quinta-feira, 23 de março de 2017

Mercado do boi gordo praticamente sem referência



Foto: www.adirleonel.com.br

Apesar de as empresas que estão no mercado, que não são muitas, estarem tentando impor um viés baixista, isso não dá condição para estabelecer um novo patamar para as referências. O que mais se vê entre estes frigoríficos é nenhuma compra efetivada essa semana.

O mercado segue incerto, e isso fica claro com o posicionamento das indústrias, que saíram das compras, aguardando os reflexos reais nas vendas, depois da operação da Polícia Federal ainda no final da última semana. 

Qualquer posição ou decisão tomada neste momento corre grande risco de estar desalinhada com o mercado quando ele voltar a operar pelos fundamentos de oferta e demanda.

O Oeste do Rio Grande do Sul foi a única praça onde houve um reajuste na referência já que, diferente da maioria dos estados, as indústrias estão ativas nas compras.
fonte: SCOT CONSULTORIA

terça-feira, 21 de março de 2017

SDA divulga medidas sobre frigoríficos e servidores investigados

A SDA do Mapa divulgou nota sobre as medidas adotadas sobre a operação policial que envolve estabelecimentos de produção de proteína animal
A Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou neste domingo (18/03) nota sobre as medidas adotadas, até o momento, sobre a operação policial que envolve estabelecimentos de produção de proteína animal. Abaixo, a íntegra da nota:
“Este Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento tomou conhecimento na data de sexta-feira (17/03/2017), pela imprensa, da operação denominada "Carne Fraca", cujas investigações, iniciada há dois anos, tiveram motivação inicial por denúncia de Auditor Fiscal Federal Agropecuário. A Polícia Federal cumpriu diversos mandados de busca e apreensão, de condução coercitiva, de prisão preventiva e de prisão temporária, envolvendo servidores do quadro de pessoal deste Ministério, empresas e pessoas a elas vinculadas.
Frente às denúncias, informações divulgadas na mídia e análise das 377 páginas da decisão judicial que consta no processo nº 5002951-83.2017.4.04.7000 proferida pela 14ª Vara Federal de Curitiba, apresentamos, a seguir, as medidas já adotadas pelo MAPA, esclarecimentos técnicos sobre determinas questões veiculadas na imprensa, ações administrativas que estão em curso e outras que serão realizadas no sentido de evitar reincidências de condutas irregulares. 
AÇÕES ADOTADAS
1. Foram interditados no dia 17/03/2017, cautelarmente, os estabelecimentos: BRF S.A., localizada em Mineiros/GO, sob SIF 1010, Peccin Agro Industrial Ltda, localizada em Curitiba/PR, sob SIF 2155 e Peccin Agro Industrial Ltda - EPP, localizada em Jaraguá do Sul/SC, sob SIF 825.
2. De forma a subsidiar as ações fiscalizatórias complementares por parte do MAPA frente aos outros estabelecimentos citados foi solicitado à Seção Judiciária do Paraná - 14ª Vara Federal de Curitiba – os laudos de análises que tenham sido realizados na execução da Operação. As informações solicitadas são salutares, principalmente, para determinação de recolhimento do mercado de lote de produtos que representem risco ou agravo à saúde dos consumidores, tendo em vista o disposto no Código de Defesa do Consumidor, estabelecido pela Lei nº 8.078, de 11/9/1990.
3. Visando dar tranquilidade ao consumidor brasileiro, além dos três estabelecimentos mencionados acima, também foram designadas equipes de auditorias para apurar irregularidades em 18 estabelecimentos citados na “Operação Carne Fraca”. Dentre as ações fiscalizatórias serão realizadas coletas de amostras para envio à rede oficial de laboratórios do MAPA, com especial atenção aos produtos apontados nas investigações.
4. Foi determinada pelo MAPA a abertura de processo de sindicância quanto às supostas práticas irregulares cometidas pelos servidores e a exoneração dos servidores e demais ocupantes de funções de chefia citados na Operação.
5. Com o objetivo de confirmar aos vários países com os quais o Brasil mantém relações comerciais, a robustez do sistema de inspeção de produtos de origem animal, foram emitidas Notas para as Autoridades Sanitárias Estrangeiras, informando a natureza das investigações em curso, e as ações adotadas pelo MAPA.
ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS: 
I- Quanto à Segurança dos produtos:
O DIPOA é o Departamento responsável pela inspeção e fiscalização industrial e sanitária dos produtos de origem animal nos estabelecimentos que realizam o comércio interestadual ou internacional de seus produtos, conforme prevê a Lei nº 1.283, de 18 de dezembro de 1950, e sua alteração pela Lei nº 7.889, de 23 de novembro de 1989. As atividades de inspeção e fiscalização são realizadas pelo Serviço de Inspeção Federal – SIF, o qual conta, hoje, com 4.837 estabelecimentos registrados.
O SIF completou, neste ano de 2017, 102 anos de existência, durante os quais atuou de forma ativa alicerçando o desenvolvimento do parque agroindustrial brasileiro e consolidando o Brasil na liderança das exportações mundiais de produtos de origem animal. O SIF é reconhecido internacionalmente por sua competência e responsabilidade na promoção da segurança alimentar.
O corpo técnico que atua na inspeção junto aos estabelecimentos, composto por Auditores Fiscais Federais Agropecuários e Agentes de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal, é responsável pela inspeção ante e post mortem dos animais destinados ao abate, pela execução das verificações oficiais dos autocontroles implementados pelas empresas, incluindo a avaliação de suas condições higiênico-sanitárias e de funcionamento, coletas de amostras para realização de análises laboratoriais, certificação sanitária oficial, entre outras atividades.
No âmbito dos controles nacionais, o DIPOA coordena a execução de programas oficiais de controle dos alimentos de origem animal, os quais foram desenvolvidos com apoio de membros da Comissão Científica Consultiva em Microbiologia instituída pela Portaria SDA nº 17, de 25 de janeiro de 2013. São estabelecidos planos amostrais estatisticamente delineados, para que as amostras representem o universo dos produtos e categorias de produtos elaborados nos estabelecimentos registrados e relacionados junto ao SIF/DIPOA, de forma a possibilitar o levantamento das prevalências dos parâmetros analisados e o direcionamento da fiscalização.
Dentre estes programas destacamos:
- Programa Nacional de Controle de Patógenos (PNCP) que foi desenvolvido visando identificar a prevalência dos patógenos de importância em saúde pública em produtos de origem animal sob inspeção federal, avaliar os controles de processo adotados pelos estabelecimentos e gerenciar o risco a fim de preservar a segurança alimentar.
- Programa de Avaliação de Conformidade de Padrões Físico-químicos e Microbiológicos de Produtos de Origem Animal Comestíveis (PACPOA) que tem como objetivos a obtenção de dados para verificar o índice de conformidade de produtos de origem animal, a avaliação dos controles de produtos e de processos realizados pelos estabelecimentos e subsidiar o gerenciamento de risco pelo DIPOA.
Os resultados de análises dos referidos programas demonstram um índice geral de conformidade acima de 90% para produtos cárneos. Importante ressaltar que os produtos considerados “não conformes” aos padrões estabelecidos, em sua maioria não representam risco à saúde pública.
O MAPA possui 4.837 estabelecimentos registrados no DIPOA e um quadro de pessoal de, aproximadamente, 11.000 funcionários. Deste total, apenas 21 estabelecimentos foram citados na Operação “Carne Fraca” e 33 servidores estariam envolvidos em ações irregulares.
Isso representa, em dados numéricos, que 99,8% dos estabelecimentos registrados ou relacionados e 99,7% do quadro de pessoal não estão envolvidos nas denúncias de irregularidades da “Operação Carne Fraca”.
Tal realidade nos permite classificar as irregularidades como casos isolados.
 II- Dos riscos relacionados à presença de Salmonella em carne de aves
 A salmonela é uma bactéria comum no trato gastrintestinal dos animais. No caso das aves, a salmonela é um problema mundial, para o qual não existem medidas efetivas de controle que possam eliminá-la da carne crua. Assim, são necessários controles no âmbito da produção das aves à campo e nos estabelecimentos industriais de abate, visando evitar a presença de cepas patogênicas nos produtos de aves destinados ao consumo humano.
 Controles específicos sobre presença de salmonela nas carnes de aves são estabelecidos por este MAPA desde 2003 seguindo padrões internacionais, mediante o Programa de Redução de Patógenos Monitoramento Microbiológico e Controle de Salmonella sp. em Carcaças de Frangos e Perus, aprovado pela Instrução Normativa nº 70, de 6 de outubro de 2003. As diretrizes deste programa foram atualizadas, recentemente, pela Instrução Normativa nº 20, de 21/10/2016.
 Nesta revisão foram estabelecidos os mecanismos de controle e monitoramento de Salmonella nos estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), com objetivo de reduzir a prevalência desse agente. O trabalho de revisão contou com a participação de professores internacionalmente reconhecidos e apresenta significativos avanços, pois amplia os controles de Salmonella desde a cadeia primária, abrangendo o controle nas granjas, até o produto final no matadouro sob SIF. É prevista a determinação dos sorotipos de salmonelas com relevância em saúde pública (S. Typhimurum e S. Enteritidis), estabelecendo um nível adequado de proteção ao consumidor.
Quando detectados lotes positivos para as salmonelas de relevância em saúde pública, a legislação prevê que os produtos sejam destinados ao processamento térmico de cozimento que assegure a destruição do patógeno. O tempo e a temperatura do processo térmico devem ser controlados em nível industrial para eliminar o risco de transmissão deste patógeno aos consumidores.
É, oportuno, ainda, esclarecer que a Resolução RDC/ANVISA nº 12, de 2 de janeiro de 2001, não estabelece limites para Salmonella sp. em carnes de aves crua e, considerando a dificuldade de controle deste patógenos na carne de aves, a Resolução RDC/ANVISA nº 13, de 2 de janeiro de 2001, torna obrigatório constar em destaque na rotulagem da carne de aves as seguintes informações:
“Este alimento se manuseado incorretamente e ou consumido cru pode causar danos à saúde. Para sua segurança, siga as instruções abaixo:
-Mantenha refrigerado ou congelado. Descongele somente no refrigerador ou no microondas.
-Mantenha o produto cru separado dos outros alimentos. Lave com água e sabão as superfícies de trabalho (incluindo as tábuas de corte), utensílios e mãos depois de manusear o produto cru.
-Consuma somente após cozido, frito ou assado completamente.”
III- Notificações internacionais sobre cargas com produtos fora dos padrões
Durante o ano de 2016 foram recebidas 184 notificações internacionais comunicando a violação de parâmetros microbiológicos, físico-químicos e outras inconformidades, em produtos de origem animal exportados pelo Brasil para quinze países. Deste total, 102  foram notificações microbiológicas, 33 físico-químicas e 49 outras inconformidades. Notificações provenientes da Rússia foram as mais frequentes, sendo 75 microbiológicas, 25 físico-químicas e 16 outras inconformidades, totalizando 133. Neste período foram expedidos pelo Brasil nada menos que 852.000 partidas de produtos de origem animal destinados ao comércio internacional.
Estes dados representam exportações de todos os tipos de produtos de origem animal, o que demonstra que o número de violações é pequeno quando comparado com o volume de partidas de produtos destinados ao comércio internacional, que apresentaram conformidade em 99,98% das exportações.
IV - Do uso de aditivos em produtos cárneos
Segundo veiculado pela impressa, um estabelecimento realizava “maquiagem” de carnes supostamente estragadas mediante adição de ácido ascórbico, produto que foi divulgado como sendo cancerígeno.
O ácido ascórbico é um aditivo alimentar (INS 300) autorizado para uso em alimentos, segundo as Boas Práticas de Fabricação (BPF), conforme determinado pela Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 45, de 3 de novembro de 2010, da ANVISA. A referida RDC incluiu as funções do ácido ascórbico conforme estabelecido no Codex Alimentarius, de modo que seu uso não representa risco à saúde.
Por se tratar de um aditivo alimentar, seu uso apenas é autorizado quando previsto nas categorias de alimentos e nas funções permitidas nos Regulamentos Técnicos específicos. No caso dos produtos cárneos, o Regulamento Técnico de referência é a Instrução Normativa MAPA nº 51, de 29 de dezembro de 2006, que adota o Regulamento Técnico de Atribuição de Aditivos, e seus Limites das seguintes Categorias de Alimentos 8: Carne e Produtos Cárneos, o qual permite o uso deste aditivo nos produtos cárneos na função de antioxidante, sem restrições quanto ao limite de uso. É também permitido o uso do aditivo lactato de sódio (INS 325) nos produtos cárneos como regulador de acidez, sendo que, igualmente, não há restrições de uso.
O Ácido Sórbico (INS 200) é um aditivo alimentar autorizado para uso nos produtos cárneos como agente conservador no tratamento de superfície, nas seguintes categorias de produtos: produtos cárneos industrializados secos, curados e/ou maturados ou não (ex.: salame ou presunto cru, entre outros) e nos produtos cárneos salgados crus (ex.: jerked beef ou pertences para feijoada, entre outros), sendo seu uso limitado a 0,02%. Já os aditivos nitrito de sódio (INS 250) e nitrato de sódio (INS 251), cujo uso é permitido na função de conservadores, são limitados, respectivamente, a 0,015% e 0,03%.
 Os aditivos alimentares, quando utilizados nos produtos autorizados e nos limites máximos fixados, não representam risco a saúde dos consumidores.
 V - Da utilização de carne de cabeça de suínos na elaboração de produtos cárneos
 Ao contrário do veiculado na mídia quanto à suposta irregularidade no uso de carnes obtidas de cabeças de suínos na fabricação de linguiça calabresa, esclarecemos que essas carnes podem ser utilizadas na elaboração de produtos cárneos, o que não representa risco à saúde dos consumidores e, tampouco, representa irregularidade na fabricação de linguiças.
 As carnes obtidas das cabeças dos animais são compostas, principalmente, pelos músculos masséteres e pterigóides (músculos mastigatórios dos animais), juntamente com a musculatura da base da língua. Essas musculaturas compõem as denominadas “carnes industriais”, produto amplamente utilizado na fabricação dos produtos cárneos em todo o mundo.
 As “carnes industriais” incluem todas as massas musculares esqueléticas obtidas nas etapas de preparação das carcaças nos estabelecimentos de abate, bem como a porção muscular do esôfago, o diafragma e seus pilares, conforme relata o Prof. Miguel Cione Pardi ... [et al] no livro Ciência, higiene e tecnologia da carne, 2. ed. – Goiânia : Ed. UFG, fls. 508 e 509. Durante o processamento, são retiradas das carnes o excesso de gordura e tecido conjuntivo e os gânglios linfáticos, sendo as massas musculares lavadas, escorridas e embaladas em material apropriado.
 A legislação nacional prevê e permite o uso das carnes industriais para a fabricação de produtos cárneos diversos. No caso específico das linguiças, o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade aprovado pelo MAPA (Anexo III da Instrução Normativa SDA/MAPA nº 4, de 31 de março de 2000) estabelece, como ingredientes obrigatórios da fabricação de linguiça, as carnes das diferentes espécies animais e o sal (item. 4.1.1), facultando o uso de outros ingredientes (item 4.1.2). No caso específico da linguiça calabresa, esclarecemos tratar-se de produto obtido exclusivamente de carnes suína, curado, adicionado de ingredientes, devendo ter o sabor picante característico da pimenta calabresa, submetidas ou não ao processo de estufagem ou similar para desidratação e/ou cozimento, sendo o processo de defumação opcional.
 VI- Do suposto uso de papelão na fabricação de produtos cárneos
 As informações até então divulgadas na mídia apresentam caráter contraditório, em seu conteúdo, quanto à denúncia referente ao suposto uso de papelão na elaboração de produtos cárneos. Alguns sites veicularam informação contendo transcrição de trecho de conversa telefônica entre funcionários de empresa, que sugerem, na verdade, que o papelão seria utilizado como material de embalagem do produto CMS (carne mecanicamente separada), enquanto outros sites informam que tiras de papelão estariam sendo utilizadas para compor a massa dos produtos.
Como a informação divulgada não é precisa e não foram encontrados subsídios específicos na decisão judicial, o MAPA entrou em contato com a equipe de fiscalização oficial junto ao estabelecimento, tendo confirmado que a situação relatada na gravação não se referia ao uso de embalagens de papelão na composição de produtos cárneos ou no produto CMS, mas no uso de embalagens de papelão para acondicionar sacos plásticos com CMS, possibilitando que o produto tome forma adequada no congelamento para permitir seu empilhamento.
O uso de embalagens de papelão no setor de processamento de CMS não é permitido, para evitar a possibilidade de contaminação cruzada do produto. No caso em questão, uma vez que a empresa não dispunha de bandejas plásticas para dar forma aos produtos a serem congelados, optou pelo seu descarte, conforme acompanhado pelo serviço oficial de inspeção.
 VII- Notificações relacionadas ao estabelecimento BRF S.A sob SIF 1010.
Considerando as reincidências acontecidas no início de 2017 em relação ao estabelecimento sob SIF 1010, localizado em Mineiros/GO, com cinco notificações, e somando-se àquelas ocorridas no ano de 2016, o DIPOA suspendeu, a partir de 06/02/2017, a produção e certificação sanitária para os produtos carne de peru in natura e preparado de carne de peru, para União Europeia e outros países que exigem controle e tipificação para salmonela. A produção e expedição de produtos para o mercado nacional ou internacional foi condicionada à comprovação, por analises laboratoriais representativos de cada lote e/ou partida, de que os produtos não estavam contaminados por salmonelas dos sorotipos S. Typhimurium ou S. Enteritidis, conforme prevê a Instrução Normativa nº 20, de 2016.
Em razão das denúncias relacionadas à “Operação Carne Fraca”, o MAPA determinou, como medida cautelar, a interdição do estabelecimento para apuração aprofundada das mesmas.
DEMAIS AÇÕES
O MAPA já vinha adotando ações no sentido de aprimorar o processo de fiscalização, conferir maior controle das ações executadas pelas unidades descentralizadas e coibir ingerências, em alinhamento com diretrizes emanadas de órgãos de controle externo, como Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria- Geral da União e Tribunal de Contas da União.
Dentre estas ações, destacam-se:
1.  Publicação da Portaria nº 193, de 2016 para revisão do Regulamento de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal (RIISPOA)
Esta Portaria instituiu um Grupo de Trabalho para apresentar proposta de revisão do principal marco regulatório da inspeção de produtos de origem animal do Brasil, o Regulamento de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), aprovado pelo Decreto nº 30.691, de 29/03/1952.
O trabalho do GT foi entregue em dezembro de 2016 e o documento segue, em sua versão final, para assinatura pelo Exmo. Sr. Presidente da República, com data de assinatura prevista para o dia 29 de março de 2017.
A nova regulamentação traz, como um dos seus principais avanços, a clara definição de responsabilidades da iniciativa privada e do Serviço Oficial, bem como a revisão de toda capitulação de infrações e penalidades.
2. Publicação da Portaria nº 257, de 21/11/2016 que condiciona as remoções de servidores à avaliação prévia da Secretária de Defesa Agropecuária
Por meio da Portaria n° 257/2016 as remoções de servidores que antes eram atribuições exclusiva e discricionária por parte dos Superintendentes das unidades descentralizadas do MAPA, foram centralizadas na Secretária de Defesa Agropecuária e na Secretaria Executiva.
3. Publicação da Portaria nº 99 de 12/05/2016, que cria a Coordenação Geral  de Avaliação e Auditoria do DIPOA
Por meio da Portaria n° 99/2016 foi criada uma estrutura específica dentro do Departamento de Inspeção de Produtos Origem de Animal dedicada exclusivamente a atividade de auditoria das atividades executadas pelos Serviços de Inspeção nas unidades descentralizadas do MAPA.
O sistema de inspeção de produtos de origem animal do Brasil, a cargo do SIF/DIPOA, é robusto e confere alto grau de segurança aos consumidores brasileiros e estrangeiros. Os fatos narrados na “Operação Carne Fraca” são ocorrências pontuais e isoladas, que não maculam a imagem e a credibilidade do Serviço. Tais ocorrências foram viabilizadas, tão somente, pela ação de organizações criminosas que estão sendo expurgadas do Serviço de Inspeção Federal.
Os servidores do MAPA gozam de total autonomia para exercer suas funções de fiscalização e inspeção de produtos de origem animal e, conforme constatado, em sua imensa maioria, não coadunam com ilícitos além de orgulhar de sua instituição e do que tudo que representa o símbolo do SIF.”
fonte: Agrolink

terça-feira, 14 de março de 2017

Preços do bezerro acompanham arroba do boi gordo e também recuam


...Mato Grosso do Sul, tradicional fornecedor de animais a pasto, enfrenta também problemas no custo de produção.
Preços do bezerro acompanham arroba do boi gordo e também recuam
O custo da matéria prima, que é a recria, baixou de R$1500 para R$1000, mas ainda assim não alivia para o pecuarista. A arroba do boi gordo, em MS, por exemplo, está em R$ 135, enquanto, no mesmo período do ano passado, era de R$150. Logo, as margens dos produtores se tornam bastante estreitas. O diretor da Associação Sul Mato-Grossense dos Produtores de Novilho Precoce, Antônio João de Almeida, disse que a baixa do consumo de carne bovina, consequência da crise econômica, afetou toda a cadeia e o "preço da arroba do boi está empacada, com frigorífico pagando cada vez menos e segurando preço". Para ele, também "não existe perspectiva a curto prazo de [a situação] melhorar". O estado do Mato Grosso do Sul, que é tradicionalmente fornecedor de animais a pasto, enfrenta também problemas no custo de produção, já que, de forma geral, os insumos aumentaram seus preços e, agora, os produtores "estão segurando e freando para passar a crise", o que vem afetando os negócios.
O bom volume de chuvas traz uma melhora para o pasto, mas o mercado não reage na hora da venda. "Não adianta ter boi gordo se os preços estão piores do que no ano passado", destaca o diretor. Atualmente, o preço da arroba do boi está em R$135, enquanto, no mesmo período do ano passado, o preço era de R$150/@. Logo, as margens dos produtores se tornam bastante estreitas. Quem comprou bezerro anteriormente e está vendendo no preço atual também encontra prejuízo no momento, de acordo com o diretor. O custo da matéria prima, que é a recria, baixou de R$ 1500 para R$ 1000, mas como o custo já está formado com o bezerro caro e "não tem como sair dele", os produtores têm de vender no preço que o mercado está pagando. "Fora isso, os frigoríficos estão pressionando para pagar a prazo", conta Almeida, o que ele não aconselha os produtores a fazerem por conta dos riscos. As exportações, que sempre foram responsáveis por manter 20% dos preços, também não subiram. Em conjunto com o preço interno, que caiu, haverá uma oferta maior de boi que não irá refletir em um aumento do preço da arroba. Com isso, os produtores se veem também obrigados a reduzir custos operacionais para manter essa situação e sobreviver.
Associação Sul Mato-Grossense dos Produtores de Novilho Precoce - A associação trabalha com um produto diferenciado, que é o novilho precoce, com parcerias na hora de vender o animal. São 350 produtores que abateram 175 mil cabeças no ano passado. Parcerias com supermercados, como o Walmart e o Carrefour, estão presentes na associação, assim como com frigoríficos, como o JBS. A associação garante a qualidade da carne do animal, que deve ter até 2 anos e meio e também em relação à classificação da gordura da carcaça, que deve ser de 2 a 4mm. Os produtores que entregam o produto como o requisitado recebem uma bonificação, "o que vem a ajudar nesses tempos de crise", como é detalhado.
Fonte: Notícias Agrícolas

sábado, 11 de março de 2017

Boi gordo no RS: A queda do início do outono

O preço do boi está entre R$ 9,90 e R$ 10,30/kg de carcaça, a prazo, sem bonificações, no Rio Grande do Sul. A vaca gira entre R$ 9,30 e R$ 9,60, nas mesmas condições.
As cotações têm caído gradativamente nas últimas duas semanas.
O aumento de oferta de animais oriundos de pastagens cultivadas de verão e campo nativo é o principal fator que gera este cenário em março e abril.
Nos últimos anos, este movimento de retração nas cotações foi menor (Figura 1) em relação a um período mais longo de histórico de variações (Figura 2).
Figura 1. Variação mensal das cotações do mercado do boi gordo no Rio Grande do Sul, de 2012 a 2016.
Queda do preço do boi no outono
Fonte: Scot Consultoria / Lance Agronegócios
Figura 2. Variação mensal das cotações do mercado do boi gordo no Rio Grande do Sul, de 2003 a 2016.
Queda no preço do boi no outono
Fonte: Scot Consultoria / Lance Agronegócios
Percebemos claramente que a queda de preços foi menor nos últimos cinco anos, porém, o cenário econômico desfavorável, principalmente consumo, somado à tendência de aumento de oferta neste período, deve fazer com a pressão nos preços seja mais acentuada, como na figura 2.
A expectativa é que a pressão continue nas próximas semanas, a talvez a retomada da firmeza do mercado não seja tão ampla como é representada no gráfico, pois como no ano passado, este deverá ser um ano difícil na questão de variações positivas no preço do gado gordo.
fonte: Lance Agronegocios

terça-feira, 7 de março de 2017

Uruguay negocia protocolo sanitario para exportar ganado en pie a Irak


Expo-en-pie

Uruguay avanza en la firma de un protocolo sanitario para exportar ganado en pie a Irak. El destino fue confirmado por el programa Valor Agregado, de radio Carve, luego de que el propio director de los Servicios Ganaderos, Eduardo Barre, señalara en ese programa que se estaba avanzando en la firma de un protocolo para exportar ganado en pie a un nuevo destino.
“Se trata de un país que Uruguay no tiene antecedentes de exportación de ganado en pie, es un destino totalmente nuevo en ese sentido”, dijo Barre. Al ser consultado, si bien prefirió mantener en reserva el destino que luego fuera confirmado por el mismo programa, señaló que los avances han sido positivos y que desde el sector privado también hay expectativa respecto de la apertura de este mercado. No obstante, agregó que “no llevaría un volumen como el de Turquía pero es un destino interesante”, dijo.
fonte: Tardaguila Agromercados

segunda-feira, 6 de março de 2017

Luiz Sérgio Santos de Faria: Tradição de amor ao campo construída em família


Luiz Sérgio Santos de Faria: Tradição de amor ao campo construída em família

Foto: Associação Brasileira de Angus
Série - Vida de Técnico
Foi ainda piá nos campos do pai, no interior de Jaguarão, que ele aprendeu o valor de um bom gado de corte. E é na Fazenda Tio Gaspar, de onde saiu da Campanha para o mundo, que o médico veterinário Luiz Sérgio Santos de Faria trabalha até hoje com esmero pelo aperfeiçoamento da pecuária de corte e cria cerca de 250 cabeças de gado Angus. Mais do que dar o suor do rosto para a propriedade que construiu ao lado da família, ele é responsável pelos registros da Associação Brasileira de Angus na Metade Sul do Rio Grande do Sul, região onde estão alguns dos maiores berços da genética brasileira. Inspetor técnico da Angus há 26 anos, o homem de fala firme e 66 anos é um exemplo de comprometimento e amor pela profissão. “A Angus é uma raça muito boa e produtiva. Procuro fazer tudo o que faço com muita dedicação”, pontua.

O início da carreira começou logo após a formatura na Universidade Federal de Pelotas, em 1974. Aprovado em concurso público prestado para o Ministério da Agricultura, atuou na área fronteiriça em Santa Vitória do Palmar. Anos mais tarde, enquanto trabalhava no acompanhamento de uma exposição, foi indicado ao criador e então presidente da Angus, Reynaldo Salvador, a integrar o seleto grupo de inspetores técnicos da associação. Era 1991 e seu nome veio chancelado pelos amigos Wilson Saraiva e Helena Rotta. Com o apoio e o respaldo que a experiência de uma vida no campo lhe trouxe, Luiz Sérgio deu início à atividade, que segue até hoje com empenho. Em 2010, aposentou-se do Ministério da Agricultura, mas fez questão de continuar na ativa com a marcação Angus nos campos gaúchos.

Mas foi ao lado da esposa Maria Adélia Ferreira de Faria, com que é casado há nada menos do que 41 anos, que ele deixou seu grande legado ao mundo. Além da dedicação ao melhoramento da pecuária, Luiz Sérgio, como é conhecido entre os colegas, é pai de três mulheres de sucesso: Marcele (nutricionista), Marlise (administradora hospitalar e advogada) e Adélia (engenharia de alimentos). Mas foi o filho caçula João Tomás que seguiu os passos do pai, formando-se veterinário. Também é ele que, hoje, está ao seu lado no dia a dia da propriedade rural. “Acredito que cumpri minha missão. A raça Angus cresceu muito nesse tempo e sigo fazendo esse serviço porque gosto, não por obrigação”, confidencia.
Formação: Médico Veterinário pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) em 1974
Natural de: Jaguarão (RS)
Região de Atuação: Região Sul do Rio Grande do Sul, de Camaquã a Santa Vitória do Palmar
Qual foi a primeira vez que ouvir falar na raça Angus: Ouço falar da Angus desde criança, uma vez que a propriedade da família era vizinha do criador Jaime Silveira Ferreira, titular da Cabanha Telho Chico
Há quanto tempo atua junto à Associação Brasileira de Angus: 26 anos
Uma receita infalível com Carne Angus: Assado de tira com sal grosso e uma boa brasa
Um rebanho inesquecível: Vejo um rebanho inesquecível todos os anos na Estancia Tradição, da Parceria Rotta Assis, em Santa Vitória do Palmar.

Fonte: ABA

sexta-feira, 3 de março de 2017

Carta Conjuntura - Importação de carne bovina




Recentemente foi anunciado que um grande frigorífico importará carne norte-americana para ser distribuída no mercado brasileiro.

Alguma novidade? Nenhuma, pois importamos há tempos picanha da argentina, sem trauma algum.

A importação, será de carne premium, mais cara e dirigida para um público que gosta de comidas gourmet.

Mas por que importar essa carne?  Naturalmente, para que o frigorífico importador supra esse nicho de mercado e fature mais. Oportunidade de negócio.

E esse nicho não poderia ser atendido pelos produtores nacionais, os pecuaristas? Poderia é claro, e na verdade atende, mas, além do apelo do consumo do produto importado e o brasileiro gosta disso, especula-se que a produção lá fora seja mais barata, que o custo seja menor, que se paga menos imposto e que a ração seja mais barata. O frigorífico ganharia mais, apesar da cotação da arroba do boi gordo norte-americano ser maior.

Até aí nada demais, contudo, será ruim se a produção norte-americana for subsidiada, com facilidades para os fazendeiros norte-americanos. Nesse caso a competição seria desleal, estaríamos importando subsídios. Uma sacanagem.

Mas afinal, a carne norte-americana é melhor? Não, não é melhor, é na melhor das hipóteses, igual, de mesma qualidade, digamos assim. Os restaurantes brasileiros e as casas de carne são supridas de carne bovina de primeira qualidade, suculentas, saborosas, bem cortadas, bem embaladas, porcionadas e, originadas dos rebanhos nacionais.

E os rebanhos nacionais? Bem, aí levamos uma vantagem tremenda. Nossas boiadas são criadas em pasto, soltas, livres, respeitando a característica do ruminante, do pastejo, do descanso. Nos Estados Unidos, quase todo o rebanho é confinado desde a desmama e com dieta a base de grãos. Uma violência. Tem-se que transformar um bovino, um animal com quatro estômagos, num animal monogástrico. Dureza.

No Brasil, quando muito, apenas 10% dos bovinos abatidos são terminados em confinamento, de três a quatro meses, e não a vida toda. 

E quanto aos hormônios? Nos EUA eles são liberados e no Brasil proibidos. Como fica isso? Boa pergunta, se você é contrário ao uso de hormônios em bovinos, certamente não poderá consumir carne importada dos EUA, por que lá pode. E hormônio faz mal? Aí entramos numa discussão sem fim. Se no Brasil o uso de hormônios está banido, para que discutir isso? Carne brasileira não tem hormônio.

No ano passado os Estados Unidos abriram o mercado para a carne bovina in natura, em função desse ato, não deveríamos, em contrapartida, receber carne bovina norte-americana? Numa transação comercial, a contrapartida é inerente ao negócio e se esse cenário se desenhar, a da importação de carne premium, especula-se que o Brasil exportará para os EUA carne de zebu, carne magra para processamento em hambúrgueres. É verdade? Não sei, trata-se de especulação, mas o que importa é o equilíbrio da balança comercial, que por sermos pobres e fracos, não pode pender para o lado de lá.

Mas se você não está gostando desse negócio de carne bovina importada, faça o seguinte, recuse-a. Quando o garçom oferecer picanha argentina, desconverse e diga que prefere a nacional, se o cara insistir e oferecer um delicioso T-bone, norte americano, decline e peça um suculento contrafilé meio sangue angus, meio sangue nelore.

Se você for um purista, peça uma peça de carne de nelore, de angus, de Hereford, de Braford, de Senepol, etc., mas produzidas no Brasil, em todo o Brasil.
fonte: Scot Consultoria

RS: Rio Grande do Sul exporta carne bovina in natura para os EUA pela primeira vez




O primeiro embarque de carne in natura produzida no Rio Grande do Sul com destino aos Estados Unidos ocorreu nessa quinta-feira (02). O envio de dois contêineres, totalizando 52 toneladas, partiu da unidade Marfrig de São Gabriel. Até o momento, o frigorífico Marfrig é o único do estado credenciado a exportar carne para os EUA.

"Sem dúvida é um marco, uma grande conquista. Este foi um dia histórico para o Rio Grande do Sul, pois os Estados Unidos são um mercado com grande potencial. Parabéns à indústria Marfrig por cumprir todas as etapas e alcançar esse mercado e a todos os demais envolvidos nesse avanço e conquista, que certamente trará novas e boas perspectivas para a pecuária de corte gaúcha", afirmou o secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo, que acompanhou o embarque.

A autorização para que o Brasil iniciasse as exportações aconteceu no ano passado, quando o secretário Ernani Polo esteve em Brasília com o ministro da agricultura, Blairo Maggi. Na ocasião, Maggi trocou uma carta de Reconhecimento de Equivalência dos Controles de Carne Bovina com a embaixadora americana no Brasil, Liliana Ayalde, selando o acordo de abertura de mercado. Atualmente, em todo o Brasil, existem 11 frigoríficos habilitados.

Fonte: Governo do Rio Grande do Sul 

RS: primeiro embarque de gado vivo do ano no Porto do Rio Grande, diz Suprg




Nesta sexta-feira (03), está sendo realizada a primeira operação de carga viva na zona primária do Porto Novo, no Porto do Rio Grande, em 2017. A embarcação responsável pelo transporte é o navio, de bandeira panamenha, MV ‘Polaris-2’. Ao todo, serão exportadas cerca de nove mil cabeças de gado com destino à Turquia.

O navio Polaris-2 possui 150 metros de comprimento e 23 de largura. No ano de 2016, foram exportados à Turquia 46.481 animais vivos. Um aumento de 416% quando comparado ao ano de 2015 que movimentou apenas nove mil cabeças de gado. A primeira exportação para o país pelo porto rio-grandino foi em 2009.

A Superintendência através da Ordem de Serviço 02/2016 definiu medidas para que operações desse tipo ocorram com a menor interferência nas demais atividades portuárias.  Entre os itens resolvidos estão a determinação que a embarcação deverá chegar ao Porto do Rio Grande, com seus porões e currais limpos, sem resíduos e sem carga viva a bordo.  A medida procura garantir os menores impactos sociais causados pela aglomeração de animais.

Fonte: Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg) 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Na comparação mensal carne bovina ganhou competitividade frente à carne de frango



Foto: www.independent.co.uk

Atualmente, a relação de troca entre o boi casado de animais castrados e a carcaça de frango está em 2,57. Ou seja, com o preço de um quilo da proteína bovina é possível adquirir 2,57 quilos de carcaça de frango no atacado.

Em relação a fevereiro do ano passado, esta relação está 5,5% maior, o que quer dizer que a carne bovina perdeu competitividade frente à carne de frango.

Este fato vem ocorrendo desde outubro de 2016, resultado da queda de 20,1% na carcaça de frango e de 1,0% para o boi casado de animais castrados no período.

Já em relação a janeiro deste ano a relação está 2,0% menor. Isso que dizer que a carne bovina ganhou competitividade frente à carne de frango no último mês.

Figura 1.Relação entre o boi casado de animais castrados e a carcaça de frango no atacado em São Paulo.
Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

quarta-feira, 1 de março de 2017

Dados mostram que o padrão do gado brasileiro melhorou muito


Foto: beefpoint.com.br
Dados obtidos com exclusividade por DBO mostram que o padrão de carcaças do gado brasileiro melhorou muito e já permite ao País vislumbrar a posição de vendedor de carne de qualidade e não apenas commodity.
O Brasil é apenas um produtor de carne commodity ou pode atender mercados de maior valor agregado? Esse sempre foi um dilema da cadeia pecuária bovina nacional. Inúmeros debates abordaram o tema nos últimos anos sem chegar a conclusões práticas, pois embarravam na heterogeneidade da matéria-prima entregue aos frigoríficos.
Esse cenário começa a mudar. Dados obtidos com exclusividade por DBO mostram que o padrão do gado brasileiro melhorou muito. Falta pouco – apenas um ou dois degraus – para se atingir níveis mais elevados de qualidade.Os principais frigoríficos do País (JBS, Marfrig, Minerva e Frigol) confirmam: nossas carcaças estão “saindo do vermelho”. Uma mudança digna de comemoração, mas que impõe novo desafio: articular a cadeia produtiva para decidir novos rumos.
Onde estamos? Segundo levantamento da JBS, com base no Programa Farol da Qualidade, apenas 15,27% das carcaças processadas pela companhia, entre janeiro e outubro deste ano, tinham padrão indesejável (farol vermelho), apresentando peso inadequado (abaixo de 16 ou acima de 26@), maturidade avançada (4-5 anos) e falta de acabamento, em contraste com 32,9% em 2014. Isso significa redução de 17,6 pontos percentuais O número de bovinos classificados como desejáveis (farol verde) passou de 14,47% para 18,53% e o de toleráveis (farol amarelo) de 52,55% para 66,19%. “Com algumas exceções regionais, o padrão da matéria-prima nacional melhorou por dois motivos simples: o gado está sendo abatido mais jovem e mais pesado”, explica Fábio Dias, diretor de relacionamento com pecuaristas da JBS, cujo abate, estimado em 7 milhões de cabeças/ano, constitui amostra representativa do gado produzido no País.
O que falta para darmos um salto maior? Diminuir problemas de acabamento e pH, que funcionam como uma trava à agregação de valor nas carcaças. Hoje, 64,8% dos animais abatidos pela JBS ainda têm gordura ausente (0 mm) ou escassa (1 a 3 mm). Já foi pior. Em 2013, esse percentual era de 67,5%.
Observou-se um leve aumento no número de animais com gordura mediana (3 a 6 mm), que passou de 30,1% para 33,4% do abate total no mesmo período, mas esse movimento é ainda tímido e quase sempre circunscrito às regiões de pecuária mais tecnificada. “Em Estados como Rondônia, por exemplo, que produz boi a pasto e foi deixando gradativamente de castrar, o percentual de farol vermelho subiu de 28%, em 2011, para 66%, em 2015. Estamos recebendo animais pesados, porém velhos, sem acabamento e com problemas de pH, por serem inteiros”, diz Fábio Dias.

Vitória da balança

Antes de discutir essa questão, contudo, é necessário compreender a vitória da balança. Não somente as indústrias relatam incremento de peso nas carcaças. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que os machos, por exemplo, estão pesando 1,5@ mais do que há 10 anos.
Entre 2007 e 2016, seu peso avançou de 17,2@ para 18,7@. As fêmeas passaram, no mesmo período, de 12,5@ para 13,6@. Conforme mostra o gráfico abaixo, elaborado pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da MBAgro Consultoria, de São Paulo, o maior salto ocorreu entre 2014 e 2015. O descolamento entre as linhas verde e azul representa uma diferença de mais de 10 kg no peso das carcaças. Os números de 2016 (linha vermelha) ainda são parciais, mas confirmam a tendência de alta. No chão de fábrica, não tem sido diferente. A JBS registrou pesos ainda maiores do que os do IBGE. Os machos passaram de 17,7@, em 2013, para 19,5@, em 2016, e as fêmeas, de 10,2 para 14@.
Mesmo sem revelar números, o Frigol diz ter observado aumento contínuo no peso das carcaças, especialmente no Pará, onde a empresa concentra 65% de seus abates. Maurício Manduca, gerente corporativo de compra de gado da Marfrig, relata aumentos de 10%, 7% e 6% no peso das categorias de 0, 2 e 4 dentes respectivamente, nos últimos quatro anos, porém o recorde de peso é do Minerva. Por exportar 70% de sua produção, essa empresa compra pouca fêmea, dando preferência aos machos, cujo peso médio passou de 18,5@, em 2014, para 20@, em 2016. “Há variações regionais.
Em Palmeiras, GO, por exemplo, a média subiu de 18,4@ para 19,2@ nesse período; em Araguaína, TO, de 17,5@ para 18,5@, e, em Bonifácio, SP, de 19,1@ para 20@”, informa Fabiano Tito Rosa, gerente de compra de gado da empresa. Os bovinos abatidos no País também estão mais jovens. Em 2013, 56,7% dos machos abatidos pela JBS tinham até quatro dentes incisivos definitivos (30 a 36 meses de idade); hoje, esse percentual é de 67,2%, com expressivo crescimento na categoria de até dois dentes (15,4% para 27%). Os animais erados (oito dentes ou 4-5 anos de idade) caiu de 17,4% para 11,9%. Os números da Marfrig também indicam avanços: em quatro anos, a participação dos novilhos dente de leite no abate aumentou em 4% e a dos machos de oito dentes diminuiu em 3%.
O Frigol confirma redução na idade do gado, especialmente em São Paulo. Já o Minerva não observou muita mudança nesse quesito porque trabalha com bois de até 36 meses, que lhe permite atender todos os mercados de exportação. “Se eu tinha 75%-80% de animais até essa idade, agora tenho 80%-85%. O que posso afirmar é que ficou mais fácil achar essa matéria-prima”, diz Tito Rosa.

Propulsores do peso

Segundo Flávio Portela, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), a causa dessa evolução em peso e precocidade é conjuntural. “Claro que os investimentos feitos em nutrição, genética e sanidade ajudaram, mas o principal elemento propulsor foi a alta do bezerro. Com ágios que ultrapassaram a barreira dos 40%, os produtores foram obrigados a diluir seus custos aumentando o peso das carcaças”, salienta. Essa estratégia ganhou força especialmente entre 2014 e 2015, apesar do milho caro. Nesse período, o bezerro Nelore chegou a atingir picos de R$ 1.400. “Hoje, já está mais barato, porém suponhamos que um animal de 6@ seja comprado por R$ 180 a arroba e que o boi gordo esteja a R$ 145/@.
De cara, o produtor já começa com um prejuízo de R$ 35/@ ou R$ 210/cab, que precisa ser diluído nas etapas seguintes”, diz Portela. O ágio do bezerro, que estimulou o aumento de peso das carcaças, está inserido no processo de intensificação da pecuária, acrescenta Flávio Dutra de Resende pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), polo regional de Colina. “Como a margem do produtor diminuiu, ele foi obrigado a produzir mais por hectare em menor tempo, acelerando o ciclo produtivo”, diz Dutra, que é um dos “pais” do chamado boi 7-7-7, abatido aos 24 meses após ganhar 7@ na cria, 7@ na recria e 7@ na terminação.
Para produzir esse tipo de animal, é necessário suplementá-lo desde a desmama, prática já bastante difundida no País. “Todo mundo hoje dá um trato no gado”, salienta Tito Rosa, do Minerva, informando que 90% dos bois abatidos pela empresa, nesta entressafra, passaram pelo cocho (75% em confinamento e 15% em semi). Na safra, esses percentuais foram de 40% e 30%, respectivamente.
Uma quantidade muito expressiva em comparação com os 5% e 10% de 2014. As vendas de insumos refletem essa nova realidade da pecuária. Conforme levantamento da Associação Brasileira de Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), em 2015 as vendas de suplementos proteico-energéticos (principais produtos usados para tratar bovinos a pasto) cresceram 22,1% em comparação com 2014, passando de 193.454 para 235.629 toneladas.
Sua participação nas vendas totais subiu de 13% para 17,5% no período. No Mato Grosso, 18,5% dos bois já são arraçoados (6,4% em confinamento e 12,1% em semi), conforme estudo feito pela Acrimat, associação dos criadores do Estado. A integração lavoura-pecuária, adotada por 30% dos pecuaristas entrevistados na pesquisa, também contribuiu para a redução na idade de abate e a produção de carcaças cada vez mais pesadas, com a ajuda de duas ferramentas gêmeas no Brasil: boi inteiro e confinamento.
Fonte: Portal DBO

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vacas Novas para Reprodução a Venda


VACAS ENTOURADAS
Lote: 0434
Quantidade: 50
Peso Médio: 420
Sexo: Fêmeas
Tipo idade: Anos
Idade: 3-4
Raça: Braford
Animal: Vacas entouradas
Valor: R$ 4,50
Cidade: Piratini
Estado: RS
País: Brasil
Observação: Excepcional lote de vacas Braford com serviço de touros Braford. Ainda não foi feito Ultrasom para confirmação de prenhes. Origem de gado de cabanha.
Imagens do lote

Tratar com Lund 053.999941513 ou Charles 053.999915601

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Principais indicadores do mercado do boi – 21-02-2017

Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&F, margem bruta, câmbio
20/02/17Diferença
17/Fev13/Fev18/Jan/17
Boi Gordo – Esalq/BM&F à vistaR$ 145,570,99%0,05%-2,14%
Bezerro – Esalq/BM&F à vistaR$ 1.172,98-1,85%-3,38%-5,77%
Margem bruta na reposiçãoR$ 1.228,933,85%3,57%1,60%
Boi Gordo – em dólaresUS$ 47,091,09%0,82%1,96%
DólarR$ 3,09-0,10%-0,76%-4,01%
Fonte: Esalq/BM&F, Bacen, elaboração BeefPoint
O indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo apresentou alta de 0,99%, nessa segunda-feira (20) sendo cotado a R$ 145,57/@. O indicador a prazo foi cotado em R$ 146,00.
Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro à vista x margem bruta
O indicador Esalq/BM&F Bezerro apresentou baixa de 1,85%, cotado a R$ 1172,98/cabeça nessa segunda-feira (20). A margem bruta na reposição foi de R$ 1228,93 e apresentou alta de 3,85%.
Gráfico 2. Indicador de Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista em dólares e dólar
Na segunda-feira (20), o dólar apresentou apresentou baixa de 0,10% e foi cotado em R$ 3,09. O boi gordo em dólares registrou valorização de 1,09%, sendo cotado a US$ 47,09. Verifique as variações ocorridas no gráfico acima.
Tabela 2. Fechamento do mercado futuro em 20/02/17
Vencimento Fechamento Diferença do dia anteriorContratos em abertoContratos negociados 
Fev/17144,480,2172391 
Mar/17142,500,7152861 
Abr/17142,410,84180 
Mai/17141,290,874.184823 
Jun/17142,030,7630 
Jul/17142,700,6600 
Ago/17143,380,5600 
Set/17143,990,4600
Out/17144,600,351.76621 
Indicador de Preço Disponível do Boi Gordo Esalq/BM&F – Estado de SPIndicador de Preço Disponível do Bezerro Esalq/BM&F – Estado de MS
DataÀ vista
R$/@
A prazo
R$/@
DataÀ vista
R$/cabeça
A prazo
R$/cabeça
10/02/17144,93145,3010/02/171214,01.
13/02/17145,49145,9313/02/171214,011220,57
14/02/17144,98145,6814/02/171201,271203,57
15/02/17145,09145,4115/02/171201,271203,57
16/02/17144,69145,0016/02/171201,701203,57
17/02/17144,15144,5717/02/171195,141197,00
20/02/17145,57146,0020/02/171172,981174,97
Fonte: Esalq/BM&F, elaboração BeefPoint.
O contrato futuro do boi gordo para fev/17 apresentou alta de R$ 0,21 e foi negociado a R$ 144,48 em relação ao dia anterior.
Gráfico 3. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x contratos futuros para fev/17
Acesse a tabela completa com as cotações de todas as praças levantadas na seção cotações.
Tabela 3. Atacado da carne bovina
20/02/17Diferença
17/Fev13/Fev18/Jan/17
Traseiro (1×1)R$ 11,800,00%0,00%-3,28%
Dianteiro (1×1)R$ 7,600,00%1,33%0,00%
Ponta AgulhaR$ 7,600,00%0,00%-2,56%
Equiv. FísicoR$ 168,810,00%0,12%-3,00%
Spread Eq. Físico/EsalqR$ 23,24-5,76%0,48%-8,07%
Fonte: Boletim Intercarnes, elaboração BeefPoint
No atacado da carne bovina, o equivalente físico foi fechado a R$ 168,81. O spread (diferença) entre os valores da carne no atacado e do indicador do boi gordo foi de R$ 23,24 e sua variação apresentou baixa de R$ 1,42 no dia. Conforme mostra a tabela acima
Gráfico 4. Spread Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x equivalente físico
O Spread é a diferença entre os valores da carne no atacado e do Indicador do boi gordo. Desta forma, um Spread positivo significa que a carne vendida no atacado está com valor superior ao do boi comprado pela indústria, deixando assim esta margem bruta positiva e oferecendo suporte ou potencial de alta para o Indicador, por exemplo.
fonte: Beef Point