quarta-feira, 25 de julho de 2012

Balanço do Mercado da Pecuária de corte: Abates bovinos em SP atingem menor nível desde 2001



Uma avaliação dos números do IBGE sobre os abates bovinos no Estado de São Paulo - este é o destaque do Balanço do Mercado de Pecuária de Corte desta segunda-feira.
Que traz também o desempenho dos preços à vista do boi gordo, em Araçatuba/SP, ao longo de julho, um estudo sobre as exportações brasileiras de carne bovina in natura realizada entre janeiro e junho deste ano, frente os anos anteriores e uma avaliação por praça produtora e por país importador.
Utilize o sumário abaixo e entre especificamente na informação desejada.
Lembrando que o objetivo deste material é levar ao produtor informações para o desenvolvimento do seu negócio e as principais notícias dos últimos dias.

IBGE
Entre janeiro e março deste ano, os abates bovinos a partir do Estado de São Paulo somaram 758,6 mil cabeças, o menor resultado desde 2001 (677 mil animais), com queda de 1,6% frente 2011 (771 mil animais) e 6,1% a menos que os abates de 2010 (807,6 mil bovinos).
Do volume abatido no período citado, 42,2% foram fêmeas, ou seja, 320,4 mil unidades, atingindo o segundo menor patamar desde 2003, acima apenas das 291 mil fêmeas abatidas entre janeiro e março de 2010.
Já os abates de machos somaram 438,2 mil unidades, o menor volume visto desde 2000, quando os abates bovinos acumularam 347 mil cabeças.
A participação de São Paulo no cenário nacional em 2012 é de 10,5%, colocando a praça produtora, tida como referência na pecuária nacional, como terceiro estado com maior volume de abates, atrás apenas dos resultados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
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Preço Físico
Em R$ 93/@ - este é o patamar do boi gordo, a prazo, em Andradina, interior de SP, sem esboçar reação alguma desde 4 de julho. No comecinho do ano, a arroba do boi gordo estava negociada a R$ 92.

EXPORTAÇÃO
As últimas informações da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que em junho deste ano, as exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 74 mil toneladas líquidas, volume que é  11% menor que o do mês anterior, resultando em uma receita de 346,5 milhões de dólares.
Ao longo do ano, as vendas internacionais somaram 413,6 mil toneladas, o segundo menor patamar desde 2004 (401,5 mil toneladas), acima apenas das 407 mil toneladas embarcadas no primeiro semestre de 2011.
Apesar da queda do volume exportado, cada tonelada foi exportada a uma média de US$ 4.836, o segundo maior resultado de todos os tempos, inferior apenas à média verificada em 2011 (US$ 4.979).
Com isso, o faturamento ultrapassou a casa dos 2 bilhões de dólares, também o segundo maior resultado de toda a história, muito próximo do recorde de 2,027 bilhões vistos em 2011.

Exportação por Estado
No primeiro semestre deste ano, o Estado de São Paulo embarcou ao exterior 117,4 mil toneladas líquidas de carne bovina in natura, liderando o ranking nacional de estados exportadores do setor, porém registrando o menor patamar desde 2001.
A receita das exportações a partir da praça paulista somou 576 milhões de dólares, o terceiro menor resultado desde 2003, acima dos 446 milhões de dólares adquiridos em 2009 e dos 530 milhões de dólares contabilizados em 2006.
Em segundo lugar, com total de 73 mil toneladas e 358 milhões de dólares, está o mercado goiano.
Na terceira posição, o Estado do Mato Grosso conseguiu embarcar a outros países 68,8 mil toneladas de carne bovina, com receita de 346 milhões de dólares.
Já em quarto lugar, o Estado do Mato Grosso do Sul registrou embarques de 53 mil toneladas e faturamento de 249 milhões de dólares no primeiro semestre deste ano.

Exportação por país comprador
O resultado das exportações deste ano mostra uma maior distribuição nos países compradores de carne bovina do Brasil, os russos continuam na liderança, porém, o Irãcaiu da segunda para a nona posição, países como Hong Kong, Venezuela e Chileaumentaram consideravelmente as compras de carne brasileira entre 2011 e 2012.
Entre janeiro e março deste ano, a Rússia importou do Brasil 137,7 mil toneladas líquidas de carne bovina in natura, apesar de manter a primeira posição neste ranking comparativo, atingiu o menor resultado desde 2006.
Na segunda posição está o Egito, com 51,6 mil toneladas, com alta de 52% em relação a jan/mar de 2011 quando os embarques internacionais somaram 34 mil toneladas.
Em terceira posição está Hong Kong, unidade administrativa da China, com negociações de 43 mil toneladas, muito acima das 29 mil toneladas vendidas no ano anterior.
Agora, o grande impacto tem sido as vendas com os países vizinhos. A Venezuela ampliou as negociações em 56,9%, saindo de 26,6 para 41,7 mil toneladas e os chilenos triplicaram as vendas, saindo de 8 para 28,5 mil toneladas.
A receita das exportações feitas com a Rússia somou 598 milhões de dólares, com o Egito atingiu US$ 211,8 milhões, com a Venezuela ficou em US$ 205,4 milhões, com Hong Kong em 191 milhões de dólares e com o Chile atingiu 168,1 milhões de dólares.
FONTE: RURAL CENTRO

terça-feira, 24 de julho de 2012

35ª Expointer deve receber 500 mil visitantes na edição de 2012



 / Fotógrafo:
A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio intensifica os preparativos para a 35ª Expointer, que acontece de 25 de agosto a 02 de setembro no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O evento, uma das maiores exposições agropecuárias da América Latina, tem a expectativa de receber 500 mil visitantes em 2012. Na edição de 2011, 483 mil pessoas passaram pelas roletas de acesso ao parque, segundo o relatório emitido pelo sistema de acesso eletrônico, implantado a partir do ano passado. O lançamento da Expointer acontece no próximo dia 31 no CETE – Centro Estadual de Treinamento Esportivo - com a presença do Governador Tarso Genro e demais autoridades convidadas. Já a abertura oficial dos portões acontece dia 25 de agosto às 9 horas da manhã e também conta com a presença do governador Tarso Genro e autoridades convidadas. Outro evento que já é tradição durante a Expointer é o Jantar dos Peões, que acontece dia 27de agosto, às 20h, na Churrascaria Casa do Gaúcho,. Entre as novidades desta edição está a ampliação dos acessos ao parque, com a disponibilização de um maior número de catracas e de cancelas, o que tornará mais ágil o ingresso no local de eventos. Também haverá orientadores no interior dos estacionamentos a fim de otimizar a utilização dos espaços. O número de bilheterias foi ampliado e placas de orientação para pedestres e motoristas também estão mais claras e visíveis. A parceria entre a Expointer e a Trensurb continua neste ano e, mais uma, vez a orientação é de que os visitantes prefiram este meio de transporte, mais rápido e econômico, contribuindo, assim, para a diminuição dos congestionamentos de veículos na BR 116, especialmente nos finais de semana. Algumas estações do trem irão colocar ingressos à disposição dos usuários, evitando assim que os visitantes que chegam de metrô precisem enfrentar filas para ingressar na Expointer. De acordo com o Presidente da 35ª e diretor do Parque Assis Brasil, Telmo Motta, este ano toda a estrutura está sendo preparada com antecedência. Além disso, explica, “os funcionários estão mais experientes e preparados para receber e atender de maneira eficiente aos visitantes e expositores”.


Assessoria de Comunicação Social
imprensa@agricultura.rs.gov.br

FAO e OIE pedem moratória em pesquisa com vírus vivo da peste bovina

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE) solicitaram nesta segunda-feira à comunidade internacional que respeite a moratória mundial de pesquisas com o vírus vivo da peste bovina.

Com esse pedido, as duas organizações querem garantir que "a letal doença do gado continue erradicada para sempre", indicaram em um comunicado oficial divulgado em Roma.

"A FAO e a OIE estão trabalhando de forma conjunta para destruir as amostras de vírus e materiais biológicos potencialmente perigosos que atualmente se encontram armazenados em mais de 40 laboratórios de todo o mundo", informaram.

As duas organizações pedem que sejam conservadas algumas reservas do vírus para a produção de vacinas caso a doença ressurja na natureza ou se propague como resultado de um ato acidental ou deliberado.

A OIE e a FAO declararam a erradicação oficial da peste bovina há um ano, depois de ter sido constatado que a causa da grave doença que destrói o gado não circula nos animais e só existe nos laboratórios. A peste bovina não afeta os humanos.

Em duas resoluções internacionais, aprovadas em 2011, os países membros da OIE e da FAO concordaram em destruir as reservas restantes do vírus da peste bovina ou armazená-las de forma segura em um número limitado de laboratórios relevantes com medidas de contenção de alto nível.

"A FAO e a OIE convocam os países a cumprir a moratória. Ela será mantida e todas as futuras propostas de pesquisa deverão ser enviadas à OIE e à FAO para sua aprovação, conforme as resoluções de 2011", advertiram.
FONTE: UOL NOTICIAS

Argentina: produção e consumo de carne bovina menores de que em 2001


De acordo com dados de um seminário realizado pelo Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (IPCVA), entre 2001 e 2009, a produção de carne bovina se expandiu 35%, passando de 2,5 a 3,4 milhões de toneladas de carcaça com osso. No entanto, entre 2009 e 2011, a produção caiu 25%, voltando quase às mesmas 2,5 milhões de toneladas de 2001.
Ao longo dos últimos dez anos, a produção de carne de frango passou de 900 mil toneladas em 2001 para 1,8 milhão de toneladas processadas em 2011, o que implica em um aumento de cerca de 100%. 
A carne bovina, cuja produção tem altas e baixas cíclicas dentro de uma tendência de longo prazo que mostra sinais de estancamento, enfrenta a carne de frango, que forte crescimento ao longo da última década.
Comparando o consumo de carne bovina, de frango e suína, com relação ao de três anos atrás, a pesquisa do IPCVA feita com famílias argentinas mostrou que as pessoas acham que, na primeira, o consumo diminuiu, enquanto no caso da carne de frango, houve aumento e, para a carne suína, houve leve queda. O principal motivo citado pelas pessoas para a diminuição no consumo de carnes é o mesmo: “seu preço aumentou mais que o dos outros tipos de carne”.
No entanto, aqueles que percebem que o consumo dos tipos de carnes aumentou com relação a três anos atrás citam que, no caso da carne bovina, o principal motivo é que “seu preço diminuiu/aumentou menos que o dos outros tipos de carne” e por “melhoras na renda das pessoas, aumentou a demanda”; enquanto que, no caso da carne de frango e de porco, o principal motivo é que “seu preço diminuiu/aumentou menos que o dos outros tipos de carne”. No consumo anual percebido dos tipos de carnes, a carne bovina seguida pela de frango são as que mais são consumidas.
Ao consultar os entrevistados sobre o que deveria acontecer para aumentar o consumo de carne bovina, os principais motivos foram: “que baixe o preço” e “que melhore a renda/poder aquisitivo das pessoas”.
Fonte: IPCVA, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

Queda do preço do boi gordo no Rio Grande do Sul


Segundo levantamento da Scot Consultoria, o preço do boi gordo caiu 1,5% última semana no estado. A referência passou de R$3,40/kg para R$3,35/kg, a prazo.

A exportação de gado em pé colaborou com os preços firmes.

Os embarques aumentam a demanda por animais e dão sustentação aos preços. Os exportadores normalmente pagam mais pelos animais, frente aos frigoríficos da região.

As cotações seguem pressionadas no estado, há ofertas de compra abaixo da referência, mas ainda com poucos negócios.

Colaborou Renato Bittencourt.

Brasil foi o principal fornecedor de carne bovina do Chile no semestre


O Chile importou mais carne bovina no primeiro semestre de 2012.

Segundo dados do Ministério da Agricultura do país, o volume importado de carne in natura foi de 56,7 mil toneladas, 6,6% mais que no mesmo período de 2011.

O preço médio da tonelada importada foi de US$6,3 mil, 3,8% acima do registrado no primeiro semestre de 2011.

O Brasil apresentou o maior crescimento nos embarques para o país e se tornou seu principal fornecedor, com participação de 65,3%.

Segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações brasileiras de carne in natura para o Chile passaram de 10,32 mil toneladas no primeiro semestre de 2011 para 37,03 mil toneladas neste período de 2012, alta de 258,9%.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mapa lança publicação com projeções do agronegócio


Trabalho tem objetivo de fornecer subsídios quanto às tendências do agronegócio

A Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou uma publicação com projeções de longo prazo do agronegócio. O trabalho Projeções do Agronegócio – Brasil 2011/12 a 2021/22 tem como objetivo indicar tendências para o agronegócio nacional nos próximos anos, o que pode contribuir na estruturação de ações futuras ligadas ao setor.

A projeção utiliza modelos econométricos específicos e abrange 26 produtos do agronegócio, como soja, milho, café e feijão. Segundo o estudo, os produtos que indicam maior potencial de crescimento das exportações nos próximos anos são o algodão, soja em grão, carne de frango, açúcar, celulose e o milho.

Além dos especialistas do Mapa e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o trabalho teve contribuição de instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Arroba abaixo de R$ 90,00 em São Paulo


Frigoríficos aproveitam as escalas confortáveis para testar o mercado
Mônica Costa


A semana terminou com volume pequeno de negócios e forte pressão de baixa no mercado do boi gordo. Com as escalas mantidas entre cinco e seis dias em média, os frigoríficos testaram ofertas de compra de até R$88,00/@, à vista, mas sem negócios nestes valores.
No mercado à vista, o indicador boi gorda da Esalq/BM&FBovespa registrou  que a média da cotação da arroba nas praças paulistas caiu para R$ 89,69/@, desvalorização de 0,79% à vista. Nas vendas a prazo, as negociações fecharam R$ 91,35/@, recuo de 0,19%.
De acordo com a Scot Consultoria, a estratégia de pressionar por preços menores é mais evidente entre os frigoríficos que se abastecem nas praças vizinhas, como Mato Grosso do Sul e Goiás. Em Mato Grosso, após a pressão de baixa nas últimas semanas, houve retração nos negócios e ajustes positivos nas cotações. Na semana passada o recuo médio nas 31 praças pesquisadas foi de 0,3%. A maior queda ocorreu em Pelotas-RS, de 1,5%. No sudoeste de Rondônia, Cuiabá e Norte de Minas as cotações subiram 1,2%.
No mercado atacadista de carne com osso os preços estão estáveis. A redução dos abates na última semana diminuiu os estoques, mas a oferta ainda é maior que a demanda.
No mercado futuro, os contratos para julho foram reajustados em 0,58% e encerraram o pregão de sexta-feira a R$ 90,64/@. Já nos contratos para outubro houve aumento de 1,78% na cotação e as negociações encerraram o dia cotadas a R$ 97,06/@ na BM&FBovespa.Confira AQUI as cotações das principais praças
Fonte: Portal DBO com informações Scot Consultoria

Cabanhas deixam gado de elite de lado e Argola pode não compensar gastos


Mercado de elite requer alto investimento
 
 
 
  
 

Cabanhas deixam gado de elite de lado

O milionário mercado de bovinos de elite do Estado parece estar perdendo o viço. Pelo menos para duas cabanhas que, juntas, somam quase cem anos de seleção genética: a Pitangueira, de Itaqui, e a Pedra Só, de Pedro Osório. Pedro Monteiro Lopes, proprietário da Pitangueira, liquidou o seu rebanho depois de construir um patrimônio como dono de cabanha que por dez anos liderou o ranking dos criadores de Braford, para vender exclusivamente rústicos. Na temporada dos leilões de outono, Lopes vendeu o seu plantel de animais de elite, batendo recordes da raça no país. Agora, o objetivo do pecuarista é atender única e exclusivamente ao mercado do Centro-Oeste, a partir da fazenda em Santo Antônio do Leverger, Sul de Mato Grosso. A propriedade, que tradicionalmente era dedicada à criação de Nelore para corte, incorporou ao rebanho a venda de touros rústicos Braford. A meta agora é aumentar o número de novilhas registradas, atualmente num número de 600.

A demanda superaquecida por touros fez brilhar os olhos de Lopes, que, como ele brinca, nasceu em 1946, em Uruguaiana, já numa mangueira. No ano passado, por exemplo, ele vendeu 70 touros a R$ 7.400,00, na média. Se tivesse mais exemplares, não teria sobrado animal na pista, tamanha é a procura. "Os pecuaristas do Centro-Oeste voltaram a comprar animais de qualidade", nota o empresário gaúcho.

A Pedra Só, que deixou para trás um legado genético de 52 anos, no outono se desfez de 412 produtos Angus. Juliano Severo de Leon, o proprietário, fez as contas e percebeu que selecionar reprodutores já não era tão bom negócio quanto as outras atividades da propriedade: a agricultura, pecuária de corte e criação de cavalos Crioulos. Na avaliação de Leon, hoje é bastante acessível inseminar as vacas com touros provados. "Atualmente, uma dose de sêmen custa R$ 10,50, o que, às vezes, é mais vantajoso do que imobilizar capital na compra de touros caros." Na pecuária, o foco agora é na terminação de gado superprecoce, entre 12 e 18 meses, e na cria e recria.

Leon está refletindo se é vantajoso ainda manter cria e recria na propriedade - atividade que é exigente em tamanho de campo. Para se ter ideia, a área para cria e recria, com 800 animais, exige 50% da dedicada à pecuária na fazenda. Já a terminação, com 2 mil exemplares, ocupa a outra metade do campo disponível para a pecuária. Enquanto o custo reprodutivo dos terneiros filhos de touros é de R$ 53,30, os gerados pela IATF saem por R$ 32,50.

Argola pode não compensar gastos 

O gado de argola sempre foi objeto de glamour por parte dos cabanheiros gaúchos. No entanto, por vezes, não oferece uma compensação financeira sobre o investimento, no geral, bastante elevado. "A cabanha sempre foi a tentativa de construir uma vitrine da produção comercial. Contudo, a maioria dos pecuaristas não consegue agregar valor, o que ocorre via prêmios", pondera o coordenador do Nespro/Ufrgs, Júlio Barcellos.

O crescimento da inseminação a tempo fixo, segundo ele, vem ocorrendo de forma intensa no Brasil e, com isso, a possibilidade de aquisição de sêmen de animais excelentes ficou mais acessível econômica e operacionalmente pelos pecuaristas. "Isto também contribui para que a pirâmide da elite genética da pecuária de corte seja um pouco achatada." A partir dessa conjuntura, alguns cabanheiros, quer seja pela falta de sucessores, e mão de obra especializada e o retorno econômico questionável, preferem sair de cena ou diminuir o gado de elite, avalia Barcellos.

Fonte: Correio do Povo

Boi gordo nos EUA desvaloriza 4,5% entre 19/jun e 17/jul


Em 18/jul, o Brasil tinha os menores preços pagos pelo boi gordo entre os principais países produtores. Os frigoríficos pagavam em São Paulo US$ 3,07/quilo de carcaça, no RS US$3,19 e no MS US$2,90, preço maior somente do praticado no Paraguai, de US$ 2,69. Ns três estados, houve desvalorização de 0,3% e 1,0% em SP e MS e valorização de 2,2% no RS no período de trinta dias. No Paraguai, houve desvalorização de 0,7%.
Os maiores preços do boi gordo são encontrados na União Europeia, a US$ 5,01 e nos EUA, a US$ 4,01 e neste mesmo período, houve desvalorização de 1,4% na UE e 4,5% nos EUA. A maior desvalorização do boi gordo ocorreu na Argentina, de 6,7% no animal para exportação (US$ 3,60) e 9,1% no mercado interno (US$ 3,51).
FONTE: BEEFPOINT

Pecuaristas estão preocupados com aumento de furtos de gado no RS

No primeiro semestre deste ano, cerca de dois mil animais foram levados.
O prejuízo é grande em 11 municípios da região.


Há mais de 30 anos, o pecuarista Waldecy Machado é vítima de ladrões de gado. Recentemente, oito vacas avaliadas em R$ 12 mil foram abatidas dentro da propriedade, em Santana do Livramento. Para chamar a atenção, o pecuarista colocou as cabeças dos animais na cerca junto com uma faixa de protesto “Aqui jaz o fruto da impunidade”, às margens da BR-293.
Em Bagé, de duas a três propriedades são atacadas por semana. O produtor João Rubim calcula que já teve 70 animais furtados. O prejuízo é de quase R$ 140 mil.
Preocupados com o aumento dos casos de furto de animais, pecuaristas de Dom Pedritoresolveram se prevenir contra os crime. Eles contrataram seguranças para tentar diminuir as ocorrências.
“Uma dos motivos que fazem elevar este número é que o crime tem pena prevista de um a quatro anos, então muitas vezes, a gente faz o trabalho, identifica os autores, mas a prisão é difícil porque a pena é muito branda”, explica Cristiano Ritta, delegado de Polícia de Bagé.
A polícia investiga uma quadrilha especializada em furto de gado com integrantes em Bagé,Pelotas e Rio Grande.
FONTE: GLOBO RURAL

Pecuaristas vão se reunir com Abiec para propor Consecarne

Na próxima terça feira, dia 24, pecuaristas de todo país, liderados pela Frente Nacional da Pecuária – Fenapec – vão se reunir com a diretoria da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne – Abiec – para discutirem uma agenda positiva da cadeia produtiva da carne bovina.
Segundo informou Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista –UDR –, entidade que faz parte da Fenapec e discutirá o ponto mais relevante do encontro que será a criação do Consecarne:
“Este conselho da carne está sendo inspirado no Consecana, que, aliás, vem dando muito certo e trouxe equilíbrio entre Usineiros e Produtores de cana de açúcar, de forma que temos que criar uma regra semelhante para frigoríficos e pecuaristas, pois a situação dos criadores e invernistas está cada dia mais grave com o prejuízo e o empobrecimento de um setor que em função desta baixa inexplicável da arroba do boi e da vaca está migrando de forma preocupante para outras atividades.”
A idéia do Consecarne, segundo Nabhan, é primordialmente estabelecer um preço mínimo (custo e lucratividade) para o produtor, conforme conversa que já teve com alguns representantes de indústrias frigoríficas, como a JBS, Marfrig e outros que já manifestaram disposição para apoiarem a iniciativa, portanto o que está faltando é por em prática o Conselho que será composto por pecuarista e indústria.
Outro apoio relevante para os produtores é o da Frente Parlamentar da Agropecuária do Congresso Nacional, onde seu Presidente, Deputado Homero Pereira (PSD-MT) informou que logo após o recesso Parlamentar será realizadas “Audiências Públicas” para se discutir agendas positivas e o fortalecimento de um setor produtivo tão relevante do Agronegócio que é a pecuária nacional.
Fonte: União Democrática Ruralista – UDR, adaptada pela Equipe BeefPoint.

Mercado de imóveis rurais em Mato Grosso do Sul inflaciona em 30%


Maior procura de áreas para plantio elevou valores no mercado de imóveis rurais entre 2011 e 2012

A grande procura de terras para plantio inflacionou o mercado de imóveis rurais em Mato Grosso do Sul em aproximadamente 30%, segundo corretores. O índice reflete o bom momento da agricultura regional, empolgada com os preços “exorbitantes” das commodities no mercado internacional, principalmente da soja, carro-chefe da agricultura estadual.

“Claro que os preços dependem muito da localização, do solo e uma série de fatores. Mas, se comparado ao primeiro semestre do ano passado, os preços hoje estão em média 30% maiores”, afirmou o corretor de imóveis, que atua no mercado de fazendas, Edson Fernandes.

Segundo outro corretor, Roberto Dias, o aumento é resultado direto da valorização da soja. “É um produto que está em um patamar alto de preços no mercado internacional, valorizou muito neste ano. Então tem muita gente querendo plantar para vender a soja, e isso aumentou o preço das terras”, explicou. Segundo Dias, a inflação dos imóveis rurais ficou entre 25% e 30%.

Farelo de soja versus boi gordo: pior relação de troca dos últimos anos


Segundo levantamento da Scot Consultoria, o farelo de soja está cotado em R$1.318,00 (preço médio) em julho em São Paulo.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o pecuarista está pagando 105,3% mais pelo farelo.

Considerando a praça de São Paulo, são necessárias 14,25 arrobas de boi gordo para a compra de uma tonelada de farelo de soja.

É a pior relação de troca dos últimos treze meses, considerando os valores nominais.

O poder de compra do pecuarista em relação ao farelo de soja diminuiu 118,3% em relação a julho de 2011.

Alta dos insumos e dos custos de produção em julho


Mais um mês de custos em alta. Os aumentos em julho para os sistemas pecuários de produção de corte, de baixa tecnologia e alta tecnologia foram de 1,8% e 1,2%, respectivamente.

A alta acumulada para os custos de produção das pecuárias de corte de baixa e de alta tecnologia nos primeiros sete meses deste ano foi de 4,7% e 5,3%, nesta ordem.

Vale a pena salientar que, neste intervalo de tempo, até meados de julho, a cotação da arroba do boi gordo em São Paulo caiu 7,1%.

Portanto, além dos custos em alta, o pecuarista se depara com um preço menor da arroba do boi gordo. Isto retrata o encurtamento de margens da atividade.

O destaque entre os componentes do custo foi para o item alimentos concentrados proteicos, cuja alta, em média, foi de 3,7%.

Mercado do boi gordo terminou a semana pressionado


Mercado com volume pequeno de negócios e manutenção da pressão de baixa.

Os frigoríficos aproveitam as escalas confortáveis para testar o mercado.

Em São Paulo, segundo levantamento da Scot Consultoria, existem ofertas de compra de até R$88,00/@, à vista, mas sem negócios nestes valores.

Esta estratégia é mais evidente em empresas que se abastecem nas praças vizinhas, como Mato Grosso do Sul e Goiás. Nestas regiões a oferta também está boa.

No Mato Grosso, após a pressão de baixa nas últimas semanas, houve diminuição nos negócios e ajustes positivos nas cotações.

Nesta semana o recuo médio nas 31 praças pesquisadas foi de 0,3%. A maior queda ocorreu em Pelotas-RS, de 1,5%.

No Sudoeste de Rondônia, Cuiabá e Norte de Minas as cotações subiram 1,2%.

No mercado atacadista de carne com osso os preços estão estáveis. A redução dos abates na última semana diminuiu os estoques, mas a oferta ainda é maior que a demanda.

domingo, 22 de julho de 2012

Caracu: conheça mais esta raça


Licio Isfer, Engenheiro Civil, criador de gado da raça Caracu e produtor de grãos e floresta (pinus e eucalipto) na Fazenda Guarauna, em Palmeira, PR participou de entrevista com o BeefPoint mostrando sua experiência com a raça. Leia a conversa na íntegra:
BeefPoint: Por favor, conte brevemente o histórico da raça Caracu e o número de criadores.
Sr. Lício Isfer: O gado Caracu esta no Brasil desde o período colonial, a raça foi formado a partir do gado trazido pelos colonizadores portugueses e ao longo do tempo adaptou-se aos diversos ambientes do País.
Com mais de quatro séculos de adaptação, o Caracu reúne características como: rusticidade, adaptabilidade, habilidade materna, longevidade, resistência a parasitas, cascos duros, entre outras.
A partir de 1980, uma nova fase na seleção da raça com a utilização de técnicas modernas, foi iniciada. Este projeto foi coordenado pela Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC) tendo como parceiros o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (IZ), Embrapa – Gado de Corte (Campo Grande/MS) e o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR). Este trabalho permitiu um salto na seleção da raça, fazendo com que animais extremamente adaptados passassem a expressar características produtivas, como ganho de peso, conformação de carcaça, precocidade, entre outras, fazendo da raça caracu, uma ótima opção para o cruzamento industrial e reforçando a importância dela na pecuária nacional.
Touro Solidário da Guaraúna
BeefPoint: Sobre o rebanho da raça no Brasil,
  • Qual o tamanho do rebanho no país?
  • Como está e qual é o crescimento anual do rebanho?
  • Como está distribuído geograficamente no país?
Sr. Lício: O rebanho controlado é 125.000 animais, considerando os sócios e não sócios da ABCC. Atualmente cerca de 5000 animais são registrados por ano, o que significa uma estagnação. A raça Caracu esta presente em: Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Pará. Existe também um núcleo de criadores no Paraguai.
BeefPoint: Quais são as principais características da raça?
Sr. Lício: A principal característica da raça Caracu é a adaptabilidade. Ao longo dos séculos de criação em território brasileiro, ela se adaptou desde os frios campos de Palmas no interior do Paraná, ao calor tropical do Pará. O que faz com que os touros da raça possam realizar monta natural nas mais condições mais extremas. Sendo a única raça européia com esta capacidade. Obviamente que com a adaptabilidade vem a rusticidade, ou seja, a capacidade de produzir em condições desfavoráveis, além de resistência a parasitoses.
As fêmeas têm grande habilidade materna, com razoável produção de leite e facilidade de parto. Estas características tornam o caracu uma ótima opção para o cruzamento industrial nas regiões centro-oeste e norte.
BeefPoint: Qual o principal modelo utilizado atualemente para terminação dos animais: a pasto ou confinamento? E qual o mais indicado?
Sr. Lício: Pelas características da raça a grande maioria dos criadores produz a pasto, alguns terminam em confinamento com bons resultados. Não há um modelo mais indicado, isso depende da propriedade.
BeefPoint: Como a ABCC busca novos produtores associados? Quais formas de fomento da raça para os associados atuais?
Sr. Lício: A busca por novos associados se dá pela divulgação das características da raça, participação em exposições, organização de reuniões técnicas, organização de material de pesquisa com resultados da raça. Para os associados, o trabalho é no sentido da busca por animais mais produtivos, através da utilização de programas de melhoramento como o Geneplus da Embrapa.
BeefPoint: Quais principais planos para o ano de 2012? E para o longo-prazo?
Sr. Lício: O grande objetivo da ABCC é fazer com que a raça ocupe o espaço que merece dentro da pecuária nacional, contribuindo para o aumento da produtividade dos rebanhos através do cruzamento. E quem sabe tornar-se um produto de exportação para países da América do Sul, Central e África.
BeefPoint: Fique a vontade para deixar uma mensagem da Associação/raça aos leitores BeefPoint.
Sr. Lício: A raça Caracu é por sua história e características um patrimônio da pecuária nacional, foi ela que sustentou a produção antes da chegada dos zebuínos, o que quase a levou a extinção. Agora moderna ela pode sem dúvida fazer uma parceria com o Nelore para produção de um cruzamento genuinamente Nacional, com ganho para o Brasil.
Matriz doadora de oócitos
Novilhas 20 24 meses de idade
FONTE: BEEFPOINT

Principais indicadores do mercado do boi – 20-07-2012


Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&F, margem bruta, câmbio
O indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista permaneceu estável nessa quinta-feira (19) sendo cotado a R$ 90,40/@. O indicador a prazo foi cotado em R$ 91,52.
A partir de 2/jan o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa deixou de considerar o Funrural.
Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro à vista x margem bruta
O indicador Esalq/BM&F Bezerro teve desvalorização 2,83% e é cotado a R$ 679,31/cabeça nesta quinta-feira (19). A margem bruta na reposição foi de R$ 812,29 e teve valorização de 2,50%.
Gráfico 2. Indicador de Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista em dólares e dólar
Na quinta-feira (20), o dólar foi cotado em R$ 2,02 com desvalorização de 0,10%. O boi gordo em dólares teve desvalorização de 0,10% sendo cotado a US$44,68. Verifique as variações ocorridas no gráfico acima.
Tabela 2. Fechamento do mercado futuro em 19/07/12
O contrato futuro do boi gordo para Ago/12 foi negociado a R$ 91,30 e sua variação teve baixa de 0,45%.
Gráfico 3. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x contratos futuros para ago/12
Acesse a tabela completa com as cotações de todas as praças levantadas na seção cotações. 
No atacado da carne bovina, o equivalente físico permaneceu estável é cotado a R$ 89,15. O spread (diferença) entre o índice do boi gordo e equivalente físico foi de R$ 1,26 e sua variação permaneceu estável no dia. Confira a tabela abaixo.
Tabela 3. Atacado da carne bovina
Gráfico 4. Spread Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x equivalente físico
FONTE: BEEFPOINT

Exportações de tripas de bovinos registram alta de 14% no primeiro semestre


Exportações de tripas de bovino no primeiro semestre foram de 37,4 mil toneladas
De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações de tripas de bovino no primeiro semestre foram de 37,4 mil toneladas em volume embarcado acumulado, quantia 14% superior aos primeiros seis meses de 2011, de acordo com a Scot Consultoria.
Com o registro de aumento nas exportações de tripas de bovino, o faturamento do período se mostrou 22,7% superior ao primeiro semestre de 2011, ficando em US$ 151,2 milhões.
No primeiro semestre de 2012, o preço da tonelada da tripa de bovinos no mercado internacional ficou, em média, em US$ 4.051,28. um aumento de 8% em relação ao mesmo período de 2011.
Hong Kong e Rússia permanecem os principais clientes do produto brasileiro.
Fonte: Scot Consultoria

Rodadas de negócios com compradores árabes promovidas por Apex-Brasil e Câmara Árabe estimam US$ 55,85 milhões em exportações para os próximos doze meses


Empresários estrangeiros também fizeram visitas técnicas a empresas e participaram de encontros com entidades setoriais
A Câmara de Comercio Árabe e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) promoveram, na semana passada, em São Paulo, 306 reuniões de negócios entre 61 empresários brasileiros do setor de alimentos e bebidas e potenciais compradores oriundos de países árabes. Os encontros devem gerar um total de negócios da ordem US$ 55,85 milhões para os próximos 12 meses.
O evento chamado “Projeto Comprador Alimentos – Mercado Árabe” reuniu 10 importadores de Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Argélia, Jordânia e Bahrein.
A rodada teve duração de dois dias. No terceiro, a delegação de empresários árabes participou de reuniões com representantes da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e de uma loja de rede de supermercados Pão de Açúcar. Também foram promovidos encontros nas empresas Marfrig e Cibal Halal.
Os mercados dos países árabes importam, anualmente, cerca de US$ 80 bilhões de alimentos, sendo o segundo mercado de destino das exportações brasileiras neste setor. Em 2011, o Brasil exportou US$ 10,6 bilhões.

BNDES perderia R$ 2,6 bi se deixasse frigoríficos


Em nota o banco esclarece que "Os ativos terão seu valor reconhecido quando estes investimentos maturarem"

DO PORTAL DO AGRONEGÓCIO
Os aportes nos frigoríficos são alvos de críticas frequentes, não apenas pelos potenciais prejuízos financeiros, mas também pelos efeitos que esses recursos tiveram sobre o mercado.

As "perdas" do BNDESPar, braço de participações do BNDES, com o investimento direto nos maiores frigoríficos do país somam quase R$ 2,56 bilhões. Esse é o prejuízo que o banco de investimento teria se decidisse vender, a preços de mercado, as ações de JBS, Marfrig e BRF-Brasil Foods que mantém em sua carteira, apesar dos ganhos com esta última.

Segundo o Valor Data, essas ações valiam o equivalente a R$ 6,92 bilhões ao preço de fechamento de ontem. Isso significa uma desvalorização de 27% sobre a quantia desembolsada pelo banco, estimada em R$ 9,5 bilhões. O montante desconsidera os R$ 250 milhões investidos em 2008 na compra de 21,8% do capital do Independência, que viraram pó depois que a empresa suspendeu suas atividades e entrou em recuperação judicial em 2009.

Mais de R$ 8,1 bilhões, cerca de 85% do total, estão alocados no capital da JBS. Ontem, o quinhão do BNDES na companhia era avaliado em apenas R$ 5,88 bilhões - um prejuízo de R$ 2,21 bilhões ou 27,4%. Outros R$ 982,3 milhões foram aplicados em compra de ações da Marfrig, que valeriam pouco mais de R$ 444 milhões ao preço de mercado - uma perda de R$ 538,2 milhões ou 54,8%. A exceção são as ações da BRF-Brasil Foods, pelas quais o banco pagou R$ 400 milhões em 2009. Ontem, elas valiam R$ 593 milhões - lucro de R$ 193 milhões ou 48,25%.

Trata-se de um prejuízo apenas potencial, já que o BNDES não pretende se desfazer de suas posições e os papéis ainda podem subir. Em contrapartida, a persistência dos preços em níveis baixos e as perspectivas apenas tímidas de valorização deixam o BNDES "preso" aos frigoríficos e estende o horizonte de uma eventual saída.

O BNDES

Em nota, o BNDES afirmou que a estratégia de gestão da carteira de renda variável da instituição é baseada na criação de valor no longo prazo, "observando o período de maturidade dos investimentos e o ciclo peculiar de cada setor" e que o cálculo do valor de mercado das ações, "feito em momento de baixa, não reflete o resultado obtido pelo BNDESPar". O banco reafirma sua aposta no segmento e assegura que a estratégia de verticalização, agregação de valor e fortalecimento das empresas em regiões com vantagem de custo "continua válida". "Os ativos terão seu valor reconhecido quando estes investimentos maturarem".

Os aportes do BNDES nas processadoras de carne começaram há cinco anos, em junho de 2007. Na ocasião, o banco desembolsou R$ 1,13 bilhão na compra de ações da JBS, ao preço de R$ 8,15 por ação. Na mesma semana, investiu R$ 102 milhões na compra de ações no IPO da Marfrig, ao preço unitário de R$ 17. De lá para cá, a presença do banco no setor só fez aumentar. Em 2008, poucos meses antes do estouro da crise financeira nos Estados Unidos, o BNDES colocou mais R$ 988 milhões na JBS (por meio de compras diretas e do fundo de investimento PROT), ao preço de R$ 7,07 por ação, e mais R$ 715 milhões na Marfrig, a R$ 21,50 por ação. Ontem, as ações de JBS e Marfrig fecharam a R$ 5,75 e R$ 9,26, respectivamente. Para Cauê Pinheiro, analista da corretora SLW, o preço-alvo dessas ações em 12 meses é de R$ 7,16 e R$ 11,90.

Contudo, a maior "tacada" do BNDES em 2008 foi a compra de uma participação de 27,1% no capital do Bertin, pela qual desembolsou a bagatela de R$ 2,5 bilhões. O objetivo era reforçar o caixa da empresa, que havia feito uma série de aquisições, e dar sustentação ao seu processo de internacionalização.

Estímulos

O plano fez água em poucos meses. Assolado pela crise, o Bertin, que tinha o capital fechado, encerrou 2008 com um prejuízo de R$ 681 milhões e dívidas de R$ 5,5 bilhões. A solução do BNDES para evitar o que poderia ser um dos maiores fiascos de sua história foi estimular a JBS a incorporar o Bertin, em setembro de 2009. Nesse processo, o BNDES recebeu 250,2 milhões de ações da JBS pela fatia que detinha no Bertin. A JBS não atribuiu um valor nominal a esses papéis. Mas, dividindo-se o valor investido no Bertin pelo número de ações da JBS recebidas, é como se o BNDES tivesse desembolsado R$ 9,99 por cada uma delas.

Em troca dessa ajuda, o BNDES aceitou subscrever o equivalente a R$ 3,5 bilhões em debêntures para apoiar a compra da americana Pilgrim's Pride, segunda maior processadora de aves do mundo, então em recuperação judicial. Esses títulos seriam conversíveis em papéis da JBS USA, que planejava fazer uma oferta de ações nos EUA. O IPO não aconteceu, e as debêntures foram convertidas em ações da própria JBS, em julho de 2011, ao preço de R$ 7,04 por ação. Com isso, a participação do BNDES saltou de 18% para 31,4%.

O BNDES realizou apenas mais uma compra de papéis da Marfrig, em novembro de 2009. Foram 169,37 milhões para apoiar a compra da Seara, a R$ 19 por ação. Contudo, a estatal já "contratou" uma nova compra. Em julho de 2010, a estatal subscreveu R$ 2,5 bilhões em debêntures obrigatoriamente conversíveis em ações para financiar a aquisição da americana Keystone Foods - uma das maiores fornecedoras globais de processados de carnes para redes de restaurantes como o McDonald's.

Trocas

Pelos termos da oferta da debênture, a Marfrig emitirá, em julho de 2015, 102 milhões de novas ações, que serão trocadas pelo preço médio, ponderado pelo volume, dos pregões do último ano de negociação antes da conversão, ao preço mínimo de R$ 24,50. Se os ações da Marfrig não ultrapassarem esse piso, a fatia do BNDES na companhia passará dos atuais 13,9% para quase 24%. Nessa hipótese, o banco estatal faria uma troca desvantajosa, pagando um ágio pelas ações. Até ontem, esse "prêmio" seria de 62% em relação ao preço de mercado.

Uma fonte da Marfrig pondera que a diferença entre o mínimo de R$ 24,50 e a cotação de mercado na conversão do papéis é menor, se considerados os juros pagos ao BNDES. As debêntures preveem o pagamento anual de um cupom, calculado pela variação acumulada da Taxa DI em um ano mais um 'spread' de 1%. Com o pagamento desses juros, que devem ultrapassar R$ 1 bilhão até 2015, o preço "real" de conversão ficaria entre R$ 16 e R$ 17 por ação, argumentou a fonte.

As empresas de proteína animal formam o quarto grupo em que o BNDESPar mais investe - cerca de 8,5% de sua carteira de ações - atrás apenas dos setores de petróleo e gás, mineração e energia elétrica. "A decisão de investir em proteína animal foi tomada, entre outros motivos, porque a exposição da carteira da BNDESPar ao setor de alimentos era muito inferior à representatividade que a atividade tem para a economia brasileira", justificou o banco.

Contribuições

Os aportes nos frigoríficos são alvos de críticas frequentes, não apenas pelos potenciais prejuízos financeiros, mas também pelos efeitos que esses recursos tiveram sobre o mercado. Um empresário do setor argumenta que o "excesso de dinheiro" do BNDES criou "distorções", estimulando aquisições que, na opinião dele, são ineficientes.

"Do ponto de vista da gestão de carteira foi um desastre. Os investimentos foram feitos no boom, baseadas em projeções excessivamente otimistas. Agora, o governo ficou preso a essas empresas. E vai ficar ainda mais", argumenta José Carlos Hausknecht, sócio da MB Agro. Ele afirma ainda que a estratégia do BNDES favoreceu a concentração e deixou em dificuldade os pequenos e médios frigoríficos, muitos dos quais ficaram pelo caminho durante os anos de crise. "Isso não foi bom para os pecuaristas, que em algumas regiões ficaram nas mãos de um único comprador". Ele rechaça ainda o fato de o BNDES financiar empresas no exterior. "O banco está criando concorrentes lá fora, gerando empregos e renda em outros países".

João Sampaio, vice-presidente de relações institucionais da Marfrig e ex-secretário de Agricultura de São Paulo, rechaça as críticas. "A entrada do BNDES trouxe mais profissionalismo ao setor, impôs novos padrões de governança e responsabilidade socioambiental, que passaram a balizar todo o setor", afirma.

Antônio Camardelli, presidente da Abiec, a associação que representa os frigoríficos exportadores, afirma ainda que os recursos do BNDES garantiram que plantas de frigoríficos que quebraram na crise de 2008 continuassem a funcionar, nas mãos de empresas mais sólidas. "Sem elas, teríamos uma porta aberta para a clandestinidade. O BNDES trouxe um aumento do padrão de segurança, de legitimidade e legalidade do processo", afirma.

Ele argumenta que, ao financiar a expansão dos frigoríficos no exterior, o banco permitiu que a indústria brasileira ampliasse suas margens ao atuar em segmentos de maior valor agregado - aos quais não teria acesso se ficasse no Brasil, menos competitivo e prejudicado por barreiras sanitárias e comerciais. "Tivemos um encurtamento da cadeia de lucros."