quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Crise faz brasileiro comer menos carne bovina


Desemprego e queda da renda reduziram consumo, levando a preços mais baixos no campo

A queixa dos pecuaristas de queda no preço do gado nos últimos anos encontra boa parte da explicação no prato dos brasileiros. O aumento do desemprego e a queda da renda durante a crise atravessada pelo país diminuíram a frequência da carne bovina na mesa. O consumo per capita anual chegou ao auge de 46 quilos em 2006, época em que a economia bombava e a classe média crescia. De lá para cá, caiu 18,4% e, ano passado, chegou a 37,51 quilos. Os números, elaborados pela Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, levam em consideração dados sobre abate, exportação, importação e número de habitantes.
Destino de cerca 80% da produção, o mercado interno fraco é a principal explicação para a propensão menor dos brasileiros de comprar, embora problemas sanitários que truncaram exportações e mudanças de hábito de alimentação, devido ao crescimento de veganos e vegetarianos, também expliquem o fenômeno. Mas o preço mais caro e a renda no osso, causada pela perda de poder aquisitivo, são os principais fatores. De 2006 a 2017, por exemplo, o consumo de carne suína e de frango, mais baratas, subiu 16,5% e 13,2%, respectivamente.
– Em uma escala de 0 a 10, pelo menos dois terços da razão está na renda. Quando a população tem mais dinheiro, consome mais carne bovina – diz o pesquisador de pecuária de corte Thiago Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Universidade de São Paulo (USP).
Carvalho sustenta que a queda na procura na carne bovina só não foi maior porque a população que mais sofreu com a crise, após a ascensão social experimentada a partir da última década, migrou de cortes mais caros para mais baratos – na tentativa de manter o hábito. Segundo o pesquisador, cada vez que a renda sobe 10%, o consumo de carne bovina de primeira cresce 6,23%, enquanto o impacto na de segunda é bem menor, de 1,69%, o que mostra a influência da renda no comportamento do brasileiro.
No açougue San Remo, no Mercado Público, um dos pontos de maior circulação de consumidores na Capital, o gerente Luiz Brauna confirma o que mostram os números.
– Nos últimos anos, a carne de primeira ficou para trás, e as pessoas começaram a comprar um pouco mais de segunda. E frango e porco, mais baratos – conta Brauna.
Na terça-feira pela manhã, o operador de cargas Luis Fernando Lopes Serafin, 27 anos, fazia as compras de carne para a semana. Nos últimos anos, conta, a renda não acompanhou os demais gastos do orçamento doméstico e a saída foi mudar um pouco o cardápio.
– No churrasco, trocamos a picanha pela costela. Para o dia a dia, a carne de bife por agulha ou paleta – conta.
A dona de casa Cintia Silveira Oliveira, 40 anos, também confirma que a busca passou a ser por fazer economia:
– Compramos mais frango, pelo preço.
A boa notícia é que, salvo novos contratempos na economia, o pior parece ter passado. Após quatro anos seguidos de queda, o consumo per capita de carne bovina ficou estabilizado no ano passado, quando o PIB brasileiro, mesmo que de forma tímida, avançou 1%, após queda acumulada de 7,2% em 2015 e 2016. Com a expectativa de que a atividade continue melhorando neste ano e no próximo, a projeção de Cogo é de avanço no consumo de carne bovina no Brasil.
Para 2018, os números indicam estagnação, na ordem de 37,6 quilos por habitante. Mas, para 2019, pode chegar a 38,3, crescimento de 1,8%. Números de Carvalho, do Cepea, indicam a mesma tendência, com a projeção do consumo voltar à casa dos 39 quilos em 2019, retornando ao patamar de 2011.
Estudo de Cogo finalizado neste mês indica que, no mundo, o consumo da carne bovina avança, mas a taxas menores do que as concorrentes. Ele estima que, ao final de 2019, a produção mundial crescerá 9% no intervalo de uma década, contra 25% no frango e 11% na suína. A migração beneficia principalmente o frango.
Apesar do avanço no consumo total de carnes (bovina, suína e de frango) no país desde meados da década passada, em um recorte mais curto de tempo a frequência também minguou. O pico, conforme levantamento, foi observado em 2011: 100,4 quilos por habitante. Ano passado, fechou em 93,4 quilos, recuo de 7%.

Fonte: Gaucha ZH

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

RS - Boi Gordo / Mês de Outubro 2018



O comportamento dos preços pagos pelo boi gordo, no mês de outubro segue a tendência apontada nos últimos três meses, sem alterações significativas ao pecuarista, mas agora também acompanhada do que vem ocorrendo no Brasil Central, onde o preço do boi também segue em baixa. O preço pago no quilo vivo, com pouquíssimas vendas nessa modalidade, para a vaca aumentou 1,3% e na carcaça 1,8%, em relação ao mês anterior. Para o boi, comercializado no kg vivo não houve alteração, porém na carcaça cresceu 2,6%. A diferença do preço pago pela vaca em relação ao boi é um sinal importante do mercado. Quanto maior for essa diferença, maior é a crise no setor. No mês de outubro a vaca estava com um deságio de 16% em relação ao boi na compra do animal vivo e 10% na carcaça. Esses valores estão muito acima dos valores históricos, embora venham refletindo o que ocorreu nos últimos 30 meses. No mesmo período de 2017, esse deságio atingiu 19% na modalidade kg vivo. Esse é um sinal preocupante, pois significa que os frigoríficos não estão querendo adquirir vacas para completar suas escalas o que acaba também pressionando o preço do boi. As perspectivas decorrentes do resultado eleitoral, com uma política econômica mais otimista e liberal, a eventual abertura de exportação de gado em pé, o aumento da demanda desencadeada nos dois últimos meses do ano e o final do ciclo das pastagens de inverno/primavera deverão desencadear uma reação positiva nos preços. Contudo, esta reação deve ser modesta, pois não há espaço para o consumidor absorver majorações de preços. De outra parte, como o valor da arroba no Brasil Central não reage, sempre existe a oportunidade de colocar carne resfriada no varejo gaúcho de forma competitiva. Um dos mecanismos para o pecuarista compensar esse menor preço pago pelo kg em relação aos anos anteriores é aumentar o peso de abate dos seus animais de modo a gerar um maior valor nominal e despertar o interesse por mais indústrias de abate.



fonte: NESPro

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Irã e Egito demonstram interesse em exportação de gado em pé do RS





Reunião com investidores e empresários do setor ocorreu na Secretaria nesta terça
Investidores do Irã e Egito se reuniram nesta terça-feira (6), na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, em Porto Alegre, com representantes das empresas exportadoras de carne do Rio Grande do Sul, com o objetivo de iniciar tratativas para a exportação do gado criado no estado.

Os dois países já importam gado brasileiro, mas oriundos do Centro-Oeste e Norte do Brasil, que privilegiam cruzamentos zebuínos, com aptidão para a produção de leite. O empresário Mauro Pilz destacou as diferenças entre as raças criadas no Rio Grande do Sul, de origem europeia, que, por serem raças de corte, consomem menos recursos por quilo de carne, comparadas a outras.
O empresário egípcio Magdy Zaky, que também comanda uma das maiores operações de produção de silagem do Egito, pontuou que o plano inicial é comprar gado gaúcho nos quatro meses em que o comércio com os estados do Norte fica inviabilizado, por causa do clima. A preocupação central dos investidores era se os animais criados no Sul se adaptariam facilmente ao clima de seus países de origem.
“O Rio Grande do Sul apresenta grandes variações climáticas e, por isso, nosso gado está totalmente adaptado a baixas e altas temperaturas”, destacou Pilz. Além disso, o diretor de Defesa Agropecuária da Secretaria, Antônio Carlos Ferreira Neto, ressaltou que o controle sanitário e a certificação garantem a qualidade dos animais que serão exportados.
A reunião foi concluída com visita técnica a uma fazenda produtora de hereford em Eldorado do Sul. Participaram da reunião o diretor de Defesa Agropecuária da Secretaria, Antônio Carlos Ferreira Neto, e os empresários Mauro Pilz (Brasil), Davi Khoury (Brasil), Nasser Zayan (Irã) e Magdy Zaky (Egito).

POR ELAINE PINTO

fonte: SEAPI

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Carne brasileira atinge patamar superior com selo de qualidade

Programas de certificação são aposta de associações de raças para sucesso do produto

Programas de certificação são aposta de associações de raças para sucesso do produto
 AB ANGUS/DIVULGAÇÃO/JC Guilherme Daroit 

Todo mundo já deve ter ouvido, em algum momento da vida, que carne boa é a uruguaia ou a argentina. No mundo, então, elas ganham companhia dos produtos australianos, norte-americanos e até mesmo japoneses. Ainda vista como fornecedora de commodities, a pecuária brasileira vem buscando mudar seu conceito, interna e externamente, para entrar definitivamente para essa "elite" da carne bovina mundial. Uma das apostas de maior sucesso são os programas de certificação das próprias associações de raças, que jogam para cima o padrão e permitem dar volume a um segmento premium até pouco tempo quase inexistente. Há, hoje, seis programas a pleno vapor no País, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que assumiu a capitania do sistema: os das raças Angus, Hereford, Charolês, Devon, Nelore e Wagyu. Outros cinco encontram-se em outros estágios, com protocolos já assinados ou em desenvolvimento e análise, entre eles as raças Brangus, Senepol e Braford, além de um protocolo que não abrange raça, mas território e método de criação, referente à carne sustentável do Pantanal, organizado pela Associação Brasileira de Produtores de Orgânicos. Talvez prova do sucesso do modelo, há, ainda, uma proposta em análise da raça ovina Texel, que seria a primeira fora da cadeia bovina. Parte de uma série de iniciativas que buscam melhorar a qualidade do rebanho brasileiro nas últimas décadas, os protocolos mantidos pelas associações apresentam relativa similaridade entre si. Em comum, para a certificação, há a exigência de padrão racial (geralmente com pelo menos metade do sangue da raça certificadora), de idade dos animais e de parâmetros como a espessura da camada de gordura das carcaças. Os requisitos são avaliados por técnicos das associações nas indústrias. Em troca, os produtores recebem bonificações na venda dos animais aos frigoríficos, que chegam a até 10% de sobrepreço, pois o produto final também consegue ser vendido por um valor mais elevado nas gôndolas. O primeiro destes programas teve início há exatos 20 anos, embora o primeiro abate só tenha ocorrido em 1999. Foi o Carne Pampa (o nome faz menção à pelagem característica dos animais, não ao bioma), criado pela Associação Brasileira de Hereford e Braford, em parceria com o então Frigorífico Mercosul, hoje incorporado à Marfrig, de Bagé. O impulso durou pouco, afetado pela crise da febre aftosa na virada do milênio que paralisou os abates do programa em 2001. O Carne Pampa voltaria a rodar em 2005, já com outros parceiros (o Frigorífico Silva, de Santa Maria, e o Grupo Zaffari). Hoje, o selo da Hereford é integrado por seis frigoríficos e mais de 3 mil criadores. Quando retornou, porém, o Carne Pampa já tinha companhia. Dois anos antes, em 2003, a Associação Brasileira de Angus havia dado a largada para o seu programa de carne certificada. Junto com o mesmo Mercosul e o Grupo Zaffari, no primeiro mês do programa foram produzidos 2,3 mil quilos de carne Angus, de animais de 20 produtores, que dariam origem ao maior dos protocolos no País. Completando 15 anos de vida, atualmente são 6 mil criadores, 40 plantas industriais e produção de cerca de 2,5 milhões de toneladas por mês no programa. Das raças europeias presentes no Estado, outras duas criaram seus próprios protocolos mais recentemente. Em 2014, foi a vez da Associação Brasileira de Criadores de Charolês, programa que atualmente conta com dois frigoríficos participantes, com cerca de 350 produtores. E, recém completando um ano de vida, o programa da Associação Brasileira da Raça Devon é o 'caçula' da turma, com um frigorífico e 150 produtores cadastrados. Ambos os protocolos, porém, ainda têm seus participantes restritos à Santa Catarina. Mesmo assim, as duas associações trabalham para integrar a cadeia gaúcha ao sistema. "Todos esses programas vêm trazer transparência ao consumidor, que hoje consegue saber que aquele corte tem um rótulo com uma garantia por trás, que a associação garante o padrão de qualidade", afirma o coordenador dos Protocolos de Rastreabilidade da CNA, Paulo Costa. O ponto chave, para Costa, reside na transparência. Embora ainda majoritariamente restritas à bovinocultura e começando a chegar aos ovinos, essas iniciativas poderiam ser adotadas por praticamente qualquer cadeia agrícola, segundo o coordenador, citando demandas de mercado como galinhas criadas soltas e peixes sem antibióticos como exemplos. 

Angus já possui escala e alcança exterior 

Objetivo é integrar a cadeia produtiva e gerar benefícios para todos os elos
Objetivo é integrar a cadeia produtiva e gerar benefícios para todos os elos /EDUARDO ROCHA /DIVULGAÇÃO/JC

 Entre todos os programas de certificação do País, o mantido pela Associação Brasileira de Angus é o visto como modelo pelo alcance que atingiu. Segundo o gerente do programa, Fábio Schuler Medeiros, os rótulos Angus já respondem por 45% da carne "premium" vendida no Brasil - que engloba ainda os programas das outras raças, as marcas próprias da indústria e a carne importada de países como Argentina, Uruguai, Austrália e Estados Unidos. Levando em conta só a produção nacional, a participação seria de mais de 80%. Um dos motivos para o crescimento, segundo Medeiros, foi ter alcançado sucesso em um dos objetivos iniciais do programa, que era conseguir integrar a cadeia produtiva e gerar benefícios para todos os elos. O grande salto apontado, porém, foi a real profissionalização do programa, iniciada em 2005 e consolidada em 2007, com o estabelecimento de padrões auditáveis e, com isso, certificações internacionais. "Isso nos catapultou para fora do Estado, ajudou a ganhar o Brasil todo", comenta Medeiros, que credita a isso o interesse maior das indústrias da metade Norte do País pelo programa. Outro ponto, entretanto, contribuiu para o conhecimento da marca. Em 2011, a carne - e o nome - da raça chegaram à rede McDonald's, o que popularizou a palavra britânica Angus em solo nacional. Mesmo já sem a parceria, o fast food ajudou no boom. De um único supermercado, no início, as carnes já chegam agora a 5 mil pontos de venda no País, com crescimento anual de vendas em torno de 20% desde 2007, segundo Medeiros. O ganho de escala ajudou o programa, a partir de 2014, a voltar suas atenções para o exterior. Embora a venda externa ainda seja pequena, 5% do volume produzido, os produtos certificados estão sendo exportados por US$ 9,5 mil a tonelada, mais do que o dobro da média nacional. No mês passado, a Associação levou o produto à Sial Paris, talvez a mais importante feira alimentícia do mundo, em iniciativa que repete anualmente. "É um trabalho de formiga. É um produto que ainda é muito mais valorizado no mercado interno do que na exportação", comenta o gerente. Coordenador dos protocolos de rastreabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Paulo Costa, argumenta que o programa da Angus vê resultados de uma longa caminhada. "Foi feita muita publicidade, um trabalho de excelência na qualidade, inúmeros seminários, degustações, feiras, para agora estar colhendo os frutos", comenta. Costa também vê o programa com relevância para o setor externo, por ter atingido volume que permite buscar outros mercados e, com isso, tirar a carne brasileira do rol das commodities. As outras raças, argumenta o coordenador, ainda não conseguem atender a toda a demanda pelos seus produtos internamente, tornando mais difícil que se voltem, por enquanto, ao exterior. "Até mesmo a imagem da carne brasileira ainda precisa ser bem trabalhada", comenta. O coordenador exemplifica a situação com o relato de brasileiros que foram a restaurantes na França que vendiam 'carne argentina' e, após pedirem para a ver a embalagem, descobriram que era, na verdade, carne brasileira. "Precisamos tirar algumas impressões do passado e estamos trabalhando para revertê-las, não só no campo, mas também no mercado", defende Costa

. Padrão mais elevado de consumo segue tendência de outros setores
Mesmo dentro do Brasil, segmento premium ainda busca seu espaço
 Mesmo dentro do Brasil, segmento premium ainda busca seu espaço FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC 
Ainda que a exportação seja o desejo da cadeia produtiva, pelo menos no curto e médio prazos o grande "front" da carne brasileira é, mesmo, o mercado consumidor interno. Mesmo dentro do Brasil, o segmento "premium" ainda busca seu espaço e, a carne brasileira, o seu quinhão em meio aos produtos importados. Segundo o superintendente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Márcio Milan, o nicho como um todo representa 15% na venda de carnes no País. O executivo lembra que por muito tempo a carne bovina não conseguia manter padrão de qualidade nem possuía marcas, o que mudou nos últimos anos. "Os consumidores começaram a perceber uma carne de melhor qualidade, cortes especiais e diferenciados que caíram no gosto dos mais exigentes", argumenta Milan. Diretor do Grupo Zaffari, rede varejista que deu o suporte inicial aos dois programas pioneiros do País (Hereford e Angus), Claudio Luiz Zaffari, comenta que o processo no Estado vem desde os anos 1970, com o programa Novilho Precoce, coordenado pelo governo gaúcho. A oferta de carne resfriada na entressafra se chocou com o padrão da época, onde havia apenas a venda de carne descongelada da safra anterior, representando "uma forte mudança de cultura para os gaúchos", segundo Zaffari, que passaram a comprar carne embalada a vácuo. Mesmo que lentamente, o bom resultado da iniciativa ajudou que outros passos fossem dados nessa direção. "Aos poucos foram sendo rompidas as barreiras e formando nos criadores, indústrias e consumidores, a consciência da possibilidade de mudar os hábitos tão antigos", comenta Zaffari, que hoje possui marcas e padrões próprios de carne bovina premium em suas lojas. Não por acaso, outros setores alimentícios passam pelo mesmo processo. Cafés, chocolates, cervejas, para citar apenas alguns, também apostaram em segmentos de qualidade - e preço - mais elevados, com sucesso. A carne bovina, de acordo com o superintendente da Abras, acompanha o movimento de forma gradativa, mas em velocidade menor, pois os outros já possuem marcas consolidadas e que conseguem transmitir atributos de qualidade, algo ainda incipiente na carne. Um dos trunfos do segmento é a fidelização dos chefs de cozinha, que ajudam a respaldar e difundir as carnes certificadas de raças. "Os chefs hoje procuram esses cortes por saberem que é diferenciado e que o padrão é o mesmo", comenta a gerente do programa Carne Pampa, Fabiana Rosa de Freitas. O uso é um aliado no confronto com as carnes dos países vizinhos, que já tinham sua imagem de qualidade difundida quando a pecuária brasileira entrou no jogo. "Nossa carne é tão boa quanto, mas temos que informar o consumidor. É difícil para mudar, mas vamos fazer de tudo para que seja reconhecida", continua Fabiana.   

Programas promovem difusão da genética e geram crescimento dos rebanhos de raça 

Em cenário de competição, associações afirmam manter boas relações entre si
Em cenário de competição, associações afirmam manter boas relações entre si DEVON/DIVULGAÇÃO/JC 

Se em uma ponta da cadeia a busca é pelo aumento na demanda pela carne de qualidade, a maior remuneração paga pelos frigoríficos aos produtores resulta, na outra ponta, em uma maior difusão da genética das raças bovinas europeias criadas no Rio Grande do Sul. "O programa de certificação serve também para alavancar a genética. Gera essa promoção das raças, faz com que aumente o pedido por doses, por animais para terminação", comenta a gerente do programa Carne Pampa, Fabiana Rosa de Freitas. No mês passado, exemplifica a executiva, o início do programa em um frigorífico em Boituva (SP) resultou, apenas uma semana depois, na encomenda de 600 doses de sêmen Hereford para produtores da região. Já há mais de uma década no mercado, Fabiana projeta que poderia vender mais carne Hereford caso houvesse oferta maior do que os 1,1 milhão de toneladas desossadas produzidos em 2017. "Se tivéssemos o triplo de produção, ainda faltaria carne para atender ao mercado, que já nos conhece", afirma a gerente. Mais recente dos programas, a raça Devon, por exemplo, também vê agora um incentivo para aumento no volume de animais. "As feiras de touros têm sido um sucesso, com pista limpa e excelentes preços. Está havendo correspondência", conta a coordenadora do programa de certificação da Devon, Simone Bianchini. O volume hoje ainda é pequeno pela questão do acabamento, segundo a coordenadora, que espera um crescimento com a instituição de um novo produto dentro do programa, a partir de 2019, de novilhos 100% criados a pasto. Nos feriados, chega a faltar carne certificada nos mercados catarinenses, principal reduto do programa. O quadro é parecido com o visto no Charolês, que utilizou o programa dentro de estratégias para melhorar a criação da raça no Brasil. "O Charolês mudou, ficou muito mais funcional, com melhor acabamento. É outra raça de quem a conheceu 20 anos atrás", argumenta o coordenador do programa de carne Charolês certificada, Eldomar Renato Kommers, que também comemora a venda de reprodutores em feiras em Santa Catarina. Conhecida pelo rápido ganho de peso, a raça aposta na possibilidade de abate de novilhos já com grande quantidade de carne. "Ainda estamos engatinhando. Tudo o que produzimos hoje é comercializado, e o importante é que tem sido bem aceito", afirma Kommers. Dentro do aparente cenário de competição, entretanto, as associações afirmam manter boas relações entre si. "Tem espaço para todo mundo, o Brasil é muito grande", afirma Fabiana, da Hereford. "Atuamos todos em conjunto, com a ideia de mostrar que a nossa carne é boa, é do Brasil, tem preço bom e não precisamos comprar de fora", acrescenta Simone, da Devon. 
FONTE:Jornal do Comércio 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

JBS, BRF e Marfrig não estão na lista de frigoríficos que podem voltar a exportar para a Rússia




Frigoríficos da JBS, BRF e Marfrig ficaram de fora das unidades que podem voltar a exportar carne para a Rússia. O mercado russo estava fechado para a carne brasileira desde dezembro do ano passado.
O embargo havia sido imposto porque o país havia identificado contaminação com ractopamina e outros estimulantes de crescimento nos produtos. O uso da substância na alimentação dos animais é permitido no Brasil, mas proibido na Rússia e outros países da Europa.
Segundo comunicado do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nove empresas que estavam com as exportações suspensas poderão voltar a comercializar carne com a Rússia.
São elas:
Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda (SIF 941 – carne bovina desossada e carne suína e carne suína in natura)
Agra Agroindustrial de Alimentos S/A (SIF 3941 – abate de gado, corte, armazenamento de carne bovina; carne suína crua)
Alibem Alimentos S/A (SIF 2146 – carne suína e carne suína crua)
Alibem Alimentos S/A. (SIF 915 – carne suína e carne suína crua)
Adelle Indústria de Alimentos Ltda (SIF 15 – suínos para abate, corte e estocagem de carne suína, produção de subprodutos e carne de suíno gordo)
Minerva S/A (SIF 431 – carne bovina desossada e carne crua)
Cooperativa Central Aurora Alimentos (SIF 3847 – carne suína e carne suína crua)
Frigorífico Astra do Paraná Ltda (SIF 1251- abate e corte de gado)
Frigorífico Vale do Sapucaí Ltda (SIF 1883 – abate de bovinos, corte, armazenamento de carne bovina, produção de subprodutos e gorduras bovinas)
O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luis Rangel, disse que espera que, com a reabertura do mercado russo, os frigoríficos consigam recuperar o fôlego perdido com a greve dos caminhoneiros.
“Esperamos que o setor privado entenda que as ações de certificação e segregação são necessárias para preservar este mercado”, disse em nota.
Na véspera, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, comemorou a queda do embargo e agradeceu ao presidente russo, Vladimir Putin, com quem tratou sobre o assunto por telefone.
“É difícil abrir mercado, é fácil perder mercado e muito mais difícil recuperar mercado”, disse em vídeo distribuído pelo Whatsapp.
G1

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Gedeão Pereira é eleito presidente da Farsul para o triênio 2019-2021

Médico veterinário comanda a entidade desde o ano passado
Gedeão Pereira. Foto: Divulgação
Em eleição realizada na tarde de hoje, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) elegeu Gedeão Pereira, de 70 anos, como novo presidente da entidade para o triênio 2019-2021. Encabeçando chapa única, Gedeão recebeu 119 votos de representantes dos sindicatos rurais que compõem o Sistema Farsul. Das 137 entidades aptas a votar, 119 compareceram e apenas uma votou em branco. Gedeão vai ser o 24º presidente da Farsul.
Em dezembro de 2017, ele passou a comandar a entidade após a morte de Carlos Sperotto. Ao receber apoio massivo da categoria, o presidente, agora eleito, disse estar honrado com o novo desafio. “Cresce a nossa responsabilidade. Ter apenas um voto em branco significa uma grande confiança do setor na nossa futura administração”, salienta.
Bageense, Gedeão é médico veterinário formado em 1971 pela Universidade Federal de Santa Maria. Proprietário e administrador da Estância Santa Maria e de outras quatro estâncias, é criador de gado das raças Hereford e Poll Hereford, além de agricultor.
Já dirigiu a Associação Brasileira de Criadores de Hereford e Braford e presidiu o Sindicato/Associação Rural de Bagé por dois mandatos. Além de presidente do Sistema Farsul e do Conselho Deliberativo do Sebrae/RS, Gedeão também é delegado representante na CNA, membro da Federação de Associações Rurais do Mercosul (grupo FARM) e presidente do Fórum Mercosul da Carne (FMC).
Gedeão é defensor da melhoria genética dos animais e diversificação das propriedades. Ele defende que a mudança no agronegócio passa por atividades múltiplas: além do gado de corte, é preciso silvicultura, arroz, soja, forrageira, sorgo e milho.
fonte: Radio Guaiba

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Rússia reabre mercado para carne bovina e suína do Brasil

Embargo russo se deu em 2017 devido a presença de ractopamina em produtos de origem animal



Foto: ANPR
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, informou nesta quarta-feira, 31, que a Rússia reabriu o mercado para carnes suína e bovina do Brasil. Direto de Dubai, nos Emirados Árabes, ele agradeceu, em vídeo, ao presidente Michel Temer por ter “se empenhado pessoalmente e a todos os produtores e frigoríficos”, além de seu time no ministério e à equipe diplomática no mercado russo. “É difícil abrir mercado, fácil perder mercado, muito mais difícil reconquistar os mercados. Então, estamos todos muito felizes hoje”, afirmou. Maggi segue em missão rumo à China, onde participará de evento em Xangai.
O embargo russo se deu em 2017 por causa da presença de ractopamina em produtos de origem animal oriundos de quatro plantas frigoríficas do Brasil. A ractopamina, que não causa danos à saúde, é uma substância permitida no Brasil, mas proibida na Rússia.
Antes de partir para a missão diplomática, na semana passada, Maggi reafirmou que não estava em débito com as exigências pedidas pelo governo russo e, portanto, não era possível prever se as liberações para retomada dos embarques poderiam ocorrer neste ano ou no próximo. “Podem acontecer a qualquer momento”, disse.
Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO.

RS: produtores usam WhatsApp para agilizar diagnóstico de doenças no rebanho


Mensagens enviadas à Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul são repassadas para inspetores sanitários, otimizando o atendimento




Para agilizar o diagnóstico de doenças em animais, a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul disponibilizou um número de WhatsApp. Através do aplicativo, produtores podem enviar fotos, vídeos e relatos de áudio. As mensagens são encaminhadas aos profissionais da entidade. “Dependendo do que a gente receber, vamos até o local fazer a investigação”, explica a fiscal agropecuária Grazziane Rigon.


O presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Animal do RS (Fundesa), Rogério Kerber, destaca que qualquer produtor precisa ter uma forma rápida para contato. “O proprietário do rebanho, seja de qualquer espécie, verificando situação de anormalidade relacionada à saúde, pode entrar em contato com as autoridades sanitárias”, destaca.

Esta não é a única iniciativa do Fundesa, cujo principal objetivo no momento é avançar o status sanitário estadual para retirar a vacinação contra febre aftosa. O órgão investiu cerca de R$ 100 mil na elaboração de materiais gráficos com informações importantes sobre sanidade animal.

Além dos testes clínicos comuns, a equipe de veterinários da entidade passou a visitar propriedades para orientar produtores e entregar o material. “Vamos informar a respeito de brucelose, tuberculose, raiva, febre aftosa etc”, exemplifica a fiscal, no caso de bovinos. Grazziane destaca, inclusive, que algumas dessas enfermidades criam barreiras sanitárias para mercados exportadores.
fonte: Canal Rural
Dorival Muck, criador de gado e cavalos, destaca a versatilidade do aplicativo para comunicação de problemas. “Você pode estar em qualquer lugar, no campo ou cidade”.

Serviço

Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul
Contato de WhatsApp: (51) 9 8445-2033

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Abertura de novos mercados para a exportação de gado vivo

México, Austrália, Canadá, Brasil, Uruguai e Estados Unidos, nesta ordem, são os principais exportadores de bovinos vivos. Juntos representaram 75,5% do volume total de bovinos embarcados em 2017. O Brasil detém 8,2% deste mercado. 

Desde de 2016, o mercado de exportação de gado em pé no Brasil vem se recuperando da suspensão das importações feitas pela da Venezuela, principal importadora até então, devido à crise econômica e política enfrentadas pelo país.

Neste ano, até setembro, o Brasil exportou 644,1 mil cabeças, volume 60,8% maior em relação ao acumulado de 2017. O faturamento foi de US$442,9 milhões, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Figura 1. Faturamento (em milhões de dólares) e volume, em cabeças, da exportação de bovinos vivos 

do Brasil.  *2018 até setembro 


Fonte: MDIC / Elaborado pela Scot Consultoria

Desde 2016, o maior comprador de bovinos vivos do Brasil é a Turquia. Este ano o país foi responsável por 77,6% do volume embarcado.

O Egito é o segundo maior comprador, respondendo por uma fatia de 9,1%, seguido pelo Líbano com 6,2%, Jordânia com 3,9% e Iraque com 3,2%.

Abertura do mercado com o Irã 

Em 22 de outubro, foi anunciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a abertura do mercado de exportação de bovinos vivos para o Irã.  

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), reconhece o Brasil como livre de aftosa com vacinação e risco de encefalopatia espongiforme bovina (doença da Vaca Louca) muito baixo. Esse reconhecimento contribuiu para a celebração do acordo com o Irã. 

O Brasil já mantinha e mantém relações comerciais com o Irã, principalmente no mercado de grãos, o que pode ter facilitado as negociações que estavam ocorrendo desde 2014. 

Segundo reportagem publicada em 2017 no Financial Tribune (jornal iraniano), o Ministro da Agricultura do Irã, Hassan Rokni, informa que a produção iraniana atendia 90% do consumo interno de carne bovina e que os 10% restantes eram importados. Rokni também ressaltou que o Irá, até então, não importava animais vivos para abate.

Segundo o MAPA, o Irã tem potencial para adquirir 100 mil bovinos anualmente. Isso representa 15,5% da exportação brasileira até setembro, em 2018. 

Se confirmado os embarques, o volume destinado ao Irã o colocaria como o segundo maior cliente brasileiro, atrás apenas da Turquia. Em termos de faturamento, poderia representar um incremento de US$68,7 milhões para o país, considerando os valores médios de hoje. 

O MAPA também prevê a abertura do mercado brasileiro para Indonésia e a Tailândia, porém, a proximidade com Austrália e acordos já consolidados entre esses países são fatores limitantes para os negócios com o Brasil. A Indonésia representou 64% do volume de gado em pé exportado pela Austrália em 2017, e a Tailândia comprou 1% dos bovinos exportados pela Austrália. 

Final

A diversificação de destinos é importante, para manter o canal de escoamento da produção aberto e   melhorar o poder de barganha. 

Os países mulçumanos representam oportunidade para a ampliação do mercado de exportação de bovinos vivos, devido aos costumes e exigências de abate.

O Brasil tem potencial para atender esse mercado que permite agregação de valor ao bovino vivo e assim permitir ganho em cadeia. 
fonte: Scot Consultoria

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Irã surge como opção para o RS na venda de gado vivo



A estimativa é de que o mercado iraniano tenha potencial para adquirir 100 mil cabeças por ano, somando-se à Turquia como destino do produto brasileiro


A notícia de que o Irã abrirá suas portas para a compra de gado vivo brasileiro representa, para o Rio Grande do Sul, oportunidade extra de exportação, já que hoje a Turquia tem sido o único destino do produto embarcado no porto de Rio Grande. Para o Brasil, a estimativa é de que o mercado iraniano tenha potencial para adquirir anualmente 100 mil cabeças – no ano passado, o Brasil embarcou um total de mais de 400 mil animais. Aos iranianos somam-se os sauditas, que também acenaram com a abertura de mercado. Com mais dois destinos no portfólio, os pecuaristas gaúchos ganham opções de vendas.
– O Estado não será, necessariamente, o único fornecedor possível, mas com o Pará somos os mais preparados, em termos de estrutura, para atender a essa demanda – avalia Fernando Velloso, da FF Velloso & Dimas Rocha Assessoria Agropecuária.
Diretor da Brasil Beef e da Associação Brasileira de Exportadores de Animais Vivos (Abreav) no RS, José Crespo também entende que os dois países representam novas alternativas para o produtor que quer vender gado em pé, ainda que remunerem menos do que os turcos. A crise econômica na Turquia foi um alerta de que é importante trabalhar com opções diferentes, evitando ficar refém de um único comprador.
– São alternativas para dar continuidade aos negócios. Poder manter a demanda em um momento crítico de liberação de áreas de pastagens para a lavoura é importante – pondera o diretor da Abreav.
Atualmente, os preços pagos nos embarques de animais têm similaridade com os do mercado interno. Mas chegou a haver diferença de cerca de R$ 1 a mais por quilo neste ano.
Números da superintendência do porto de Rio Grande mostram que, nos nove primeiros meses de 2018, o número de animais exportados já é 32% maior do que em todo o ano passado. Ontem, navio Polaris 2 embarcou 9,6 mil exemplares rumo à Turquia.
O ritmo diminuiu após a turbulência na Turquia – mas a qualidade do gado produzido fez o Estado ter preferência nos negócios. Velloso avalia, no entanto, que em razão da redução muitos criadores que priorizavam o mercado externo passaram a usá-lo como segunda opção.
– O negócio da exportação é alternativa. A orientação é que o produtor separe parte do gado, que não seja opção final para todos os terneiros – diz Crespo.

Fonte: GaúchaZH, por Gisele Loeblein

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Epagri/Ciram confirma formação de ciclone que deverá atingir SC e RS no sábado





A Epagri/Ciram confirmou a formação de um ciclone extra tropical que deverá atingir regiões de Santa Catarina e Rio Grande do Sul neste próximo sábado (27).
Desde ontem circula no whatsapp um áudio de Ronaldo Coutinho, que depois foi confirmado por ele mesmo, onde o agrônomo comenta sobre a projeção de ventos acima dos 100Km/h que devem atingir o litoral gaúcho e sul de Santa Catarina.
Ainda sobre o áudio de Coutinho, o que mais chamou a atenção foi o “ar de preocupação” no tom da conversa, que, segundo ele, foi vazada sem autorização, pois a divulgação da notícia estava prevista para quinta a noite ou sexta feira.
A Defesa Civil e Epagri Ciram monitoram o fenômeno. Em breve deveremos ter mais informações.
Fonte: www.notisul.com.br

terça-feira, 23 de outubro de 2018

FAO: Produção global de carnes deve crescer 19% até 2030

A produção global de carnes irá crescer 19% até 2030, sendo que os países em desenvolvimento deverão suprir 77% desta demanda adicional, segundo projeções de um estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgado na quarta-feira (17).
Argentina, China, Brasil, Índia, México e Paquistão responderão pela maior parte da demanda adicional por carnes, enquanto os outros 23% do crescimento do consumo esperado serão supridos por países desenvolvidos.
A produção de carne de frango apresentará o maior crescimento até 2030, impulsionada pela demanda em expansão por esta proteína animal, segundo o relatório intitulado “Pecuária Global: Transformando a pecuária através dos objetivos de desenvolvimento sustentável”.
“A produção expandirá rapidamente nos países que produzem excedentes de grãos para alimentação”, disse a FAO sobre a produção de frango.
Já a demanda global por carnes deverá aumentar cerca de 1% por ano entre 2018 e 2030, sustentada principalmente pelo crescimento da população.
O relatório avalia que a atividade da pecuária é importante para a segurança alimentar e nutricional mundial, além de gerar renda e empregos, mas que pode contribuir ainda mais para o desenvolvimento sustentável ambiental e de comunidades.
Entre alguns desafios relacionados ao crescimento da produção pecuária, está a competição por terra para a produção de ração, que pode restringir a disponibilidade de recursos para produzir alimentos, segundo o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. Além disso, a concentração de mercado tende a prejudicar os pequenos produtores.
“Há também a necessidade urgente de cessar o uso impróprio de antimicrobianos na criação de animais”, disse Silva em comunicado.
Para superar os desafios, será necessário que países avaliem seus setores pecuários e desenvolvam políticas adaptadas às circunstâncias locais, designadas a garantir que os pequenos produtores possam também colaborar para o suprimento da demanda adicional de carne nos próximos anos, segundo a FAO.

Fonte: Carne Tec

Preços reais da arroba e ciclo pecuário: onde estamos?


Sabemos que a formação dos preços pecuários se dá pela relação dinâmica entre oferta e demanda.
Neste sentido, o ciclo pecuário, que influencia essa dinâmica dos preços, evolui com o tempo conforme a pecuária também evolui. Nível tecnológico aplicado nas propriedades rurais, oferta de crédito, mudanças nas políticas econômicas governamentais, além de alterações pelo lado da demanda externa, exercem influência sobre a duração dos ciclos ou de suas fases.
Apesar de interferências externas, o fato é que o ciclo pecuário continua exercendo sua influência cíclica através da variação real dos preços pecuários em três fases distintas: alta, estabilidade e baixa.
Essa influência cíclica também pode ser descrita como a alternância entre a variação positiva das margens da atividade de cria combinada à queda da proporção de fêmeas abatidas frente ao total e vice-e-versa.
O ciclo tem duração média de 6 a 9 anos, com 3 a 4 anos em fase de baixa e 2 a 3 anos em alta, intermediados por uma fase de estabilidade, que costuma durar entre 1 e 3 anos. A figura 1 ilustra a descrição das fases-gatilho do ciclo pecuário.
Entre o final de 2013 e a metade de 2016, o valor da arroba variou acima da inflação. A alta de preços no período medida pelo IGP-DI foi de 23%, o que levaria a arroba em São Paulo de R$ 109,00 para R$ 134,30. Entretanto, em jul/16 a média (nominal) de preços ficou em R$ 155,60/@, acima do índice corretivo adotado nesta análise, o que sugere que o mercado pecuário se manteve aquecido no período.
Já a partir da segunda metade de 2016, o movimento se inverteu e o ciclo pecuário entrou em fase de baixa, já que os preços nominais se valorizaram abaixo da inflação.
Para se ajustar à variação teórica dos custos, os preços pecuários deveriam estar em R$ 165,00/@ considerando a média de preços em São Paulo para julho/18, mas o mês encerrou em R$ 142,00/@, bem abaixo das expectativas.
Valores menos atrativos reduzem o interesse do pecuarista em manter fêmeas para a reprodução e levam à ampliação dos abates de matrizes, que de fato voltou a tomar força a partir de 2017, e nota-se continuação do movimento também em 2018.
O movimento pode ser observado no gráfico 2.
O abate total de animais no país vem aumentando em bom ritmo, o que reforça a ideia de que o pecuarista tem conseguido se desfazer de estoques e dar continuidade ao ciclo pecuário.
Essa lição de casa tem sido fundamental para que seja possível liquidar com a fase de baixa e dar início à fase de alta do ciclo, possibilitando assim que as cotações variem acima da inflação. Há boa probabilidade de que isso ocorra já a partir da metade de 2019, especialmente em virtude dos abates em temporadas anteriores aliados ao forte movimento exportador e a alguma sinalização do governo que possa novamente atrair investimentos externos ao país, ajudando a reduzir o índice de desemprego.
Pelos motivos óbvios, o último fator é o mais difícil de se alcançar, afinal, a resistência à aplicação de medidas reformistas é grande.
Atualmente, o consumo interno de carne bovina ainda patina. A recuperação até acontece, mas a passos lentos, já que o cenário de incerteza econômica e política imprime riscos, impedindo a migração de investimentos para o país de forma consistente.
Já as exportações caminham em bom ritmo. Os embarques de agosto e setembro/2018 registraram dois recordes consecutivos para os volumes mensais embarcados, e no consolidado dos nove primeiros meses deste ano, o volume exportado está no maior patamar dos últimos 10 anos.
E assim, as exportações exercem função importante de suporte às cotações na medida em que enxugam a disponibilidade interna.
Falando sobre a disponibilidade interna, o número maior de animais do segundo giro de confinamento gera expectativa de maior oferta de animais terminados com suplementação nas próximas semanas.
Fator que facilitará a originação pelos frigoríficos, que devem continuar testando preços abaixo das indicações atuais.
Nessa perspectiva de curto-prazo, as projeções de preços para o final 2018 esfriam, e um possível avanço do consumo em dezembro pode oferecer alívio a pressão baixista.
Marco Guimarães é estagiário pela Agrifatto
Gustavo Machado é consultor pela Agrifatto