quinta-feira, 16 de abril de 2015

Gisele Loeblein: RS em busca do status de zona livre de febre aftosa sem vacinação.

Caberá ao médico veterinário Bernardo Todeschini, chefe do serviço de saúde animal da superintendência do Ministério da Agricultura no Estado, a tarefa de coordenar o subgrupo de trabalho do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) para tratar da questão da febre aftosa. O antigo debate da necessidade – ou não – da vacina ganhou corpo a partir da decisão do Paraná de optar pela não imunização – a próxima campanha, em maio, deve ser a última.
O objetivo, explica Todeschini, é ter enfoque técnico-científico. O primeiro passo será verificar quais as condições necessárias para o avanço de status – hoje, o Rio Grande do Sul é livre da doença com vacinação. Cada item levantado será checado de maneira quantitativa.
– A partir disso, monta-se um futuro plano de ação – explica o veterinário, que de 2010 a 2013 trabalhou na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), entidade que reconhece o status sanitário.
E não é apenas a pressão vinda dos Estados da região que faz o tema ser retomado. O cenário vivido no RS é muito diferente, afirma o especialista. Em outras palavras, “evoluiu muito”.
– Esse movimento de agora tem uma base mais sólida do que no passado – entende Todeschini.
O último foco da doença foi registrado no Estado em 2001. Não existe circulação do vírus no território gaúcho desde 2002. O avanço do status sanitário permitiria o acesso a mercados hoje restritos.
– A retirada da vacina é uma meta. Mas ainda não tem data definida – diz Rogério Kerber, presidente do Fundesa.
Nesta quarta-feira, na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) – que reúne RS, SC, PR e MS – também foi criado grupo de trabalho para tratar do tema. Segundo o secretário de Agricultura gaúcho, Ernani Polo, que assumiu a coordenação da Comissão de Agricultura, o objetivo é a busca do status de zona livre da doença sem vacinação. Hoje, só os catarinenses têm essa condição.
debate está mais uma vez posto. Resta saber no que vai dar.
Fonte: Zero Hora

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ano complicado para as pastagens cultivadas de inverno


Este começo de outono de 2015 está se mostrando complicado para implantação de pastagens cultivadas de inverno.
Fatores como verão chuvoso e temperaturas altas promoveram um grande acúmulo de matéria verde nos campos do Rio Grande do Sul, tornando mais difícil a limpeza de pastagens de ressemeadura e o preparo de áreas de primeiro ano.
Em conversa com alguns produtores podemos observar que onde era realizada uma dessecação no início de fevereiro, neste ano foram necessárias duas ou três para obter o mesmo resultado.
A falta de chuva também atrapalhou quem desejava fazer a implantação no cedo, com o intuito de ter pastoreio no final de abril e início de maio.
Pode-se também observar que nas áreas de soja já colhidas, onde normalmente havia azevém de ressemeadura (também conhecido como azevém guacho) estão limpas, sem brotação ainda.
No quesito custo pode-se observar um aumento médio de 50,0% no valor pago na semente de azevém comum, 31,5% em alguns tetraploides e diploides de ciclos mais longos, 30,0% no diesel, 33,0% em adubos como MAP e DAP e 37,5% na ureia.
Estas altas estão intimamente ligadas à valorização do dólar, ocorridas neste período.
No caso especifico das sementes, além da desvalorização do real para a importação do Uruguai. A colheita de 2014 foi aquém do esperado, o que promoveu um desabastecimento e elevou o preço do produto.
Vamos exemplificar.
Para implantação de uma pastagem consideremos os seguintes itens/hectare:
– 3 litros de glifosato;
– 30 kg de azevém comum;
– 150 kg de DAP;
– 100 kg de ureia;
– 15 litros de diesel;
No ano passado esta pastagem custava R$485,00/ hectare. A mesma pastagem custa R$645,00/hectare, ou seja, alta de 33% para implantação.
Se transformarmos este desembolso em kg de boi nos mesmos períodos veremos que este aumento não foi tão significativo quanto parece, Pois o boi também subiu neste período.
No caso do ano passado necessitaríamos de 57,7 kg contra 63,2 kg em 2015; um aumento de 9,5%, bem menor que os 33,0% se levarmos em conta somente o preço.
Todo este cenário é acompanhado de uma valorização da reposição, que foi puxada pela alta do boi gordo.
Creio que em 2015, a palavra de ordem será GESTÃO, tanto de custos , fazendo reduções orçamentárias sem perda de eficiência econômica, como de processos para poder produzir uma quantidade maior de kg em um período menor de pastoreio, devido ao possível atraso da entrada dos animais nas pastagens.
Por Eduardo Castilho

Kátia Abreu anuncia R$ 9 bilhões em crédito para pré-custeio da safra


Os recursos para o pré-custeio da safra somarão R$ 9 bilhões este ano, anunciou nesta terça-feira (14) a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, ao sair de reunião no Ministério da Fazenda. As linhas de crédito de pré-custeio financiam a compra de insumos como fertilizantes e defensivos agrícolas antes do início de cada safra.

De acordo com a ministra, as condições dos empréstimos, como juros, carência e prazo, serão anunciadas nesta quarta-feira (15). Do montante total, R$ 7 bilhões sairão do Banco do Brasil, e os R$ 2 bilhões restantes, da Caixa Econômica Federal.

“Estão faltando apenas detalhes [para anunciar as linhas de crédito para o pré-custeio]. Os recursos já estão disponíveis. Vão sair R$ 7 bilhões do Banco do Brasil e R$ 2 bilhões da Caixa. Os R$ 7 bilhões no Banco do Brasil são para a agricultura geral [pequenos, médios e grandes produtores] e os R$ 2 bilhões da Caixa, com juro menor, para o Pronamp [programa para médios agricultores]”, disse a ministra.

Mais cedo, os dois bancos tinham anunciado o orçamento das linhas de crédito, sem detalhar as condições dos empréstimos. Para a safra 2014/2015, as linhas do pré-custeio têm taxa média de 6,5% ao ano. Por causa do ajuste fiscal, o governo aumentou juros dos financiamentos subsidiados, como as linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, a ministra não informou como ficarão as taxas para esta safra.

Produtores rurais e entidades como a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) vinham reclamando da demora na liberação dos recursos das linhas de pré-custeio. Tradicionalmente, o governo libera os empréstimos entre o fim de fevereiro até meados de março.

Agência Brasil

domingo, 12 de abril de 2015

Pressão no mercado do boi gordo no RS

Há uma tendência sazonal de pressão nos preços do gado gordo no Rio Grande do Sul em março e abril, segundo o histórico. Figura 1.
Figura 1. Variação mensal dos preços do boi gordo, no rio Grade do Sul, de 2003 a 2014
Variação de preços do boi no RS
Fonte: Scot Consultoria / Lance Agronegócios
Este gráfico representa o comportamento de preços, numa média de 11 anos, no Rio Grande do Sul.
Nele, temos uma queda de 0,9% em março e de 2,1% em abril. Movimento que normalmente acontece em função do descarte das fêmeas que falharam na estação reprodutiva e que já tinham boa condição corporal (prontas para o abate ou quase). Esta categoria permite um engorde rápido, pela baixa exigência nutricional, antes do vazio forrageiro de maio e junho. Isto, somado à oferta final de animais oriundos da engorda de verão, com pastagens cultivadas e campo nativo causa nas cotações.
Este ano, o movimento está bastante parecido, até o momento. Veja na figura 2.
Figura 2. Variação mensal dos preços do boi gordo, no Rio Grande do Sul em 2015.
Preços do boi no RS em 2015
Fonte: Lance Agronegócios
Abril já começou com 2% de queda, o que significa que a retração pode ser maior um pouco maior que a média histórica. Nos últimos 4 anos temos observados amplitudes de oscilações maiores que em anos anteriores.
Até o momento, os movimentos estão muito parecidos, o que indica que o comportamento das cotações no resto do ano também pode ser parecido. Com boas altas em maio, junho e julho, e novas quedas em agosto, setembro e outubro.
Mas sempre devemos ter cuidado com as oscilações do mercado do boi, devemos nos basear em históricos e adicionar a conjuntura atual para podermos ver as tendências com mais acurácia.
Para as próximas semanas a expectativa é de que os preços do boi gordo continuem pressionados, porém, com a falta de suporte forrageiro que geralmente ocorre em maio, e a consequente diminuição da oferta de animais para abate, as cotações devem ganhar firmeza no próximo mês.
Utilize as variações do mercado como ferramenta para elaborar um bom planejamento de comercialização, o que pode melhorar muito o resultado final do sistema de produção.
Qualquer dúvida entre em contato com nossa equipe pelo site www.lanceagronegocios.com.br ou pelo e-mail renato@lanceagronegócios.com.br
Por Renato Fagundes Bittencourt

sábado, 11 de abril de 2015

CATÁLOGO

Catalogo do Leilão Certificado Nº 6
Dia : 23.04.2015 Segunda-feira
Transmissão: C2Rural
Hora: 21h
clique na foto para visualizar


Selo "Pampa Gaúcho" poderá ter carne comercializada ainda no primeiro semestre

Guatambu participa do projeto
Guatambu participa do projeto
Crédito: Eduardo Rocha/Especial FS
Previsto para iniciar no mês de julho, o selo de origem “Pampa Gaúcho” pretende ressaltar a qualidade da carne produzida em propriedades que conservem pelo menos 50% de seus campos nativos. A iniciativa é uma ação da Alianza Del Pastizal – organização que trabalha para a preservação ambiental em países como o sul do Brasil, a Argentina, o Uruguai e o sul do Paraguai. A empresa parceira da Alianza nesse projeto é o grupo Marfrig e o foco das raças que participarão está no Angus e no Hereford.
A Alianza del Pastizal, atualmente, conta com mais de 100 propriedades certificadas, sendo que, dentro do acordo entre a Marfrig e a organização, estarão presentes 24 estabelecimentos, em municípios como Bagé, Dom Pedrito, Lavras do Sul, Pedras Altas e Quaraí. Essas propriedades que foram habilitadas para o projeto irão fornecer 15 toneladas de carne por mês. O processo de certificação encerrou no final do mês de fevereiro. A expectativa é de que essa carne passe a ser comercializada ainda no primeiro semestre de 2015.

Valorização da origem do produto
O engenheiro agrônomo e representante da Alianza del Pastizal no Rio Grande do Sul, Marcelo Fett Pinto, declara que o programa de certificação da Alianza é um modelo de valorização, tanto do produtor que promove boas práticas de conservação na sua propriedade, “como para o consumidor final de carne e couro, que saberá que sua compra estará incentivando a conservação de um bioma tão importante e ameaçado como o pampa”, aponta.
Opinião dividida pelo gerente de sustentabilidade do grupo Marfrig, Mathias Almeida, que avalia de forma muito positiva o acordo, pois possibilita a oportunidade de promover um produto com garantia de origem, valorizando o trabalho e a tradição do pampa. Almeida informa que os abates dos animais irão ocorrer na planta de Bagé.
O gerente também ressalta que está sendo feito um trabalho para que a venda de carne no mercado nacional ocorra através de parceria com grande rede varejista. Além disso, serão desenvolvidas opções de uso do couro certificado para marcas de luxo na Europa, o que poderá, segundo Almeida, trazer ainda mais visibilidade ao projeto. O público alvo consumidor serão pessoas que valorizam a origem do produto, como práticas sustentáveis de produção. “Assim, esperamos aproximar o consumidor do produtor, mostrando a importância da conservação dos campos nativos no fornecimento de carne responsável e de alta qualidade”, destaca.
Já Pinto aponta também como tendência cada vez maior entre os consumidores aspectos ecológicos e estilo de vida, associados aos manejos de inocuidade alimentar. "Nossa carne tem excelentes propriedades nutracêuticas, é produzida em ambientes com alta biodiversidade e com eficiente e convergente eficiência produtiva e sustentabilidade ambiental, uma feliz coincidência, característica dos sistemas produzidos em pastizales naturales do Cone Sul.

Propriedade apoia certificação
Uma das propriedades que integra o programa pertence à Estância Guatambu, de Dom Pedrito. No caso, a propriedade certificada é a Estância Leões, com 1,7 mil bovinos em sistema de cria e recria, resultando em engorda de 800 bovinos precoces que são enviados ao mercado todos os anos.
O proprietário da Guatambu, Valter José Pötter, reitera a importância do projeto para a empresa. “Sem dúvida, de grande valia para a Guatambu, ainda mais que estamos participando de um outro grande projeto, também na questão ambiental, que se chama Biomas do Brasil. No nosso caso,  a Embrapa recebeu, por nove anos, 32 hectares de terra para desenvolver vários testes e ensaios de produção e conservação sustentáveis. Quanto à certificação, deve-se ressaltar que os animais podem ser manejados, em parte da vida, em campos enriquecidos com espécies invernais cultivadas, mas conservando um mínimo de 50% de campo nativo. Assim, torna-se possível intensificar e produzir animais jovens gordos conservando grande parte do campo nativo”, explica o produtor.
fonte: Folha do Sul

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Brasil fatura US$ 1,3 bi com exportações de carne bovina

A indústria de carne bovina brasileira registrou um faturamento de US$ 481 milhões nas exportações em marçoFoto: DivulgaçãoA indústria de carne bovina brasileira registrou um faturamento de US$ 481 milhões nas exportações em março
Em março, país registrou aumento nas exportações da carne - tanto em faturamento quanto em volume. Irã e Rússia apresentaram maior crescimento

A indústria de carne bovina brasileira registrou um faturamento de US$ 481 milhões nas exportações em março, com embarques de mais de 116 mil toneladas. Comparado a fevereiro, os números mostram recuperação: crescimento de 7,6% em faturamento e 13,85% em volume. No primeiro trimestre, as exportações totalizaram US$ 1,3 bilhão.
Dos dez principais países importadores da carne brasileira, o Irã e a Rússia foram os mercados que mais apresentaram crescimento em março, tanto em faturamento como em volume. Para o Irã foram enviadas 8.827 toneladas de carne - crescimento de 99% com relação ao mês de fevereiro - com faturamento de US$ 31,6 milhões - aumento de 92% comparando com o mês anterior.
Já a Rússia que, em fevereiro, ocupou o quinto lugar no ranking, subiu duas posições, em março de 2015. O País comprou pouco mais de 17 mil toneladas de carne brasileira, 49,63% a mais que fevereiro, o que gerou um faturamento de US$ 58 milhões, 54,45% maior que o mês anterior.
O Brasil fechou o primeiro trimestre de 2015 com mais de 318 mil toneladas de carne bovina brasileira exportada - 17,58% menos do que no mesmo período do ano passado. Somado, o faturamento nos três primeiros meses do ano alcançou o valor de US$ 1,3 bi, queda de 17,59% em relação a 2014.
De acordo com o presidente da ABIEC - Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Antônio Jorge Camardelli, o setor espera uma recuperação gradativa, já que o cenário começa a se estabilizar. 'Tivemos a reabertura de importantes mercados como Iraque e África do Sul. Outros fatores podem contribuir para o incremento das exportações como o retorno às compras de carne bovina brasileira por parte da China e Arábia Saudita', diz Camardelli.
Categorias
A carne in natura seguiu como a categoria de produtos brasileiros mais importada em todo o mundo, atingindo um faturamento de US$ 340 milhões no mês. Vale destacar que a categoria salgadas cresceu 123,93% em faturamento e 132,14% em volume em relação a fevereiro de 2015.
(Redação – Agência IN)

Uruguay - Se vendió toda la oferta en “El Ternerazo”

Una excelente jornada ganadera se vivió en el Centro de ventas ganaderas Don Tito, este jueves 9, por la tarde, con la edición nº 18 de un clásico de la zafra de otoño, denominado “El Ternerazo”.
Como todos los años, José A. Valdez & Cía., sacó a la pista del local miles de terneros y terneras, en el consagrado remate: “marca registrada en la venta de terneros”, donde se destacaron excelentes terneradas Hereford, Angus, Braford y cruzas.
Una vez más, se logró la dispersión total de la oferta presentada; bajo el martillo de Alejandro Núñez Lecumberry, secundado por responsables de la firma rematadora: Abayubá, José y Pablo Valdez; y además con la colaboración de los pisteros del escritorio.
La subasta duró aproximadamente 5 horas y los ganados fueron vendidos hacia todas partes del país, donde se colocaron 2.000 machos y casi 1.000 hembras, en el Local Don Tito, aumentando año a año el volumen de la oferta. Los terneros promediaron un total de US$325, con un máximo de US$ 382. En las hembras, se logró un promedio de US$ 251, con un máximo de US$ 400.
Vendedores comentaron al término de la jornada, que los valores alcanzados este año, superaron sus expectativas; y es verdad, hubo excelentes precios, tanto en machos como en hembras.
La administración estuvo a cargo de Banco Santander, con 90 días libres de plazo, y con un 2 % de descuento por pago al contado.
La actividad fue transmitida en vivo y en directo, a través de www.valdeztv.comy así fue que muchas de las ventas fueron telefónicas.

PROMEDIOS VALDEZ

Preços de reposição no Uruguay em 10.04.2015



fonte: Tardaguila Agromercados

C A R

Os produtores têm até o próximo dia 6 de maio para fazer o‪#‎CadastroAmbientalRural‬ dentro do Sistema Nacional (‪#‎Sicar‬) do‪#‎MinistériodoMeioAmbiente‬ (MMA). Faltando menos de um mês para o fim deste prazo, diversas entidades tentam se mobilizar para atingir a meta de registro de 70 a 80% dos 371.818.895 hectares de terras passíveis de cadastramento.
Vários especialistas vêm alertando para a possibilidade do objetivo final não ser alcançado. Isto porque, até o dia 18 de março (último dado oficial do MMA), aproximadamente 38% dos ‪#‎imóveisrurais‬ já haviam sido cadastrados, uma porcentagem muito baixa considerando que, em todo o País, são 5,2 milhões de propriedades.
O presidente da ‪#‎SNA‬, Antonio Alvarenga, e o diretor da entidade Alberto Figueiredo comentam a complexidade e os desafios do ‪#‎CAR‬. Leia emsna.agr.br/?p=19608.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Frigorífico pode ser multado em R$ 280 mil em Santa Maria

Empresa descumpriu normas de saúde e segurança no trabalho



Frigorífico Silva pode ser multado em R$ 280 mil
Foto: Ronald Mendes  / Agencia RBS

O Frigorífico Silva, em Santa Maria, pode ser multado em até R$ 280 mil por descumprimento de normas de saúde e segurança no trabalho e por irregularidades referentes à jornada de trabalho, FGTS e à falta de pagamento de salários.
Na última terça-feira (07), o Ministério do Trabalho e Emprego entregou os 81autos de infração à empresa, que tem 762 funcionários. Agora, o Frigorífico Silva tem 10 dias para entrar com um recurso, de acordo com Mauro Müller, auditor fiscal do MTE em Santa Maria. O processo administrativo deve durar cerca de 3 a 4 meses. Depois deste período, será conhecido o valor exato da multa. 
No dia 20 de março, o Frigorífico Silva foi interditado pelo MTE. A empresa voltou a funcionar parcialmente uma semana depois, no dia 27. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a empresa havia retomado há pouco tempo a compensação de jornada semanal, para evitar trabalhar aos sábados, prorrogrando a jornada diária do trabalhador para quase 9 horas (8h48), quando não havia prestação de horas extras. Isso ocorreu em locais insalubres e sem a autorização do Ministério.
Segundo o Ministério, o cumprimento de horas extras habituais amplia em muito os riscos à saúde dos trabalhadores. O motivo é que o trabalho em frigoríficos é marcado por posturas inadequadas, frio, emprego de força e repetitividade, entre outros.
fonte: http://gaucha.clicrbs.com.br/

Funcionários do frigorífico Marfrig paralisam atividades em Bagé, RS

Trabalhadores rejeitaram quatro rodadas de negociações com a empresa.
Frigorífico emprega cerca de 700 funcionários na Região da Campanha.

Trabalhadores rejeitaram quatro rodadas de negociações com a empresa.
Frigorífico emprega cerca de 700 funcionários na Região da Campanha.

fonte: G1 Rio Grande do sul

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Margens brutas de frigoríficos despencam e abates têm queda


Os frigoríficos brasileiros iniciaram o ano com alta nos preços do boi gordo, que permanece em patamar recorde e demanda mais fraca no mercado doméstico e em importantes países importadores como Rússia e Venezuela, o que fez suas margens caírem ao menor patamar desde 2008.
Além disso, os frigoríficos, em especial os pequenos e médios, também convivem com dificuldades para obter crédito. Diante da combinação desses fatores negativos está em curso um movimento de redução ‘forçada’ da capacidade de abate, com fechamento de unidades, férias coletivas e demissões.
“Se a arroba do boi gordo continuar como está hoje no mercado físico, é suficiente para tirar muito frigorífico do mercado”, avalia o coordenador da área de pecuária da Agroconsult, Maurício Nogueira, salientando que já há casos de frigoríficos que apresentam margens negativas, em especial entre os que não exportam. Mesmo entre frigoríficos que acessam o mercado externo, há exemplos de margem no vermelho.
Negativas ou não, as margens estão em níveis baixíssimos. Levantamento realizado pela Agroconsult aponta que, em março, a margem bruta dos frigoríficos foi de 1,99%. Trata-se do pior nível desde julho de 2008, quando as margens ficaram negativas em 5,53%. O cálculo da consultoria para a margem bruta considera a diferença entre o preço do boi gordo no Estado de São Paulo – balizador dos preços no país – e da carne desossada no atacado paulista, principal mercado consumidor.
Para Nogueira, a compressão de margens reflete, de um lado, as cotações recordes do boi gordo. Do outro lado, está a fraca demanda, especialmente neste ano. Entre janeiro e março, o preço da carcaça bovina vendida no atacado paulista caiu 1,2%, de acordo com a Agroconsult. O preço dos cortes desossados caiu mais, 2%. Essa queda no atacado não foi repassada ao consumidor, que viu um aumento de 0,76% nos preços médios dos cortes no varejo.
De acordo com Nogueira, a oferta de boi deve continuar restrita na maior parte do ano, ainda que com melhoras pontuais, o que dificulta a vida dos frigoríficos.
Essa opinião é compartilhada pelo analista do Rabobank, Adolfo Fontes. “Houve uma redução da oferta de gado que puxou os preços e isso deve continuar daqui para frente”, diz, citando a necessidade de recompor o rebanho após anos de forte aumento dos abates.
No mercado interno, o preço da carne já está muito alto e o consumidor, que também lida com uma inflação elevada, vem optando por comer mais carne de frango. “Muitos relatórios mostram que no ano passado houve substituição para a frango. Não deve ser diferente neste ano”, projeta Fontes.
As exportações – mesmo que beneficiadas pela desvalorização do real – iniciaram o ano sofrendo os efeitos da queda dos preços do petróleo que atingiu alguns dos principais importadores do Brasil: Rússia, Venezuela, especialmente.
Líder nas importações da carne brasileira, Hong Kong até elevou as compras do produto – 1,46% em receita e 5,7% em volume -, mas isso não compensou a queda nos outros países.
Para os próximos meses, há alguma expectativa de melhora, sobretudo na Rússia. Ainda que seja difícil precisar o nível de preço que os russos aceitarão – a moeda russa também sofreu forte depreciação -, os estoques de carne bovina dos russos estão se esgotando e o país terá de ampliar suas compras.
Mesmo com alguma melhora, o cenário de margens pressionadas continua e terá consequências. Para analistas, a fase crítica tende a resultar em maior concentração de mercado, o que pode favorecer o interesse de investidores chineses e de empresários como José Batista Júnior, o Júnior Friboi.
“A tendência é que o mercado esteja mais concentrado quando esse ciclo acabar”, afirma o operador da mesa de futuros do BESI Brasil, Leandro Bovo. Essa avaliação é corroborada por Luciano Pascom, vice-presidente do Frigol. “Acho que vai haver um rearranjo de companhias e vamos ter menos empresas no fim do ano”. De certa maneira, isso está ocorrendo. Empresas como Frigol e Fialto reduziram os abates e, no caso da primeira, funcionários que pediram demissão não foram repostos, afirmou Pascom. Recentemente, dois frigoríficos pequenos de Mato Grosso do Sul fecharam as portes e, mesmo entres grandes, já houve casos de férias coletivas.
Fonte: Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

Mercado pede carne, mas falta boi

Mercado pede carne, mas falta boi

Redução contínua do rebanho, aumento das exportações, falta de planejamento... as razões são muitas, mas o fato é que a boiada ficou pequena para a demanda por carne bovina. Cotações rondam R$ 150 por arroba e abrem porta à expansão

A cotação da carne bovina ultrapassou todos os seus limites e está rondando os R$ 150 por arroba no Paraná. Não há sinal de queda nos preços há mais de dois anos, mas falta boi no pasto.
A valorização da carne tem sido contínua e, com novo impulso da alta do dólar, estende o convite à expansão da bovinocultura. A força da escalada dos preços apresenta uma questão: por que o setor não programou incremento no rebanho?

A cotação média anual nunca havia chegado perto de R$ 100 no Paraná até 2013, quando alcançou R$ 99,69. A redução de 10% no rebanho de corte em dez anos mostra que o setor ainda não respondeu a esse apelo do mercado.

De 2004 a 2013, o plantel total do estado, hoje estimado em 9,39 milhões, perdeu 880 mil cabeças. E o gado de corte, por sua vez, caiu de 7,7 milhões para 7 milhões de cabeças. Um recuo que se somou aos fatores que elevaram o preço da carne no mercado internacional, inclusive em regiões onde houve expansão da atividade.
O momento agora é de reação, mesmo onde o rebanho vinha encolhendo. Prova disso é o preço do bezerro, que ultrapassou R$ 1 mil com reajustes 30% maiores que os da arroba do boi gordo (veja infográfico na página 19).

As razões para o recuo são simples. Considerando os custos e a rentabilidade de outras atividades, a pecuária valia pouco a pena enquanto a arroba estava abaixo de R$ 100, aponta o produtor Antônio Sampaio, de Londrina (Norte). Ele reduziu seu rebanho de 600 para 100 cabeças e destinou 285 hectares de pasto para grãos, que agora ocupam praticamente toda sua propriedade. “Quem tinha área boa de lavoura foi para a soja e quem não tinha acabou mudando para a cana”, comenta.

O Paraná abateu 200 mil matrizes nos últimos 2 anos – o que significa 100 mil bezerros a menos por ano. Se hoje há falta bezerro é porque faltou planejamento, avalia o zootecnista Paulo Rossi, coordenador do Labo-ratório de Pesquisas em Bovinocultura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o LapBov.
Seja para reduzir ou para expandir a produção, o setor precisa se pautar em indicadores de longo prazo, considera. “Sabíamos da situação, mas não conseguimos nos antecipar. Poderíamos ter diminuído o rebanho, mas para isso teríamos que aumentar a produtividade”, crava Rossi.

Embora não haja avaliações precisas sobre o tamanho do espaço que a pecuária tem para se expandir, o consenso é que a tendência ainda é de alta nos preços. O aumento nas exportações, neste momento, soa como agravante da escassez na oferta. Os embarques, ainda que considerados fracos para o tamanho do rebanho, cresceram 32,4% nesta década, de 22,2 mil toneladas (2010) para 29,4 mil toneladas (2014). Apesar disso, a participação do estado nas exportações brasileiras ainda é pequena, de 1,9%.

Atenuantes

Se não houver reação, o Paraná pode se tornar um comprador assíduo de carne de outros estados, cogita o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Moacir Sgarioni. “O produtor que sai da pecuária não volta. A agricultura tem sido mais rentável”, avalia.

Para Sgarioni, existem alternativas que podem estimular a produção além dos preços recordes: investimentos em reprodução e redução de impostos sobre a circulação dos animais. “É muito caro comercializar um bezerro de uma região para outra. No Paraná, pagamos 12% de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]”, reclama.

Motivação

O consultor da Associação Brasileira de Criadores de Zebuínos (ABCZ) em Londrina, Gustavo Garcia Cid, acredita numa recomposição do rebanho nos próximos anos por conta dos preços, o que ajudaria a tornar a cadeia toda mais lucrativa, e não apenas uma ponta dela. “[Quando os ganhos são limitados], se o vendedor de bezerro ganha muito, alguém está perdendo”, frisa.
Garcia Cid, no entanto, avalia que os preços não devem frear o consumo. “Aqui no Brasil, isso pode ocorrer um pouco, com a migração para outras proteínas, como o frango e suíno. Mas o consumo mundial é menos flexível”, acrescenta.

O consenso é que as cotações abrem espaço para o Paraná retomar a produção de carne bovina com mais planejamento e sustentabilidade. “É uma grande oportunidade de se consolidar, dez anos depois da crise da aftosa [que se deflagrou em 2005 e atingiu em cheio o estado em 2006]”, avalia Rossi, do LapBov. Hoje, o estado encontra-se na 11.ª colocação no cenário nacional, com apenas 4,4% do rebanho brasileiro e pouco mais de 1 milhão de cabeças abatidas anualmente.

Para quem ficou, hora de colher os frutos

A redução da cria e recria de bovinos surte efeito na ExpoLondrina, com queda no número de animais expostos desde o ano passado. Neste momento, essa escassez tem seu lado positivo, afirma o presidente Sociedade Rural do Paraná. “Muitos criadores estão vendendo direto nas propriedades, o mercado está mais comprador. Isso faz com que ele evite gastos com a logística”, analisa Moacir Sgarioni.

A demanda é considerada forte. “Nunca tinha visto uma procura como essa. Hoje o pessoal reserva o bezerro dentro da barriga da vaca”, conta o produtor Alexandre Turquino, cuja família trabalha com pecuária de corte há mais de 40 anos na Região Norte do Paraná. Os períodos de baixa são considerados sazonais. “A gente continua, não adianta ficar pulando de galho em galho.”

Turquino não só permaneceu como resolveu investir na bovinocultura. Ele atua em duas propriedades, uma no Mato Grosso do Sul, onde cria as matrizes, e outra no Paraná, em Bela Vista do Paraíso, destinada à engorda.

“A gente viaja e acompanha. Eu vi que isso iria acontecer. No Noroeste do Paraná, por exemplo, antes tinha muito gado e agora é só soja e cana. Então, resolvi apostar no retorno da bovinocultura”, conta. Nos últimos cinco anos, aumentou de 2 mil para 3 mil o número de matrizes. Ao todo, o rebanho está com 5 mil cabeças: “Agora estamos começando a pagar as contas”, pondera.

211,8 milhões
de cabeças é o tamanho do rebanho bovino brasileiro, conforme o IBGE – o segundo maior plantel do mundo. O país é o maior exportador da carne do mundo, com 2,03 milhões de t. embarcadas em 2014, segundo o Usda.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Índice de Cotações Base confirma o bom momento da pecuária


Levantamento feito da última semana de março até o começo de abril demonstra elevação de preço em todas as categorias do gado de corte.

Em comparação ao mês de dezembro, quando ocorreu a última edição do Lance Rural, as categorias
menores apresentaram elevação de em média 25%, as categorias maiores em torno de 20% e as
categorias para reprodução apresentaram aumento de cerca de 5%.

O índice de Cotações Base é elaborado com a coleta de dados do preço do gado de corte em todas as
regiões do estado do Rio Grande do Sul, além dos dados disponibilizados pela Scot Consultoria e Lance

Agronegócio. Este índice serve como referência para os Leilões Certificados e como base para a
comercialização.

O Leilão Certificado inicia os trabalhos no ano de 2015 e promove a sua 6ª edição no dia 13 de abril, com transmissão do C2Rural. A oferta principal será de terneiros e terneiras, entretanto, também serão ofertadas as demais categorias.

Marco Petruzzi, proprietário e leiloeiro do Rédea Remates enfatiza a importância do Lance Rural como meio de comercialização e se mostra otimista quanto esta sexta edição: “No decorrer do ano
2014,realizamos os primeiros leilões pelo Lance Rural e pudemos constatar a sua importância como
alternativa de comercialização. Nossa expectativa é bastante otimista decorrente do bom momento da
pecuária de corte e pelo interesse demonstrado pelos produtores nos primeiros contatos do Lance Rural Nº6” – afirma Petruzzi.

O Leilão Certificado Nº 6 ainda está com inscrições abertas aos produtores e empresas que desejam
participar. Interessados entrar em contato com Lund Negócios, Rédea Remates ou Assessoria Agropecuária.

Fonte:Assessoria Agropecuaria

Informações de mercado para o Leilão Certificado Nº6. Agende-se: 13/4 no C2Rural (21h).

Uruguai: retomada das exportações gado em pé


Exportación de ganado en pie retoma dinámica

En el puerto de Montevideo se embarcan 19.000 vacunos para Egipto

La empresa exportadora de ganado en pie Gladenur comenzó a cargar ayer 19 mil vacunos en el puerto de Montevideo, con destino al mercado de Egipto, de las categorías de terneros castrados y novillitos. Una vez terminado el embarque le seguirá otro para Turquía, de 10 mil terneros enteros ya adquiridos y terminando la cuarentena. 

Además, en una semana Gladenur retomará las compras para otro embarque hacia Egipto, posiblemente para mayo próximo, informó a Tiempo de Cambio de radio Rural el gerente de la empresa, Mauricio Diez.

El funcionario explicó que para ese negocio se comprarán también terneros enteros y animales de otras categorías.

Consultado sobre la inquietud que había generado la ausencia de los exportadores de ganado en la operativa  de compras de los últimos remates por pantalla, Diez explicó que Gladenur ya tenía las cuarentenas completas para este embarque que se está procesando para Egipto y para el próximo a Turquía, y tuvo que parar las compras por ello. 

Consultado sobre los niveles de precios que se espera para los próximos negocios, destacó que la realidad de compras de Turquía es muy diferente a lo que fue el buen mercado que significó en 2011. Pecisamente ese país había desarrollado en ese período un proceso de importaciones que se destacó por su volumen, agilidad de los negocios y precios, lo que dinamizó el mercado ganadero de la repopsición en Uruguay. 

Fonte: El Observador 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

RS: retomadas as discussões sobre avanço de status sanitário do RS, diz Fundesa

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal reuniu hoje representantes do Ministério da Agricultura, Farsul, Fetag e Conselhos Técnicos Operacionais e também o Secretário da Agricultura, Ernani Polo, para retomar as discussões sobre o avanço do status sanitário do Rio Grande do Sul.

O presidente do Fundesa, Rogério Kerber, apresentou um resgate dos pontos considerados fundamentais para alcançar outro patamar em termos de sanidade animal.   Segundo ele, de oito pontos levantados há alguns anos, "apenas um, que é o alinhamento com a política de defesa sanitária do Uruguai, resta inconclusivo, especialmente por se tratar de de relações internacionais, deverá ser uma atribuição do Ministério da Agricultura. Os demais foram concluídos ou estão progredindo satisfatoriamente".

Um grupo formado por representantes dos Conselhos Técnicos Operacionais do Fundesa, do Ministério e da Secretaria da Agricultura, da Farsul e da Fetag vão se reunir no próximo dia 15 para tratar sobre novas medidas. A intenção é realizar um levantamento de custos para implementar o restante das ações necessárias para encaminhar pleitos de avanço em todas as cadeias. Peste Suína Clássica, Influenza e NewCastle, Brucelose, Tuberculose e Febre Aftosa são algumas das enfermidades que serão consideradas prioritárias para as discussões do grupo.

A principal preocupação são os entraves econômicos gerados para o Rio Grande do Sul por conta de questões sanitárias. O setor de aves, por exemplo, lamenta que na última missão oficial ao Brasil, os representantes do Chile não visitaram o estado. "Precisamos mostrar aos países que estamos avançando em defesa sanitária e o reconhecimento dos compradores internacionais é fundamental para a conquista de novos mercados, o que beneficia toda a economia gaúcha, afirma Kerber.

Veja os pontos que avançaram nos últimos anos:

Conclusão do processo de informatização das IVZ&39;s;

Treinamento e capacitação de pessoal;

Controle eficiente de divisas;

Grupo de emergência treinado e capacitado;

Alinhamento de políticas de defesa com o Uruguai

Realização de inquéritos sorológicos para comprovar a ausência de atividade viral;

Diagnóstico laboratorial das suspeitas clínicas;

Aprovação e reconhecimento da estrutura pelo Mapa

Fonte: Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) 

Mercado de boi gordo se descola da economia brasileira e aperta frigoríficos

 O mercado do boi gordo no Brasil continuará aquecido em 2015, com os preços pagos aos pecuaristas perto de patamares recordes, sustentados por uma oferta apertada e exportações fortes, em um cenário descolado da realidade de desaceleração da economia brasileira.
O preço da arroba bovina no Estado de São Paulo, uma das referências do mercado brasileiro, voltou aregistrar recordes consecutivos no fim de março, apertando as margens de frigoríficos e do varejo.
O indicador Esalq/BM&FBovespa do boi gordo atingiu 147,61 reais/arroba na terça-feira, um patamar recorde. A valorização é de mais de 17 por cento em 12 meses.
"Tem um pouco de euforia com esses patamares de preço", disse Leonardo Alencar, gerente-executivo de Inteligência de Mercado na Minerva Foods, uma das maiores produtoras de carne bovina do Brasil.
"O pecuarista que faz a conta começa a se perguntar... Como meu boi só sobe e a economia toda piorando?", afirmou o executivo à Reuters.
A explicação está principalmente na oferta apertada de bovinos, muito mais do que na demanda, dizem os especialistas.
"Nós há alguns anos estamos alertando que existe um grave gargalo na produção de bezerros", disse o diretor da consultoria Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz.
O diretor de Relações com Investidores da JBS, maior processadora de carnes do mundo, Jeremiah O'Callaghan, lembrou que a partir de 2010 o setor frigorífico no Brasil vinha registrando margens bastantes razoáveis, o que estimulou o abate.
"(O Brasil) vem aumentando a produção de carne bovina mais rapidamente do que o rebanho vem crescendo", disse ele. "O que determina o preço do boi hoje é mais oferta do que a demanda pela carne... Estamos num mercado relativamente enxuto."
Os contratos futuros da BM&F Bovespa apontam a arroba do boi gordo acima de 150 reais em todo o segundo semestre.
MERCADO INTERNO
O Brasil produziu aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2014. Deste total, cerca de 81 por cento ficaram no mercado interno e 19 por cento foram exportados, segundo levantamento da Informa FNP.
A lógica seria que os consumidores brasileiros, que absorvem uma fatia tão grande da produção nacional, pagassem pela carne o valor proporcional à alta do preço do boi gordo.
No entanto, os analistas lembram que há uma forte resistência no varejo a preços mais elevados que os atuais, inclusive por causa da inflação em geral, que corrói o poder de compra da população.
"O varejo está diminuindo margem e o frigorífico está diminuindo margem, e isso sinaliza que o consumidor não está aceitando essas altas", disse o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres.
Segundo a Scot, a margem dos frigoríficos fechou março em 8,4 por cento, pela relação entre o valor pago pelo boi gordo e os valores obtidos na venda de carne com osso, couro, sebo e outros subprodutos. No início de março, esse índice era de 16 por cento.
Economistas projetam inflação acima da meta, juros elevados e uma retração de 1 por cento no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2015.
"Todo esse cenário econômico... acaba criando uma expectativa de que o preço do boi está descolado em relação à economia, que está desacelerando, dando sinais negativos", disse Alencar, da Minerva.
EXPORTAÇÕES SUSTENTAM
O setor de carne bovina do Brasil, maior exportador global, projeta uma demanda aquecida no exterior, o que deverá contribuir para manutenção dos abates e dos preços elevados para o boi gordo ao longo de 2015.
"O consumidor interno pode não ter poder aquisitivo, mas o externo pode ter. A carne do Brasil está ficando mais barata em dólar", disse Ferraz, da FNP.
A forte desvalorização recente do real frente o dólar torna os produtos brasileiros mais atrativos para compradores externos e também encarece, na moeda local, produtos balizados em preços internacionais.
A provável abertura do mercado da China e um bom desempenho das aquisições de Rússia, Chile, Egito e Irã, por exemplo, deverão garantir bons embarques para a carne bovina brasileira este ano, disseram os especialistas.
A Abiec, associação que representa os frigoríficos exportadores, projeta embarques recordes de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina em 2015, ante 1,56 milhão em 2014.
PRESSÃO SOBRE OS PEQUENOS
A estratégia de escoar para o exterior a produção que não for absorvida no mercado interno não é acessível para pequenos frigoríficos, que deverão sofrer bastante em 2015.
"Vender carcaça não fecha a conta da compra do boi. Se acrescentar couro e sebo, se começar a desossar a carne, começa a melhorar essa relação. Se incluir exportação, melhora um pouco mais", ressaltou Alencar, da Minerva.
A tendência, segundo os executivos dos grandes frigoríficos, é de muitas dificuldades para os pequenos em 2015, até com fechamentos de unidades.
"Quem passar de 2015, fica (no mercado)", projetou o executivo da Minerva.
O'Callaghan, da JBS, lembra que muitas redes de supermercados do Brasil já começam a demandar certos padrões na carne ofertada, sem contar as certificações e exigências necessárias para a exportação.
"Pela sofisticação do mercado, você vai eliminando algumas empresas que não conseguiram atingir esse grau de exigência. Tem que haver um investimento", disse o executivo.
Mesmo assim, os executivos dizem que as grandes empresas não irão aproveitar a fragilidade das concorrentes menores para comprar frigoríficos, como já ocorreu em outros anos, uma vez que a capacidade ociosa ainda é muito grande no setor.
Por Gustavo Bonato
fonte: Reuters

Frigoríficos pedem mais tempo para se adequar a novas regras de segurança no trabalho


 
Setor pede mais prazos e diálogo para dirimir possíveis subjetividades das normas / Foto: DivulgaçãoSetor pede mais prazos e diálogo para dirimir possíveis subjetividades das normas / Foto: Divulgação
Sob pressão das autoridades, os frigoríficos gaúchos dizem ter boa vontade para fazer as adequações necessárias. Responsável por 10% das exportações do Estado — US$ 1,87 bilhão no ano passado — e considerado um dos ramos da indústria mais promissores pela perspectiva de aumento do consumo mundial de carne, o setor pede mais prazos e diálogo para dirimir possíveis subjetividades das normas, que poderiam gerar interpretações diferentes entre empresas e órgãos fiscalizadores.
Primeira a passar pelo crivo da força-tarefa de Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério do Trabalho, a avicultura entende ser possível cumprir a lei, mas sustenta que muitas adequações, principalmente de maquinário, não podem ser feitas no curto prazo.
— As correções mais rápidas já foram feitas. Mas, em alguns equipamentos, a transformação é tão grande que não vale a pena mexer. É preciso um novo. Só que estas máquinas podem demorar até dois anos para serem fabricadas e entregues. Muitas vêm do Exterior, e os fabricantes carecem de informações sobre a nova legislação — pondera Nestor Freiberger, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
A cobrança, admite Freiberger, vai forçar a tendência de mecanização em setores das indústrias, como salas de cortes e evisceração, onde ocorrem tarefas que exigem maior repetição de movimentos: - No começo, ficamos irritados, mas hoje estamos conscientes de que é preciso evoluir. Só pedimos bom senso e diálogo.
A recente interdição do Frigorífico Silva, de Santa Maria, um dos mais tradicionais no abate de bovinos no Estado — a unidade foi liberada na quinta-feira passada, após fazer adequações —, pôs em alerta o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado (Sicadergs). Para o presidente da entidade, Ronei Lauxen, o setor terá dificuldade de atender todas as exigências. Uma delas é a limitação para carregar peso. Lauxen ressalta que uma tradição no setor é distribuir dianteiros ou traseiros inteiros ao varejo e acredita que o mercado não aceitaria peças separadas. Ele diz temer que, se o Frigorífico Silva, considerado um dos mais estruturados, foi interditado, a situação seria pior para empresas menores e com finanças limitadas.
— Há poucas empresas no setor de aves e suínos, e elas são grandes e estruturadas. No de bovinos, as pequenas são maioria. Todos estão se adequando dentro de suas condições — resume Lauxen.
Antiguidade de plantas é outro desafio
Para o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber, uma das principais angústias do setor, atualmente, é o investimento necessário para fazer a adequação das plantas. Muitas delas são antigas, o que, segundo ele, faz com que sejam necessários gastos maiores.
— O setor não tem rentabilidade ilimitada. Também precisaremos treinar tanto os técnicos quanto os colaboradores das empresas — destaca Kerber.
Repetindo as preocupações dos setores de aves e bovinos, Kerber sustenta que os associados do Sips estão “mobilizados e sensibilizados” para o enquadramento nas normas, mas pede tempo para a melhor compreensão da legislação e implementação das melhorias necessárias.
Mais rigor
— Após a criação de um grupo de trabalho para discutir o problema em 2011, algumas regras foram modificadas. A partir da definição, as novas exigências para os frigoríficos passaram a valer em 2013, por meio da Norma Regulamentadora nº 36.
— O texto trata de medidas de segurança e saúde no trabalho em frigoríficos e unidades de processamento de carne no país.
O principal objetivo é a prevenção de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
Principais exigências
— Inclusão de equipamentos de proteção.
— Treinamentos sobre segurança e saúde no ambiente de trabalho.
— Alterações estruturais nas linhas de produção.
— Inclusão de programas de ginástica laboral.
— Estabelecimento de pausas ergonômicas e térmicas para os trabalhadores.
fonte: Zero Hora