao Ministério do setor. O departamento espera que os aumentos sejam mais moderados neste ano, em torno de 4,5%.

Os preços da carne bovina estão subindo, em parte, porque o custo de produção da pecuária subiu mais do que o preço do gado, deixando muitos produtores com pouco incentivo para expandir a produção. O preço do milho, o principal alimento do gado no país, mais do que dobrou no ano passado e está 66% mais alto que há dois anos, e os custos do feno também dispararam.

"Os preços do gado terão que subir para que os produtores tenham lucro e decidam expandir", disse David C. Nelson, estrategista mundial do Rabobank, banco holandês que faz financiamentos agrícolas nos EUA.

Menos gado em confinamento geralmente implica em menor oferta de carne no atacado a partir de quatro a seis meses. As preocupações já estão aparecendo em mercados onde os frigoríficos compram animais vivos. Processadores de carne bovina pagaram preços mais altos na semana passada devido às expectativas de que a oferta vá ficar reduzida no segundo trimestre.

Uma forte demanda global também tem contribuído para a alta. A população de países em desenvolvimento, particularmente na Ásia, está aumentando seu consumo de proteína. As exportações de carne bovina dos EUA aumentaram 23% nos primeiros 11 meses de 2011, em comparação com o mesmo período de 2010. Mas embora a demanda por exportações dos EUA esteja forte, a concorrência está aumentando. O Canadá anunciou sexta-feira que sua carne bovina não mais enfrenta restrições de importação pela Coreia do Sul, que havia instituído barreiras nove anos atrás.

É claro que se houver alguma queda na demanda isso poderia reduzir os preços do gado. E alguns analistas alertam que uma alta recorde é difícil de se sustentar nesta época do ano, depois das festas de fim de ano e quando o clima no Hemisfério Norte ainda é frio demais para churrascos no quintal. "Estamos vendo uma desconexão estrutural entre oferta e demanda", disse o economista do Departamento de Agricultura Richard Volpe. "Os estoques estão muito escassos e mesmo assim a demanda está forte."

A seca nas planícies do Sul atingiu o coração da indústria de carne bovina dos EUA. Texas, Oklahoma e Novo México são os Estados mais afetados. Mas outros, como Kansas e Missouri, têm sofrido também.

Os produtores reagiram reduzindo o tamanho de seus rebanhos e mantendo menos novilhas para reprodução. Isso significa que a base da cadeia de abastecimento da carne bovina encolheu, e sua reconstrução vai demorar bem mais de um ano.

(Colaboraram Scott Kilman e Mirmala Menon.)
FONTE: THE WALL STREET JOURNAL

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