terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Angus prospecta negócios no oriente

Associação participa de feira em Dubai visando ampliar as exportações para países árabes

Aproveitando o apetite crescente por carne premium dos países árabes, a Associação Brasileira de Angus está em Dubai, Emirados Árabes, para participar da Gulfood 2018, uma das maiores feiras do setor alimentício do mundo. O evento começou no domingo, 18 de fevereiro, e segue até quinta-feira, 22.
A expectativa é prospectar novos negócios e abrir frentes de colocação dos cortes Angus certificados  do Brasil em países como Emirados Árabes, Arábia Saudita e Líbano. A região ganhou força nas exportações de carne Angus nos últimos dois anos, após as primeiras incursões da entidade na região e a reabertura do mercado saudita para a carne brasileira. A expansão foi tão rápida e consistente que a Arábia Saudita assumiu posto de destaque nos embarques de carne Angus em volume.

“A delegação Angus na Gulfood irá trabalhar na prospecção de clientes e na realização de rodadas de negócios”, citou o gerente do Programa Carne Angus, Fábio Medeiros, que já está nos Emirados Árabes em comitiva ?acompanhando? representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e de frigoríficos parceiros do Carne Angus: JBS, Marfrig, Minerva e Frigol, que participam da feira dentro o projeto Brazilian Beef, apoiado pela APEX-Brasil.
Dois anos após as primeiras prospecções realizadas pela associação na região, os países árabes se consolidam como um dos principais destinos da carne Angus brasileira.  No ano de 2017, o mercado halal para Carne Angus respondeu por  mais de 35% dos embarques, com preços expressivos que alcançaram US$ 16.500 para a tonelada de filé mignon, por exemplo.
"Isso acontece pois a presença de Carne Angus de diferentes origens é muito forte na gastronomia e supermercados da região, e, portanto, já é conhecida e demandada pelo expressivo público consumidor de alto poder aquisitivo da região”?. afirma o executivo.
Segundo ele, o mercado árabe é um dos mais importantes para a carne bovina do Brasil por seu potencial de consumo, estando atrás apenas da China e Hong Kong nos destinos da carne exportada pelo Brasil.
A Gulfood 2018 ocorre no Dubai World Trade Center e reúne exportadores dos cinco continentes interessados em negociar sua produção aos países árabes. Este é o terceiro ano consecutivo que a Associação Brasileira de Angus participa do evento como parte da estratégia de galgar novos mercados para a carne Angus do Brasil e a valorização do rebanho Angus.
Fonte: Angus

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Abiec: Confira os mais recentes dados do setor produtivo


Mercado
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) acaba de lançar seu relatório anual sobre o Perfil da Pecuária Brasileira.
Confira abaixo a nota do presidente da Abiec, Antonio Jorge Camardelli, bem como um sumário divulgado pela instituição:
“A percepção de que o País atravessa um dos momentos mais delicados de sua história não desmotivou o setor agropecuário em 2016. E a ABIEC, como representante da indústria exportadora de carne bovina, entendeu os desafios do cenário político-econômico como fonte de motivação para contribuir com o bom desempenho do agronegócio.
Mesmo com os efeitos de uma crise que marca profundamente a vida dos bra- sileiros, com indicadores econômicos preocupantes, como a queda do PIB e da distribuição da renda, nosso setor não foi omisso em seus esforços para seguir com uma produção de qualidade e de volume significativo.
Em 2016, as exportações brasileiras de carne bovina fecharam o ano com faturamento de US$ 5,5 bilhões. De janeiro a dezembro, foram embarcadas mais de 1,4 milhão de toneladas, o que representa um aumento de quase 1% na comparação com o resultado obtido em 2015.
Se não fosse o cenário externo afetado por problemas cambiais e conjunturais em importantes mercados, como Rússia, Venezuela e Egito, o desempenho poderia ser ainda mais positivo. Porém, estes fatores refletiram em uma retração de 7% no faturamento registrado com as exportações realizadas ao longo do ano.
Por meio de uma atuação compromissada e alinhada com os interesses de suas 29 associadas, a ABIEC seguirá firme no trabalho de reduzir as barreiras comerciais e de promover a carne bovina brasileira pelo mundo, sem deixar de lado
o incentivo ao aprimoramento constante dos processos produtivos internos.
Com base neste comprometimento, estimamos a ampliação do volume das embarcações e uma recuperação sustentável do faturamento com as exportações em 2017. Novos mercados estão no foco da entidade, que também pretende aumentar a presença dos produtos brasileiros em países parceiros, sempre norteada pelos princípios da ética e da transparência.
Todo este trabalho exige uma base sólida e confiável de informações e inteligência comercial. Dando continuidade à sua iniciativa pioneira de publicar sumários anuais que expressam o desempenho do setor, a ABIEC apresenta nas próximas páginas os dados que expressam a atuação da pecuária brasileira em 2016.
As informações são de fontes confiáveis que conferem credibilidade à publicação. Esperamos que este material seja mais uma contribuição desta entidade para o crescimento e o desenvolvimento do nosso setor.”
Fonte: ABIEC

Principais indicadores do mercado do boi –16-02-2018

Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&F, margem bruta, câmbio
15/02/18Diferença
14/Fev08/Fev15/Jan/18
Boi Gordo – Esalq/BM&F à vistaR$ 144,000,00%-0,76%-1,94%
Bezerro – Esalq/BM&F à vistaR$ 1.166,550,37%-1,58%1,81%
Margem bruta na reposiçãoR$ 1.209,45-0,36%0,05%-5,31%
Boi Gordo – em dólaresUS$ 44,721,02%0,73%-2,25%
DólarR$ 3,22-1,01%-1,48%0,31%
Fonte: Esalq/BM&F, Bacen, elaboração BeefPoint
O indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo manteve-se estável, nessa quinta-feira (15) sendo cotado a R$ 144,00/@. O indicador a prazo foi fechado em R$ 145,48.
Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro à vista x margem bruta
O indicador Esalq/BM&F Bezerro apresentou alta 0,37%, cotado a R$ 1166,55/cabeça nessa quinta-feira (15). A margem bruta na reposição foi de R$ 1209,45 e apresentou baixa de 0,36%.
Gráfico 2. Indicador de Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista em dólares e dólar
Na quinta-feira (15), o dólar apresentou baixa de 1,01% e foi cotado em R$ 3,22. O boi gordo em dólares registrou valorização de 1,02%, sendo cotado a US$ 44,72. Verifique as variações ocorridas no gráfico acima.
Tabela 2. Fechamento do mercado futuro em 15/02/18
Vencimento Fechamento Diferença do dia anteriorContratos em abertoContratos negociados 
Fev/18145,35-0,351.88472 
Mar/18144,90-0,9042163 
Abr/18144,20-0,2531 
Mai/18144,25-0,252.130101 
Jun/18145,35-0,2501 
Jul/18148,35-0,1501 
Ago/18149,50-0,1500 
Set/18150,05-0,1500
Out/18151,50-0,151.7093 
Nov/18150,90-0,70100 
Dez/18151,50-0,10800 
Jan/19151,25-0,35150 
Indicador de Preço Disponível do Boi Gordo Esalq/BM&F – Estado de SPIndicador de Preço Disponível do Bezerro Esalq/BM&F – Estado de MS
DataÀ vista
R$/@
A prazo
R$/@
DataÀ vista
R$/cabeça
A prazo
R$/cabeça
06/02/18144,90145,9106/02/181166,661175,63
07/02/18144,05145,2307/02/181188,241180,96
08/02/18145,10145,9008/02/181185,321158,77
09/02/18145,10145,9109/02/181191,60.
14/02/18144,00144,1914/02/181162,24.
15/02/18144,00145,4815/02/181166,55.
Fonte: Esalq/BM&F, elaboração BeefPoint.
O contrato futuro do boi gordo para fev/18 apresentou baixa de R$ 0,35 e foi negociado a R$ 145,35 em relação ao dia anterior.
Gráfico 3. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x contratos futuros para fev/18
Acesse a tabela completa com as cotações de todas as praças levantadas na seção cotações.
Tabela 3. Atacado da carne bovina
15/02/18Diferença
14/Fev08/Fev15/Jan/18
Traseiro (1×1)R$ 12,00-1,64%0,00%-4,76%
Dianteiro (1×1)R$ 7,501,35%4,17%5,63%
Ponta AgulhaR$ 7,501,35%4,17%10,29%
Equiv. FísicoR$ 144,90-0,45%1,64%-0,42%
Spread Eq. Físico/EsalqR$ 0,90-42,31%135,43%167,67%
Fonte: Boletim Intercarnes, elaboração BeefPoint
No atacado da carne bovina, o equivalente físico foi fechado a R$ 144,90. O spread (diferença) entre os valores da carne no atacado e do indicador do boi gordo foi de R$ 0,90 e apresentou baixa de R$ 0,66 em relação ao dia anterior. Conforme mostra a tabela acima.
Gráfico 4. Spread Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x equivalente físico
O Spread é a diferença entre os valores da carne no atacado e do Indicador do boi gordo. Desta forma, um Spread positivo significa que a carne vendida no atacado está com valor superior ao do boi comprado pela indústria, deixando assim esta margem bruta positiva e oferecendo suporte ou potencial de alta para o Indicador, por exemplo.
fonte: BeefPoint

Maurício Velloso, associado da ASSOCON, faz análise equilibrada sobre o cenário pecuário em 201

Experiente consultor na área de gerenciamento de pastagem, engenheiro agrônomo e conhecedor da pecuária de corte e leite, Maurício Velloso, 57 anos, é pecuarista desde 1984, ano em que adquiriu sua primeira propriedade rural: a fazenda Santa Edwiges, em Santa Tereza de Goiás (GO). Velloso é associado da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (ASSOCON) e destaca as lutas da entidade como primordiais para o avanço e implementação de melhorias para a cadeia produtiva da carne bovina, a fim de gerar representatividade para a pecuária de corte.
Velloso é graduado em Engenheira Agronômica pela Universidade Estadual Paulista Câmpus Jaboticabal (FCAV) e o atual presidente da Comissão da Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e Coordenador Geral da Exposição das Tecnologias voltadas ao Desenvolvimento da Pecuária (Expopec). Com forte desejo de contribuir para a melhoria da atividade, ingressou na Comissão Nacional de Pecuária de Corte na Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e também é membro da Câmara Setorial da Carne Bovina no Mistério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ele possui três propriedades rurais: duas na região de Porangatu (GO) e uma em Santa Tereza de Goiás, todas no norte do estado, a aproximadamente 400 km de Goiânia. A mais antiga é a fazenda Santa Edwiges, destinada ao semi confinamento e terminação a pasto, com capacidade estática atual para 1.500 cabeças. “A meta para este ano é entregar animais machos com até 21 arrobas, e as fêmeas com até 15 arrobas. E já pensando a longo prazo, queremos estabelecer um acesso de produção um pouco mais verticalizado e com a integração lavoura pecuária, dando mais ênfase à produção sustentável”.
Mauricio Velloso faz questão de destacar a importância das ações de entidades de classe, como a Assocon, em prol do fortalecimento da pecuária intensiva e dos produtores rurais como um todo. “A Assocon evoluiu e avança, desenvolvendo uma visão holística do negócio pecuário. Ela trabalha muito próxima das demais entidades comprometidas do setor. Essa maturidade me encanta e me faz ser parte dela”.
Sobre o cenário da carne bovina em 2018, ele comenta que, apesar do que mostram muitas análises, ele vê este ano como equilibrado, principalmente em função da recuperação econômica do Brasil. “Acredito no crescimento das exportações, não apenas da carne, mas de todas as variantes, inclusive da exportação de gado em pé, além do aumento do consumo interno. Pode ser que haja um pouco mais de oferta de animais de reposição, mas nada que modificará de forma muito forte o mercado, sendo um ano de normalidade, com ligeiro crescimento. Confio que seja um bom ano para o confinamento desde que os fundamentos que asseguram margem sejam cumpridos e, claro, pode ser um ano ainda melhor para quem souber aproveitar os ganhos expressivos durante o período da pastagem verde”, destaca Mauricio Velloso.
fonte: SEGS.com.br

Malásia virá ao Brasil para habilitar plantas frigoríficas

A declaração sobre certificar novos frigoríficos ocorre em um momento em que o Brasil ainda enfrenta embargos às suas carnes nos Estados Unidos e na Rússia

São Paulo – Autoridades da Malásia virão ao Brasil em junho para habilitar plantas frigoríficas à exportação de carnes ao país asiático, informou nesta quinta-feira o Ministério da Agricultura brasileiro, citando encontro do secretário-executivo da pasta, Eumar Novacki, com o ministro-chefe do Departamento de Desenvolvimento Islâmico (Jakim), Seri Jamil Baharom.
Conforme o Ministério da Agricultura, o Brasil tem 12 estabelecimentos a serem habilitados e certificados.
Na Malásia, Jakim é o órgão responsável pelo abate halal (forma de abate de acordo com preceitos muçulmanos), e representantes do departamento já se reuniram com autoridades certificadoras halal do Brasil para ajustar as exigências e viabilizar a habilitação de novas plantas e também daquelas que foram desabilitadas.
A declaração de Baharom sobre certificar novos frigoríficos ocorre em um momento em que o Brasil ainda enfrenta embargos às suas carnes nos Estados Unidos e na Rússia.
“Queremos estar presentes no mercado malaio, pois temos produtos de qualidade, com preços competitivos e produzidos de maneira sustentável. Da mesma forma, queremos ouvir de vocês quais são os produtos de interesse para exportarem ao Brasil”, disse Novacki durante o encontro, ocorrido em Kuala Lumpur, segundo o ministério.
O secretário-executivo chefiou uma comitiva brasileira na Ásia e Oriente Médio que, desde 4 de fevereiro, visa promover investimentos e novos mercados para o agronegócio brasileiro.
Na segunda-feira, o Ministério da Agricultura já havia relatado que a Indonésia abrirá o mercado de carne bovina ao Brasil.
Atualmente, a pauta de exportações do Brasil para a Malásia está centrada no complexo sucroalcooleiro (60 por cento) e em cereais, farinhas e preparações (20,5 por cento).
fonte: Exame

Exportações do agronegócio gaúcho crescem 16,1% em janeiro

Soja teve o maior volume para janeiro desde o início da série histórica da FEE em 2007

As exportações do agronegócio gaúcho cresceram 16,1% em janeiro frente a dezembro de 2017 e alcançaram US$ 786,2 milhões, segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE). Os preços médios também subiram 18,1%, enquanto o volume exportado caiu 1,7%. O aumento em janeiro significou US$ 108,9 milhões a mais nas divisas que são escoadas principalmente pelo Porto do rio Grande.
Os cinco principais setores exportadores foram complexo soja (US$ 256,2 milhões), carnes (US$ 152,9 milhões), fumo e seus produtos (US$ 129 milhões), produtos florestais (US$ 87,1 milhões) e cereais, farinhas e preparações (US$ 60,9 milhões).
O economista do Núcleo de Estudos do Agronegócio da FEE Sérgio Leusin Jr explica que o desemprenho da área de fumo é efeito ainda das remessas da produção da safra de 2017, que cresceu 27,4% em relação a do ano anterior. Já no complexo soja, o grão somou 476,6 mil toneladas e foi o maior volume para janeiro desde o início da série histórica em 2007.
O incremento nas exportações do setor de máquinas e implementos agrícolas é explicado pela venda de 29 colheitadeiras para a Argentina. A maior queda foi em carnes, de 6,5%. Leusin explica que a redução dos embarques de carne suína para a Rússia afetaram as divisas.
China liderou entre os destinos, respondendo por 33,1% das vendas, seguida pela União Europeia (21,7%), Estados Unidos (6,4%), Argentina (3,5%), Coreia do Sul (3,1%) e Hong Kong (2,8%). O grupo concentra 70,6% dos embarques. O maior crescimento foi para a UE, com valor de US$ 64,9 milhões e elevação de 61,3%.
fonte: Jornal do Comercio

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

EXPORTAÇÃO DE BOVINOS: CONHECER PARA APOIAR (OU NÃO)

Bovinos exportados_Brasil e RS (Fonte: ABREAV e Porto do Rio Grande)


Foto: Divulgação/Assessoria

Por Fernando Furtado VellosoAssessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

A exportação de bovinos está completando 15 anos no Brasil, mas nos últimos cinco anos é que ganhou maior espaço na mídia e nas discussões entre pecuaristas, frigoríficos e defensores do bem-estar animal. Em 2017, o Brasil exportou aproximadamente 400 mil bovinos, sendo 85 mil do RS. Apesar de ainda representar uma fatia muito pequena do abate nacional, algo próximo de 1% apenas, a exportação de bovinos vivos vem sendo muito criticada pela indústria frigorífica no Sul do Brasil e na carona por outros setores, como grupos contra a carne vermelha etc. Como todo assunto com grande interesse econômico envolvido e radicalismos, nas opiniões contrárias, surgem muitas informações ou visões distorcidas. O propósito deste texto é trazer dados que podem melhorar a compreensão sobre a atividade e o seu impacto na pecuária e nos rebanhos.



Por que bovinos são exportados?
Considerando o valor final do quilograma do produto, seguramente, é mais econômico importar carne do que animais vivos, porém, essa atividade existe por motivos religiosos, culturais e econômicos também. Em torno de 5 milhões de animais trocam de países anualmente para abate ou reprodução e o Brasil tem representado 10% ou menos dessa movimentação. Nos países árabes, o costume é o consumo de carne fresca e também de abates locais mediante à tradição halal. A importação de animais atende a essas exigências culturais nesses países que têm consumo de carne muito superior à dimensão de seus rebanhos bovinos. A grande maioria das exportações para os países árabes são para engorda e abate. No caso de China e Rússia, as importações de animais destinados à reprodução estão crescendo, pois esses países estão ampliando seus rebanhos de corte e leite.

O impacto no tamanho dos rebanhos 
A redução ou desestruturação dos rebanhos bovinos dos países exportadores é uma das situações indicadas como negativa, pois se retira uma parcela adicional à porcentagem normalmente abatida. O histórico de locais que exportam bovinos por vários anos mostra que essa situação não ocorre e até o contrário pode ocorrer, ou seja, o crescimento do efetivo bovino. A Austrália é um dos mais antigos exportadores de bovinos, vendendo anualmente cerca de 1 milhão de animais e mantém estável seu rebanho bovino em cerca de 25 milhões de animais. O Pará é o estado que mais exportou animais no Brasil, tendo superado 90% das exportações nacionais em alguns anos. O rebanho bovino paraense subiu de 15,3 milhões de bovinos em 2007 para 20,5 milhões em 2017, com crescimento contínuo a cada ano. Apesar de ter exportado mais de 4 milhões de animais nesse período, o estado ainda ampliou o efetivo em 5 milhões de cabeças.


É fácil perceber que a exportação no Pará gerou grande demanda e valor para os animais e consequente incentivo à produção e ao aumento do rebanho dos pecuaristas.

Impacto na produção e exportação de carne

A exportação de bovinos é rotulada como exportadora de empregos, divisas e até é responsabilizada pela ociosidade dos frigoríficos nacionais. A Austrália é o maior exportador naval de bovinos e também está entre os maiores exportadores mundiais de carne. Juntamente com os EUA, está posicionada como exportador de carne de alta qualidade, atingindo os maiores valores médios por tonelada. Observa-se que a exportação de animais não é característica de países subdesenvolvidos. O Uruguai alcançou, em 2017, o maior número de animais exportados de sua história, superando 300 mil bovinos. No mesmo ano, o país cresceu 3,6% em exportação de carne, somando 442 mil toneladas, maior volume desde 2006. Lembre que o Uruguai tem porte de rebanho similar ao do RS e exportou quase quatro vezes mais animais que esse estado em 2017.






A afirmativa de que a exportação de bovinos é danosa à cadeia da carne não se sustenta com a observação do histórico de países que operam fortemente nesta atividade.

Mudança do eixo Norte para Sul

Nos últimos anos, a Venezuela perdeu o posto de maior cliente brasileiro de exportação de animais para a Turquia. Essa mudança alterou também o eixo de exportação, reduzindo gradualmente o domínio do Pará nesse mercado e dando mais importância aos estados do Sul e do Sudeste, pois a Turquia tem preferência por animais europeus ou suas cruzas. Dessa forma, o RS cresceu gradativamente suas exportações e até SC e SP ingressaram como exportadores de animais.

A exportação de bovinos vem sendo bastante criticada no Sul do País, especialmente pela indústria frigorífica. A maior parte dos argumentos traz uma visão bastante exagerada de desmonte da pecuária, inviabilização de indústrias, exportação de matéria-prima e empregos, e de oportunismo dos pecuaristas em uma atividade que não terá continuidade. Os dados simples apresentados aqui demonstram que a atividade não canibaliza a produção e a exportação de carne, pois a elevação na demanda por animais gera confiança, investimentos e ampliação da escala dos pecuaristas. O tema tem sido discutido de forma um tanto apaixonada e ainda persiste a lógica do “nós contra eles”. Repetindo o que já escrevi em outros artigos, acredito muito que a informação é transformadora. Vamos nos debruçar sobre os números para então acusar ou defender a exportação de bovinos.