sábado, 24 de março de 2018

IBGE: Abate de bovinos cresceu 3,8% em 2017 [RELATÓRIO]

I – PRODUÇÃO ANIMAL NO 4º TRIMESTRE DE 2017
1.     Abate de animais
1.1 –         Bovinos
No 4º trimestre de 2017, foram abatidas 8,02 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária. Essa quantidade foi 0,4% maior que a registrada no trimestre imediatamente anterior e 8,3% maior que a do 4° trimestre de 2016. Esses dois comparativos sugerem uma recuperação no abate de bovinos, interrompendo um ciclo de 3 quedas consecutivas quando se observa os dados dos 4os trimestres. O Gráfico I.1 mostra que é comum um incremento do abate de bovinos no último trimestre do ano.
Gráfico I.1 – Evolução do abate de bovinos por trimestre – Brasil – trimestres 2012-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2012.I-2017.IV.
Como não há variações acentuadas no peso médio das carcaças, sobretudo em nível nacional e entre os mesmos períodos do ano, a série histórica trimestral do peso acumulado de carcaças (Gráfico I.2) tende a seguir o mesmo comportamento da série do abate de bovinos. A produção de 2,02 milhões de toneladas de carcaças bovinas no 4º trimestre de 2017 indicou crescimento em ambas as comparações citadas a seguir. Foi 0,2% maior que a registrada no trimestre imediatamente anterior e 9,4% maior que a registrada no 4º trimestre de 2016.
Gráfico I.2 – Evolução do peso acumulado de carcaças de bovinos por trimestre – Brasil – trimestres 2012-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2012.I-2017.IV.
O peso médio das carcaças foi de 252,3 kg/carcaça no 4º trimestre de 2017. No mesmo período do ano anterior foi de 249,8 kg/carcaça, representando aumento de 2,5 kg/carcaça (1,0%) entre os respectivos períodos. Considerando a distribuição do abate entre machos e fêmeas, manteve-se tendência de prevalecer o abate de machos em seu maior patamar no quarto trimestre, entre os trimestres de cada ano (Gráfico I.3).
Gráfico I.3 – Evolução da participação de machos e fêmeas no abate total de bovinos por trimestre – Brasil – trimestres 2012-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2012.I-2017.IV.
O abate de 615,36 mil cabeças de bovinos a mais no 4º trimestre de 2017, em relação ao mesmo período do ano anterior, foi impulsionada por aumentos em 19 das 27 Unidades da Federação (UFs). Entre aquelas com participação acima de 1,0%, ocorreram aumentos em: Goiás (+152,67 mil cabeças), Minas Gerais (+143,36 mil cabeças), Mato Grosso (+136,61 mil cabeças), São Paulo (+98,44 mil cabeças), Mato Grosso do Sul (+69,27 mil cabeças), Rondônia (+45,39 mil cabeças), Paraná (+38,16 mil cabeças), Maranhão (+15,16 mil cabeças), Rio Grande do Sul (+8,72 mil cabeças), Santa Catarina (+5,28 mil cabeças), Bahia (+4,14 mil cabeças) e Acre (+3,41 mil cabeças). Em contrapartida, as maiores reduções ocorreram em: Pará (-50,71 mil cabeças) e Tocantins (-49,36 mil cabeças). No ranking das UFs, Mato Grosso continua liderando o abate de bovinos, com 16,1% da participação nacional, seguido por Mato Grosso do Sul (10,8%) e Goiás (10,0%) (Gráfico I.4).
Gráfico I.4 – Ranking e variação anual do abate de bovinos – Unidades da Federação – 4os trimestres de 2016 e 2017
*Variação 2017/2016. **Agregado das Unidades da Federação com participação inferior a 1% do total nacional.
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2016.IV e 2017.IV.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior – Secex, no 4º trimestre de 2017, as exportações brasileiras de carne bovina in natura cresceram tanto em volume como em faturamento, nos comparativos com o trimestre imediatamente anterior e com o 4º trimestre de 2016. Em ambos os comparativos, os preços internacionais oscilaram perto da estabilidade, o que não influenciou em um descolamento das variações percentuais entre volume in natura exportado e faturamento em dólares (Tabela I.1).
Tabela I.1 – Abate de bovinos e exportação de carne bovina in natura – Brasil – trimestres selecionados de 2016 e 2017
No 4° trimestre de 2017, as exportações brasileiras de carne bovina in natura tiveram Hong-Kong como o seu principal destino, com 22,9% de participação, 6,9 pontos percentuais maior que o 4° trimestre de 2016. China caiu para segunda posição no ranking e teve perda de 2,6 pontos percentuais na sua participação. O Egito, que saltou três posições no ranking, apareceu na 3ª posição, seguido pelo Irã. Esses quatro destinos somaram 68,5% do comercio de carne bovina do Brasil com o exterior (Tabela I.2).
Segundo o indicador Esalq/BM&F Bovespa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Cepea, as médias mensais dos preços da arroba bovina de outubro a dezembro de 2017 foi de R$ 142,26/@, variando de R$ 137,90/@ a R$ 147,35/@. No mesmo período do ano anterior, o preço médio foi de R$150,16/@, representando queda de 5,3% no comparativo das médias.
De acordo com o IPCA/IBGE (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o indicador oficial da inflação brasileira, todos os 13 cortes bovinos avaliados apresentaram redução de preço e ficaram abaixo do Índice geral da inflação (2,95%), no acumulado de janeiro a dezembro de 2017 (Gráfico I.5).
Gráfico I.5 – Percentual acumulado no ano dos cortes de carne bovina e do Índice geral do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – janeiro a dezembro de 2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor, jan-dez de 2017.
Participaram da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, no 4º trimestre de 2017, 1.120 informantes de abate de bovinos. Dentre eles, 194 possuíam o Serviço de Inspeção Federal (SIF), 377 o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e 549 o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), respondendo, respectivamente, por 76,5%; 17,6% e 5,9% do peso acumulado das carcaças produzidas. Todas as UFs apresentaram abate de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária.
3. Aquisição de Couro
No 4º trimestre de 2017, os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro – aqueles que efetuam curtimento de pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano – declararam ter recebido 8,75 milhões de peças inteiras de couro cru de bovinos. Essa quantidade foi 0,1% maior que a registrada no trimestre imediatamente anterior e 6,0% maior que a registrada no 4º trimestre de 2016. Quanto à origem do couro, a maior parte teve procedência de matadouros frigoríficos, seguida pela prestação de serviços, que responderam juntas por 89,4% do total captado no período (Tabela I.8).
Tabela I.8 – Origens das peças inteiras de couro cru bovino recebidas pelos curtumes – Brasil – 4os trimestres de 2016 e 2017
As 497,96 mil peças inteiras de couro cru adquiridas a mais, em nível nacional, no comparativo dos 4os trimestres 2017/2016, vieram de aumentos das aquisições em 14 das 20 Unidades da Federação que participaram da Pesquisa. Os destaques quantitativos ficaram com São Paulo (+199,24 mil peças), Goiás (+151,25 mil peças), Mato Grosso (+130,84 mil peças) e Rio Grande do Sul (+120,18 mil peças). A maior redução absoluta ocorreu em Tocantins (-183,35 mil peças). No ranking das UFs, Mato Grosso continua liderando a recepção de peles bovinas pelos curtumes, com 17,3% da participação nacional, seguido por São Paulo (13,0%) e Mato Grosso do Sul (12,5%), que inverteram as posições no ranking desde o segundo trimestre de 2017 (Gráfico I.16).
Gráfico I.16 – Ranking e variação anual da quantidade total de couro cru captado pelos curtumes – Unidades da Federação – 4os trimestres de 2016 e 2017
*Variação 2017/2016. **Agregado das Unidades da Federação com participação inferior a 5% do total nacional.
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Couro, 2016.IV e 2017.IV.
O método mais utilizado para o curtimento das peles bovinas foi “ao cromo” (97,0% do total nacional de peles curtidas), seguido pelo “tanino” (2,5%) e por “outros métodos de curtimento” (0,6%). O cromo foi utilizado em 18 das 20 UFs que participaram da Pesquisa. Apenas Santa Catarina e Roraima não utilizaram o cromo no curtimento. O tanino foi utilizado em sete UFs: São Paulo (com 28,6% do total nacional curtido ao tanino), Paraná (28,1%), Santa Catarina (22,4%), Rio Grande do Sul (11,2%), Minas Gerais (8,5%), Pernambuco (1,1%) e Rondônia (0,2%). Outros métodos de curtimento foram registrados em Goiás (com 36,2% do total curtido por outros métodos), Roraima (34,5%), Mato Grosso do Sul (17,9%), Minas Gerais (8,4%) e Paraná (3,0%).
A diferença entre o total de peças inteiras de couro cru de bovinos, captadas pelos curtumes (Pesquisa Trimestral do Couro), e a quantidade de bovinos abatidos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária (Pesquisa Trimestral do Abate de Animais) pode ser entendida como uma proxydo abate não-fiscalizado. Contrastando as séries históricas dessas duas variáveis (Gráfico I.17), pode-se inferir que o abate não-fiscalizado diminuiu de 2016 para 2017, sendo estimado em 10,2%, para 2016, e em 8,3%, para 2017.
Gráfico I.17 – Evolução da aquisição total de peças inteiras de couro cru e do abate fiscalizado de bovinos por trimestre – Brasil – trimestres 2012-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Couro e Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2012.I-2017.IV.
Participaram da Pesquisa Trimestral do Couro, no 4º trimestre de 2017, 102 curtumes. Amapá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Piauí não possuem curtumes elegíveis ao universo da pesquisa.
II – PRODUÇÃO ANIMAL NO ACUMULADO DE 2017
1. Abate de animais
1.1 – Bovinos
Em 2017 foram abatidas 30,83 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária (Federal, Estadual ou Municipal), representando aumento de 3,8% (+1,13 milhão de cabeças) em relação ao ano anterior. Esse foi o primeiro crescimento anual após três quedas consecutivas na série histórica anual do abate de bovinos (Gráfico II.1).
Gráfico II.1 – Evolução anual do abate de bovinos – Brasil – 2006-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2006-2017.
O peso acumulado das carcaças de bovinos alcançou 7,67 milhões de toneladas em 2017, representando aumento de 4,3% (+313,93 mil toneladas) em relação ao ano anterior. Como não há variações acentuadas do peso médio anual das carcaças em nível nacional, a série histórica do peso acumulado das carcaças (Gráfico II.2) tende a seguir o mesmo comportamento da série do abate de bovinos (Gráfico II.1).
Gráfico II.2 – Evolução anual do peso acumulado de carcaças de bovinos – Brasil – 2006-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2006-2017.
O peso médio das carcaças bovinas foi de 248,9 kg/carcaça em 2017, sendo 1,1 kg maior que o do ano anterior. Após três quedas consecutivas em 2014, 2015 e 2016, houve um aumento da participação de fêmeas no abate total de bovinos em 2017 (Gráfico II.3).
Gráfico II.3 – Evolução anual da participação de machos e fêmeas no abate total de bovinos – Brasil – 2006-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2006-2017.
O abate de 1,13 milhões de cabeças de bovinos a mais, no comparativo 2017/2016, foi impulsionado por aumentos em 16 das 27 Unidades da Federação. Entre aquelas com participação acima de 1,0%, ocorreram aumentos em: Goiás (+355,50 mil cabeças), Minas Gerais (+297,03 mil cabeças), Mato Grosso (+227,15 mil cabeças), Mato Grosso do Sul (+144,61 mil cabeças), Paraná (+85,65 mil cabeças), Rondônia (+68,36 mil cabeças), Bahia (+34,92 mil cabeças), Rio Grande do Sul (+31,34 mil cabeças) e Santa Catarina (+23,95 mil cabeças). Em contrapartida ocorreram reduções em: Pará (-86,95 mil cabeças), Tocantins (-42,46 mil cabeças), Maranhão (-38,23 mil cabeças) e Acre (-25,67 mil cabeças).
Mato Grosso continuou liderando o ranking das UFs do abate de bovinos em 2017, com 15,6% da participação nacional, seguido por seus dois vizinhos do Centro-Oeste: Mato Grosso do Sul (11,1%) e Goiás (10,3%) (Gráfico II.4).
Gráfico II.4 – Ranking e variação anual do abate de bovinos – Unidades da Federação – 2016-2017
*Variação 2017/2016. **Agregado das Unidades da Federação com participação inferior a 1% do total nacional.
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2016-2017.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de carne bovina in natura aumentaram 12,1% no comparativo 2017/2016. Principal destino das exportações, Hong-Kong aumentou 3,7 pontos percentuais sua participação nas exportações brasileiras de carne bovina. A China apareceu em segundo lugar no ranking, em virtude do acréscimo de 2,2 pontos percentuais na sua participação, enquanto que o Egito perdeu 3,1 pontos percentuais caindo para terceira posição. Mesmo com a saída da Venezuela da lista dos principais parceiros comerciais do Brasil no mercado de carne bovina em 2017, o Brasil conseguiu outros mercados e até mesmo crescer suas exportações em relação a 2016. Os cinco primeiros do ranking responderam por 72,6% do comércio de carne bovina in natura com o exterior (Tabela II.1).
Tabela II.1 – Quantidade de carne bovina in natura exportada do Brasil, segundo os destinos – 2016-2017
Segundo o indicador ESALQ/BM&F Bovespa do Cepea, o preço médio da arroba bovina foi de R$ 138,81 em 2017, variando de R$ 122,80 a R$ 150,72. No ano anterior, o preço médio foi de R$ 152,90, variando de R$ 147,38 a R$ 159,49. No comparativo 2017/2016, verificou-se redução de 9,22% do preço médio da arroba bovina. Esse movimento de queda de preços para o Indicador citado anteriormente, também foi verificado para os preços dos cortes bovinos (IBGE/IPCA), sem exceção, vendidos ao consumidor. Todas estas variações negativas indicaram trajetória contrária ao aumento do Índice Geral da inflação de 2017 (2,95%) calculado pelo IBGE/IPCA (Gráfico I.5).
Na média dos quatro trimestres de 2017, 1.133 informantes de abate de bovinos responderam à Pesquisa Trimestral do Abate de Animais. Dentre eles, 193 atuaram sob o Serviço de Inspeção Federal (SIF), 382 sob o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e 558 sob o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), respondendo, respectivamente, por 77,2%; 17,2% e 5,6% do peso acumulado das carcaças produzidas. Todas as UFs apresentaram abate de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária.
3. Aquisição de Couro
Em 2017, os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro – aqueles que curtem pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano – declararam ter recebido 34,06 milhões de peças inteiras de couro cru bovino. Essa quantidade foi 1,3% maior que a registrada no ano anterior. Quanto à origem, a maior parte do couro teve procedência de matadouros e frigoríficos, seguida pela prestação de serviços, respondendo juntas por 89,0% do total das peças recebidas pelos curtumes em 2017 (Tabela II.5).
Tabela II.5 – Origens das peças inteiras de couro cru bovino recebidas pelos curtumes – Brasil – 2016 e 2017
Gráfico II.13 – Ranking e variação anual da quantidade total de couro cru recebido pelos curtumes – Unidades da Federação – 2016 e 2017

*Variação 2017/2016. **Agregado das Unidades da Federação com participação inferior a 5% do total nacional.
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Couro, 2016 e 2017.
Ao longo de 2017 o método mais utilizado para o curtimento de couro foi ao cromo (96,8%), seguido pelo tanino (2,7%) e por outros métodos de curtimento (0,5%). O cromo foi utilizado nas 21 UFs, com pelo menos um curtume enquadrado ao universo da pesquisa, em pelo menos um dos quatro trimestres de 2017. O tanino foi utilizado em oito UFs: Paraná, que com 29,8%, Santa Catarina (24,4%), São Paulo (22,2%), Rio Grande do Sul (11,5%), Minas Gerais (9,1%), Mato Grosso do Sul (1,7%), Pernambuco (1,1%) e Rondônia (0,2%). Em 2017, outros métodos de curtimento foram registrados por curtumes em Mato Grosso do Sul (com 26,9% do total curtido por outros métodos em 2017), Roraima (23,7%), Goiás (21,5%), Rio Grande do Sul (18,7%), Minas Gerais (6,2%) e Paraná (3,0%).
A diferença entre o total de peças inteiras de couro cru de bovino recebido pelos curtumes (Pesquisa Trimestral do Couro) e a quantidade de bovinos abatidos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária (Pesquisa Trimestral do Abate de Animais) pode ser entendida como uma proxy do abate não-fiscalizado. Juntando os valores totais dos trimestres, de acordo com os anos, e contrastando as séries históricas dessas duas variáveis (Gráfico II.14), pode-se inferir que o abate não-fiscalizado caiu de 2016 para 2017, passando de 11,7% para 9,5%.
Gráfico II.14 – Evolução anual da aquisição total de peças inteiras de couro cru e do abate fiscalizado de bovinos – Brasil – 2006-2017
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Trimestral do Couro e Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, 2006-2017.
Ao longo de 2017 uma média de 102 estabelecimentos por trimestre participaram da Pesquisa Trimestral do Couro. Amapá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e Distrito Federal são as Unidades da Federação que não possuem curtumes elegíveis ao universo da pesquisa.
III – TABELAS DE RESULTADOS – BRASIL – TRIMESTRES DE 2016 E 2017
III.1 – Síntese dos Indicadores da Pecuária para trimestres selecionados
Tabela III.1.1 – Abate de Animais, Aquisição de Leite, Aquisição de Couro e Produção de Ovos de Galinha – Brasil – trimestres selecionados de 2016 e 2017
III.2 – Abate de Animais – Brasil – trimestres e meses de 2016 e 2017
Tabela III.2.1 – Número de animais abatidos por espécie e variação anual, segundo os trimestres, os meses e o acumulado do ano – Brasil – 2016-2017
Tabela III.2.2 – Peso total das carcaças de animais abatidos por espécie e variação anual, segundo os trimestres, os meses e o acumulado do ano – Brasil – 2016-2017
Tabela III.2.3 – Número de animais abatidos, por espécie e tipo de inspeção sanitária – segundo os trimestres, os meses e o acumulado do ano – Brasil – 2017
Tabela III.2.4 – Peso total das carcaças de animais abatidos, por espécie e tipo de inspeção sanitária, segundo os trimestres, os meses e o acumulado do ano – Brasil – 2017
Tabela III.2.5 – Número de bovinos abatidos, por categoria animal, segundo os trimestres, os meses e o acumulado do ano – Brasil – 2017
Tabela III.2.6 – Peso total das carcaças de bovinos abatidos, por categoria animal, segundo os trimestres, os meses e o acumulado do ano – Brasil – 2017
III.4 – Aquisição de Couro Cru Bovino – Brasil – trimestres e meses de 2017
Tabela III.4.1 – Quantidade de peças inteiras de couro cru bovino adquirida, por procedência, e recebida de terceiros, segundo os trimestres os meses e o acumulado do ano – Brasil – 2017
Tabela III.4.2 – Quantidade total de peças inteiras de couro cru bovino adquirida e curtida, segundo os trimestres, os meses, e o acumulado do ano – Brasil – 2016-2017
IV- TABELAS DE RESULTADOS – UNIDADES DA FEDERAÇÃO – 4os TRIM. 2016 E 2017
IV.1 – Abate de Animais – Unidades da Federação – 4os trimestres de 2016 e 2017
Tabela IV.1.1 – Quantidade e peso total de carcaças de bovinos abatidos e variação trimestral – Brasil e Unidades da Federação – 4os trimestres de 2016 e 2017
IV.3 – Aquisição de Couro Cru Bovino – Unidades da Federação – 4os trimestres de 2016 e 2017
Tabela IV.3.1 – Quantidade de peças inteiras de couro cru bovino, total, adquirida e recebida, e variação trimestral – Brasil e Unidades da Federação – 4os trimestres de 2016 e 2017
V – TABELAS DE RESULTADOS ANUAIS POR UNIDADE DA FEDERAÇÃO, 2016-2017
V.1 – Abate anual de Animais – Unidade da Federação – 2016 e 2017
Tabela V.1.1 – Quantidade e peso acumulado das carcaças de bovinos abatidos e variação anual – Brasil e Unidades da Federação – 2016-2017
V.3 – Aquisição anual de Couro Cru – Unidade da Federação – 2016-2017
Tabela V.3.1 – Quantidade de couro cru total, adquirida, recebida de terceiros, e variação anual – Brasil e Unidades da Federação – 2016-2017
Fonte: IBGE.

Milhares de produtores rurais vão às ruas de Brasília (DF)

Cerca de 10 mil pessoas são esperadas em frente ao Congresso Nacional, na Alameda das Bandeiras, para o “Manifesto Verde e Amarelo – Funrural não, Securitização sim!”, no dia 4 de abril



Mais de 10 mil produtores rurais de todo Brasil devem se reunir para uma manifestação em frente ao Congresso Nacional, na Alameda das Bandeiras, em Brasília (DF), no próximo dia 4 de abril, com concentração marcada a partir das 13h.
Sem dúvida, este será o maior movimento já registrado em defesa dos produtores rurais nas últimas décadas. Chamado de “Manifesto Verde e Amarelo – Funrural não, Securitização sim!”, vão ser cobradas do Governo Federal três pautas primordiais.
A primeira é justamente em relação à “dívida” retroativa do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), que dá nome ao manifesto. A segunda é um pedido para securitização das dívidas do agronegócio, encerrando com uma exigência para o fim do “Estado policialesco e confiscatório”.
Funrural Não!
O Funrural é um tributo que voltou a incidir sobre o faturamento bruto dos produtores rurais, hoje taxados a 1,2% para pessoa física e 2% para pessoa jurídica. A queixa dos representantes da classe é em relação a uma cobrança retroativa do período em que o imposto deixou de ser obrigatório, por força de decisões judiciais.
Em 2010 e 2011, dois julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) chegaram à conclusão de que o tributo tinha parecer inconstitucional, por caracterizar uma bitributação, pois era incido sobre a folha salarial dos funcionários e também sobre o faturamento bruto das propriedades rurais.
À época, a alíquota era de 2,3%, sendo 2,1% destinados à Receita Federal e 0,2% repassados ao Senar. Em 2017, o caso teve uma reviravolta inusitada e, em resultado apertado, com voto de minerva da ministra Carmen Lúcia, por 6 a 5, a corte entendeu que a cobrança seria constitucional.
Porém, essa decisão é questionada pelos produtores, pelo fato de o Projeto de Lei 165, sancionado pelo presidente Michel Temer em 2018, reconsiderar a constitucionalidade do Funrural sem que houvesse trânsito em julgado. Agora, o Governo Federal cobra retroativo dos últimos cinco anos.
“O produtor rural não pagou porque o tributo foi considerado inconstitucional, não por ser caloteiro. Tanto o Governo Federal como o Congresso Nacional colocaram o carro na frente dos bois, pois desrespeitaram Resolução do Senado Federal, bem como trânsito em julgado do STF, que aguarda os embargos declaratórios”, entende Luiz Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR), que coordena o movimento e conta com adesão de mais de 200 entidades.
Segundo o presidente da UDR, da noite para o dia, os produtores rurais brasileiros foram surpreendidos com uma dívida que atinge quase R$ 30 bilhões, que pode literalmente quebrar um setor que vive uma realidade de descapitalização.
Securitização Sim!
Os altos custos de produção e a baixa rentabilidade da produção agropecuária no Brasil, em contradição com as safras recordes, estão levando a categoria à inadimplência junto aos agentes financeiros. Todo setor primário passa por dificuldades em relação ao endividamento e à descapitalização, o que repercute negativamente nos investimentos e custeios necessários ao setor.
Para sobreviverem, os produtores rurais utilizam-se de uma operação a qual apelidaram de “mata-mata”, na qual pagam um financiamento vencido para poder contratar um novo. Um problema, pois a grande maioria dos empreendimentos opera no vermelho.
“O BNDES teve muito recurso para injetar em algumas poucas empresas que ficaram bilionárias à custa do dinheiro público, mas, por outro lado, impõe uma burocracia tremenda ao produtor”, constata Nabhan Garcia. Um programa de securitização dos ativos do agronegócio seria uma solução razoável para modular dívidas hoje estimadas em R$ 280 bilhões.
Fim do Estado Policialesco e Confiscatório
“O Estado policialesco é resultado de um governo inflexível e discriminador, onde uma simples irregularidade trabalhista é convertida em crime análogo à escravidão”. O produtor é imediatamente processado, e, muitas vezes, é preso em operações que armam um verdadeiro circo em torno do episódio. “Produtor rural não é bandido”, protesta Nabhan.
A fiscalização ambiental é outra área carente de atenção. É preciso dar um basta a essa indústria da multa, assim como as questões fundiárias carecem de uma resolução permanente quanto às invasões do MST, indígenas e expropriações injustas, apoiadas por instituições frágeis, influenciadas por forças políticas ideológicas.
“Não estamos pedindo alvará de impunidade, apenas maior respeito e segurança jurídica nas questões ambientais, fundiárias, trabalhistas e tributárias, além do fim da discriminação ao produtor rural”, esclarece Nabhan.
Celeiro do mundo
O agronegócio brasileiro gera empregos, estabilidade do Produto Interno Bruto e garante superávit positivo à balança comercial.“O agronegócio, já há muitos anos, vem salvando a economia brasileira de sucessivas crises econômicas, mas o que presenciamos é um verdadeiro descaso com o setor. Necessitamos de políticas públicas sólidas e transparentes, crédito, segurança jurídica e econômica”, protesta o presidente da UDR.
A própria Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) eleva o Brasil a “celeiro do mundo”, além de estimar que o país terá de aumentar a produção agropecuária em 60% nas próximas três décadas para atender uma crescente e global demanda por alimentos.
O “Manifesto Verde e Amarelo – Funrural não, Securitização sim!” conta com a adesão de mais de 200 entidades representativas do setor produtivo rural.
fonte: Cenario MT

sábado, 17 de março de 2018

Operação Carne Fraca completa um ano e deixa lições

Para analista, operação serviu para expor as falhas do sistema de controle de qualidade de carne do Brasil, que ainda precisa ser melhorado

Alisson Freitas
No dia 17 de março de 2017 o agronegócio brasileiro sofreu o primeiro de uma série de golpes que abalaram o setor ao longo do ano. Naquela data, a Polícia Federal deflagrou a operação Carne Fraca, que investiga fraudes cometidas por fiscais agropecuários federais e empresários ligados à JBS e BRF.
Embora o processo envolvesse apenas a proteína de frango, a cadeia produtiva da carne bovina também sofreu as consequências. Enquanto a arroba despencava no mercado interno, diversos países importadores suspenderam a compra de carne bovina do Brasil. Com isso, as exportações do mês seguinte, abril, caíram 25% em receita e 26% em volume, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
“Na época, muitas informações erradas foram disseminadas e isso abalou a confiança do consumidor. Infelizmente, os responsáveis (Polícia Federal) não deram as caras para fazer a devida retratação”, lembra o analista de mercado José Vicente Ferraz, da Informa FNP, citando o caso da “carne com papelão”, que se referia à embalagem em que o produto foi colocado e não à mistura no processamento da proteína.
Em meio a esse turbilhão, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e diversas entidades do setor foram atrás dos países importadores para prestar os devidos esclarecimentos e os embargos momentâneos foram vencidos ao longo do ano. A partir daí, as exportações voltaram com força total e o Brasil encerrou 2017 com alta de 9% em volume e 13% em receita sobre o ano anterior.
Passado um ano do início da operação, o turbilhão já se dissipou e o setor já não sente mais os impactos da Carne Fraca, na visão da analista Isabella Camargo, da Scot Consultoria. “Os preços se recuperaram rapidamente, antes até de qualquer projeção feita na época. Isso mostra o grande poder de reação da pecuária brasileira”.
A analista também afirma que a operação serviu para unir todos os elos da cadeia produtiva e reforçar as qualidades da carne brasileira no exterior. “O setor mostrou total união e a ação das entidades junto aos exportadores foi fundamental para isso. Hoje, o mundo sabe que pode confiar na carne brasileira, prova disso foi o aumento expressivo nas exportações em 2017 o e no início desse ano”, concluiu.
Para Ferraz, a Carne Fraca serviu para expor as falhas do sistema de controle de qualidade de carne do Brasil, que ainda precisa ser melhorado “Ainda somos falhos em questões sanitárias e isso ainda nos impede de acessar mercados mais exigentes”, avalia.
Embora celebre a reversão do cenário caótico de 2017, o analista acredita que a Carne Fraca causa impactos no setor. “De certa forma a imagem da carne do Brasil ainda é vista com certa desconfiança no exterior. Ainda deve levar algum tempo para que isso seja totalmente esquecido, o que é normal após tudo o que aconteceu”.
Operação Trapaça – No dia 5 de março deste ano, a Polícia Federal deflagrou a 3ª etapa da Carne Fraca. A operação, entitulada de “Trapaça”, cumpriu 91 ordens judiciais no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo, que culminaram nas prisões temporárias do ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, e do ex-diretor e vice-presidente, Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior.
Diferente do que aconteceu no ano passado, a nova fase da investigação não deve afetar o mercado do boi. “Está muito claro que o foco das investigações é a cadeia de aves e isso não deve impactar as outras proteínas. As demais empresas do setor também não devem ser abaladas, a única que sofrerá as consequencias é a BRF, por ser alvo das investigações”, conclui José Vicente Ferraz.
Fonte: Portal DBO

Indústria quer lançar selo de carne gaúcha para agregar valor ao produto


Fonte:Pixabay/divulgação
Iniciativa parte com o lançamento de uma ferramenta que reúne informações sobre a cadeia produtiva de carne bovina do estado
O governo do Rio Grande do Sul lançou uma ferramenta capaz de unir todas as  informações sobre a cadeia da carne bovina do estado em um só site. A indústria espera que isso permita a criação de um selo que valorize mais o produto no mercado.
O Observatório Gaúcho da Carne reúne informações como volumes e tipos de carne importada e exportada, regiões produtoras e número de abates. Coordenada pelo setor privado e apoiada pelo governo, a ferramenta traz informações coletadas desde janeiro de 2010.
“O que nós ainda estamos buscando é unificar e valorizar a carne gaúcha, assim como acontece em países como Argentina, Uruguai e Austrália. Se fala em carne identificada daquele país e isso vai trazer mais valor agregado ao nosso produto e, consequentemente, um melhor resultado aos produtores e garantindo qualidade total ao consumidor final”, falou o então secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul.
Para criar a plataforma, foram ouvidas mais de 300 pessoas ligadas ao setor com a finalidade de saber o que consideram importante na definição de negócios e políticas públicas. O objetivo é que o observatório sirva de ferramenta para ações pontuai.
“Essa disponibilidade de dados sobre a dinâmica de mercado de entrada de produtos e de volume produzido vai nos permitir entender melhor a demanda e trabalhar melhor a própria genética para produzir mais carne aqui no estado”, comentou o gerente nacional do Programa Carne Angus, Fábio Medeiros.
Selo gaúcho
A indústria vê mais longe e quer usar os dados para encaminhar a criação de um selo da carne gaúcha, considerada uma forma de valorizar a proteína no mercado, como já acontece em outros países. “Até por serem bem parecidas com a produção argentina e uruguaia, por que não criarmos uma diferenciação e um reconhecimento da carne gaúcha? Então esse seria um dos grandes objetivos que viria a nos ajudaria a tornar mais viáveis e rentáveis os nossos negócios”, falou o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Alberto Lauxen.
  • Bruna Essig, de Porto Alegre (RS)
  • Fonte : Canal Rural

quinta-feira, 15 de março de 2018

Observatório da Carne valoriza pecuária de corte e amplia segurança de consumo


Sartori ressaltou importância da pecuária de corte se manter unida para qualificar a atividade
Sartori ressaltou importância da pecuária de corte se manter unida para qualificar a atividade - Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini

O governo do Estado lançou, nesta quinta-feira (15), um novo website que uniformiza as informações sobre a pecuária de corte no Rio Grande do Sul, melhorando a compreensão dos consumidores sobre a atividade e a procedência da carne oferecida no mercado. Os dados vão desde o nascimento dos animais até a exportação dos produtos gaúchos. O Observatório Gaúcho da Carne (OGC), apresentado no Palácio Piratini, pode ser acessado no endereço www.observatoriogauchodacarne.com.br. 
A iniciativa é da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) e do vice-governador José Paulo Cairoli, com o apoio de entidades representativas da pecuária gaúcha. O site é considerado importante por ser o primeiro passo rumo a criação da Agência Gaúcha da Carne.
A ferramenta conecta os dados já existentes e reúne todas as informações num só lugar. Com isso, será possível fazer uma radiografia permanente e fiel da atividade, permitindo o desenvolvimento de políticas que melhorem a qualidade da carne gaúcha.

Segundo o governador José Ivo Sartori, "só vamos proteger o setor quando ele estiver unido"
Segundo o governador José Ivo Sartori, "só vamos proteger o setor quando ele estiver unido" - Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini

O governador José Ivo Sartori lembrou que o projeto foi apresentado durante a Expointer do ano passado e, desde então, um trabalho conjunto fconstruiu um modelo que atendesse as necessidades da pecuária de corte. "Só vamos proteger o setor quando ele estiver unido. Nosso papel, como poder público, é modernizar o Estado e fazer as mudanças estruturais necessárias", enfatizou.
Conforme o governador, a modernização do serviço público é um trabalho contínuo desde o primeiro ano de governo. "Adotamos um novo modelo de gestão que possibilitou arrumar a casa, atrair novos investimentos e prestar melhores serviços aos cidadãos. Hoje é inaceitável imaginar o serviço público sem gestão", afirmou.
Ele acrescentou que o Rio Grande do Sul está preparado para entrar numa nova fase de desenvolvimento, mas que ainda é preciso promover outras transformações para construir um novo futuro. "A modernização do Estado é um dos legados que mais me orgulha. Porque não é mais algo só do nosso governo. Agora, pertence a todos, ao serviço público e à sociedade", finalizou.
Construído a várias mãos
Para criar o Observatório Gaúcho da Carne foram usados modelos como o Meat Market Observatory da Comissão Europeia; o INAC (Instituto Nacional de Carnes do Uruguai); o Atlas da Complexidade Econômica da Harvard University; e o Observatório da Complexidade Econômica do Massachusetts Institute of Technology.

Para o secretário Polo, ferramenta amplia a compreensão dos consumidores sobre o produto oferecido no mercado
Para o secretário Polo, ferramenta amplia a compreensão dos consumidores sobre o produto oferecido no mercado - Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini
Segundo o secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo, o RS passa a contar a partir de agora com uma ferramenta de informações inovadora. "Essa é uma construção a várias mãos e um processo de evolução. Vamos buscar ainda mais a valorização e qualificação da pecuária. Produzimos carne de excelência, mas ainda podemos fazer mais", destacou. Ele acrescentou que na mesma linha do Observatório está sendo feito um estudo sobre o leite, em conjunto com as entidades do setor.
A primeira etapa do projeto foi uma pesquisa com cerca de 350 pessoas ligadas ao setor para saber quais informações e cenários gostariam de ver na ferramenta. "Nós não coletamos dados, nós conectamos os dados públicos existentes. Já são mais de 880 milhões de dados dispostos em 11 paineis de informações com 72 páginas”, ressaltou a coordenadora e consultora do projeto, Andréa Veríssimo. O Observatório conta com dados desde janeiro de 2010.

Participaram o vice-governador José Paulo Cairoli; o presidente da Federação da Agricultura do Estado do RS (Farsul), Gedeão Pereira; o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do RS (Sicadergs), Ronei Alberto Lauxen; e o presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Kerber.

Texto: Cassiane OsórioEdição: Gonçalo Valduga/Secom

Governo do Rio Grande do Sul lança Observatório Gaúcho da Carne



O Observatório Gaúcho da Carne (OGC) será lançado nesta quinta-feira durante evento no Palácio Piratini. O OGC contribuirá para reduzir a assimetria de informações entre os elos da cadeia produtiva da carne bovina, ao reunir o big data da pecuária do Rio Grande do Sul e transformá-lo em informação e conhecimento. Por meio de uma abordagem inovadora, o Observatório não coleta dados, e sim conecta grandes volumes de informações homologadas, obtidas das mais diversas fontes públicas oficiais e/ou acreditadas. Após, são transformados em dados que passam a ter significado, e apresentando-as em painéis analíticos de fácil consulta, permitindo a compreensão das atividades realizadas pelo setor produtivo desde o nascimento dos animais até a exportação dos produtos gaúchos. Ao transformar dados em informação, o OGC conta as histórias da pecuária e do mercado de carnes gaúcho, e sua inserção nacional e internacional. Tomando como modelos o Meat Market Observatory da Comissão Europeia; o Inac (Instituto Nacional de Carnes do Uruguai); o Atlas da Complexidade Econômica da Universidade de Harvard e o Observatório da Complexidade Econômica do Massachussets Institute of Technology norte-americanos, o Rio Grande do Sul passa a contar agora com uma ferramenta de informações inovadora e disruptiva, que certamente ajudará no melhor entendimento dos elos da cadeia produtiva da carne bovina gaúcha. Lançado durante a Expointer 2017, para ser entregue em março de 2018, o OGC é oferecido como uma grande inovação para a pecuária gaúcha, por meio de um website de livre acesso na internet, ajudando a uniformizar as informações e permitindo uma melhor compreensão deste setor tão tradicional e importante para a economia do Estado. "É importante destacar a evolução da pecuária gaúcha, na genética e qualidade do produto. O Observatório Gaúcho da Carne se propõe a conquistar o espaço de entendimento do setor pecuário gaúcho, onde a informação extraída constrói a confiança por meio da transparência. Teremos dados coletados e conectados agilmente, de fácil acesso, onde se poderá realizar uma radiografia permanente e fiel do setor, para que se possa auxiliar, com essas informações, ao desenvolvimento de políticas de fomento, para maior qualidade da carne e valorização da carne, tendo como consequência a prospecção de novos mercados", avalia o secretário de Agricultura, Ernani Polo. O observatório tem como objetivo final a criação da Agência Gaúcha da Carne, que valorizará ainda mais a qualidade da pecuária do Estado. - 
fonte: Jornal do Comércio 

Venda de gado gordo: "Audiência" de um técnico de campo


Venda de gado gordo: "Audiência" de um técnico de campo

Foto: Divulgação/Assessoria
Por Fernando Furtado VellosoAssessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha
A comercialização do gado para abate é um tema importante e decisivo para a viabilização dos sistemas pecuários, desde os mais simples, extensivos e familiares de pequeno porte, até as operações mais empresariais, de grande tecnificação e escala. Não me refiro somente ao valor obtido pelos animais, mas também ao sistema de comercialização, liquidez e agilidade na venda e diferenciação de valores para produtos diferenciados. Vou tentar abordar alguns temas de minha vivência e “audiência” como técnico de campo no RS. 

Escala
Como em tantos negócios, quem tem mais negocia melhor. No gado gordo não é diferente. O volume de animais abatidos anualmente é um importante diferencial de um fornecedor para uma indústria ou intermediário (corretor). Não se iluda: quem tem grande volume de animais de qualidade média deve estar negociando melhor (ou sendo mais bem pago) do que quem tem poucos animais de qualidade superior. Pode não ser sempre assim, mas deve ser na maioria das vezes. O volume e a constância de abates são atributos que põem valor no gado antes de falarmos da qualidade dos animais (idade, raça, terminação etc). 

Peso vivo ou rendimento
A maioria das indústrias do RS trabalha (preferencialmente) com a compra “a rendimento”, ou seja, pagando pelo valor do peso da carcaça na indústria (ex.: R$ 10,00/kg de carcaça do novilho). Frigoríficos menores, abatedouros e açougues ainda compram rotineiramente animais para abate pelo peso vivo, ou seja, pelo peso de fazenda (ex.: R$ 5,00/kg vivo). 

Pergunta: “Mas, Velloso, se um novilho médio rende 52% ou mais, é melhor vender a rendimento, pois o preço do kg vivo passa para R$ 5,20 ao invés de R$ 5,00.” Não é verdade? 

Resposta: É verdade, mas nem sempre acontece assim. Ocorre de alguns animais do lote não atingirem o rendimento e também de procedimentos realizados nos frigoríficos não serem padronizados entre as diferentes indústrias, levando à uma grande variação no rendimento de carcaça. Entram aí temas antigos como esfola, retirada da ferida de sangria, remoção de contusões, pesagens etc. Logo, são frequentes as frustrações ao receber o romaneio de abate. Depois do gado abatido, carcaças reprovadas ou rendimentos baixos, não há muito o que fazer. Não há como recuperar ou discutir essa informação do passado. Aí reside grande parte da relação de desconfiança entre produtor e indústria. 

Peso vivo ou classificação de carcaças
Naturalmente, a venda a peso vivo não pressupõe classificação de carcaça. Pesa-se o gado na fazenda e o valor da venda está definido. A rendimento, além do peso final da carcaça, consideram-se também itens relacionados à classificação de carcaças e à remuneração final (dentição, conformação e cobertura de gordura). Essa classificação também é tema gerador de grandes discussões, pois, apesar de serem padrões com limites bem definidos, são avaliações feitas visualmente por profissionais das indústrias, sendo assim, passíveis de erros, diferenças de critérios e até de erros de processamento ou lançamentos de dados. 

A teoria nos diz que bons lotes (acima da média) deveriam ser vendidos a rendimento para alcançarem remuneração superior ao peso vivo. Porém, essa situação somente ocorre quando os animais são bem apartados e a classificação, realizada de forma correta. Para não criticar somente as práticas dos frigoríficos, gosto de citar um ditado que diz que alguns pecuaristas “se aprontam” antes do gado. Deve-se levar em conta também que a exigência de cobertura de gordura (terminação) de um frigorífico exportador é diferente de um voltado ao mercado doméstico, que também se diferencia de um comércio local (supermercado, açougue etc). Logo, a vaca gorda dos grandes frigoríficos é diferente da vaca gorda do comércio local. Nenhum dos dois está errado. Cabe ao produtor entender qual negócio é mais conveniente ou mais remunerador. 

Produto diferenciado e venda diferenciada
Existe uma queixa comum entre pecuaristas em relação a produtos diferenciados. “Meu gado era todo Angus, dente de leite, engordado em confinamento e padronizado, e não consegui valor superior a um novilho comum”. Pois bem, essa é uma situação frequente para quem oferece um produto superior sem ter um canal diferenciado de comercialização. Esse não é o tipo de produto para negociar a balcão, mas muitos tentam fazer. Os fornecedores desse produto (normalmente com custo de produção mais elevado) obtêm sucesso na venda desses animais premium quando possuem algum tipo de contrato ou acerto especial com seus clientes, sejam frigoríficos, sejam comércios locais. Volta-se a ter a necessidade de uma escala mínima que permita abates rotineiros (semanais, quinzenais etc). Logo, a minha impressão pessoal é que novilho premium não é o modelo para pecuaristas pequenos ou médios em escala de abate. 

Não são incomuns situações de produtores que estão obtendo em acordos ou contratos especiais de 20 a 25% mais por novilhos de qualidade do que para um novilho padrão, todavia, nesse negócio, estão sendo comercializados vários itens: volume de oferta, constância de abate, programação de abates, qualidade superior à média etc. Portanto, não estamos falando de um negócio parecido com a tradicional venda balcão de boi gordo (o gado está pronto e vou ofertar). 

Considerações finais
- Não invente moda na comercialização. Avalie qual a característica de seu produto e trabalhe pela colocação mais adequada para ele.
- Se a venda é de lotes grandes (totalizando altos valores por operação) e a rendimento, organize-se para acompanhar os abates diretamente ou por uma pessoa qualificada para tal função. Os eventuais problemas serão acompanhados (visualizados), a classificação de gordura será assistida e o custo desse dia de trabalho justifica-se financeiramente. Os antigos dizem que a faca fica mais leve em um abate assistido.
- Se a venda é de lotes pequenos (totalizando valores não tão significativos por operação), priorize a venda a peso vivo. 
- Se a pretensão do pecuarista é direcionar a produção para produtos especiais, diferenciados etc., busque antecipadamente canais e garantias para colocação diferenciada, pois esses produtos têm custos agregados e necessitam maior remuneração. 
- A qualidade segue sendo imperativa nesse negócio. Dedique-se a compreender o que é qualidade para o seu cliente

Espero que este texto tenha contribuído para algumas reflexões sobre o assunto venda de gado gordo. São apenas algumas reflexões e percepções de alguém que pode presenciar, vivenciar e ser “audiência” de carregamentos, abates e discussões calorosas com romaneios em mãos.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Março, 2018)

quarta-feira, 14 de março de 2018

Deputado Marquezelli irá apresentar projeto para garantir exportação de boi vivo


O deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP) defende a exportação de bovino vivo. Segundo ele, o produtor vai ampliara renda com o negócio e terá maior poder de negociação.
O parlamentar está decidido a garantir segurança jurídica aos exportadores de boi vivo. Para tanto, vai propor um projeto de substitutivo autorizando a exportação animal. O objetivo é desjudicializar o processo.
“A cada liminar judicial que sai contra a exportação de animais vivos para produção, os produtores amargam prejuízos enormes, e ainda precisam lidar com desconfiança da parte de quem compra os produtos brasileiros. Abrir mercado no exterior não é fácil, o setor precisa de segurança jurídica e trabalhar com tranquilidade”, argumentou o Marquezelli.
O deputado se reuniu nesta quarta-feira (07) com o consultor da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Décio Coutinho, com os representantes da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (ABEG), Gustavo Mônaco, e da Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos (Abreav), ValdnerBertotti, para discutir o assunto.
“Não há nenhum argumento que sustente a proibição da exportação. São adotados todos os padrões de segurança e conforto para os animais fazerem a viagem mais tranquilos. Portanto, se há um mercado consumidor aberto para esse segmento, precisamos ocupá-lo, com respeito a legislação e aos animais”, ponderou o parlamentar.
Exportações de gado vivo
As exportações brasileiras de gados vivos, exceto reprodutores, cresceram mais de 40% em 2017 na comparação com 2016, atingindo receita de US$ 269,57 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).  
Turquia, Egito, Líbano e Jordânia foram os principais compradores do Brasil, que exportou para os mercados cerca de 400,66 mil cabeças de bois vivos, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
Fonte: Assessoria de Imprensa do Deputado Federal Nelson Marquezelli (PTB-SP)