quarta-feira, 21 de junho de 2017

FAO: Confira relatório completo sobre mercado de carnes

A produção total mundial de carnes deverá estagnar pelo segundo ano consecutivo em 2017, aumentando em penas 0,3%, para 322 milhões de toneladas. A produção deverá crescer em quase todos os países, particularmente nos Estados Unidos, Brasil, Índia e Argentina. Entretanto, uma desaceleração da produção na China deve continuar a pesar na tendência geral. Excluindo a China, a produção agregada de carne do resto do mundo deverá aumentar em 1,9% com relação ao ano anterior. Por categoria, prevê-se que a carne bovina registre o maior crescimento da produção, com aumentos marginais na produção de carne de aves e ovina, e uma pequena queda para a carne suína.
O comércio mundial de carne deverá registrar um segundo ano de expansão em 2017, aumentando em 2,5%, para 32 milhões de toneladas. O comércio de carne suína deverá aumentar em 4,1%, o de carne de aves em 2,9% e o de carne bovina em 0,8%, em comparação com o ano anterior, enquanto o comércio de carne ovina poderá ver uma contração de 2%.
Espera-se um aumento das importações de carne, particularmente na China, mas também no México, no Chile, na Coreia, no Japão, nas Filipinas, nos Emirados Árabes Unidos, no Vietnã, no Iraque e em Cingapura.
Em contraste, o crescimento da produção doméstica pode resultar em compras reduzidas pelos Estados Unidos e pela Rússia, com o Egito, Angola e a Arábia Saudita também devendo comprar menos.
A expansão das exportações mundiais deverá ser liderada pelos Estados Unidos e pelo Brasil, seguidos por Canadá, Tailândia e Argentina, com vendas aumentando também para a União Europeia (UE), México, Ucrânia, Chile e Bielorrússia. Ao mesmo tempo, as exportações da Austrália, China, Nova Zelândia e Índia provavelmente diminuirão.
O Índice de Preços de Carne da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) teve uma média de 171,7 pontos em maio, um aumento de 2,5 pontos, ou 1,5%, com relação a abril, mantendo uma tendência de aumentos modestos evidentes desde o início do ano. De janeiro a maio, o Índice aumentou quase 8%, com os valores da carne ovina e suína registrando o maior crescimento, seguido de carne de frango e bovina.
A forte demanda doméstica e de exportação estimulou os preços da carne suína, particularmente na UE, enquanto os estoques limitados impulsionaram os preços de carne ovina. Os mercados de aves e bovinos permaneceram bem equilibrados. No geral, o índice de preços da carne de maio de 2017 subiu 11% em relação a maio de 2016.
Carne bovina 
Produção: crescimento nas Américas 
A produção de carne bovina em 2017 deverá crescer 1,9% em relação ao ano anterior, para 69,6 milhões de toneladas, um segundo ano de aumento após a estagnação que prevaleceu de 2013 até 2015. Aumentos substanciais de produção deverão ocorrer nos Estados Unidos e no Brasil, com a produção também devendo aumentar em Argentina, China e UE. Já a produção poderá cair em Austrália, Nova Zelândia e Rússia.
Na América Latina e no Caribe, a recuperação da produção deverá ocorrer, após condições climáticas extremas decorrentes do El Niño, que trouxe condições excepcionalmente secas para algumas partes da região em 2015 e 2016, enquanto outras experimentaram chuvas e enchentes excessivas.
As condições climáticas estão, de forma geral, mais favoráveis em 2017 e, como consequência, a produção global deverá aumentar em quase 2%.
No Brasil, o mercado internacional favorável encorajou os produtores a expandir os rebanhos, mesmo com a demanda interna permanecendo moderada. A produção deverá aumentar em 2,3%, devido ao aumento das taxas de abate e às melhores pastagens, além da queda dos preços dos alimentos animais, que levaram ao aumento dos pesos dos animais terminados.
Na Argentina, A produção deverá aumentar em 4,2%, para 2,8 milhões de toneladas, à medida que o período de quatro anos de expansão do rebanho chega ao fim, com os abates de gado aumentando, as condições de pastagem melhorando após inundações extensas em 2016 e os preços dos alimentos animais caindo.
A produção no Uruguai também deverá projetada aumentar, devido ao aumento dos abates, à medida que a reconstrução do rebanho termina. No vizinho Paraguai, espera-se que a expansão do rebanho resulte em produção inalterada.
A produção de carne bovina no México deverá crescer levemente com relação ao ano anterior, uma vez que os maiores pesos de carcaça devem mais que compensar o declínio nos bovinos abatidos.
Na Ásia, a demanda internacional moderada por carne de búfalo levará a uma redução do crescimento da produção de carne bovina na Índia. No entanto, continua a existir o potencial latente para aumentar a oferta, devido à expansão dos rebanhos leiteiros, fornecendo um grande número de búfalos leiteiros mais velhos para potencial abate.
Na China, a produção de carne bovina deverá aumentar mais 1,4% em relação ao ano anterior, para 7,1 milhões de toneladas. Os preços domésticos estáveis atraíram investimentos na pecuária, enquanto os baixos retornos da produção de leite deverão incentivar a posterior liquidação do rebanho leiteiro.
Em outros lugares, a produção deverá aumentar na Coreia, uma vez que preços domésticos mais fracos poderão levar os agricultores aumentar os abates de gado. A produção no Japão deverá ser alterar pouco, devido aos pesos maiores ao abate, compensando o declínio do número de animais abatidos.
Na África, as condições precárias de pastagem persistem em grande parte de Quênia, Somália, Etiópia e Tanzânia – devido a precipitações inadequadas durante a estação chuvosa de outubro a dezembro de 2016 – e isso deverá impactar a produção.
Ao mesmo tempo, a produção de carne bovina no sul da África pode aumentar em vários países, incluindo Malawi, África do Sul e Zâmbia, uma vez que abundantes chuvas sazonais levaram a melhorias nas pastagens, na condição dos animais e nos alimentos para animais, aliviando alguns dos efeitos da seca crônica anterior.
Na América do Norte, a produção de carne bovina nos Estados Unidos deverá alcançar 12,1 milhões de toneladas, o maior volume em 9 anos, um aumento de 5,1%, devido ao aumento dos abates e dos maiores pesos das carcaças.
No Canadá, um pequeno crescimento no número de bovinos deverá ocorrer, após um crescimento substancial no ano passado ter indicado o possível início de uma fase de reconstrução do rebanho. Uma diminuição nos pesos das carcaças poderia limitar o crescimento da produção em 2017, que deverá manter-se levemente acima de 1,2 milhão de toneladas.
A Austrália deverá entrar em uma fase de reconstrução do rebanho em 2017, que, apesar dos maiores pesos das carcaças, deverá resultar em uma queda na produção de carne bovina de 3%, para 2 milhões de toneladas.
Da mesma forma, na Nova Zelândia, os números de abate deverão cair e a produção de carne bovina poderá cair em 4,5%, para 588.000 toneladas. Além disso, os melhores pagamentos pelo leite pararam o processo de abate exacerbado do rebanho leiteiro que ocorreu nos dois anos anteriores, impulsionado pelos preços internacionais mais baixo para os produtos lácteos.
Na Rússia, a produção de carne bovina em 2017 pode cair quase 2%, para 1,6 milhão de toneladas, como resultado da fraca rentabilidade, desencorajando os investimentos e levando à redução do rebanho.
A produção poderia aumentar em 1,2% na União Europeia, onde a reestruturação contínua na indústria de lácteos está gerando um aumento no número de animais para abate.
Comércio: aumento modesto previsto
Após dois anos de declínio, o comércio mundial de carne bovina em 2017 deverá aumentar, crescendo em apenas 0,8%, para 9 milhões de toneladas. As maiores vendas deverão se concentrar nas Américas, principalmente nos Estados Unidos, Argentina, Canadá, Brasil e México, enquanto as vendas da UE e da África do Sul também podem aumentar. O impulso desses países deverá mais que compensar as menores vendas de Austrália, Nova Zelândia e Índia.
Um forte crescimento do comércio foi previsto para os Estados Unidos, o que poderia ver os embarques aumentar em 6,5%, para 1,3 milhões de toneladas, sustentado por uma combinação de um aumento na produção doméstica, aumentando a oferta de exportação e redução da concorrência da Oceania em seus mercados tradicionais no exterior, incluindo Coreia e Japão.
O Brasil também deverá aumentar suas exportações, com base em um aumento esperado da produção e no crescimento limitado da demanda doméstica. As exportações da Austrália e da Nova Zelândia deverão cair pelo segundo ano, ambos caindo em cerca de 5% em relação aos níveis de 2016, junto com uma retenção dos rebanhos reduzindo a extração de animais. As exportações de carne bovina da Índia deverão permanecer em torno de 1,6 milhão de toneladas em 2017.
Entre os importadores de carne bovina, espera-se que o aumento das compras pela China continue a ser o principal direcionador da demanda. Em outros países da Ásia, a expansão das importações deverá ocorrer no Japão, na Coréia e no Irã, enquanto as compras do Chile, do México e da UE também podem crescer.
Um segundo ano de importações marcadamente reduzidas dos Estados Unidos, combinadas com reduções de Egito, Vietnã, Canadá e Rússia, compensariam um pouco as perspectivas de comércio positivas, de forma geral.
Na China, as importações em 2017 poderiam chegar a 1.575.000 toneladas, um aumento de mais de 12%, após um aumento de 16% em 2016. A maior parte do aumento nas importações da China deverá ser suprida pela América do Sul, especialmente pelo Brasil, mas também por Argentina e Uruguai.
Os países desta região estão colhendo os benefícios dos protocolos bilaterais de saúde animal, melhorando amplamente o acesso ao mercado da China e da concorrência reduzida da Austrália. Ao mesmo tempo, as compras de 2017 pelos Estados Unidos deverão ter uma queda significativa de 11%, para 1.080.000 toneladas, após uma queda de 13% em 2016, devido ao aumento contínuo da produção interna e a uma considerável redução na disponibilidade de exportação da Oceania, sua principal fonte fornecimento externo.
Fonte; FAO, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

COMO MANTER RECEITA COM A VENDA DO TERNEIRO A PREÇO MAIS BAIXO?


A resposta mais correta é o aumento de produtividade, obviamente, se o preço está menor, há de se vender mais para manter a receita, mas a questão principal é: O quanto a mais o terneiro deve pesar para compensar a queda de preço?

Tabela 1. Relação peso x preço do terneiro e seu impacto na receita total por cabeça.
Tabela 1. Relação peso x preço do terneiro e seu impacto na receita total por cabeça.
Na tabela podemos observar que temos variações de preços de 30 centavos por quilo vivo e a receita total por cabeça vendida em relação ao peso.
Para uma receita em torno de R$ 1.000,00/cabeça, considerando a variação projetada na tabela, podemos compensar a queda de 30 centavos no preço com o incremento de 10 kg.
Vale ressaltar que das duas variáveis que constam na tabela, apenas a produtividade está na mão produtor, pois é muito mais difícil modificar o preço de venda dos terneiros do que a produtividade, o volume de quilos vendidos.
Sabemos que há épocas mais favoráveis para a venda dos terneiros, mas a variação dentro do mesmo ano dificilmente impacta mais na receita do que 5 ou 10 kg de produtividade.
Há várias maneiras de aumentar o peso médio ao desmame, mas os dois principais pilares da produtividade no rebanho de cria são o manejo reprodutivo (incluindo genética) e o manejo nutricional (manejo de campo, pastagens e suplementação).
Por exemplo, um animal que nasceu mais cedo, será mais pesado do que aquele que nasceu 2 meses depois, pois teve mais dias para ganhar peso. Somado a um manejo de campo e uma suplementação de resultado, o impacto no resultado da fazenda é muito grande.
Na prática, observamos propriedades que desmamavam com 170 kg de média e depois de algum tempo de trabalho com suplementação e manejo, passaram para um peso médio de desmame de 230-240 kg.
O resultado do aumento de 60-70 kg no peso ao desmame é muito grande. Isto representa entre de R$ 300,00 R$ 400,00 a mais.
Sem contar o impacto indireto, no caso de quem também recria ou faz ciclo completo, que é a diminuição do tempo deste animal no sistema e o consequente aumento de giro.
Se quiser ganhar mais dinheiro com suplementação e planejamento de comercialização entre em contato pelo e-mail renato@lanceagronegocios.com.br ou pelo telefone (53) 9 9995-2790
Por Renato Bittencourt

domingo, 18 de junho de 2017

Delações da JBS reforçam crise da pecuária


Região dependente da empresa, Vale do Araguaia vive estagnação e desemprego

ENVIADA ESPECIAL, VALE DO ARAGUAIA (MT) - Depois de alguns minutos de conversa, Altair Alves Salles, de 33 anos, mostra as mãos machucadas, grossas e amarelas de calos. “Faz cinco meses que estou procurando emprego”, afirma ele. “Mas só consigo trabalhar por diária, como servente de pedreiro.” Com um casal de filhos e muitas contas para pagar, naquele mesmo dia ele tinha trabalhado numa obra das 7h às 18h, em troca de R$ 70.
Morador de um assentamento distante, já era noite quando ele encontrou a reportagem do Estado num posto de gasolina, na entrada de Barra do Garças (MT), a maior cidade do polo pecuarista do Vale do Araguaia, região com um rebanho de 6 milhões de cabeças de gado. Vaqueiro e capataz durante toda sua vida, ele saíra de lá havia dois anos, quando uma separação o fez ir atrás de um sonho. “Nunca havia ligado um computador, nem sabia como usar um celular”, diz, com um sorriso aberto. Mudou-se para Goiânia atrás de cursos, trabalhou como frentista e garçom. Mas a violência da cidade grande o fez sentir saudades.
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Nelores no confimamento: preços deprimidos e alto custo Foto: Werther Santana/Estadão
Na volta, a vida era outra. “Antes, se você saísse de uma fazenda, em 15 dias arrumava outro emprego”, afirma, agora com um nó na voz. “Hoje, o povo não quer mais mexer com nada: reclamam que a ração está cara, que o insumo subiu, que o gado não vale nada e abriram mão das vagas…”. Salles é a ponta mais fraca numa cadeia que vive uma sucessão de crises. Por causa delas, uma das únicas áreas que tem garantido o crescimento menos ruim da economia nos últimos anos também começa a sofrer: a do agronegócio. No Mato Grosso, com um rebanho com 30,2 milhões de cabeças (quase 15% do gado brasileiro), a série de infortúnios que atingiu o setor nos últimos dois anos foi um pouco mais forte. À crise econômica e ao desemprego, se somou uma seca histórica.
Com custos em alta também pela volta do Funrural, a operação Carne Fraca desestabilizou ainda mais o mercado. Dois meses depois, a delação dos diretores da JBS mexeu com prazos e liquidez dos pagamentos e puxou ainda mais para baixo o preço pago ao produtor. Detalhe: sem que houvesse o mesmo reflexo no valor cobrado do consumidor final.
No Vale do Araguaia, área em que 800 criadores se espalham por 34 municípios, o impacto foi ainda maior. Até a JBS se tornar a maior empresa de proteína do mundo,pelo menos 15 frigoríficos de diferentes tamanhos compravam o gado dos criadores. “Hoje, se pegar a BR-158, só tem quatro e todos JBS”, diz o pecuarista Vasco Mil-Homens, da Fazenda Marupiara. “Por isso que, quando a JBS deixou de comprar à vista, pensamos: ‘tá quebrada’.”
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Do açougue aos bilhões, conheça a trajetória da JBS

O cenário na região, dizem fazendeiros e especialistas, é uma aula do que acontece quando se alimenta um monopólio. “Houve um ano em que a JBS arrendou dois frigoríficos e, imediatamente, abaixou em R$ 4 o valor da arroba”, diz Mil-Homens. “Fizemos as contas: com dois dias da diferença, a JBS pagava os arrendamentos.”
Efeitos patrocinados por uma política de Estado, com financiamento público via BNDES, para a criação dos campeões nacionais. A JBS é o maior expoente desse movimento. “O Cade (o órgão antitruste) poderia ter agido na aprovação das aquisições, obrigando a JBS a vender algumas unidades”, diz Sérgio Lazzarini, professor do Insper. “Só que o governo tinha um viés desenvolvimentista e passaram por cima do que estava acontecendo.”
Segundo ele e outros especialistas, a pecuária se desenvolvia em velocidade, ganhava produtividade, melhoria genética e tecnologia, sozinha. Chegaria ao tamanho que atingiu sem qualquer campeão nacional.
Gourmet do Brasil. “Quando a JBS se tornou mundial, achamos que transformaria a carne de nelore num produto gourmet do Brasil para o mundo”, diz Mil-Homens. “O que fizeram, porém, foi pisar na garganta do pecuarista, sem repassar a diferença para o consumidor”.
O resultado da redução de margens é sentido em todas as cidades do Vale do Araguaia. “Éramos 36 funcionários e hoje somos 22”, diz Rones de Paula, administrador da Fazenda Roncador. “Os investimentos praticamente zeraram: é só em fio de arame, para a cerca não cair.”
Essa nova realidade, ele afirma, interferiu nas lojas de material de construção, nas madeireiras, nas casas de produto veterinário, nos restaurantes e em todo comércio das cidades. “As lojas estão às moscas”, diz. “Quando é preciso um produto um pouco mais caro, tem de encomendar porque não há estoque.”
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Minuto Estadão: O que a Carne Fraca investiga?
Os exemplos se multiplicam em todas as áreas. José Carlos Biersdorf, o Nico, da NX Leilões, de Nova Xavantina, fazia um leilão de gado por semana. Em 2017, fez três. “De Barra do Garças a Canarana, havia 13 casas de leilões”, diz. “Sobraram duas.”

Região dependente da empresa, Vale do Araguaia vive estagnação e desemprego

Não há alternativa para vender os bois. Quem os engordava em confinamentos e boitéis, os hotéis para gado, amarga perdas e enxuga despesas como pode. “Se antes a folha de pagamento custava 100 bezerros, hoje preciso de 140”, diz Goulart. “O nome disso é destruição de riqueza.”
Pouco antes da delação, a fábrica da JBS em Barra do Garças, cidade onde os irmãos Batista viveram no início dos anos 2000, anunciava a abertura de um terceiro turno, com a contratação de 300 trabalhadores. A prefeitura começou o cadastramento, mas o plano foi suspenso.

Procurada, a JBS disse por e-mail que não houve mudança na unidade e tem hoje 35% de capacidade ociosa. As operações continuam em ritmo normal, sua situação financeira é robusta e ela preza pela parceria com seus fornecedores.
fonte: Christiane Barbieri, O Estado de S.Paulo

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Myanmar abre mercado a material genético e animais vivos do Brasil

Resultado de imagem para Myanmar

País asiático também tem interesse em concluir negociação para importar bovinos para reprodução.

Brasília/DF
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebeu nesta quarta-feira (14) comunicado da abertura do mercado de Myanmar para as exportações brasileiras de sêmen e embriões de bovinos e bubalinos (búfalos), além de animais vivos para o abate. A confirmação oficial foi envida pelo Serviço de Saúde Animal daquele país, no sul da Ásia.

As negociações entre o Mapa e as autoridades de Myanmar iniciaram em julho do ano passado. As tratativas mantidas entre o Departamento de Saúde Animal (DSA) do ministério e as autoridades sanitárias daquele país, durante a reunião anual da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em maio, na França, foram decisivas para a abertura do mercado.

No encontro em Paris, o diretor do DSA, Guilherme Marques, representante do Brasil na OIE, explicou o funcionamento dos controles sanitários do Mapa sobre o comércio desses animais e produtos.

O Serviço de Saúde Animal daquele país também quer dar continuidade às negociações para importação de bovinos destinados à reprodução. Myanmar pretende implementar um programa de desenvolvimento da pecuária, com foco no aumento da produtividade de leite e carne.

Segundo Guilherme Marques, o constante acesso a novos mercados importadores de bovinos e material genético é decorrente das conquistas sanitárias obtidas pelo Brasil na última década. Entre elas, destacam-se a ampliação das áreas livres da febre aftosa, o status de risco negligenciável para a encefalopatia espongiforme bovina (mal da vaca louca) e o reconhecimento do país como país livre da pleuropneumonia contagiosa bovina (PCB).

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) 

O terneiro derreteu

Por Fernando Furtado Velloso 
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha


Entre a operação Carne Fraca (março) e os escândalos do JBS com o Governo federal (maio), estamos vendendo terneiros no Sul do Brasil. O ciclo pecuário e o mercado já nos sinalizam um ano de retração em preços e os dois fatos citados anteriormente ajudaram a piorar o quadro para o vendedor de terneiros. Comento sobre o mercado no Sul no Brasil, pois é onde vivemos e acompanhamos mais os negócios, mas a situação deve ser muito similar para os criadores em todo o País.

No mesmo período do ano passado foram vendidos terneiros no RS entre R$ 6,00 e R$ 6,50/kg para machos. Um bom terneiro (200 kg) rendia ao criador entre R$ 1.200,00 e R$ 1.300,00 por animal. Em plena temporada de venda de terneiros em 2017, os preços que mais se repetem são de R$ 5,00 a R$ 5,50/kg, faturando R$ 1.000,00 - R$ 1.100,00 para o mesmo terneiro de 200 kg. Ou seja, passado um ano inteiro, o criador está recebendo de 15 a 20% menos. Não é bonito de ver. Em SC e no PR, as cotações são um pouco superiores, pois há menor oferta de animais nesses estados, mas a redução de valores em relação a 2016 observa-se lá também.

Nos últimos anos, lotes de animais com raça ou cruzamento definidos (ex.: definidos Angus/ Hereford ou cruza Angus ou cruza Hereford) eram bastante buscados pelo mercado e somente em função da padronização racial já eram tratados como diferenciados, recebendo valores superiores na venda particular ou em feiras. Lotes de terneiros de raça definida não eram o padrão disponível e valiam mais no mercado.

As associações de criadores, com especial destaque para as Associações de Angus (ABA) e Hereford/Braford (ABHB), realizaram um importante trabalho nos últimos 15 anos, no Sul do Brasil, fomentando a necessária padronização de nossos rebanhos para melhoria da produtividade no campo e pela valorização do produto na indústria. Ambas as entidades buscavam ampliar o fornecimento de animais para seus programas de carne de qualidade, a Carne Angus Certificada e a Carne Hereford Certificada. Esse trabalho funcionou e o rebanho gaúcho ganhou muito em padronização e qualidade. O terneiro que era escasso e valo rizado por sua qualidade e baixa disponibilidade passou a estar mais disponível, transformando-se praticamente no produto padrão do RS. É natural que esses animais passassem a ser tratados pelo mercado com preços médios ou sem diferenciação. Inicialmente, na venda dos terneiros e, mais adiante, na venda dos novilhos.

No final de março, o Frigorífico Marfrig suspendeu a certificação da Carne Hereford e, em abril, anunciou o mesmo para a Carne Angus no RS (e em Paratininga/MT). Naturalmente que todo produtor gaúcho lamentou esses fatos, pois fomos pioneiros nesses programas e estávamos perdendo espaço em uma indústria muito representativa. É o tal “balde de água fria” no ânimo de um trabalho de tantos anos pela diferenciação do produto carne e pela valorização de animais de qualidade dos fornecedores. Já estávamos meio acostumados a dizeres como “Carne Premium não sente crise” e outros ditos similares. Quase acreditávamos que esse produto poderia passar ileso por maus humores do mercado, crises da economia e escândalos recentes. Não foi bem assim. 

E o terneiro? O que tem a ver com essa conversa toda? 

Pois bem. Que o ano nos apresentaria um mercado menos atrativo para a venda de bezerros, já era esperado por todos nós. O que talvez não estivéssemos atentos é que, o que era “diferenciado” há poucos anos, hoje não é mais. O que tinha alta demanda e disputa pelos compradores teve até dificuldade de liquidez neste ano.

Gosto de dizer que nos animais (e em tantos outros produtos) os diferenciais são móveis. Logo, o trabalho de vender animais superiores é uma tarefa sem fim, pois de tempo em tempo novas características deverão ser incorporadas para manter o produto com o status de “diferenciado”.

Existe também um dizer que parece “filosofia de palestrante” e aprecio muito: “Quando sabemos as respostas, mudam as perguntas”. Aplica-se perfeitamente à venda de terneiros “diferenciados” e também como reflexão para os programas de carne de qualidade. O modelo usado até o momento foi bom e ajudou muito no crescimento do uso da genética Angus e Hereford. Talvez seja momento de reinventar-se.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Junho, 2017)

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Plano Safra: Erros e acertos do governo

O Plano Safra 2017/2018 foi oficialmente divulgado nesta quarta-feira. Durante o dia conversei com um time de especialistas que avaliou os principais erros e acertos do governo nas regras de financiamento para custeio e investimentos do novo período. Os elogios ficaram concentrados nos incentivos para a armazenagem com redução de juros e aumento na oferta de recursos em programas como o Moderfrota, por exemplo. Já as críticas continuaram fortes sobre o custo do dinheiro e a burocracia para acesso de recursos, que acabam deixando muito produtor de fora do crédito oficial.
As principais mudanças nas regras deste ano foram o leve aumento no volume de recursos divulgados, com total de R$ 190,2 bi e juros iniciais de 6,5% ao ano, para duas áreas específicas, armazenagem e inovação. Nos demais segmentos de custeio e investimento as taxas partem de 7,5% ao ano, o que representa 1 ponto percentual abaixo do cobrado no ano passado. O setor queria juros menores, que tivessem acompanhado o intenso ritmo de cortes na Selic, a taxa básica de juros do Brasil, que saiu de 14,25% para 10,25% a.a. nos últimos meses.
O Blog separou algumas das principais entrevistas de hoje para você conferir:
O economista-chefe da Farsul criticou o baixo volume de crédito oficial acessado no último Plano Safra e chamou atenção que problemas como esse não podem voltar a se repetir:
Na linha de investimentos, a Abimaq elogiou o aumento de recursos para linhas como o Moderfrota.
Já o ex-secretário de política e comentarista do Canal Rural, Benedito Rosa, criticou o encurtamento no prazo de pagamento dos financiamentos de algumas das linhas de créditos oficiais.
O Plano Safra 2017/2018 começa a vigorar no próximo dia 01 de julho deste ano.

Publicado por: kellen_severo

Pequenos e médios frigoríficos estão prontos para assumir possível espaço deixado pelo JBS

Péricles Salazar - Pres. Associação Brasileira Frigoríficos
O envolvimento da JBS em escândalos de corrupção alterou a dinâmica do mercado do boi e das carnes. Desde então, o maior indústria de processamento animal do mundo, deixou de adquirir grandes volumes de matéria prima muito em função de uma postura cautelosa dos produtores brasileiros.
Embora não haja uma direção definida a seguir neste momento, alguns movimentos já indicam a possibilidade de reestruturação das dinâmicas até aqui impostas.
Segundo o presidente da Abrafrigo (Associação Brasileira dos Frigoríficos), Péricles Salazar, no Mato Grosso - estado com maior rebanho - é possível acompanhar com mais intensidade uma evolução dessas mudanças.
"Enxergamos toda essa situação como uma oportunidade para pequenas e médias indústrias. É possível que em seis meses tenhamos uma realidade diferente nesses mercados", diz Salazar.
Até aqui, a JBS adotou política de adquirir plantas e manter boa parte delas fechadas. Essa estratégia, porém, deverá facilitar a entrada de novas empresas e o fortalecimento de outras já operantes.
De acordo com o presidente há notícias de que a JBS pretende fechar novas unidades, abrindo "caminho tanto na compra de bovinos, quanto no mercado de carnes", diz. Atualmente o ramo é composto 50% pelas grandes indústrias como JBS, Marfrig e Minerva e, os outros 50% por pequenos e médios.
Essa composição mostra que há "capacidade de suprir a demanda por parte dos consumidores, como também dos fornecedores de animais para o abate, no caso de uma solvência da JBS", ressalta Salazar.
Nesta terça (6), a JBS anunciou a venda suas operações na Argentina, Paraguai e Uruguai para subsidiárias da Minerva, pelo valor de US$ 300 milhões. "Essa notícia dá um sinal de quão grave está à situação", acrescenta o presidente.
A JBS informou que pretende utilizar os recursos obtidos com a transação para diminuir sua alavancagem financeira. A empresa terminou março com dívida líquida de 47,8 bilhões de reais. Em termos de alavancagem financeira, esse número equivalia a 4,2 vezes o Ebtida de 12 meses.
Na visão do presidente da Abrafrigo, a participação da JBS deve cair no mercado interno. Mas, diz não acreditar que essas 'oportunidades' com a saída da empresa, possam criar um novo monopólio no país.
"Confiamos que a política brasileira não erre pela segunda vez. Não teremos um novo BNDES como financiador", diz Salazar.
Mercado externo
No mercado externo as mudanças podem demorar mais tempo para acontecer. Segundo Salazar, ocupar o espaço da JBS exigiria a "realização de contratos e busca de clientes", que possivelmente ocorreria em maior espaço de tempo.

Por: Aleksander Horta e Larissa Albuquerque
Fonte: Notícias Agrícolas

Minerva compra nove unidades da JBS Mercosul

Empresa investiu US$ 300 milhões para adquirir três plantas no Paraguai, uma no Uruguai e cinco na Argentina

A Minerva Foods anunciou a aquisição de nove plantas frigoríficas da JBS Mercosul, sendo três no Paraguai, uma no Uruguai e cinco na Argentina. As aquisições se darão por meio de suas subsidiárias nestes países, com investimentos de US$ 300 milhões, sujeito a ajustes.
Com isso, a Minerva passará a ter unidades em cinco países sul-americanos: Brasil, Uruguai, Paraguai, Colômbia e, agora, Argentina. Além disso, as novas aquisições permitirão ao Minerva aumentar em mais de 50% a sua capacidade de abate, saltando dos atuais 17.300 cabeças ao dia para 26.400 cabeças/dia (acréscimo de 9 mil cabeças/dia).
A empresa ainda destaca que as unidades adquiridas têm certificação para embarcar seus produtos para mercados Premium, incluindo Estados Unidos, Japão e China.
Fonte: Minerva Foods

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ENTENDA PORQUE PODE IMPACTAR NO COMERCIO DE CARNES NOBRES DO RS.

A QUALIDADE E A PROXIMIDADE DE PAÍSES VIZINHOS COMO URUGUAI E ARGENTINA (PELA QUALIDADE) E  PARAGUAI E COLÔMBIA (POR PREÇOS COMPETITIVOS), PODEM FACILITAR A CONCORRÊNCIA E ENTRADA DE UM VOLUME MAIOR DE CARNE DE QUALIDADE EM NOSSO ESTADO, ATRAVÉS DE IMPORTAÇÕES FEITAS PELO FRIGORIFICO DE SUAS PLANTAS NO EXTERIOR.
Lund Negócios


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FONTE: ZERO HORA