terça-feira, 20 de março de 2012

PREÇOS DE BOI GORDO E VACA GORDA PARA CARNE A RENDIMENTO


*PREÇO DE CARNE A RENDIMENTO EM 20.03.2012

BOI: R$ 6,60 a R$ 6,80
VACA: R$ 6,30 a R$ 6,50

PRAZO: 30 DIAS


FONTE: PESQUISA REALIZADA




PREÇOS MÉDIOS DE BOI GORDO E VACA GORDA- MERCADO FÍSICO/KG VIVO







EM 20.03.2012
REGIÃO DE PELOTAS

KG VIVO:
BOI GORDO: R$ 3,30 A R$ 3,40
VACA GORDA: R$ 2,90 A R$ 3,00



FONTE: PESQUISA REALIZADA
POR http://www.lundnegocios.com.br

PREÇOS MÉDIOS DE GADO- MERCADO FÍSICO / KG VIVO




EM 20.03.2012  REGIÃO DE PELOTAS

TERNEIROS R$ 3,60 A R$ 3,80
TERNEIRAS R$ 3,10 A R$ 3,30
NOVILHOS R$ 3,20 A R$ 3,50
NOVILHAS R$ 3,10 A R$ 3,30
BOI MAGRO R$ 3,10 A R$ 3,20
VACA DE INVERNAR R$ 2,60 A R$ 2,70

*GADO PESADO NA FAZENDA

FONTE: PESQUISA REALIZADA
POR http://www.lundnegocios.com.br



Há 4 anos, Juan Carlos Lebrón previu início do ciclo de baixa de preços em 2012, após movimento de valorização passada


Boi Gordo: há 4 anos, especialista previu início do ciclo de baixa de preços em 2012, após movimento de valorização passada. Mercado tende agora a estabilizar ou mesmo cair ainda mais. Conselho ao pecuarista é reduzir custos para garantir margem de lucro, mesmo que pequeno.

FONTE: NOTICIAS AGRICOLAS

Russia confirma embargo à carne da UE


A Rússia informou nesta segunda-feira (19) que vai pôr em prática sua ameaça de proibir as importações de gado e suínos vivos dos países da União Europeia (UE). O Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia disse que a proibição entraria em vigor na terça-feira, devido a temores em relação ao vírus Schmallenberg, que causa defeitos de nascença no gado. A justificativa foi “a ausência de controles de segurança suficientes (…) por parte de serviços relevantes da Comissão Europeia”.
A Rússia emitiu seu primeiro alerta há duas semanas, depois de suspender inicialmente as importações de animais vivos e de materiais genéticos de cinco países da Europa Ocidental em janeiro.
A nota da Rússia classificou a proibição como “temporária”, mas não deu indicação de quando deve ser retirada. O país citou uma série de reclamações sobre os padrões de segurança da UE e disse que cabe ao bloco melhorar seus próprios procedimentos e assegurar que as importações de gado e suínos sejam seguras.
Fonte: Agência Estado

Fev/12: preço das exportações de carne bovina in natura é 38% maior do que em fev/10


Analisando os dados de exportação de carne bovina in natura divulgados mensalmente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) observa-se que em fevereiro o volume exportado pelo Brasil foi de 55.000 toneladas e a receita foi de US$ 271 milhões.
Tabela 1. Receita, volume, preço médio e variações anuais das exportações brasileiras de carne bovina
Comparando com jan/12, o volume exportado em fevereiro foi 11,9% menor e a receita também caiu na ordem de 10,0%. Em relação a fev/11, as exportações de fev/12 tiveram maiores registros de queda: 17,9% em volume e 16,6% em receita, quando nesse mês em 2011 os números foram de 67.000 toneladas e US$ 325 milhões.
Portanto, no acumulado do ano, as exportações brasileiras de carne bovina in naturaficaram pouco abaixo de 2011 nos dois primeiros meses, 1,1% em volume e 0,6% em receita. Observe na Tabela e Gráfico 01.
Gráfico 1. Receita e volume acumulados ano a ano das exportações brasileiras de carne bovina in natura
Em relação ao preço médio por tonelada exportada (Gráfico 03), em fev/12 o valor recebido foi de US$4.926/ton, 2,16% maior do que o valor médio recebido em jan/12. Sobre o ano passado, em fev/11 o valor de venda foi de US$4.848, havendo aumento de 1,6% neste ano.
Interessante observar o aumento do preço da carne brasileira em relação a 2010, o valor recebido em fev/12 foi 38,1% maior do que há dois anos, quando, em fev/10, o preço médio de venda era de U$3.567/ton.
Gráfico 3. Preço médio anual de venda da carne exportada
Ao se tratar de comercialização internacional, a taxa cambial torna-se um fator de análise importante. No Gráfico 04 estão demonstrados a cotação do dólar em Real e o valor do indicador do boi gordo ESALQ/BM&F mês a mês no período de um ano.
Quanto mais valorizado o Real em relação ao dólar, pior fica a competitividade da carne brasileira no mercado internacional. Desta forma, desde dez/11 o dólar está se desvalorizando frente ao Real, indicando uma menor competitividade da carne brasileira no mercado externo. Esta desvalorização foi de 6,45%, quando o dólar em dez/11 estava cotado a R$1,84 e em fev/12 a R$1,72.
Já o boi gordo em dólares valorizou 1,97% neste mesmo período, de dez/11 a fev/12. Saindo de US$55,41 para US$ 56,50/@. Esta valorização não foi maior devido à queda do indicador ESALQ/BM&F boi gordo. Em dez/11, o indicador era calculado a R$ 101,75/@, e em fev/12, estava a R$ 97,06/@, representando uma queda de 4,61%.
Por curiosidade: caso o indicador permanecesse nos R$101,75 de dez/11, e o dólar mantivesse sua desvalorização de 6,45% frente ao Real, o boi gordo em dólares em fev/12 seria cotado a US$ 59,16, diminuindo ainda mais sua competitividade entre os exportadores de carne bovina.
Gráfico 4. Boi gordo em dólares e dólar
Matéria escrita por Marcelo Whately, analista da Equipe BeefPoint.

Boi gordo: a oferta de outros estados mantém a pressão de baixa em São Paulo

Os animais das praças vizinhas ajudam a preencher as escalas paulistas.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, nesta segunda-feira (19/3), em São Paulo, a referência para o boi gordo ficou em R$94,50/@, à vista, e R$96,50/@, a prazo, livres de imposto.

A melhor oferta em estados vizinhos, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, colaborou para a pressão baixista nas ofertas de balcão em São Paulo.

Os relatos são de que houve um bom volume de animais negociados destas praças na semana passada.

A oferta de fêmeas continuou a ser outro fator que força preços menores.

As programações paulistas variavam entre dois e cinco dias. Boa parte das indústrias buscava matéria prima para sexta-feira e a próxima segunda-feira.

No Norte do país está mais difícil comprar em relação ao Centro-sul.

No mercado atacadista de carne com osso, as cotações ficaram estáveis. As vendas têm sido lentas, a demanda para o traseiro não colabora. 


FONTE: SCOT CONSULTORIA

segunda-feira, 19 de março de 2012

Como o frigorífico seleciona qual tipo de animal comprar?


Eduardo Kristzán Pedroso, da Comprovar – Consultoria Empresarial do Agronegócio, falou sobre sua experiência no mercado pecuário especialmente relacionada com a indústria frigorífica, em palestra no Workshop BeefPoint Tipificação de Carcaças e Comercialização de Gado para Abate nos dias 14 e 15/fev/2012 em São Paulo.
Sua palestra foi: Implantando um sistema de tipificação de carcaças e pagamento por qualidade no Brasil: lições aprendidas.
Analisando a primeira lição aprendida listada por Eduardo, temos: “A seletividade de compra da indústria é determinada pelo alongamento da escala de abate”. Observe seu slide:
Pode-se verificar que, de acordo com Eduardo, os principais fatores levados em consideração atualmente pelos frigoríficos para selecionar suas compras de boi gordo (em ordem decrescente de importância) são: o volume de abate, o peso da carcaça, a qualidade da carcaça e a qualidade da carne.
Desta forma, caso a oferta esteja firme e atendendo a capacidade produtiva da indústria, a seleção de animais baseada em qualidade de carcaça ou de carne fica em segundo plano. Nestas condições, a indústria prioriza trabalhar com o mínimo de ociosidade, diluindo assim seus custos fixos e buscando maior eficiência operacional.
A seleção por animais com maior qualidade de carcaça seria utilizada para compensar a ociosidade da indústria caso a oferta esteja restrita, não atendendo à sua capacidade de processamento. A compensação viria pelo maior preço de venda do produto (carne), atingido devido à maior qualidade empregada.
Entende-se como carcaça ou carne de maior qualidade quando estas têm características que as diferenciam da carne commodity. A carne commodity tem preço balisado pelo mercado e o frigorífico não consegue vendê-la a preços superiores. Já a carne com maior qualidade, a indústria pode agregar valor para aumentar seu preço de venda a mercados mais exigentes.
Principais pontos da palestra:
Lições aprendidas:
01) A seletividade de compra da indústria é determinada pelo alongamento da escala de abate.
02)  O Brasil é muito grande e heterogêneo.
Há que se respeitar as características regionais da produção e comercialização.
03) Tipificação de carcaças ajuda a informar a cadeia produtiva
04) Um programa de tipificação de carcaças  deve estar alinhado à estratégia de comercialização da carne.
05) Um programa de tipificação de carcaças serve para o mapeamento da qualidade  da matéria prima de determinada região.
06)  O mercado é quem dita as regras.
07) Valor agregado pode ser obtido por protocolos específicos de tipificação.
08) Sucesso é resultado de planejamento. Nunca conte com a sorte! Estratégia, matéria-prima e gestão são determinantes.
FONTE: BEEFPOINT

Exposição Nacional HB acontece em maio no município de Alegrete/RS


O Parque de Exposições Dr. Lauro Dornelles (Alegrete/RS) está prestes a receber pelo segundo ano consecutivo a Exposição Nacional de Hereford e Braford.


























O evento, realizado pelo Núcleo Fronteira Oeste de Hereford e Braford (NFOHB) com o apoio da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), acontece entre os dias 14 e 20 de maio e promete ser uma das maiores exposições do ano de 2012.


A entrada dos animais acontece a partir das 10h do dia 14 de maio, sendo encerrada às 18h do dia 16 de maio para os animais a galpão, 17h do mesmo dia para rústicos a prêmio e às 12h do dia 19 de maio para animais apenas a venda. O julgamento de admissão terá início no dia 17 de maio, 14h, para animais galpão, e 8h de 18 de maio para os rústicos.

Sobre os custos de inscrição, serão R$ 100,00 (cem reais) para cada animal a galpão e de R$ 200,00 (duzentos reais) para cada trio de animais que concorrerá a prêmio e R$ 80,00 (oitenta reais) para o reserva. Importante: os expositores de cidades da área de abrangência do Núcleo Fronteira Oeste de Hereford e Braford (NFOHB), não sócios do mesmo, terão acréscimo de 100% sobre o valor da inscrição. As inscrições tem prazo final no dia 02/05/2012, e serão realizadas pela secretaria da ABHB (as fichas de inscrição encontram-se disponíveis para download no site, ou podem ser solicitadas à secretaria, pelo telefone             53-3242-1332       ou pelo e-mail secretaria.hereford@braford.com.br).

Durante a programação da Exposição Nacional de Hereford e Braford acontece também o 10º Curso de Atualização e Julgamento das Raças Hereford e Braford Dr. Jacob Momm Filho, a 3ª Jornada Técnica para Produtores da Carne Certificada Pampa®, o remate oficial da Nacional (Remate Chancelado ABHB) e ainda o Leilão Pitangueira Prêmium, inédito leilão chancelado que vai ofertar o plantel de fêmeas premiados a galpão do grupo que venceu o Ranking Nacional de Criadores pelas últimas 10 edições.
Confira a programação Completa:
De 14 a 20 de maio de 2012

Parque de Exposições Dr. Lauro Dornelles – Alegrete (RS)


Dia 14 – Entrada de animais a Galpão

De 14 a 16 – 10º Curso de Atualização e Julgamento das Raças Hereford e Braford – Dr. Jacob Momm Filho

Dia 17 – 3ª Jornada Técnica para Produtores da Carne Certificada Pampa®
Tarde - Julgamento de Admissão animais galpão

Dia 18 – Julgamento de Classificação Animais Galpão
Noite - Jantar de confraternização


Dia 19
Manhã – Finais Animais a Galpão
Tarde - Julgamento de Fêmeas Rústicas e Campeonatos de Machos Rústicos
Noite – Leilão da Nacional HB 2012

Dia 20
manhã - Julgamentos de Machos Rústicos
13h – Almoço de Entrega de Prêmios.
19h – Leilão de Liquidação de Plantel Grupo Pitangueira (Pitangueira Prêmium)

FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEREFORD E BRAFORD

Confira a entrevista com Fernando Henrique Iglesias - Analista da Safras & Mercado sobre o mercado do Boi Gordo.

FONTE: NOTICIAS AGRICOLAS

Pecuaristas apostam no cruzamento do gado na busca pela melhor raça


Duas raças de gado surgiram a partir dos cruzamentos.
Seleção genética permite adaptação dos animais à região Centro-Oeste.




A terra plana, de vegetação uniforme, quase sem árvores e o traje típico para conduzir a boiada. Um gado tão peludo que às vezes fica a dúvida: é Brasil?
É sim, bem na fronteira com Argentina e Uruguai, no Pampa Gaúcho. Em pleno inverno, no meio da Campanha, faz um frio de assustar forasteiro. E foi bem nessa época que o Globo Rural visitou duas fazendas na região de Uruguaiana.
As duas investem em cruzamentos entre raças britânicas - famosas pela carne saborosa - e o nelore, raça zebuína rústica, bem adaptada ao nosso clima. Até porque no verão, a temperatura nos Pampas fica em torno de 25ºC.
A linda fazenda é de uma família pioneira no melhoramento genético na pecuária do Rio Grande do Sul. Os proprietários são Eduardo Macedo Linhares e Maria Helena. Os cinco filhos trabalham no negócio, que também inclui a produção de arroz.
Eduardo já criou diversas raças e hoje fala com entusiasmo do brangus, o resultado do cruzamento entre o indiano nelore e o escocês angus.
Na maioria das vezes, em outros países, o cruzamento se dá com a raça brahman, mas no Brasil desde a década de 80, o angus foi cruzado com o nelore por causa da grande quantidade do zebuíno no país.
A Estância São Pedro tem nove mil hectares e uma produção de mais de três mil bezerros. A partir de um trabalho de aprimoramento genético, produz 350 touros brangus por ano.
O brangus pode ter pelagem preta ou vermelha. O cruzamento entre raças nelore e angus busca unir a rusticidade e a tolerância ao calor do zebu com a habilidade materna, precocidade sexual e qualidade da carne do angus.

A base da alimentação desses animais é a pastagem nativa. Em determinadas épocas do ano, como no inverno, entram o azevém e algumas leguminosas como o trevo branco e o cornichão, mas como o verão é muito seco, para conseguir chegar a um touro com 700 quilos na época de monta ou um novilho pronto para o abate aos 30 meses, é preciso dar ração.
A veterinária Angela Linhares da Silva é a filha mais velha de Eduardo e responsável pela seleção genética do plantel. Ela mostra um animal com as características ideais de um brangus. “O animal precisa ser bem equilibrado, comprido e com bastante arqueamento de costela, para andar e aumentar a capacidade respiratória”.
Angela está sempre observando os animais, no campo ou no curral. A avaliação de desempenho dos animais da fazenda é feita em duas etapas. A primeira na época do desmame, quando os bezerros atingem mais ou menos sete meses, e a segunda aos 18 meses, na fase chamada de sobreano. Um dos itens avaliados nessa fase é a quantidade de carrapato de cada animal. “È importante para identificar quais linhagens são mais resistentes à infestação”.
Para selecionar os animais, a fazenda ainda avalia a qualidade do sêmen, o histórico das vacas e o desempenho dos bezerros e coloca os dados em um programa de melhoramento genético, onde são feitas comparações com outros plantéis.
O sêmen dos touros brangus é utilizado em apenas uma estação de monta, quando eles têm dois anos. Depois, os touros são vendidos em leilões para outros criadores.

O genro de Eduardo, João Paulo Schneider, é o diretor comercial da fazenda. Ele diz que o objetivo da estância não é fazer a venda de sêmen e sim de tourinhos brangus.
Em outra propriedade, que também produz touros com o objetivo de comercialização no Brasil Central, a Fazenda Pitangueira, o hereford é usado como raça-mãe, um animal forte, de porte médio, cara bem peluda, totalmente branca, e orelha pequena. O hereford é uma raça de origem inglesa criado no Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Estados Unidos, Argentina e Uruguai.
No Brasil, o hereford é cruzado com o nelore, assim, chega-se ao braford. Uma das vantagens do braford é a precocidade sexual. Aos dois anos, as novilhas já estão prontas para reprodução e começam a ser inseminadas. Em um lote de vacas recém-paridas, os terneiros, como os gaúchos chamam os bezerrinhos, têm de dois a três dias e é nesse momento, no campo mesmo, que começa a seleção genética do plantel.
Cada bezerro é pesado, recebe um brinco com um número de identificação e uma tatuagem, para o caso dele perder o brinco algum dia. Aos dois anos, os animais estão prontos para o abate. Se fossem nelores, isso só aconteceria aos três anos.
Na fazenda, eles são criados a pasto, comendo principalmente azevém e aveia e recebem um suplemento na terminação.
Na comparação entre os touros, hereford e braford, o hereford tem um pelo mais grosso. O braford tem a cara branca, mas é obrigatório ter manchas marrons em volta dos olhos, tipo óculos ou máscara, ou pelo menos a pálpebra pigmentada. Do nelore, ele puxa uma barbela mais comprida que o hereford, as orelhas e o cupim. Mas do hereford ele tem que herdar um umbigo menor.

Mas será que esse animal com jeitão de lord inglês consegue mesmo se adaptar na região brasileira com o nosso maior rebanho, o Centro-Oeste?
Confira o vídeo com a reportagem completa e veja a adaptação dos animais com o sol forte e a temperatura média de quase 30ºC o ano inteiro.

Fluxo de margens na pecuária


Rogério Goulart, administrador de empresas, pecuarista e editor da Carta Pecuáriacartapecuaria@gmail.com
Reprodução permitida desde que citada a fonte
 

Confinamento mexe mesmo com o preço do boi? Ao lado temos, em porcentagem, dentro de doze meses corridos, a variação do menor preço para o maior preço do boi, suficiente para pegar os piores preços da safra e os melhores preços da entressafra.

Daí peguei os Estados Unidos, com seus 90% de animais confinados. Peguei o Brasil, com seus 10% de animais confinados. Quer saber? Não tem muita diferença.

Repare como é parecida a oscilação de preços mínimo/ máximo entre os dois países. É óbvio que naquelas semanas críticas de entrega de boi confinado, a pressão é enorme de oferta.

Quem confina tem que estar ciente de que corre um risco de preço nesse período.

Risco de preço (porque pode cair) e risco de base (os preços locais perdem sustentação perante São Paulo). Mas isso, repito, faz parte do jogo. Tem que se programar antes.

Margens da indústria. O mercado percebeu que as margens dos frigoríficos subiram. Seus respectivos papéis valorizaram forte desde seus piores preços no ano passado.

Ao lado.

Renda. Agora vamos falar de uma coisa importante, caro leitor. A gente sabe que carne bovina não é uma coisa tão barata quanto, por exemplo, o frango. O frango é a carne mais consumida no Brasil, e não só no Brasil.

Porém, aí é que é interessante. Mesmo com o frango mais barato, e levando mais frango para casa, a dona de casa acaba, no final, gastando mais dinheiro com carne bovina.

Interessante, não?

Em dinheiro que sai do bolso, o brasileiro gasta mais com bovino que com frango ou suíno.

Ok. Sabemos que a dona de casa gasta mais com bife, mas sabemos quanto, realmente, essa coisa pesa no bolso? Quero dizer, ao longo dos anos, a carne tem ficado mais cara ou mais barata? Sabemos que dependendo da classe social, o consumo aumenta ou diminui.

Você sabe que a média brasileira é de 37 quilos por habitante mas, tenha dó, você e eu comemos muito mais carne que isso durante o ano.

Provavelmente 50% a mais que isso... provavelmente 100% a mais que disso. Provavelmente a grande maioria dos leitores aqui consome muito mais que os 37 quilos anuais que o IBGE marca como média nacional.

Sendo assim, fiz duas comparações. A primeira é quanto a carne bovina pesa em porcentagem do salário para quem ganha um salário mínimo, baseado no consumo médio do IBGE. A segunda comparação é quanto pesa a carne bovina para quem ganha o salário médio real, que mais se assemelha à renda do brasileiro hoje em dia, aumentando em um terço o consumo médio do IBGE.

A ideia é ver se, proporcionalmente ao longo dos anos, a carne tem ficado mais cara ou mais barata para o consumidor final, tanto o que ganha pouco quanto para o que ganha muito.

Lembre-se que esses valores estão proporcionais ao aumento real da renda que o brasileiro teve nos últimos anos, certo?



Veja você como são as coisas. A gente tem a impressão que a carne está pesando mais no bolso ao longo dos anos para o brasileiro. Bom, está, mas está pesando dependendo para qual classe social você está pensando.

Para quem ganha um salário mínimo (hoje 622 reais), surpreendentemente a carne hoje é mais acessível que era dez anos atrás. A carne saiu de um pico ao redor de 12% do salário mínimo para 8% hoje.

Uma expressiva melhora no poder aquisitivo de mais de 30%.

O que não é o caso para quem ganha ao redor do salário médio (hoje 1.700 reais).

Para esse cidadão de classe média, a carne, de fato, está menos acessível do que estava uma década atrás. A carne saiu valendo ao redor de 3% do seu salário mensal para 4% hoje, uma piora de 30%.

Esses são todos números bem pequenos, caro leitor, de 3% para 4%, mas multiplicando isso para a população brasileira você vê o quanto isso é importante de ser notado. Reparou? Para os pobres melhorou 30%, para o resto, piorou 30%.

Mas a boa notícia é que, mesmo assim, a maior oferta de gado relatada pelos frigoríficos está sendo consumida, e veremos que os preços no atacado não ficarão muito tempo onde estão. É por isso que comentei lá em cima sobre as margens dos frigoríficos.

Elas de fato estão melhores, sim. Umas das melhores em muito tempo, diga-se de passagem.

Com a melhora nas margens, o frigorífico ganha maior poder de negociação. Em outras palavras, ganha poder de barganha em relação ao supermercado. Repare nesses dois gráficos abaixo.

Eles mostram o que vale a carne no supermercado em comparação com a arroba (esquerda) e carcaça casada (direita). Repare na melhora das margens relativas da indústria frigorífica através da carcaça.

Quanto mais baixos esses números, melhor para o frigorífico.



O mesmo não podemos dizer do gráfico à esquerda, da arroba e supermercado.

Repare que ainda a margem do varejo está historicamente alta, e continua lá em cima. Repare, para você entender, em 2010. No segundo semestre de 2010 as margens do pecuarista melhoraram, e sabemos que isso foi em decorrência da alta espetacular na arroba naquele período. Depois disso, a coisa se inverteu novamente.

Esse tipo de situação é fácil de ser entendido, porque quanto mais próximo você está do consumidor, mais flexível você tem condições de ser com seus preços. Pode ser uma promoção, uma estratégica terça-feira de preços baixos, ou outra coisa qualquer, o fato é que na média geral, hoje, a situação que temos é de um mercado consumidor aquecido, comprando carnes em preços historicamente altos, como vemos acima, e isso está, de certa forma, pesando no seu orçamento, como vimos na página anterior.

A pecuária é um jogo de margens. A margem sobe e desce na cadeia... indo da cria, recria, engorda, frigoríficos e finalizando nos supermercados. Tudo isso inserido no ciclo pecuário.

O que tivemos até aqui de 2006 até hoje foi uma margem muito boa para a cria e recria e supermercados, enquanto frigoríficos e invernistas seguraram as pontas com margens baixas.

O que está acontecendo, o que está começando a acontecer é o inverso disso. As margens da cria e recria estão retrocedendo, enquanto o invernista e frigoríficos estão vendo suas margens melhorarem.

Mas, melhorarem a custa de quem? Ah, sim, da cria, recria e, importante dizer, do supermercado.

Veja aqui ao lado novamente o comportamento da margem do supermercado e do pecuarista desde o início do plano real. Repare que a coisa oscila, caro leitor.

Não se pode dizer que é sempre subindo ou caindo. Na realidade o que ocorreu foi que as margens da indústria ficaram boas de 1995 até 1998 (4 anos). De 1999 até 2005 (7 anos) favoreceram o pecuarista. De 2006 até hoje (7 anos) favorecem novamente a indústria.

Quatro anos supermercado, sete anos pecuarista, sete anos supermercado.

Vamos tomar um pouco de fôlego aqui e refletir. A carne para a classe média tem pesado mais ao longo dos anos, mesmo com o aumento do salário real. Isso não quer dizer que o consumo tenha diminuído.

Quer dizer que a dona de casa tem que gastar mais dinheiro para manter o seu consumo. Agora, isso significa também que ela não tem condições de aumentar a compra de carne bovina, fora do que ela normalmente já faz. Por isso temos um aumento contínuo da carne de frango.

Mas mesmo assim, as vendas de carne bovina aumentam. O aumento extra de venda de carne que temos no Brasil é proveniente principalmente pelo aumento do poder aquisitivo da população, da diminuição do desemprego e importante, do aumento populacional.

A cada ano são necessários no mínimo 400 mil cabeças a mais sendo abatidas somente para manter o consumo per capita. Lembre-se sempre disso quando for pensar em alta nos abates e, em especial, de animais confinados.

Se aumentar 20% o confinamento como alguns estão falando, são 800 mil cabeças sobre 4 milhões. Metade disso é só para acompanhar o aumento do consumo de 400 mil cabeças naturalmente a mais sendo "comidas" pelas pessoas. Essa é a principal razão que a carne é um produto que acompanha a inflação, caro leitor.

A gente sabe que a margem de lucro do negócio flui na cadeia. Ora está com um, ora com outro, e essa cadência depende principalmente do ciclo pecuário. Há tempo demais a margem está com o supermercado, em detrimento da pecuária. Sabemos que isso não vai durar porque entre o supermercado e o pecuarista existe o frigorífico, e o frigorífico está vendo suas margens aumentarem em detrimento do supermercado.

É só uma questão de tempo até parte dessas margens serem repassadas para a pecuária, via preços de boi relativamente estáveis com viés de alta (porque com margens boas, o frigorífico quer abater mais bois), enquanto temos uma reposição que está caindo ficando um pouco mais barata a cada dia que passa.

Tudo isso que quero dizer, caro leitor, se resume a dizer que não esperamos um menor consumo de carne no Brasil e nem em um menor consumo em 2012. Pelo contrário. O consumo frente aos preços altos que está o atacado atualmente, está excelente.

Com as margens melhorando, a reposição ficando mais barata e com aumento natural da entrada de fêmeas (isso é bem lento), esse aumento de oferta será absorvido pelo mercado via menores preços de venda no supermercado, ou preços que não subam tão acima da inflação, o que dá na mesma.

É exatamente aqui nesse ponto que as pessoas confundem demanda “fraca” com preços altos. É claro que com preços altos como os atuais na carne o consumo diminui. Mas daí a dizer que a demanda está fraca? Longe disso.

Deixe-me te dizer isso de outra forma. Vamos supor que te digo que em um determinado país a sua população tem aumentado em número de pessoas, o salário médio dessas pessoas tem melhorado continuamente ano após ano e o cada dia tem menos gente desempregada.

Daí eu te peço para fazer um prognóstico sobre o consumo de automóveis nesse país nos próximos anos. O que você diria?

Então, caro leitor, se você engorda boi ou abate boi, bem vindo a 2012. Será um ano interessante sob o ponto de vista de ver suas margens melhorarem, creio, aqui e pelo menos nos próximos três anos pelo aumento da matéria-prima e um mercado consumidor demandado. Só tome cuidado para não sair comprando boi caro esse ano para abater em 2013, pois ano que vem as fêmeas tomarão conta do noticiário.

Cuide bem do seu estoque, pois essa transição de boi escasso para boi abundante, ao contrário do que se imagina, fará uma boa anotação na linha final da sua demonstração de resultados.

Não estou dizendo que a arroba vai subir, explodir de preço. Acho que tem horas que a gente tem que sair da armadilha de só ficar falando de preço de arroba, como se isso fosse tudo o que importa. Nada perto disso. Nem falei direito sobre preço de arroba hoje, se você percebeu.

O que quero dizer é o que o negócio de engorda de boi e abate de boi está entrando em uma fase que tem tudo para ser favorecido, e o negócio implica olharmos para a compra, produção e venda de animais. A combinação desses itens, penso, é que está virando favorável. É isso que temos que ter em mente para ir checando daqui adiante.

MOVIMENTAÇÃO DO MERCADO: Boi -- Indicador ESALQ/BVMF do boi, que mede a variação dos preços da arroba no Estado de São Paulo, fechou a semana com +0,55 a R$ 93,97 à vista. Cotações em R$ por arroba.

A média móvel de 5 dias fechou em R$ 93,73. O contrato de março/12 fechou com +0,79 a R$ 94,25. A diferença hoje entre o contrato de março e a média é +0,52.

O contrato que vence em abril/12 fechou com +0,61 a R$ 94,11; maio/12 +1,00 a R$ 94,69; junho/12 +1,37 a R$ 95,89.

Todos os vencimentos estão cotados à vista com o fechamento da sexta-feira e com a indicação semanal da variação de preços.

Bezerro -- Indicador ESALQ/BVMF de bezerro, que mede a variação dos preços no Estado do Mato Grosso do Sul, fechou a semana com +17,02 cotado a R$ 711,27 à vista. Cotações em R$ por bezerro.

A arroba do bezerro desse indicador subiu 2 reais e vale ao redor de R$ 104,00.
Todos os vencimentos estão cotados com o fechamento da sexta-feira e com a indicação da variação semanal.

Taxa de Reposição 1 -- Um boi gordo compra hoje 2,18 bezerros, queda de –0,04 na semana.

Dólar -- Dólar comercial fechou com +1,01% a R$ 1,802. Dólar futuro com vencimento no início de abril fechou com +0,75% a R$ 1,808; maio fechou com +0,75% a R$ 1,820.

Juros -- A taxa de juros do governo (SELIC) está hoje em 9,75% ao ano.

Inflação – IGP-M de fevereiro –0,06%. Acumulado no ano2 +0,19%. Acumulado nos últimos 12 meses 3 (março-11 a fevereiro-12) +3,39%.

Assim como os contratos de boi e bezerro se encerram pelo preço dos seus respectivos indicadores, o dólar se encerra pelo preço do dólar do Banco Central nas datas acima indicadas.

Frigoríficos 4 -- A arroba nos frigoríficos foi cotada hoje em São Paulo ao redor de R$ 94,50; no Mato Grosso do Sul, Dourados a R$ 88,00 (Base –6,9%) e em Campo Grande ao redor de R$ 88,00 (Base –6,9%).

A arroba em Goiânia foi cotada ao redor de R$ 83,00 (Base –12,2%).
Em Cuiabá está em R$ 84,00 (Base –11,1%).

No sul do Tocantins a arroba foi cotada em R$ 84,00 (Base –11,1%). No Triângulo Mineiro ao redor de R$ 88,00 (Base –6,9%).

1 Considerando os valores nominais dos indicadores da ESALQ/BVMF.
2 e 3 Somatória com Juros Simples.
4 Fonte completa dos preços da arroba nos frigoríficos à vista e livre do Funrural: Informativo Boi na Linha, da Scot Consultoria. 


CONCLUSÃO: Ah, nada como ver as coisas funcionando. Oito semanas de queda é muito difícil de acontecer, certo? Era para ser essa semana a oitava semana de queda do boi. Não foi.

Agora o mercado terá que cair por mais sete semanas seguidas para estarmos na mesma situação. Pode acontecer? Acho que não.
Anote aí o valor R$ 93,30 para o indicador Esalq/BVMF da arroba à vista em SP. Esse foi, até agora, o preço mais baixo desse ano.

De qualquer forma, foi uma altinha mais protocolar, técnica, do que uma vitória retumbante. As escalas de abate praticamente ficaram na mesma que estavam e a situação, apesar de ter melhorado, ainda é de atenção.

Abraços,

Rogério Goulart

Nota da Bigma Consultoria: O texto de Rogério Goulart, da www.cartapecuaria.com.br , publicado nesse espaço, foi resumido e alguns gráficos podem ter sido suprimidos. Acesse a análise completa e com os gráficos no site da Carta Pecuária 

Como anda a competitividade da carne bovina em relação aos produtos substitutos?



Hoje vamos explorar um pouco a competitividade da carne bovina em relação o seu principal produto substituto, a carne de frango. Também iremos abordar a relação das carnes com a demanda crescente por energia.
Nos últimos anos, temos visto que a produção de carne de frango vem crescendo muito mais rapidamente que a carne bovina e recentemente já ultrapassou a produção desta ultima, Tabela 1.
Tabela 1- Mercado Mundial de Carne – FAO


Outra informação interessante nessa tabela, é que ao olharmos o consumo per capita dos países desenvolvidos, percebemos o potencial de consumo inexplorado nos países em desenvolvimento. Nos próximos anos, a grande demanda deverá vir de países em desenvolvimento, onde há um incremento tanto na renda da população, devido ao forte crescimento desses países, como a entrada de consumidores que antes não tinham acesso a este tipo de alimento.
Também podemos verificar no Gráfico 2, que os preços do frango a partir de 2009 tiveram altas mais fortes que a carne bovina,  o que estreitou um pouco mais a sua competitividade. Porém devido aos preços mais baixos dessa e a sua eficiência em produtividade, ela tem conseguido conquistar rapidamente fatias maiores do mercado.
Já a carne suína, foi a que menos reagiu, perdendo inclusive para a carne bovina. Provavelmente este movimento foi causado devido à queda nos rebanhos bovinos mundiais, as doenças que atingiram as produções Asiáticas de suínos e o aumento da produção suína. Isto demonstra também a maior eficiência desta cadeia.
Gráfico 2 – Evolução do Índice de preço das carnes e  rações (FAO)


No entanto Gráfico 2 e 3, nos mostram também que a partir de 2006 o índice de preços das rações tem reagido de forma mais rápida que os índices de preços de carnes. Isto tem afetado a margem destas cadeias, ou seja, elas terão que ganhar eficiência produtiva para poderem sobreviver.
As carnes de frango e porco estão muito mais relacionadas a produtos como milho e soja devido ao sistema digestivo desses animais, ou seja, estes animais não possuem muitas alternativas de substituir esses grãos por outros alimentos. Já os ruminantes têm uma ampla gama de insumos substitutos, o que lhe permite utilizar subprodutos de diversas indústrias. Porém os sistemas de produção do porco e suíno são muito eficientes e de ciclos curtos com menos investimentos, ou seja, podem ajustar suas produções rapidamente em função dos custos. Já os bovinos exigem maiores investimentos e tem um ciclo mais longo de produção, o que diminui sua flexibilidade.
Essa reação nos preços das rações está fortemente relacionada ao aumento na demanda por bicombustíveis. Devido à necessidade de novas fontes de energia para abastecer a demanda mundial crescente, e na ausência de novas matrizes energéticas e ou novas tecnologias,  essa tendência crescente nos preços das rações deve permanecer. Conseqüentemente, veremos as cadeias de frango e suínos, mais suscetíveis aos movimentos de preços dessas rações, o que afetará também a cadeia de carne bovina.
Gráfico 3 – Evolução do Índice de preços do frango e porco x rações (FAO)


Voltando um pouco para o nosso mercado interno, podemos perceber a forma como essas cadeias reagem às mudanças de preços do mercado. Olhando o Gráfico 4, observamos  (ponto vermelho no dia 1/2/2012) que o preço do milho em relação ao frango resfriado se deslocou fortemente em relação à reta de tendência (linha preta), indicando que ficou inviável se produzir frango a esses custos. Devido à flexibilidade e eficiência desta cadeia, em menos de 60 dias, ela reajustou seus níveis de produção fazendo com que os preços voltassem a reagir (ponto laranja no dia 15/3/2012), e se aproximassem novamente da reta de tendência.
Gráfico 4 – Correlação entre o Milho e o Frango Resfriado.


Da mesma forma, no Gráfico 5, podemos perceber a correção dos preços do Frango Resfriado em relação ao Preço do Boi Gordo. Os pontos vermelho e laranja, demonstram respectivamente como as correlações dessas commodities estavam nas mesmas datas. Ou seja, para as duas commodities se ajustarem, o preço do frango subiu e o do boi caiu, fazendo com que as duas encontrassem em pouco tempo o seu ponto de equilíbrio. É lógico que outros fatores também influenciaram estes movimentos, mas como a correlação das duas é elevada R2 = 0,733, o movimento do frango teve uma influencia forte no preço do boi gordo.

Gráfico 5 – Correlação entre o Frango Resfriado e o Boi Gordo.

Assim se estabelece uma correlação entre os preços da energia e as carnes. Apenas uma mudança em padrões tecnológicos ou em novas matrizes energéticas poderá alterar esta correlação.
A grande questão é: Aonde se encontra o ponto de equilíbrio deste aumento de custos das rações x aumento pela demanda de energia (bicombustíveis) e eficiências das diferentes cadeias de carnes?
Parece que ainda teremos que encontrar este ponto de equilíbrio, uma vez que a demanda maior de energia está provocando um aumento na demanda de terras para produção de grãos. Ou seja, cada vez mais as áreas de pastagens de baixa produtividade estão sendo ocupadas por grão, e os sistemas extensivos de produção de carne bovina pressionados para mudarem para sistemas mais intensivos. Ao mesmo tempo, o frango e suíno são pressionados pelos aumentos nos custos do milho e soja, enquanto o aumento na produção desses grão deverá incrementar a oferta de subprodutos, o que favorece a cadeia de carne bovina. No entanto, parece que este ponto de equilíbrio ainda não foi encontrado.

Aqui encerro este artigo e aproveito para convidá-los no Dia 27 de Março ao Primeiro Seminário focado no  Mercado do Boi Gordo em 2012. Nele iremos debater os principais fundamentos que estão afetando e irão afetar o Mercado do Boi Gordo em 2012.
Vamos discutir questões como:
  • Que fatos importante estão acontecendo hoje e que podem influenciar a formação de preços de 2012?
  • Será que os preços cairão ainda mais?
  • Em que fase do ciclo pecuário estamos?
  • Como anda a competitividade da carne brasileira no exterior?
  • Quais os custos, riscos e a viabilidade em se confinar?
Clique no link abaixo e conheça mais sobre o programa.
Conto com sua presença. Grande abraço a todos,
Alberto Pessina
FONTE: BEEFPOINT