quarta-feira, 4 de abril de 2018

Missão saudita vem em maio avaliar fim da suspensão de embarques de boi vivo



Para Câmara de Comércio Árabe Brasileira, expectativa é de que o Brasil possa retomar as exportações para a Arábia Saudita em breve. Exportações de gado vivo brasileiro para Arábia Saudita estão suspensas desde 2002
O assessor da presidência da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Tamer Fawzy Mansour, informou ao Broadcast Agro, durante fórum realizado pela entidade em São Paulo, que uma missão da Arábia Saudita virá ao Brasil na primeira semana de maio para negociar a retomada das exportações de gado vivo brasileiro para o país, suspensas desde 2002. O tema foi discutido na visita da delegação brasileira ao país na semana passada, em uma reunião com o Vice-Ministro da Agricultura saudita. “No boi vivo, houve um avanço. Haverá uma delegação saudita que virá ao Brasil na primeira semana de maio para comprovar que está tudo dentro dos acordos internacionais.” A expectativa é de que, após a visita, o Brasil possa retomar as exportações para a Arábia Saudita em breve, segundo Mansour
fonte: Estadão Conteudo

domingo, 1 de abril de 2018

Investimento permite ser boiadeiro sem ter boi no pasto

Contratos futuros de boi gordo na BM&F Bovespa permitem o investimento tanto para quem é apenas especulador como para proteger o rebanho

"Cada pé desse café/Eu amarro um boi da minha invernada/E pra encerrar o assunto eu garanto/Que ainda me sobra uma boiada". Diferentemente do "Rei do Gado" de Tião Carreiro e Pardinho, dá para ser "fazendeiro" mesmo sem ter nenhum boi no pasto. Para isso, é preciso investir em contratos futuros de boi gordo na BM&F Bovespa. Mas, como na atividade rural, há riscos envolvidos nessa modalidade de investimento.
O investidor não precisa ter os animais na propriedade, já que o contrato negociado na Bolsa tem os valores baseados no indicador da arroba do boi Cepea/Esalq e, no vencimento, se pagam esses valores, além dos ajustes diários de mercado. Cada contrato equivale a 330 arrobas (a arroba pesa 15 quilos). O contrato é apenas por liquidação financeira.
Com a arroba a R$ 143,90 (cotação do dia 26), o contrato vai valer R$ 47.487, mas não é preciso investir todo esse dinheiro, e sim cerca de 5% do valor do contrato em garantia, que é para provar que o investidor tem como arcar com o prejuízo da operação, caso haja. "Esse percentual pode subir ou baixar de acordo com a volatilidade da arroba e a garantia pode ser em dinheiro, ações, CDB e títulos públicos", explicou Rodrigo Moraes Pinto, assessor de investimentos da RP Investimentos.
O ativo foi criado com o objetivo de evitar oscilações de preços, dessa forma o participante pode determinar o preço do boi antecipadamente. "Essa modalidade ajuda o produtor a proteger sua produção, embora a cultura dessa proteção ainda seja pequena no Brasil. Por outro lado, o especulador entra nesse mercado porque vê oportunidades", explica o assessor financeiro Maikel Jacob, da Jacob Capital.
De acordo com a BMF, o confinador, por exemplo, irá comprar, em maio, bois magros para engordá-los e vendê-los ao frigorífico em outubro. Para ele, os custos da aquisição do boi magro e de confinamento são conhecidos em maio, no momento da decisão pela engorda. No entanto, o preço de venda em outubro poderá comprometer os custos.
Para evitar o risco de queda dos preços, o pecuarista pode garantir, em maio, o preço de venda para outubro por meio do mercado futuro, segundo a BMF. O período de safra do mercado de boi gordo tem seu pico em maio. Nessa época do ano, há maior oferta de animais terminados (prontos para abate). O período de entressafra tem seu pico em outubro, pois, nessa época, a oferta é menor de animais terminados.
É preciso ficar claro que o Boi Gordo é uma commodity de renda variável, por isso há risco envolvido na aplicação. Daí não dá para se prever a rentabilidade. Para se ter uma ideia, nos últimos 12 meses, a cotação da arroba subiu de R$ 136,80 para R$ 145,02, segundo o Cepea/Esalq, o que representa alta de 6%. Nos últimos 30 dias, entretanto, houve queda de 1,37%, passando de R$ 145,90 para R$ 143,90.
Em geral, a volatilidade é baixa e os investidores se baseiam na diferença entre o preço do contrato futuro e o preço do boi no mercado físico, que são bem próximos. O lucro tem relação com o período de safra. Entre julho e setembro os preços caem em função do inverno. Para exemplificar como funciona o contrato: se o produtor pagou R$ 142 pelo valor da arroba e o mercado sobe a R$ 143, ele ganha R$ 1 por arroba. Agora, se o valor cai para 141, ele perde R$ 1 por arroba. Ou seja, o investidor não entrega boi, é uma questão de preço. Ele apenas recebe a diferença ou paga o prejuízo.
O contrato prevê a possibilidade de negociação com vencimentos mensais, com último dia de negociação e vencimento no último dia útil do mês de vencimento. A posição no mercado pode ser encerrada a qualquer momento. Para isso, a operação deve ser inversa, ou seja, deve ser comprado o mesmo número de contratos vendidos.

Modalidade é indicada para quem atua com pecuária

Arquivo pessoalO pecuarista Flávio Junqueira com o pai João Francisco: ele já fez operações no mercado futuro do boi
O pecuarista Flávio Junqueira com o pai João Francisco: ele já fez operações no mercado futuro do boi
A modalidade de investimento em mercado de contrato futuro de boi gordo é mais indicada para o pecuarista que comprou o animal e vai engordá-lo do que para o investidor, já que tem como objetivo a proteção às variáveis que incidem sobre a atividade produtiva. Outro exemplo: ele calcula o custo do R$ 140 por arroba e vende um contrato futuro no valor de R$ 145 já que o mercado está nesse valor. Dessa forma, prevê obter um lucro de R$ 5 por arroba.
Agora, se no vencimento do contrato o valor de mercado da arroba cai a R$ 130, ele ganha R$ 15 da BMF e vende para o frigorífico a R$ 130, o valor de mercado. "O produtor acabou vendendo o animal por R$ 130 a arroba, mas recebeu R$ 15 da Bolsa, então vendeu por R$ 145. É uma forma de se proteger das variáveis", explicou Rodrigo Moraes Pinto, assessor de investimentos da RP Investimentos.
O investidor também pode apostar na baixa do boi, o que representa operar no vendido. Se ele acredita que o valor da arroba vai cair, da mesma forma deposita a margem de garantia e, supondo que vende a R$ 145, e o boi cai R$ 1, ele ganha R$ 330. Ou seja, se aposta que a arroba vai cair, vende, se aposta que vai subir, compra. "Todos os dias, para cada contrato, recebe a diferença na conta ou paga a diferença", diz Maikel Jacob, assessor financeiro da Jacob Capital.
Segundo Jacob, o produtor faz o cálculo da seguinte forma: ele vai precisar de tantos anos para engordar X bois, o pessoal custa XX, o gasto de insumo é Y, o que vai representar um lucro de YY. "Faço a conta e vejo que está no positivo, monto a operação e vendo a futuro. Isso me garante hoje o preço lá na frente", disse. E quem vai comprar é alguém que vai precisar desse boi ou o investidor que aposta na alta da arroba.
O investimento precisa ser feito por meio de corretora de valores e a negociação acontece da mesma maneira que a negociação de ações. Há o custo da corretagem, que varia nas empresas, além de outras taxas e ainda a incidência do Imposto de Renda, que é de 15% sobre o lucro líquido do investidor.
Eventualmente
O produtor rural Flavio Junqueira conta que já fez algumas operações na Bolsa para proteger a atividade. A fazenda em Olímpia tem cerca de mil cabeças de gado de variadas raças, para corte. "Comecei a trabalhar com confinamento em 2014 e desde então fico de olho", diz.
Segundo ele, quando se trata de bom negócio, ele recorre à operação. "Tenho bois para terminar daqui a três meses e, para essa data, o valor está mais baixo, então não tem porquê", disse. Ele também, às vezes, faz contratos para o milho, insumo necessário à pecuária. "Ao invés de comprar fisicamente, tenho o preço garantido", explica.

Saiba mais sobre o assunto

O que é
  • O Boi Gordo é uma das principais commodities do País devido ao fato do Brasil ser um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo
  • Com o intuito de evitar as oscilações dos preços, o participante pode determinar o preço do boi antecipadamente
  • O confinador, por exemplo, irá adquirir, em maio, bois magros para engordá-los e vendê-los em outubro. Para evitar os riscos de oscilações de preços há a possibilidade de garantir o preço por meio do mercado futuro
  • O contrato foi desenvolvido com o objetivo de ser uma ferramenta para a gestão do risco de oscilação de preço, sendo utilizado pelos participantes do mercado, como o produtor, empresas de corte, tradings, dentre outros
  • Para fixar os preços, o pecuarista deve conhecer o custo de produção. Ele deve programar quando irá vender os bois para que o vencimento escolhido para negociação na Bolsa coincida com a venda no mercado físico a fim de reduzir o risco de preço
  • Com essas informações, o produtor deve procurar uma corretora autorizada a negociar com a BM&FBovespa
Vantagens
  • Protege o produtor contra oscilações indesejadas de preço (hedge)
  • Eficiente contra o risco de base (diferença entre o preço à vista do produto e o preço futuro) evitando oscilações não esperadas
  • Possibilita alavancagem de posição
  • Transparência de preço nas negociações em plataforma eletrônica
  • Possibilita operações com derivativos de milho devido à alta correlação, uma vez que essa commodity é utilizada como insumo no desenvolvimento de bois magros
  • Baliza a tomada de decisão do tipo de produção entre confinamento e semiconfinamento, além de auxiliar o pecuarista a administrar com eficiência os riscos de reposição inadequada do gado após a safra
Cuidados
  • Disponibilidade de caixa para honrar os ajustes diários
  • Aporte de margem de garantia
Custo de produção
  • Base histórica entre a sua região e o preço do boi no estado de São Paulo
  • Sazonalidade do produto e da sua região para entender os componentes de enfraquecimento e fortalecimento da base
  • Variações climáticas
  • Descolamento dos custos dos insumos (milho, soja e sorgo)
  • Alterações nas relações de troca: boi gordo x boi magro; boi gordo x bezerro; boi gordo x milho
Características técnicas
  • Objeto de negociação: bovinos machos, com 16 arrobas líquidas ou mais de carcaça e idade
  • Tamanho do contrato: 330 arrobas líquidas
  • Cotação: reais por arroba líquida, com duas casas decimais
  • Lote padrão: um contrato
  • Liquidação no financiamento: financeira
Fonte - BMF/Bovespa

Venda de gado em pé tornou-se polêmica desnecessária

É do interesse do criador respeitar o bem-estar animal, hoje uma exigência do mercado 

Divulgação / Porto de Rio Grande
Exportação de gado em pé pelo porto de Rio Grande, operação que se tornou alvo de contestações de frigoríficos e ONGs
Alternativa para o pecuarista, com melhor remuneração em relação ao mercado interno, a venda de gado em pé tornou-se alvo de contestações. Primeiro, por parte dos frigoríficos, sob o argumento de que o negócio poderia ampliar a falta de animais para o abate. No Rio Grande do Sul, em mais de uma ocasião, chegou-se a solicitar algum tipo de barreira.
Mas a contrariedade vinda de outro segmento tem se mostrado ainda mais vigorosa e barulhenta. Em nome da defesa do bem-estar animal, organizações não governamentais recorreram à Justiça e conseguiram suspender, ainda que temporariamente, o despacho de carga de 25 mil animais, carregados em navio atracado no porto de Santos, em São Paulo. 
O episódio foi em fevereiro e ganhou repercussão nacional _ a liminar estendia os efeitos da suspensão para todo o país.
Na última terça-feira, o assunto voltou à tona com a aprovação, na Câmara de Vereadores de Santos, do projeto de lei que impede a movimentação de animais vivos na cidade paulista. Na prática, pode inviabilizar o carregamento das embarcações com bovinos vivos.
Uma das razões apontadas pelo autor da proposta, Benedito Furtado (PSB), é a questão do bem-estar animal. Outra, a de que, ao circularem pela cidade, os caminhões carregados de bovinos acabam espalhando sujeira e mau cheiro.
Tem razão o vereador em defender que os animais sejam bem tratados. Mas essa é, hoje, uma exigência do mercado, seja para o gado abatido dentro ou fora de casa. 
O consumidor está prestando cada vez mais atenção à forma como é produzido o alimento que ele coloca à mesa. Mais do que isso, o produtor acaba tendo perdas econômicas se chegar ao frigorífico com exemplares que apresentem lesões decorrentes de manejo inadequado. O mesmo vale para o animal que é exportado vivo.

Portanto, é do interesse do criador respeitar essas regras. E ele não precisa ter seu direito de mercado cerceado para que isso aconteça.
fonte ZH / Campo Aberto