quinta-feira, 8 de novembro de 2018

RS - Boi Gordo / Mês de Outubro 2018



O comportamento dos preços pagos pelo boi gordo, no mês de outubro segue a tendência apontada nos últimos três meses, sem alterações significativas ao pecuarista, mas agora também acompanhada do que vem ocorrendo no Brasil Central, onde o preço do boi também segue em baixa. O preço pago no quilo vivo, com pouquíssimas vendas nessa modalidade, para a vaca aumentou 1,3% e na carcaça 1,8%, em relação ao mês anterior. Para o boi, comercializado no kg vivo não houve alteração, porém na carcaça cresceu 2,6%. A diferença do preço pago pela vaca em relação ao boi é um sinal importante do mercado. Quanto maior for essa diferença, maior é a crise no setor. No mês de outubro a vaca estava com um deságio de 16% em relação ao boi na compra do animal vivo e 10% na carcaça. Esses valores estão muito acima dos valores históricos, embora venham refletindo o que ocorreu nos últimos 30 meses. No mesmo período de 2017, esse deságio atingiu 19% na modalidade kg vivo. Esse é um sinal preocupante, pois significa que os frigoríficos não estão querendo adquirir vacas para completar suas escalas o que acaba também pressionando o preço do boi. As perspectivas decorrentes do resultado eleitoral, com uma política econômica mais otimista e liberal, a eventual abertura de exportação de gado em pé, o aumento da demanda desencadeada nos dois últimos meses do ano e o final do ciclo das pastagens de inverno/primavera deverão desencadear uma reação positiva nos preços. Contudo, esta reação deve ser modesta, pois não há espaço para o consumidor absorver majorações de preços. De outra parte, como o valor da arroba no Brasil Central não reage, sempre existe a oportunidade de colocar carne resfriada no varejo gaúcho de forma competitiva. Um dos mecanismos para o pecuarista compensar esse menor preço pago pelo kg em relação aos anos anteriores é aumentar o peso de abate dos seus animais de modo a gerar um maior valor nominal e despertar o interesse por mais indústrias de abate.



fonte: NESPro

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Irã e Egito demonstram interesse em exportação de gado em pé do RS





Reunião com investidores e empresários do setor ocorreu na Secretaria nesta terça
Investidores do Irã e Egito se reuniram nesta terça-feira (6), na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, em Porto Alegre, com representantes das empresas exportadoras de carne do Rio Grande do Sul, com o objetivo de iniciar tratativas para a exportação do gado criado no estado.

Os dois países já importam gado brasileiro, mas oriundos do Centro-Oeste e Norte do Brasil, que privilegiam cruzamentos zebuínos, com aptidão para a produção de leite. O empresário Mauro Pilz destacou as diferenças entre as raças criadas no Rio Grande do Sul, de origem europeia, que, por serem raças de corte, consomem menos recursos por quilo de carne, comparadas a outras.
O empresário egípcio Magdy Zaky, que também comanda uma das maiores operações de produção de silagem do Egito, pontuou que o plano inicial é comprar gado gaúcho nos quatro meses em que o comércio com os estados do Norte fica inviabilizado, por causa do clima. A preocupação central dos investidores era se os animais criados no Sul se adaptariam facilmente ao clima de seus países de origem.
“O Rio Grande do Sul apresenta grandes variações climáticas e, por isso, nosso gado está totalmente adaptado a baixas e altas temperaturas”, destacou Pilz. Além disso, o diretor de Defesa Agropecuária da Secretaria, Antônio Carlos Ferreira Neto, ressaltou que o controle sanitário e a certificação garantem a qualidade dos animais que serão exportados.
A reunião foi concluída com visita técnica a uma fazenda produtora de hereford em Eldorado do Sul. Participaram da reunião o diretor de Defesa Agropecuária da Secretaria, Antônio Carlos Ferreira Neto, e os empresários Mauro Pilz (Brasil), Davi Khoury (Brasil), Nasser Zayan (Irã) e Magdy Zaky (Egito).

POR ELAINE PINTO

fonte: SEAPI

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Carne brasileira atinge patamar superior com selo de qualidade

Programas de certificação são aposta de associações de raças para sucesso do produto

Programas de certificação são aposta de associações de raças para sucesso do produto
 AB ANGUS/DIVULGAÇÃO/JC Guilherme Daroit 

Todo mundo já deve ter ouvido, em algum momento da vida, que carne boa é a uruguaia ou a argentina. No mundo, então, elas ganham companhia dos produtos australianos, norte-americanos e até mesmo japoneses. Ainda vista como fornecedora de commodities, a pecuária brasileira vem buscando mudar seu conceito, interna e externamente, para entrar definitivamente para essa "elite" da carne bovina mundial. Uma das apostas de maior sucesso são os programas de certificação das próprias associações de raças, que jogam para cima o padrão e permitem dar volume a um segmento premium até pouco tempo quase inexistente. Há, hoje, seis programas a pleno vapor no País, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que assumiu a capitania do sistema: os das raças Angus, Hereford, Charolês, Devon, Nelore e Wagyu. Outros cinco encontram-se em outros estágios, com protocolos já assinados ou em desenvolvimento e análise, entre eles as raças Brangus, Senepol e Braford, além de um protocolo que não abrange raça, mas território e método de criação, referente à carne sustentável do Pantanal, organizado pela Associação Brasileira de Produtores de Orgânicos. Talvez prova do sucesso do modelo, há, ainda, uma proposta em análise da raça ovina Texel, que seria a primeira fora da cadeia bovina. Parte de uma série de iniciativas que buscam melhorar a qualidade do rebanho brasileiro nas últimas décadas, os protocolos mantidos pelas associações apresentam relativa similaridade entre si. Em comum, para a certificação, há a exigência de padrão racial (geralmente com pelo menos metade do sangue da raça certificadora), de idade dos animais e de parâmetros como a espessura da camada de gordura das carcaças. Os requisitos são avaliados por técnicos das associações nas indústrias. Em troca, os produtores recebem bonificações na venda dos animais aos frigoríficos, que chegam a até 10% de sobrepreço, pois o produto final também consegue ser vendido por um valor mais elevado nas gôndolas. O primeiro destes programas teve início há exatos 20 anos, embora o primeiro abate só tenha ocorrido em 1999. Foi o Carne Pampa (o nome faz menção à pelagem característica dos animais, não ao bioma), criado pela Associação Brasileira de Hereford e Braford, em parceria com o então Frigorífico Mercosul, hoje incorporado à Marfrig, de Bagé. O impulso durou pouco, afetado pela crise da febre aftosa na virada do milênio que paralisou os abates do programa em 2001. O Carne Pampa voltaria a rodar em 2005, já com outros parceiros (o Frigorífico Silva, de Santa Maria, e o Grupo Zaffari). Hoje, o selo da Hereford é integrado por seis frigoríficos e mais de 3 mil criadores. Quando retornou, porém, o Carne Pampa já tinha companhia. Dois anos antes, em 2003, a Associação Brasileira de Angus havia dado a largada para o seu programa de carne certificada. Junto com o mesmo Mercosul e o Grupo Zaffari, no primeiro mês do programa foram produzidos 2,3 mil quilos de carne Angus, de animais de 20 produtores, que dariam origem ao maior dos protocolos no País. Completando 15 anos de vida, atualmente são 6 mil criadores, 40 plantas industriais e produção de cerca de 2,5 milhões de toneladas por mês no programa. Das raças europeias presentes no Estado, outras duas criaram seus próprios protocolos mais recentemente. Em 2014, foi a vez da Associação Brasileira de Criadores de Charolês, programa que atualmente conta com dois frigoríficos participantes, com cerca de 350 produtores. E, recém completando um ano de vida, o programa da Associação Brasileira da Raça Devon é o 'caçula' da turma, com um frigorífico e 150 produtores cadastrados. Ambos os protocolos, porém, ainda têm seus participantes restritos à Santa Catarina. Mesmo assim, as duas associações trabalham para integrar a cadeia gaúcha ao sistema. "Todos esses programas vêm trazer transparência ao consumidor, que hoje consegue saber que aquele corte tem um rótulo com uma garantia por trás, que a associação garante o padrão de qualidade", afirma o coordenador dos Protocolos de Rastreabilidade da CNA, Paulo Costa. O ponto chave, para Costa, reside na transparência. Embora ainda majoritariamente restritas à bovinocultura e começando a chegar aos ovinos, essas iniciativas poderiam ser adotadas por praticamente qualquer cadeia agrícola, segundo o coordenador, citando demandas de mercado como galinhas criadas soltas e peixes sem antibióticos como exemplos. 

Angus já possui escala e alcança exterior 

Objetivo é integrar a cadeia produtiva e gerar benefícios para todos os elos
Objetivo é integrar a cadeia produtiva e gerar benefícios para todos os elos /EDUARDO ROCHA /DIVULGAÇÃO/JC

 Entre todos os programas de certificação do País, o mantido pela Associação Brasileira de Angus é o visto como modelo pelo alcance que atingiu. Segundo o gerente do programa, Fábio Schuler Medeiros, os rótulos Angus já respondem por 45% da carne "premium" vendida no Brasil - que engloba ainda os programas das outras raças, as marcas próprias da indústria e a carne importada de países como Argentina, Uruguai, Austrália e Estados Unidos. Levando em conta só a produção nacional, a participação seria de mais de 80%. Um dos motivos para o crescimento, segundo Medeiros, foi ter alcançado sucesso em um dos objetivos iniciais do programa, que era conseguir integrar a cadeia produtiva e gerar benefícios para todos os elos. O grande salto apontado, porém, foi a real profissionalização do programa, iniciada em 2005 e consolidada em 2007, com o estabelecimento de padrões auditáveis e, com isso, certificações internacionais. "Isso nos catapultou para fora do Estado, ajudou a ganhar o Brasil todo", comenta Medeiros, que credita a isso o interesse maior das indústrias da metade Norte do País pelo programa. Outro ponto, entretanto, contribuiu para o conhecimento da marca. Em 2011, a carne - e o nome - da raça chegaram à rede McDonald's, o que popularizou a palavra britânica Angus em solo nacional. Mesmo já sem a parceria, o fast food ajudou no boom. De um único supermercado, no início, as carnes já chegam agora a 5 mil pontos de venda no País, com crescimento anual de vendas em torno de 20% desde 2007, segundo Medeiros. O ganho de escala ajudou o programa, a partir de 2014, a voltar suas atenções para o exterior. Embora a venda externa ainda seja pequena, 5% do volume produzido, os produtos certificados estão sendo exportados por US$ 9,5 mil a tonelada, mais do que o dobro da média nacional. No mês passado, a Associação levou o produto à Sial Paris, talvez a mais importante feira alimentícia do mundo, em iniciativa que repete anualmente. "É um trabalho de formiga. É um produto que ainda é muito mais valorizado no mercado interno do que na exportação", comenta o gerente. Coordenador dos protocolos de rastreabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Paulo Costa, argumenta que o programa da Angus vê resultados de uma longa caminhada. "Foi feita muita publicidade, um trabalho de excelência na qualidade, inúmeros seminários, degustações, feiras, para agora estar colhendo os frutos", comenta. Costa também vê o programa com relevância para o setor externo, por ter atingido volume que permite buscar outros mercados e, com isso, tirar a carne brasileira do rol das commodities. As outras raças, argumenta o coordenador, ainda não conseguem atender a toda a demanda pelos seus produtos internamente, tornando mais difícil que se voltem, por enquanto, ao exterior. "Até mesmo a imagem da carne brasileira ainda precisa ser bem trabalhada", comenta. O coordenador exemplifica a situação com o relato de brasileiros que foram a restaurantes na França que vendiam 'carne argentina' e, após pedirem para a ver a embalagem, descobriram que era, na verdade, carne brasileira. "Precisamos tirar algumas impressões do passado e estamos trabalhando para revertê-las, não só no campo, mas também no mercado", defende Costa

. Padrão mais elevado de consumo segue tendência de outros setores
Mesmo dentro do Brasil, segmento premium ainda busca seu espaço
 Mesmo dentro do Brasil, segmento premium ainda busca seu espaço FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC 
Ainda que a exportação seja o desejo da cadeia produtiva, pelo menos no curto e médio prazos o grande "front" da carne brasileira é, mesmo, o mercado consumidor interno. Mesmo dentro do Brasil, o segmento "premium" ainda busca seu espaço e, a carne brasileira, o seu quinhão em meio aos produtos importados. Segundo o superintendente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Márcio Milan, o nicho como um todo representa 15% na venda de carnes no País. O executivo lembra que por muito tempo a carne bovina não conseguia manter padrão de qualidade nem possuía marcas, o que mudou nos últimos anos. "Os consumidores começaram a perceber uma carne de melhor qualidade, cortes especiais e diferenciados que caíram no gosto dos mais exigentes", argumenta Milan. Diretor do Grupo Zaffari, rede varejista que deu o suporte inicial aos dois programas pioneiros do País (Hereford e Angus), Claudio Luiz Zaffari, comenta que o processo no Estado vem desde os anos 1970, com o programa Novilho Precoce, coordenado pelo governo gaúcho. A oferta de carne resfriada na entressafra se chocou com o padrão da época, onde havia apenas a venda de carne descongelada da safra anterior, representando "uma forte mudança de cultura para os gaúchos", segundo Zaffari, que passaram a comprar carne embalada a vácuo. Mesmo que lentamente, o bom resultado da iniciativa ajudou que outros passos fossem dados nessa direção. "Aos poucos foram sendo rompidas as barreiras e formando nos criadores, indústrias e consumidores, a consciência da possibilidade de mudar os hábitos tão antigos", comenta Zaffari, que hoje possui marcas e padrões próprios de carne bovina premium em suas lojas. Não por acaso, outros setores alimentícios passam pelo mesmo processo. Cafés, chocolates, cervejas, para citar apenas alguns, também apostaram em segmentos de qualidade - e preço - mais elevados, com sucesso. A carne bovina, de acordo com o superintendente da Abras, acompanha o movimento de forma gradativa, mas em velocidade menor, pois os outros já possuem marcas consolidadas e que conseguem transmitir atributos de qualidade, algo ainda incipiente na carne. Um dos trunfos do segmento é a fidelização dos chefs de cozinha, que ajudam a respaldar e difundir as carnes certificadas de raças. "Os chefs hoje procuram esses cortes por saberem que é diferenciado e que o padrão é o mesmo", comenta a gerente do programa Carne Pampa, Fabiana Rosa de Freitas. O uso é um aliado no confronto com as carnes dos países vizinhos, que já tinham sua imagem de qualidade difundida quando a pecuária brasileira entrou no jogo. "Nossa carne é tão boa quanto, mas temos que informar o consumidor. É difícil para mudar, mas vamos fazer de tudo para que seja reconhecida", continua Fabiana.   

Programas promovem difusão da genética e geram crescimento dos rebanhos de raça 

Em cenário de competição, associações afirmam manter boas relações entre si
Em cenário de competição, associações afirmam manter boas relações entre si DEVON/DIVULGAÇÃO/JC 

Se em uma ponta da cadeia a busca é pelo aumento na demanda pela carne de qualidade, a maior remuneração paga pelos frigoríficos aos produtores resulta, na outra ponta, em uma maior difusão da genética das raças bovinas europeias criadas no Rio Grande do Sul. "O programa de certificação serve também para alavancar a genética. Gera essa promoção das raças, faz com que aumente o pedido por doses, por animais para terminação", comenta a gerente do programa Carne Pampa, Fabiana Rosa de Freitas. No mês passado, exemplifica a executiva, o início do programa em um frigorífico em Boituva (SP) resultou, apenas uma semana depois, na encomenda de 600 doses de sêmen Hereford para produtores da região. Já há mais de uma década no mercado, Fabiana projeta que poderia vender mais carne Hereford caso houvesse oferta maior do que os 1,1 milhão de toneladas desossadas produzidos em 2017. "Se tivéssemos o triplo de produção, ainda faltaria carne para atender ao mercado, que já nos conhece", afirma a gerente. Mais recente dos programas, a raça Devon, por exemplo, também vê agora um incentivo para aumento no volume de animais. "As feiras de touros têm sido um sucesso, com pista limpa e excelentes preços. Está havendo correspondência", conta a coordenadora do programa de certificação da Devon, Simone Bianchini. O volume hoje ainda é pequeno pela questão do acabamento, segundo a coordenadora, que espera um crescimento com a instituição de um novo produto dentro do programa, a partir de 2019, de novilhos 100% criados a pasto. Nos feriados, chega a faltar carne certificada nos mercados catarinenses, principal reduto do programa. O quadro é parecido com o visto no Charolês, que utilizou o programa dentro de estratégias para melhorar a criação da raça no Brasil. "O Charolês mudou, ficou muito mais funcional, com melhor acabamento. É outra raça de quem a conheceu 20 anos atrás", argumenta o coordenador do programa de carne Charolês certificada, Eldomar Renato Kommers, que também comemora a venda de reprodutores em feiras em Santa Catarina. Conhecida pelo rápido ganho de peso, a raça aposta na possibilidade de abate de novilhos já com grande quantidade de carne. "Ainda estamos engatinhando. Tudo o que produzimos hoje é comercializado, e o importante é que tem sido bem aceito", afirma Kommers. Dentro do aparente cenário de competição, entretanto, as associações afirmam manter boas relações entre si. "Tem espaço para todo mundo, o Brasil é muito grande", afirma Fabiana, da Hereford. "Atuamos todos em conjunto, com a ideia de mostrar que a nossa carne é boa, é do Brasil, tem preço bom e não precisamos comprar de fora", acrescenta Simone, da Devon. 
FONTE:Jornal do Comércio