quinta-feira, 14 de março de 2013

Fiscais culpam Mapa sobre denúncia de irregularidades em abatedouros


Após denúncias exibidas no programa Fantástico, agentes federais cobram posicionamento do órgão

por Globo Rural On-line
 Shutterstock
Reportagem levanta discussões sobre abates sem fiscalização no país (Foto: Shutterstock)
No último domingo (10/3), o programa de televisão Fantásticomostrou uma série de irregularidades cometidas porabatedouros sem fiscalização no país. A reportagem, que apresenta um caso de ameaça à saúde pública, causou polêmica e levantou discussões entre representantes da sociedade e autoridades do setor. 

Fiscais Federais Agropecuários, em nota à imprensa nesta terça-feira (13/3), disseram que as denúncias são “extramente graves” e que as péssimas condições de abate, armazenamento e transporte da carne bovina apontam o estado de ameaça a que consumidores estão sujeitos. 

Segundo os agentes, a principal causa da situação apresentada na reportagem é a “omissão e o desinteresse doMinistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)em se posicionar e agir para resolver os problemas”. OSindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) afirma que há muito alerta para as condições deste cenário, mas os dirigentes da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa não tomam iniciativa. 

Eles explicam que a responsabilidade de inspeção dos produtos de origem animal e vegetal está dividida nas instâncias administrativas federal, estadual e municipal. “Os fiscais federais respondem pela verificação da qualidade dos produtos comercializados entre Estados e com o exterior; os estaduais, entre os municípios do Estado; e os municipais, dentro dos municípios”, comenta a categoria em nota. De acordo com os fiscais agropecuários, “as três esferas administrativas atuam sem hierarquização definida e falta uma comunicação técnica condizente com a complexidade dos processos de fiscalização, o que também prejudica a atuação do fiscal de forma regular, profissional e padronizada”. Um fiscal federal não pode, por exemplo, autuar um estabelecimento cuja fiscalização seja de responsabilidade do município, mesmo que flagre uma irregularidade. 

A categoria aponta caminhos e soluções para melhorar o sistema de fiscalização, como o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), criado em 2006. Mas, segundo os fiscais, o sistema nunca foi colocado em prática. “A gestão adotada pelo Mapa enfraquece deliberadamente o Suasa, o que não permite a integração das três esferas – federal, estadual e municipal – de forma harmônica e organizada. As soluções propostas pela Anffa Sindical para a melhoria da fiscalização e combate às irregularidades sanitárias em abatedouros clandestinos não foram autorizadas pelo Ministério”, diz a nota. 

A nota diz, ainda, que a postura do Mapa “deixa a população vulnerável, pois permite que os consumidores comam alimentos que não passaram por nenhum controle de qualidade”. Para a Anffa Sindical, o Ministério “precisa assumir o papel de regente nesse processo e garantir a eficiência das ações de defesa agropecuária, em benefício da sociedade brasileira”. 

Globo Rural entrou em contato com o Ministério da Agricultura para que o órgão pudesse comentar as afirmações da Anffa Sindical, mas até o momento de fechamento desta nota o órgão não respondeu.

Entenda o caso e assista a reportagem do Fantástico sobre o abate sem fiscalização dos animais clicando aqui.
FONTE: GLOBO RURAL

O Fantástico gol contra: foi um gol de anjo, verdadeiro gol de placa

por Fernando Furtado Velloso
ffvelloso@assessoriaagropecuaria.com.br

Retornei de uma viagem técnica aos EUA neste domingo e vim com a mala cheia de assuntos para compartilhar nesta coluna, mas o programa Fantástico é insuperável e me aplicou uma bola nas costas.  Impossível ignorar a longa matéria veiculada, neste último domingo, contra a pecuária e a carne brasileiras.
Durante 12 minutos, o Fantástico mostrou e falou de: carne de gado no meio de cachorros e porcos, funcionários de frigoríficos sem camisa e sem higiene, uso de machados ao invés de equipamentos apropriados, ratos, insetos, poças de água suja, estercos de ratos, e por aí ladeira abaixo. Até o RS entrou no baile, e foi citado um frigorífico de Lavras do Sul, onde estão porcos criados no pátio do matadouro para fechar um ciclo de carne suja sendo alimento para mais carne suja. Para mais esclarecimentos ou pavor, ainda listaram-se as doenças com possível transmissão pela carne não inspecionada: Cisticercose, Listeriose, Toxoplasmose e Tuberculose.
O programa destacou que o Brasil tem um dos maiores rebanhos bovino do mundo e é hoje o líder em exportações de carne bovina. Mesmo ciente do impacto negativo da matéria seguiu jogando contra o patrimônio (como se diz no futebol). Depois da recente crise para o mercado da carne brasileira em relação ao caso da Vaca Louca no Paraná e dos permanentes embates com a Rússia, a matéria veio para colocar a cereja no bolo (deles).
A falta de imparcialidade do programa é comprovada pela fonte de informação usada, a ONG Amigos da Terra, e a estimativa de abates inapropriados informados por esta má fonte foi usada como base para toda a matéria. E assim chegou-se a conclusão que 1/3 da carne brasileira vem da boca do lixo. Para não ser injusto nesta crítica devo informar que, dos 12 minutos de programa, um minuto foi dado para mostrar situações corretas de boas empresas (bem proporcional no uso do tempo).
Sabemos das deficiências de nosso serviço oficial, especialmente nas pequenas indústrias com inspeção municipal ou estadual, mas o retrato mostrado no programa não é a realidade da maioria do gado abatido, especialmente no RS. O trabalho que está se desenvolvendo para o Sisbi prevê, simplificadamente, que indústrias com inspeção estadual terão status de SIF. Este é um tema sério e que deve ser mais discutido por nosso setor, pois o Sisbi pode nos levar a um cenário de mais falta de credibilidade.
Enquanto isso, na América, conhecemos o sistema de Classificação de Carcaças USDA, onde todos os abates são avaliados por um técnico do Departamento de Agricultura americano. Com auxílio de tecnologia de imagem (VideoScan), as carcaças são classificadas pelo serviço oficial e o produtor remunerado pela qualidade do produto. A questão sanitária é tão óbvia e básica que nem é discutida mais.
Voltamos à necessidade de melhor trabalhar setorialmente a produção de carne e a defesa de nossa atividade. De outra forma, ficaremos na postura de "azar do goleiro", mas o time é nosso. 
FONTE: FOLHA DO SUL

Casas de carne em SP – Bonsmara Beef, Intermezzo, Wessel e Empório Santa Maria








Hoje (12/mar) visitei quatro lojas que vendem carne de alto valor agregado em São Paulo com meu amigo Daniel Teixeira de Porto Alegre
Foi bem interessante, todos vendedores (as) sabiam explicar bem os cortes. O problema foi quando falavam sobre raças e cruzamentos, alguns erros apareceram. As lojas que visitamos foram:
  • Bonsmara Beef (como já conhecia a casa, acabei não tirando muitas fotos. Me arrependi)
  • Intermezzo
  • Wessel
  • Empório Santa Maria (mercado de produtos premium. Encontramos até o ator Marco Assunção por lá)
Fomos para conhecer, pesquisar e saber mais sobre este mercado. O que mais olhamos:
  • Condição das lojas e localização
  • Exposição dos produtos (aspecto em geral, carne exsudada ou não)
  • Embalagem (resfriadas, congeladas, à vácuo)
  • Cortes (quantidade, variedade, novidades)
  • Cortes processados
  • Nomenclatura dos cortes (inglês, espanhol, português)
  • Preços
  • Tipo de gôndolas (aberta, com porta)
  • Vendedores (roupas, conversa)
  • Entrega do produto comprado (embalagem, sacola, sacola térmica)
  • Produtos acessórios (sais, facas, tábuas, temperos, bebidas)
Veja as fotos:
Bonsmara Beef
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Intermezzo Gourmet
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Wessel
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Empório Santa Maria
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FONTE: BEEFPOINT

Grupo Marfrig demite 89 trabalhadores na unidade de São Gabriel (RS)


Por Andre Sulluchuco 
O Grupo Marfrig está dispensando trabalhadores nos últimos dias da unidade localizada em São Gabriel (RS), segundo informações de Caderno7.com.
Até esta segunda (11), 89 trabalhadores foram demitidos e o número tenderia a aumentar ainda mais. O Presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação de São Gabriel, Gaspar Neves, salientou que a situação é preocupante.
A companhia alegou falta de matéria-prima para abate para justificar as demissões, informou Gaspar. "Além disso, o que colabora também é a exportação de boi vivo, principalmente na região de Pelotas, o que torna a matéria-prima escassa. E isso é muito ruim para a região", frisou.
O Frigorífico possui atualmente 677 trabalhadores, sendo que 97 estão no INSS para perícia, por lesões decorrentes do trabalho. 
O presidente questionou a ação do Grupo Marfrig, desempregando trabalhadores mesmo recebendo incentivos dos Governos Federal e Estadual para gerar emprego.
"A empresa recebe recursos como empréstimos e benefícios do BNDES, está inscrita no Agregar Carnes RS (que deduz ICMS da empresa para investimentos) para manter os postos e demite trabalhadores, isso não podia acontecer, vamos cobrar também", disse.
"É uma preocupação nossa nos últimos anos. Só em 2011, mesmo, foram 200 demissões, e a unidade tem realizado abates muito pequenos, com pouca matéria-prima", adicionou.

FONTE: CarneTec

quarta-feira, 13 de março de 2013

URUGUAY - PREÇOS DE GADO DE REPOSIÇÂO

REMATE DE LOTE 21

Local: Hipódromo de Maroñas12 de marzo Montevideo
 MínimoMáximoPromedio
Ovinos---
Corderos dl
-
-
1,57
Ovejas cría
-
-
50
Bovinos
-
-
-
Terneros hasta 140 kilos
2,70
3,22
2,88
Terneros más de 140 kilos
2,30
3,01
2.60
Promedio general de terneros
2,30
3,22
2,66
Novillos 1 a 2 años
1,90
2,46
2,12
Novillos 2 a 3 años
1,80
2,01
1,88
Novillos más de 3 años
-
-
1,86
Terneros Holando
1,57
1,70
1,67
Novillos Holando 1 a 2 años
1,60
1,64
1,62
Vacas invernada
1,58
1,68
1,64
Terneras
1,91
2,42
2,14
Terneros/as
2,02
2,46
2,25
Vaquillonas 1 a 2 años
1,74
1,95
1,81
Vaquillonas s/servicio
1,68
1,73
1,71
Vaquillonas preñadas
625
810
733
Vacas preñadas
640
740
700
Vientres entorados
-
-
560
 Fuente: Lote 21Precio US$/Cab.

terça-feira, 12 de março de 2013

Mendes Ribeiro pode ser afastado do Ministério da Agricultura, diz Carolina Bahia


Mudança faz parte de uma mini reforma ministerial que deve ser promovida pela presidente Dilma Rousseff nos próximos dias



Daniel Conzi
Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS
Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, pode ser deslocado para a Secretaria de Assuntos Estratégicos
A presidente Dilma Rousseff pode dar início a uma mini reforma ministerial ainda nesta semana. Segundo informações da jornalista Carolina Bahia, uma das principais mudanças previstas seria o afastamento de Mendes Ribeiro Filho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
A proposta, que teria sido apresentada pelo PMDB à presidente Dilma, seria de deslocar Mendes Ribeiro para a Secretaria de Assuntos Estratégicos. O deputado Antônio Andrade, do PMDB de Minas Gerais, seria o nome indicado para ocupar o cargo de ministro da Agricultura.
Ainda de acordo com a jornalista, o objetivo da troca seria acomodar o PMDB de Minas Gerais, que ameaça apoiar Aécio Neves nas eleições presidenciais de 2014, dentro do governo federal.
fonte: CANAL RURAL

Carne será o primeiro item a ter preço reduzido no Rio Grande do Sul devido ao corte de impostos

Fernando Gomes
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Produto terá baixa imediata por ter alto consumo e ser adquirido diariamente pelo setor

O primeiro item da cesta básica a ter seu preço reduzido ao consumidor no Rio Grande do Sul pelo corte de tributos é a carne. Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, o produto terá baixa imediata por ter consumo elevado e ser adquirido diariamente pelo setor. As outras mercadorias impactadas pela desoneração terão seus preços diminuídos a partir de quarta, dia 13. O efeito total da queda de preço deve ser sentido pelos consumidores em até 15 dias.
Longo prevê diminuição média imediata de 6,7% nos preços dos itens da cesta básica dos brasileiros. A redução de preços ao consumidor, que deve variar entre 3% e 15%, dependendo do produto, não será o único benefício do corte de PIS/Cofins e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Conforme o presidente da Agas, a baixa dos preços deve ocasionar um aumento direto de 8% no poder de compra das famílias com renda de até dois salários mínimos e gerar cerca de 880 mil novos postos de trabalho em todo o país.
>>Leia a matéria original em zerohora.com
ZERO HORA

segunda-feira, 11 de março de 2013

FPA articula revisão das leis do trabalho rural


A ideia é rever alguns aspectos das leis atuais e elaborar uma espécie de "CLT rural", específica para o setor

Do Valor Econômico

A bancada ruralista no Congresso Nacional começou a articular um trabalho para a revisão da atual legislação trabalhista rural, considerada por ela como atrasadas e impeditiva do desenvolvimento agrícola brasileiro.

Atualmente, é a Lei 5.889 de 1973 responsável por regular o trabalho rural. Para o que não está previsto naquela lei, aplica-se a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de 1943. A ideia é rever alguns aspectos das duas e elaborar uma espécie de "CLT rural", específica para o setor.

Para tanto, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) contratou um escritório de advocacia que fará um levantamento das propostas de interesse do setor e sugerirá novos projetos, a partir de uma ampla consulta dos diversos setores agropecuários do país.

Depois que isso for feito, será definida a estratégia política para que ela avance no Congresso. Podem ser vários projetos esparsos ou todos reunidos em um só texto. Alguns pontos já são dados como certos, como a possibilidade de várias horas extras e a sobreposição dos acordos entre empregadores e empregados sobre a legislação.

Fala-se também em ajustes no regramento sobre a terceirização do trabalhador rural. Atualmente, a lei que rege essa forma de contratação impede que pessoas físicas ou jurídicas terceirizem funções relacionadas às suas atividades-fim. Na agricultura, essa vedação impede as contratações extras durante as colheitas, quando é necessário um número muito maior de trabalhadores do que o existente nas propriedades rurais.

Outro alvo é a Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura, conhecida como NR-31. Expedida pelo Ministério do Trabalho mediante uma portaria em março de 2005, ela traz definições específicas sobre as condições de trabalho. Os ruralistas a consideram exagerada e inaplicável. Querem modificá-la. Desejam também que uma nova legislação transfira ao Legislativo a competência para elaborar normas desse tipo, cabendo ao Executivo apenas sua fiscalização.

"Há muitos itens que, se retirados, não farão falta nem aos trabalhadores. Mas da forma como foi elaborada, a NR 31 não foi feita para beneficiar os trabalhadores, mas para punir o empregador. Com o trabalho, não vamos criticar ninguém. Só queremos mostrar que é impossível cumprir todas as 252 exigências", disse na semana passada a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

O vice-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, deputado Moreira Mendes (PSD-RO) disse que a ideia não é retirar direitos, mas flexibilizar alguns pontos. "Precisa ter uma legislação nova que, sem suprimir direitos garantidos pela CLT, possa resolver os problemas que a atual legislação tem nos causado", afirmou.

Alguns projetos deverão sair da conclusão dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo, cujos trabalhos estão em fase final. "Vamos definir o que é trabalho escravo, trabalho degradante e jornada exaustiva e incrementar essas definições da proposta de emenda constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que está no Senado", disse o vice presidente da FPA, deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS). Segundo os ruralistas, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a colocar os projetos na pauta.



Abate de fêmeas produz queda de 2% no rebanho de MT



Aumento do custo de produção e redução no preço da arroba do boi leva criadores a investir apenas na recria e engorda

A pecuária de Mato Grosso fechou o ano de 2012 com custos de produção superiores aos preços pagos pela arroba do boi. Este é um dos motivos que está levando o criador mato-grossense a matar as fêmeas e, consequentemente diminuir o rebanho do estado. A média de redução tem atingido cerca de 2% ao ano.

O superintendente da Associação de Criadores do Estado de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari explica que nos últimos 12 meses o preço da arroba do boi teve uma redução de 9%. "Neste mesmo período o custo de produção aumentou em média 5%. Ninguém consegue fazer melhoramento genético e aplicar novas tecnologias sem renda".

Dificuldade de acesso ao crédito, alto custo de grãos, aumento no preço da mão de obra, logística para transportar o animal até o frigorífico, situações ambiental, fundiária e vários outros fatores também influenciam na renda do pecuarista. O Criador Luis Antônio Felippe reclama que com todas essas dificuldades é difícil fazer investimentos.

Para o pecuarista Wallace Antunes foi a analise desta relação custo de produção e rentabilidade que fez com que ele deixasse de investir na cria. "A recria e engorda nos rende de 8% a 10% a mais que a cria". Ele diz ainda que o custo da bezerra com até 10 meses chega a ser de R$ 500. Já um macho com a mesma idade custa cerca de R$ 700. "Mesmo com essa diferença de valores o abate de fêmeas está compensando".

Com um rebanho de cerca de 3.300, na região de Cáceres, Wallace conta que pelo menos 40% do gado que engordas em sua propriedade são fêmeas. "Também usamos o confinamento para terminar esses animais, ou seja, buscamos todo tipo de alternativa para ampliar nossa renda".

Na média estadual, 47% dos animais enviados aos frigoríficos foram vacas em 2012. Isso equivale a cerca de 2.3 milhões de cabeças abatidas de janeiro a novembro do ano passado. Em algumas regiões esse percentual foi ainda maior, ou seja, no Noroeste de Mato Grosso chegou a 56%.

Esse abate de vacas que está ocorrendo nos últimos tempos será sentido daqui a dois anos. A tendência é que a oferta de bezerros seja bem menor e com isso o custo para repor os animais no pasto irá aumentar. O superintende da Acrimat explica que o produtor está sem alternativa e, por isso está abatendo fêmeas. "Quando não se tem renda a alternativa é se desfazer do estoque que para o pecuarista é a fêmea".

A oferta e o custo da arroba magra da fêmea tem sido interessante em relação ao preço final da arroba da vaca, já o macho tem tido um ágio muito significativo. "Apesar da conversão alimentar do macho ser bem superior, esse favorecimento do custo da arroba magra da fêmea tem nos optado a fazer a recria da engorda da fêmea", enfatiza Wallace.


Ministério da Agricultura promove ações que garantem bem-estar animal


Coibir os maus tratos a animais durante o abate é uma preocupação permanente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Pensando nisso, o Ministério da Agricultura por meio de uma parceria com a Wspa (World Society for the Protection of Animals - Sociedade Mundial de Proteção Animal), promove cursos pelo Brasil de capacitação em bem-estar animal e abate humanitário de bovinos, suínos e aves.

O treinamento é resultado de um acordo firmando entre o Mapa e Wspa, em 2008, para a elaboração do Programa Nacional de Abate Humanitário. Por meio de capacitações e treinamentos de profissionais que atuam em fazendas, granjas ou frigoríficos, o programa tem como objetivo melhorar o manejo pré-abate, bem como o abate dos animais.

Entre julho de 2009 e junho de 2012, o programa capacitou cerca de 4.550 profissionais de frigorífico, fiscalização e docentes de instituições, incluindo as capacitações nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Pará, Bahia e Rondônia. Em 2012, foram treinados 678 técnicos profissionais em bem-estar animal.

Em 2013, Brasil e União Europeia assinaram protocolo de cooperação técnica em bem-estar animal durante a 6ª Cúpula Brasil União Europeia. A parceria prevê um Grupo de Trabalho para intercâmbio regular de informações e cooperação técnica para a melhoria dos sistemas de criação dos animais destinados a produção de alimentos, do seu nascimento ao momento do abate.

Outra ação sob avaliação do Ministério da Agricultura, em parceria com a Casa Civil, estuda apresentar um Projeto de Lei para ampliar os serviços voltados ao bem-estar animal.

Violação das práticas de abate humanitário
Com relação aos animais que são abatidos sem os devidos controles previstos na legislação veterinária vigente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa que estados e municípios têm total autonomia de legislação e de gestão sobre as práticas utilizadas. Os estabelecimentos que adotam tais procedimentos que violam as práticas de abate humanitário, descrito na Instrução Normativa nº 3/2000, estão sujeitos a sanções cabíveis no caso, que vão desde multas à suspensão do abate. O Mapa concluiu este ano a revisão desta IN com o objetivo de elevar o nível de proteção dos animais no momento do abate. Em breve a proposta da Instrução será submetida à Consulta Pública.

Quanto a denúncias de abates irregulares, o Ministério da Agricultura participa e sugere ações conjuntas com os órgãos da agricultura, como Secretarias de Agricultura Estaduais e Municipais, órgãos componentes do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (Snvs) e do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (Sndc), com posterior comunicação ao Ministério Público Estadual e/ou Federal.

Atualmente, existem 277 estabelecimentos de matadouros de bovinos e 126 de suínos registrados junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura.

Transporte X qualidade

O bem-estar animal no transporte rodoviário e a garantia da procedência da carne brasileira são desafios perseguidos pelo Mapa para garantir um produto de qualidade na mesa do brasileiro. As ações de fiscalização já começam no transporte, onde o animal sofre forte stress. Atento, o ministério é o responsável por propor normas e recomendações técnicas de boas práticas para o bem-estar do animal de produção.

As ações prosseguem no próprio estabelecimento, onde o animal repousa (durante 6 a 24 horas), antes de ser abatido. É o momento de repor as energias, se adaptar ao novo local e para a observação de seu comportamento por médico veterinário especializado, que tomará as medidas cabíveis caso haja alguma alteração. Em um estabelecimento de abate de bovinos, certificado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), o animal é submetido a uma série de análises e exames, antes e após o abate, para garantir ao consumidor final um produto de qualidade. A constatação de alterações nos animais antes do abate determina sua separação do lote e evita a entrada de animais portadores de doenças infecto-contagiosas na sala de abate, que além de atentar contra a saúde pública, contaminam as instalações e equipamentos. Enquadram-se neste tipo de doenças: a raiva, o tétano, o carbúnculo, entre outras.

O Ministério está trabalhando na normatização do transporte de animais de produção com foco no bem-estar animal.

SIF X Procedência

O Ministério da Agricultura também está atento e ressalta a importância de regular o transporte e o abate desses animais, sob pena de riscos de contaminação da carne e da toxinfecção alimentar. Por isso, o Mapa chama atenção para a importância da compra de produto bem embalado, refrigerado e, principalmente, com o selo do SIF que atesta a qualidade. A orientação é para procurar sempre um produto que seja 'sifado' e que tenha procedência de um local que o consumidor conheça.

O SIF tem o controle da origem dos produtos. Cada animal abatido é fiscalizado por uma equipe do Mapa composta por veterinários e auxiliares, além de profissionais contratados pela própria empresa. Em caso de detecção de irregularidades no procedimento de colocação do SIF, o processo de produção é interrompido, há a autuação do estabelecimento e a avaliação do risco para a produção. O processo só é retomado quando a empresa apresentar um plano de prevenção. As vistorias nesses estabelecimentos são diárias e já começam antes do início da produção.

Dados do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) apontam para 277 os abatedouros de bovinos sifados no País. No ano passado, foram analisadas 75.020 amostras de produtos de origem animal, sendo que 94% apresentaram conformidade com os padrões legais vigentes.

O Serviço de Inspeção Federal atua junto a cada estabelecimento, exigindo as boas práticas de fabricação e examinando os animais, antes e após a sua morte, descartando quaisquer produtos que sejam considerados impróprios para consumo.

O que diz a lei sobre a fiscalização de produtos de origem animal

As fiscalizações do Ministério da Agricultura se referem às produções que circulam entre estados e para exportação, cabendo por Lei aos estados (fiscalização de circulação intermunicipal) e municípios (apenas no município).

Importante ressaltar que é obrigatória a prévia fiscalização, sob o ponto de vista industrial e sanitário, de todos os produtos de origem animal, e conforme estabelecido pela Lei nº 7.889 de 23/11/1989. A referida fiscalização de estabelecimentos devidamente registrados em órgão município/estado que aderiram ao Sisbi/POA de forma voluntária prioritariamente promovem a proteção à saúde da população, pois existe a necessidade de promoção de atividades que objetivem a redução da produção e comercialização de produtos de origem animal sem inspeção oficial.

Tal fato agrega valor aos produtos elaborados no município em decorrência da garantia da qualidade regulamentar e, por conseguinte, a inocuidade daqueles que são entregues ao consumo, além de promover o recolhimento de impostos e incentivo ao emprego formal com qualificação de mão de obra.

Exportação de carne cresce 29% em fevereiro


Apesar dos números serem positivos os produtores preferem não falar em crescimento

Fevereiro teve a carne como destaque nas exportações brasileiras. É o que mostra o relatório do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em Mato Grosso o produto ocupa segundo lugar na lista dos itens mais exportados. Os valores de vendas saltaram de US$ 14,3 milhões para US$ 19,5 milhões, o que representa um aumento de 29,3% em relação ao acumulado de fevereiro do ano passado.

Mato Grosso é responsável por 16% das exportações nacionais de carne bovina. O superintendente da Acrimat, Luciano Vacari ressalta que esse aumento nos número só confirma a estimativa de retomada do mercado e ainda não pode ser considerado crescimento. Ele conta ainda que a pecuária mato-grossense tem vivido uma grande crise nos últimos tempos. "O ano passado ainda foi ruim. A expectativa é que 2013 possamos consolidar essa retomada".

No ano passado mesmo com o aumento de 10% no volume das exportações de carne bovina mato-grossense houve uma redução de 9% no valor da arroba. Luciano enfatiza que, neste momento é importante aumentar não só o volume de vendas, como também os valores. "Também precisamos pensar na ampliação e na conquista de novos mercados".

Suinocultura - As exportações diárias de carne suína passaram de US$ 4,5 milhões em fevereiro de 2012 para US$ 5,4 milhões no mesmo período de 2013, ou seja, um avanço de 15,1%. Houve também aumento no volume de embarques. No caso da carne suína, o acréscimo foi de 12,3%.

Em Mato Grosso, apesar da Associação dos Criadores de Suínos (Acrismat) ainda não ter os números oficiais referentes às exportações de fevereiro de 2013, o secretário executivo da Acrismat, Custódio Rodrigues garante que houve crescimento nas exportações do Estado. "Não tivemos aumento nos preços".

Mesmo com números positivos, Custódio é cauteloso e prefere falar em recuperação da última queda dos preços. Ele destaca que a expectativa é de um crescimento de 10% na suinocultura mato-grossense em 2013. "Estamos otimistas".

Este ano, segundo Custódio, está sendo atípico. Ele explica que normalmente há um aumento no preço da carne suína no fim do ano e depois uma queda durante o período Quaresma, quando diminui o consumo e, consequentemente, aumenta a demanda. "Este ano o preço se manteve estável e isso é importante para concretizar a estabilidade do mercado".

O balanço nacional foi divulgado pela Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa) baseado nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).