quarta-feira, 18 de julho de 2012

OCDE/FAO: perspectivas mundiais para o mercado de carnes


Situação do mercado
De acordo com o último relatório “Perspectivas Agrícolas 2012-2021″, publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a situação do mercado no setor de carnes é caracterizada por altos preços nominais para todas as carnes, apoiados no lado da demanda pelo rápido crescimento nas economias em desenvolvimento e no lado da oferta pelos altos custos dos insumos, notavelmente pelos grãos usados na alimentação animal e nos insumos relacionados à energia, como transporte e refrigeração.
À medida que os custos dos alimentos animais caíram um pouco, maiores lucratividades deverão garantir uma expansão. Esses fatores tendem a favorecer maiores respostas na oferta doméstica nos países em desenvolvimento, particularmente para carnes mais baratas e cortes de carne (frango), e também onde sistemas com insumos baratos, incluindo pastagens, predominam. No lado da política, as previsões de futuras aberturas no comércio internacional de carnes que podem resultar da entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC), que está entre os maiores importadores de carne do mundo, fornecerão um ambiente comercial favorável para o setor. Embora o crescimento na produção e no comércio seja contemplado em curto prazo para carne de frango, suína e ovina, a carne bovina inicialmente será limitada pelos rebanhos, que foram reduzidos nos últimos anos nas principais regiões exportadoras.
Principais projeções
- O forte aumento nos preços dos grãos usados na alimentação animal nos últimos cinco anos está se movimentando substancialmente através da cadeia de mercado e, com exceção da carne de frango onde os ajustes têm sido feitos, está se refletindo em maiores preços da carne. Os preços deverão permanecer altos durante a próxima década e, em termos reais em cerca de 11%, 17% e 4% acima do período base (2009-11) para carne bovina, suína e ovina, respectivamente.
Os preços reais para carne de frango deverão permanecer próximos aos atuais. Pata todas as carnes, os preços reais estão atualmente em seus maiores níveis dos últimos 15 a 20 anos e uma pequena moderação é esperada enquanto os preços dos alimentos animais e da energia permanecem altos.
- Os maiores preços para carnes induzirão a uma resposta na oferta, embora limitada pelos maiores custos dos insumos, além da competição por terra e água. O efeito combinado desses fatores desacelerará o crescimento na produção global por carnes para 1,8% por ano no período previsto comparado com 2,2% por ano na década anterior. A produção de carne bovina deverá aumentar em 1,8% em média por ano, enquanto a produção de carne suína e ovina pode crescer em 1,4% e 1,8%, respectivamente. A carne de frango continua sendo o setor de carnes de mais rápido crescimento, com o crescimento projetado em 2,2% por ano.
Os países em desenvolvimento aumentarão sua participação na produção global em todas as categorias de carnes e, até o final do período, representarão 58%, 64%, 63% e 78% da produção de carne bovina, suína, de frango e ovina, respectivamente. Os maiores retornos à escala continuarão concentrando a produção em menos fazendas maiores, não somente nos países desenvolvidos, mas cada vez mais também em mercados emergentes. Essa mudança estrutural continuará aumentando a dependência da produção de carne de alimentos animais à base de grãos.
- O consumo mundial de carnes continua crescendo em uma das mais altas taxas entre as principais commodities agrícolas. O crescimento nos países em desenvolvimento capturará 82% do consumo global durante o período projetado. O consumo per capita aumentará em 3,2 quilos por ano, com a carne de frango representando 70% desse aumento. Até 2021, os consumidores nos países desenvolvidos comerão 3,6 quilos de carne a mais per capita com relação ao período base, o que também será principalmente para carne de frango, exceto no Leste Europeu, onde o consumo de carnes vermelhas ainda tem um substancial potencial de crescimento.
- Apesar dos fortes preços das carnes durante a projeção, as importações de carnes em países em desenvolvimento deverão aumentar, direcionadas por um crescimento na população e na renda e na alta elasticidade da renda da demanda. Da mesma maneira, os fortes preços resultarão em lucros de exportação sustentados, que encorajarão os grandes países exportadores de carne a investir nos mercados internacionais de carne, apesar da alta incidência prevalente de barreiras de importação relacionadas a questões sanitárias e de segurança alimentar.
Tendências e projeções de mercado
  • Preços
Os preços da carne permanecerão em um alto patamar durante o período previsto sob custos de produção persistentemente altos, devido não somente aos altos custos dos alimentos animais e insumos relacionados à energia, incluindo transporte e custos de cadeias de refrigeração, mas também, a questão cada vez mais rígida de segurança alimentar, meio-ambiente e regulamentações de bem-estar animal (rastreabilidade, acomodações, transporte, etc.). Os preços nominais para carne bovina e ovina deverão ser de US$ 4.717/tonelada equivalente peso carcaça e US$ 4.812/ tonelada equivalente peso carcaça, respectivamente, em 2021, enquanto os já altos preços da carne suína e de frango aumentarão para US$ 2.380/ tonelada equivalente peso carcaça e US$ 1.418/ tonelada equivalente peso carcaça, respectivamente. Os preços da carne ovina, que recentemente viram uma queda devido à maior oferta e menor demanda na União Europeia (UE), deverão permanecer firmes (Figura 1).
Em termos reais, os preços da carne em 2011 ficaram em recordes dos últimos 15-20 anos. Os custos dos alimentos animais caíram um pouco no ano anterior, mas eles deverão permanecer em níveis altos durante o período previsto. As razões entre preço do produto e preço da ração para carne bovina e suína deverão permanecer em níveis baixos durante o período previsto. Para carne de frango, que tipicamente mostra resposta mais rápida, os ajustes a maiores custos da ração já ocorreram e os preços reais na próxima década deverão permanecer estáveis, comparado com os preços recentes nos mercados (Figura 1).
Figura 1:
  • Produção
Apesar de os preços da carne deverem continuar altos, a resposta da oferta pode ser limitada em muitos países e regiões por limitações em recursos naturais, competição pela terra e água por colheitas alternativas e investimentos insuficientes em infraestrutura em regiões importantes ricamente favorecidas com recursos naturais para a produção pecuária (Brasil, Rússia e África Subsaariana). O crescimento anual da produção mundial de carne durante o período projetado deverá cair de uma média de 2,2% ma década anterior para 1,8% por ano, principalmente devido ao crescimento mais lento na América Latina, particularmente Brasil e Argentina, que tiveram um forte crescimento na década anterior.
Na Rússia, o crescimento na produção de carne deverá desacelerar como resultado da entrada na OMC. A produção de carne de frango e suína, que cresceu em 14% por ano e 5% por ano, respectivamente, na década anterior, deverão crescer em 2% por ano durante o período analisado. De forma mais geral, os países em desenvolvimento capturarão 77% do crescimento adicional na produção de carne durante o período analisado (Figura 2).
Figura 2:
A produção global de carne bovina, que estagnou nos últimos anos, deverá começar a crescer mais rapidamente, à medida que os rebanhos comecem a ser reconstruídos em 2014, e pode aumentar em 1,8% por ano durante o período avaliado, comparado com a taxa de crescimento de somente 1,2% na década anterior. A carne de frango continuará sendo a de crescimento mais rápido (2,2% por ano) e terá o maior volume de produção de todas as carnes até o final do período avaliado, ultrapassando o da carne suína (Figura 3).
Na Oceania, a alta lucratividade da indústria de lácteos tem encorajado a conversão de fazendas de ovinos/terras para a produção leiteira. A redução resultante nas ofertas globais de ovinos recentemente impulsionaram os preços para níveis mais altos. Espera-se que, em médio prazo, o rebanho ovino deva se expandir, considerando os incentivos de preços e trazendo os preços de acordo com outras carnes. Além disso, a melhora no crescimento da produtividade através de melhores genéticas, bem como a terminação de cordeiros com grãos para aumentar os pesos das carcaças, em certos países, contribuirá para o aumento na produção de carne ovina.
Figura 3.
O crescimento da produtividade na cadeia de produção de carnes tem sido significante nos últimos anos. Apesar dos maiores custos, rebanhos melhorados, práticas de manejo de cria e do rebanho, especialmente melhores práticas de alimentação, permitiram um crescimento na produção de carnes e essa tendência deverá continuar durante o período analisado (Quadro 1). A maior produtividade nos rebanhos tem se expandido, exceto em muitos países da África, onde a produção por cabeça permaneceu a níveis muito baixos há muitos anos.
A produtividade no setor de carnes é vista como crítica em longo prazo, uma vez que implica em um nível menor de insumos que são requeridos para produzir uma dada produção. Por exemplo, os ganhos de produtividade que aumentam as taxas de extração (que medem os volumes de animais abatidos no país em um ano em relação ao tamanho total do rebanho) implicam em menores estoques de animais que usam extensivamente alimentos, terras, água e outros insumos e ajudam a melhorar a sustentabilidade. A atual projeção prevê aumentos globais nos números de bovinos para 1,8 bilhão de cabeças, nos números de suínos para 0,97 bilhão, nos números de frangos para 24,3 bilhões e nos números de ovinos para 3 bilhões.
Além de aumentar a produtividade rural, as melhoras no manejo da cadeia de fornecimento, em particular o manejo da cadeia de frio, têm e continuarão tendo um importante impacto no crescimento desse setor. Isso é especialmente verdadeiro em muitos países em desenvolvimento onde a estocagem e o transporte de carnes têm sido limitados.
  • Consumo
O crescimento na demanda será impulsionado principalmente de grandes economias da Ásia, América Latina e países exportadores de petróleo (Figura 4). As economias emergentes também aumentarão sua demanda, onde o crescimento da renda e a urbanização fortalecerão a ingestão de proteínas animais à custa de alimentos de origem vegetal. Inversamente nos países desenvolvidos, onde a demanda está bastante saturada, uma desaceleração da renda e no crescimento populacional, o envelhecimento e a reincidência de medos relacionados aos alimentos (E. coli e salmonela) se combinarão para frear a demanda por carnes. O resultado líquido dessas tendências opostas a nível global aponta para um forte crescimento em uma base per capita, apesar de menor do que a registrada nas décadas anteriores.
Com relação ao período base, em 2021, os consumidores nos países desenvolvidos e em desenvolvimento colocarão quantidades adicionais similares de carnes em suas cestas anuais: 3,6 quilos e 3,2 quilos peso no varejo, respectivamente. Entretanto, as carnes escolhidas pelos consumidores são marcadamente diferentes. Cerca de 90% das carnes extras que os consumidores nos países desenvolvidos colocam em suas cestas é de frango, com exceção dos consumidores do Leste Europeu, onde as carnes vermelhas têm espaço adicional para crescimento. Inversamente, as carnes extras que os consumidores nos países em desenvolvimento escolherão é mais heterogênea, consistindo de 62% de frango, 19% de carne suína, 13% de carne bovina e 6% de carne ovina. Essas são médias, mas o consumo per capita deverá mudar de uma região para outra, dependendo de suas tradições locais. Elas, todavia, sinalizam uma tendência nos mercados, à medida que o consumo per capita de carnes progressivamente satura.
Figura 4.
  • Comércio
Direcionadas principalmente por uma expansão nos envios de carne de frango e bovina, as exportações mundiais de carne aumentaram 19% até 2021 com relação ao período base de 2009-11 (Figura 5). A maior parte do crescimento das exportações de carne deverá se originar principalmente da América do Norte e do Sul, que serão responsáveis por quase 70% do aumento total em todas as carnes exportadas até 2021. Essas duas regiões aumentarão sua participação combinada no comércio mundial de carnes de 61% para 63%.
As exportações de carne dos Estados Unidos deverão expandir significantemente no período previsto, devido à redução nas restrições às exportações relacionadas à Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), pela redução progressiva nas tarifas de importação pela Coreia, após a entrada em vigor do KORUS (acordo bilateral de livre comércio) em 15 de março de 2012,  pelo melhor acesso a mercados livres de febre aftosa e uma expansão da cota de importação da UE para carne bovina dos Estados Unidos livre de hormônios de crescimento. As exportações de carne da União Europeia deverão estagnar durante o período analisado devido à menor oferta doméstica de produtos após reformas políticas. O Japão deverá permanecer como o principal importador de carnes até 2021, seguido por China, México e Arábia Saudita. A Rússia, que deverá se unir à OMC em breve, permanece sendo um dos maiores mercados do mundo apesar de uma queda significativa nas importações totais de carnes.
Liderado por Brasil e Estados Unidos, o comércio de carne bovina durante o período previsto expandirá em 1,8% por ano. A maior presença da carne bovina americana no mercado “Pacífico” livre de febre aftosa afetará o desempenho de Austrália, Canadá e Nova Zelândia, cujas exportações deverão estagnar. As exportações de carne bovina brasileira ao mercado do Atlântico, que nos últimos cinco anos se reduziram devido ao um efeito combinado de forte crescimento na demanda doméstica, restrições sanitárias às exportações e queda na produção, alcançarão uma inflexão no começo do período analisado. A forte recuperação das exportações brasileiras de carne bovina será devido à expansão na produção doméstica, melhor cumprimento das regulamentações sanitárias de importação e sustentada demanda de importação do Oriente Médio. A Índia se beneficiará de um maior interesse dos consumidores em carne de búfalo e se classificará como o quarto maior exportador de carne bovina até 2021.
Figura 5.

Principais questões e incertezas
Uma série de direcionadores importantes de mercados e eventos macroeconômicos poderá alterar as projeções de mercado de carne desse relatório. A principal questão será a situação do mercado de alimentos animais e os fatores que afetarão sua evolução durante o período avaliado. Considerando a sensibilidade do setor de carne às condições macroeconômicas, qualquer distúrbio durante o período analisado, particularmente, mas não exclusivamente, nos países em desenvolvimento emergentes, poderia ter um grande impacto.
A Rússia tem sido tradicionalmente um importante importador de carnes, mas nos últimos anos, os setores de carne suína e de frango tiveram um crescimento sustentado. Esse relatório considera que essa tendência continuará, embora reduzida, durante o período analisado, com a Rússia obtendo um maior grau de autossuficiência e alguns excedentes exportáveis. Entretanto, se a entrada à OMC não ocorrer como considerado, o comércio será reduzido ainda mais do que o projetado. A posição de comércio líquido da China em relação à carne suína também é uma incerteza importante para os mercados mundiais. Devido a seus volumes extraordinários em termos de produção e consumo, eventos imprevistos na China poderiam facilmente reduzir os aumentos nas importações de carne suína do mercado mundial, com potencial de impactar severamente nos mercados internacionais. Na África do Norte e Oriente Médio, grandes importadores de carne ovina, de frango e bovina, as mudanças nos preços do petróleo ou, como recentemente ocorrido, os efeitos de uma guerra civil, têm potencial para impactar no comércio mundial de carnes.
Algumas doenças animais têm potencial para afetar a produção doméstica e regional de carnes. Apesar da erradicação de algumas ter se mostrado tecnicamente possível, também se mostrou cara. Países e regiões estão protegendo seu status de livre de doenças e fazendo grandes esforços para sustentar essa situação. A febre aftosa é um exemplo.
Além de afetar a produção doméstica, alguns surtos de doenças animais também causam efeitos radicais e duradouros no comércio. O mercado mundial para carne bovina, por exemplo, vem há décadas sendo dividido por rotas comerciais livres de febre aftosa (o mercado “Pacífico”) e o resto do mundo (o mercado “Atlântico”). O episódio relativamente recente de EEB (ano de 2004) é um exemplo da severidade do impacto no comércio mundial de carnes quando o país afetado é um grande exportador. Surtos de doenças que são zoonoses, como o H1N1, também são potenciais fatores que poderão impactar significantemente não somente no acesso a mercados, mas também, no comportamento dos consumidores.
O mercado mundial de carnes também está bastante fragmentado pela legislação específica dos países no que se refere a segurança alimentar e as restrições às importações representam um risco significante para a validade das projeções. Por exemplo, em maio de 2011, a Rússia impôs restrições sanitárias às importações de carnes de vários estados do Brasil. A barreira resultou em uma contração substancial do comércio bilateral de carne bovina e suína e o fim de dois anos de aumentos mensais (quase) ininterruptos nos preços mundiais de carnes. Essas projeções assumem que não haverá barreiras às importações com efeitos significantes e duradouros no comércio durante o período analisado.
Finalmente, os custos ambientais estão aumentando para produção de virtualmente todas as carnes e a nova legislação que condiciona a produção à proteção ambiental pode afetar o crescimento do setor. O setor pecuário é considerado por analistas e legisladores como um contribuinte essencial para as emissões antropogênicas de gases de efeito estufa. À medida que a população mundial e o crescimento das rendas expandem a demanda por produtos de origem animal, essas emissões deverão aumentar. Ainda não se sabe a extensão pela qual a produção pecuária poderá estar sujeita às restrições para mitigação de carbono na próxima década.
Mudança na produtividade no setor de carnes
A produção de carnes cresceu cerca de 300% nos últimos 50 anos e, como notou esse relatório, deverá ser uma das commodities de mais rápido crescimento, devido principalmente ao crescimento da renda e à ocidentalização das dietas em muitas economias emergentes. Ao mesmo tempo, o capital pecuário – número de bovinos, suínos, frangos e ovinos aumentou, em 57%, 137%, 400% e 49%, respectivamente. A mudança no “off-take” ou quantidade de carne produzida por animal no estoque aumentou substancialmente durante o tempo. Isso significa que menos animais são requeridos para alcançar certo nível de produção de carne. Essa medida parcial da produtividade captura uma série de mudanças características no setor de carnes, incluindo o número de descendentes por animal de cria, duração do período de engorda, e é claro, o rendimento de carne por cada animal abatido. No final das contas, as razões “off-take” implicam em um estoque menor de animais ou capital que é requerido para produzir carne e tem implicações consideráveis nos recursos. A Tabela 1 fornece exemplos de países selecionados de razões “off-take” para diferentes carnes, tendências recentes e taxas projetadas de crescimento futuro na próxima década.
As razões “off-take” por país e por tipo de animal podem variar por uma série de razões. As características de produção de carne variam por animal e por país dependendo da disponibilidade de pastagem ou terra arável, normas sociais e estado de desenvolvimento. Grandes diferenças nas razões “off-take” podem ser observadas, particularmente, notando que operações intensivas normalmente indicaram maiores razões “off-take” do que as menos intensivas. Operações de animais alimentados com grãos tipicamente mostram maiores razões “off-take”, à medida que os animais podem se abatidos mais jovens e a pesos maiores. Principalmente, as razões “off-take” parecem ser muito menores em países em desenvolvimento, particularmente para carne bovina. As razões parecem muito baixas para países da África, onde as taxas de crescimento são muito menores. Frequentemente, os animais são mantidos por outras razões do que simplesmente produção de carne, como para fornecer uma fonte de capital ou, no caso dos ovinos, fibras como lã. O crescimento histórico nas razões “off-take” tem sido alto para vários países emergentes, particularmente Brasil e China (e Índia e Rússia para carne suína). À medida que esses países aumentam sua produção de carne, suas razões “off-take” serão importantes no controle do tamanho de seus estoques de animais e problemas associados.
As tendências de projeções estimadas na Tabela 1 indicam, de forma geral, que a taxa de crescimento parcial na produtividade está desacelerando na maioria dos países. Deve-se notar que esse menor crescimento é a partir de uma base maior. Em geral, exceto para muitos países da África, as diferenças nas razões “off-take” têm se convergido em algum grau, apesar de não rapidamente. Parece haver espaço substancial para aumentar essa medida de produtividade em muitos países, oferecendo potencial para limitar o crescimento no número de animais em longo prazo e minimizar os recursos e custos ambientais associados com os maiores números.
Quadro 1:
Fonte: FAO, OCDE, traduzido e adaptado pela Equipe BeefPoint.

Gado gordo pelo mundo



FONTE: TARDÁGUILA AGROMERCADOS

terça-feira, 17 de julho de 2012

Contêiner ganha chip para agilizar exportação de carne em SC

Contêiner ganha chip para agilizar exportação de carne em SC
O rastreamento das exportações brasileiras de carne passará a ser eletrônico. Contêineres sairão das empresas com um chip, que substituirá pilhas de papéis e promete conferir mais agilidade aos processos nos portos.
A partir do mês que vem começa um período de 90 dias de testes em Santa Catarina. A expectativa é que em um ano todos os carregamentos de carne do país destinados ao mercado internacional saiam das agroindústrias com as etiquetas eletrônicas.
O sistema é resultado de parceria entre Fapesc (Federação de Amparo à Pesquisa e Inovação de SC), Sindicarne (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de SC) e Acav (Associação Catarinense de Avicultura), que já investiram R$ 500 mil.
Segundo o presidente do Sindicarne e da Acav, Clever Avila, o objetivo é reduzir em até 30% o tempo gasto desde a saída do contêiner da agroindústria até a liberação nos portos.
"Com as informações on-line sobre o carregamento, esperamos que o despacho dos contêineres seja até 18 horas mais rápido."
A mudança começa quando os contêineres são inspecionados por fiscais do Ministério da Agricultura, na saída das indústrias.
Nesse momento os lacres receberão um chip com as informações sobre a carga (como origem, tipo de produto e destino), certificados sanitários e documentos fiscais.
Radiofrequência - Segundo o presidente da Fapesc, Sergio Gargioni, ao entrar no porto, o contêiner passará por um portal que emitirá um sinal de radiofrequência e lerá o chip. Nessa fase de testes, apenas o porto de Navegantes (SC) contará com o leitor.
Ou seja, antes mesmo de o carregamento chegar ao local de embarque, despachantes aduaneiros poderão analisar os documentos e fazer a liberação das cargas.
Fonte: Circuito MT

RS deve ser primeiro a receber vistoria russa


Técnicos devem incluir no roteiro fazendas e frigoríficos de seis municípios do Estado
Marcela Caetano
A missão de técnicos russos que inicia suas atividades no Brasil na próxima segunda-feira, 23, deve ter como primeiro destino o Rio Grande do Sul. A equipe do Rosselkhoznadzor vai vistoriar as condições sanitárias de estabelecimentos exportadores de carnes por duas semanas no País.
O grupo será dividido em três equipes e, até o momento, o restante da agenda não foi revelado. A expectativa é de que o primeiro compromisso dos técnicos seja uma reunião em Brasília, na qual será batido o martelo no roteiro dos grupos. Contudo, existe a possibilidade de que a equipe embarque diretamente para o RS para dar início às avaliações.
No RS, as vistorias estão previstas para iniciar na terça-feira, 24, no município de São Gabriel, onde será avaliado um frigorífico. Em seguida, serão divididos dois grupos. Um, irá visitar unidadesde abate e fazendas de bovinos em Alegrete e Santa Maria. O outro, irá para propriedades e plantas de suínos e aves nos municípios de Santa Rosa, Santo Ângelo, Lajeado e na Serra Gaúcha.
“Nossa expectativa é de abrir o Rio Grande. O pessoal sentiu na pele a falta deste mercado, especialmente os criadores de suínos e aves, e sabem que é vital retomar os embarques. Por isso, foram feiras várias melhorias”, assegura o superintendente do Ministério da Agricultura no Estado, Francisco Signor.
Ele afirma que as plantas de abate de bovinos estão em dia e que o Estado oferece como diferencial o projeto piloto de controle de brucelose e tuberculose. A iniciativa, deverá ser utilizada como base para o programa nacional de combate a estas enfermidades. 
Nesta semana, a superintendência reuniu representantes do setor para orientar e verificar se foram corrigidas as falhas apontadas na missão que visitou o Estado em maio do ano passado e resultou no bloqueio das unidades de abate do RS.
Desde de 15 de junho de 2011, frigoríficos de carnes bovina, suína e de aves dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso estão impedidos de embarcar seus produtos para a Rússia.


“A perspectiva é de que os estados sejam liberados, mas não há sinalização quanto a isso. Vai depender do resultado das vistorias e das garantias que os governos Federal e Estaduais derem aos russos”, salienta o Presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.




Fonte: Portal DBO

Informalidade nas transações entre pecuaristas e frigoríficos é "falha," diz pesquisa


Por Andre Sulluchuco em 17/07/2012
As transações comerciais entre pecuaristas e frigoríficos demonstraram muita informalidade, segundo um estudo da engenheira agrônoma Silvia M.Q. Caleman.
A pesquisa apresentada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP mostra que isso é nocivo para o agronegócio brasileiro. “O debate do que gera ineficiência é muito complexo, mas o que pode-se dizer é que a transmissão de incentivos para os produtores de carne no Brasil é falha,” disse.
Coleman procurou investigar o que gerava ineficiência especificamente entre a criação de gado e venda para frigoríficos.
A pesquisa pode ser dividida em duas partes: na primeira, foi realizada uma avaliação teórica, na qual há seis tópicos descrevendo a natureza das falhas em sistemas agroindustriais.
Na segunda parte, Silvia fez dois ensaios empíricos numa tentativa de “entender nuances do mundo real.” Um deles investigou aspectos institucionais nos quais são estudadas as interferências legais e políticas do negócio.
O maior problema citado foi a informalidade do contrato entre os produtores pecuaristas e os distribuidores do produto. A ausência de garantias nas transações entre ambos representa instabilidade para os acordos comerciais, percebeu. Esta instabilidade abre espaço para o não pagamento pelo gado fornecido.
A pesquisa aponta para a relevância das ações coletivas dos pecuaristas como mecanismo de proteção para as pendências contratuais entre a indústria frigorífica e os fornecedores.
Para ler a matéria completa, clique aqui.
FONTE: CARNETEC,COM.BR

Sebo bovino - Direto para o tanque



Mesmo com problemas, o uso da matéria-prima já responde por 9% a 15% da produção de biodiesel, contribuindo para o aumento da produtividade
Num país que possui o segundo maior rebanho bovino do mundo, a cadeia do biodiesel, hoje, tem aproximadamente 80% da sua produção advinda da utilização do óleo de soja, principalmente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, impulsionada pelo Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) a partir da agricultura familiar e da negociação do biodiesel por leilões. Entretanto, o sebo bovino está sendo, cada vez mais utilizado, é o segundo no ranking na produção de biodiesel. Outras matérias-primas empregadas, embora, com menos intensidade, são a palma e a mamona, nas Regiões Nordeste e Norte, além do babaçu e do algodão, por exemplo. 
Ocupando papel relevante na cadeia do biodiesel, o sebo bovino mostra índice de 9% a 15% na produção do combustível renovável, podendo até mesmo aumentar sua eficiência, segundo pesquisa sobre a inserção desse produto na produção industrial do biodiesel do economista Gabriel Levy, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/Esalq) em Piracicaba, orientada pela professora Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES) da Universidade de São Paulo (USP).
O trabalho visou compreender os problemas da agroindústria do biodiesel, especificamente no que se refere àquelas indústrias que usam o sebo. Assim, Levy tratou de descobrir a significação dos diversos aspectos da utilização desse material de origem bovina que resultariam numa maior eficiência dentro da cadeia do biodiesel, além de averiguar se a administração da integração vertical é apropriada para o setor.
O sebo bovino, conforme o economista, tem até 93% de aproveitamento na produção do biodiesel, e o seu custo é baixo, já que, vale lembrar, o Brasil possui o segundo maior rebanho bovino do mundo. Em 2009, a participação desse produto na cadeia produtiva do biodiesel foi cerca de seis vezes maior do que a soma do uso da mamona e da palma.
Oito usinas de biodiesel que utilizam o sebo bovino como matéria-prima, em que duas são verticalizadas e as restantes que têm fornecimento de matéria-prima por transações frigoríficos/graxarias, foram estudadas pelo programa de pesquisa, que buscou, à observação do campo, apresentar a percepção dos produtores por meio de questionários e responder cinco hipóteses: o sebo bovino é um ativo específico; a mensuração dos atributos do sebo bovino é custosa; a normatização dos atributos técnicos da matéria-prima pode modificar a estrutura de mercado do sebo bovino e a governança do biodiesel; a criação de um selo ambiental para o uso da gordura no biodiesel aumentaria seu uso como matéria-prima; os ganhos de escala existente na produção do biodiesel induzem à verticalização para trás entre frigoríficos e usinas de biodiesel.
Por ser um ativo com qualidade constitutiva e características técnicas e físicas, esta última dada à cristalização do sebo a temperaturas inferiores a 12 graus durante o inverno, e para não arcar com perdas, muitas usinas compram o insumo em pequena escala, como atesta o economista em sua primeira hipótese. Observou-se primeiramente a necessidade de adaptações sobre o modal de transporte utilizado para o sebo entre frigoríficos/graxarias e as plantas do biodiesel, sendo que as características do veículo influenciam na qualidade do biodiesel, e a evidência de que a distância não representa agregação de custo de transação, quando a origem é o sebo bovino, para os produtores de biodiesel. 
Na hipótese dois, implica-se que a mensuração dos atributos desse material seja “custosa”, visto a necessidade de purificação da matéria-prima antes da transesterificação, afirmando o problema de heterogeneidade dos lotes fornecidos e a dificuldade de mensuração do nível de acidez, conforme alertado pelos entrevistados de Levy. Assim, “os custos de mensuração das propriedades físico-químicas do sebo bovino seriam altos”, relata o economista. Mas para reduzir os custos de mensuração, deve-se alinhar a normatização, para a produção do biodiesel, dos atributos técnicos do sebo. Isso, com a proposição verificada pela Teoria dos Custos de Mensuração (TCM) acerca da padronização de atributos. Fato que teria, como consequência, a abertura de meios para a geração de concorrência perfeita.
Na hipótese três, vê-se que os produtores respondem positivamente quanto à criação de normas técnicas para o sebo, condicionando os fornecedores a um melhor padrão de qualidade e impulsionando a estruturação do mercado de matéria-prima, o que levaria a melhores condições para o funcionamento de um mercado aberto. Hoje, no que diz respeito a uma transação adequada para esse material, o que dificulta a existência de um mercado relativamente organizado é a falta de um selo de qualidade que considerasse a produção de um sebo ideal.
O grupo frigorífico JBS, por exemplo, pode ilustrar o interesse de outros frigoríficos pela utilização do sebo bovino na produção do biodiesel, como relata Levy, visto que, além de já utilizar a matéria-prima na indústria de higiene e cosméticos, investiu R$ 42 milhões em uma planta de biodiesel, em Lins (SP), capaz de gerar 110 milhões de litros por ano.
Certificação
ambiental para
a matéria-prima
Os pontos fortes da utilização do sebo bovino na produção de biodiesel detectados pelo economista Gabriel Levy nessas usinas se destacam pelo largo aumento da produtividade sem a concorrência com a cadeia de alimentos, sendo uma das formas de diversificar as fontes de matéria-prima e por ser um meio ambientalmente mais adequado de destinação do resíduo. 
Entretanto, “a empresa Biocapital adquiriu sebo do frigorífico Quatro Marcos de Juara (MT) em 2008. Arrendado pelo Grupo JBS, o frigorífico teve suas atividades embargadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por operar sem a devida licença ambiental, e o fornecimento para a Biocapital foi interrompido”, relata Levy.
Assim, vê-se que os sintomas da falta de um mercado organizado têm como pontos negativos: problemas na aquisição da matéria-prima, com a má comunicação entre a cadeia produtiva do sebo e a do biodiesel; as variantes do preço do produto e a qualidade da matéria-prima, que pode dar como resultado custos adicionais aos produtores de biodiesel. Além disso, essas variantes podem ser, tanto para a regularidade quanto para a expansão da oferta do biodiesel a partir do sebo, fatores limitantes, considerando ainda que essa matéria-prima possa apresentar até 85% dos custos de produção do biodiesel. Levy explica que “a maior consequência desse problema é a geração de um combustível de má qualidade”.
Para isso, deve haver a padronização da matéria-prima e da extensão do selo social, respondendo à quarta hipótese. E para promover, uma vez que o sebo não está inserido no Selo Combustível Social, a coordenação entre os autores do ato transacional, deve-se produzir uma certificação ambiental para o sebo bovino. Criando, portanto, o Selo Ambiental e/ou Selo Combustível Social para a matéria-prima, incluindo os pequenos pecuaristas, aumentando o uso da gordura no biodiesel e, consequentemente, a escala produtiva do combustível. Já que, uma das principais características do PNPB, por meio do Selo Combustível Social criado pelo governo federal, é o cumprimento de um papel social.
Com essa construção de regência e com os ganhos de escala existente na produção do biodiesel, a integração vertical para trás, ligando os elos entre frigoríficos, graxarias e usinas de biodiesel, seria a melhor forma de administração para esse setor e poderia, também, promover a variedade de matérias-primas, assim como diminuir as emissões de gases poluentes. 
Pela periodicidade da demanda por sebo bovino na produção do biodiesel devido aos fatores climáticos sazonais em relação às baixas temperaturas, assim como as especificidades físicas e temporais, como perecibilidade, acidez e risco de cristalização, a quinta hipótese fora rejeitada por Levy, visando que, por causa desses fatores, as economias de escala no processo de produção do biodiesel não podem ser plenamente obtidas. 
Entretanto, “a verticalização representaria um meio de reduzir os riscos associados à baixa qualidade do material, como também diminuir custos vinculados à informação sobre o produto. Nesse sentido, a questão relacionada à informação justifica a percepção de que a integração vertical possa ser a configuração mais apropriada, uma vez que internalizaria as transações e reduziria os problemas relativos ao fornecimento”, diz o economista. Além disso, a obtenção de créditos de carbono por meio do sebo pode estimular a verticalização entre usinas e frigoríficos/graxarias tanto para o abatimento de suas emissões quanto para geração de receitas.


Por: Alanna Sartori Messora


FONTE: REVISTA SAFRA
http://www.revistasafra.com.br

Uruguay a un paso de ingresar a Corea con carne vacuna


El ministro de Ganadería, Tabaré Aguerre, dijo que “la decisión está tomada”

Uruguay quedó a un paso de ser autorizado a ingresar con carne vacuna a Corea, un mercado de alto valor que se cerró en 2001, cuando los brotes de fiebre aftosa le hicieron perder al país el estatus sanitario de libre sin vacunación.
“Tenemos información que esa decisión sería tomada y la expectativa de poder comunicarla esta semana o la semana próxima”, adelantó anoche a El Observador el ministro de Ganadería, Agricultura y Pesca (MGAP), Tabaré Aguerre.
Desde Corea, donde encabeza una delegación del gobierno uruguayo, Aguerre agregó vía telefónica que “tenemos entendido que la decisión estaría tomada, a tal punto que la semana pasada Corea le hizo la consulta a Uruguay sobre un borrador de requisito de sanidad, es decir, un formulario técnico por el cual el país se compromete a certificar los embarques”.
El ministro de Ganadería agregó que Uruguay “contestó al día siguiente que estaba en condiciones de cumplir con esa normativa” y agregó que ahora solo “faltaría que Corea publique en el diario oficial la decisión, que es un trámite administrativo que nos dijeron que llevaría entre 15 días y un mes”.
Después de la publicación de la autorización restaría “el viaje de una misión coreana a Uruguay para aprobar los establecimientos de exportación y que haya un acuerdo sobre el formato del certificado que la autoridad sanitaria uruguaya tiene que expedir en el momento de la exportación” de la carne vacuna, agregó Aguerre.
El ministro enfatizó que “como en este viaje me acompaña el doctor Francisco Muzio”, director de los Servicios Ganaderos del MGAP, “viajamos también con los borradores de ese certificado de sanidad animal para poder dejarlo acordado en una reunión que se realizará el viernes” próximo, un día antes que la delegación emprenda el retorno a Uruguay.
“No hay que vender la piel de oso antes de cazarlo. No me gusta hacer anuncios y decir que esto está terminado, pero creo que está muy cerca. Estamos en la última visita como para que todo quede pronto, lo que sería una excelente noticia para la producción cárnica nacional. Una excelente noticia para los productores, para los industriales y para los trabajadores de la cadena” cárnica uruguaya, remarcó Aguerre.
El ministro recordó que Uruguay tuvo un período de acceso “muy breve” al mercado cárnico de Corea en el año 2000, cuando tenía un estatus sanitario libre de fiebre aftosa sin vacunación. Ese primer año, Uruguay vendió a Corea entre 5.000 y 6.000 toneladas de carne vacuna, “a precios muy buenos. En 2001 perdimos ese mercado por la fiebre aftosa y ha costado mucho recuperarlo”, acotó.
Aguerre recordó que Uruguay comenzó las tratativas para reabrir el mercado coreano para la carne vacuna en 2006, con la firma de un acuerdo de inspección de los servicios sanitarios. En 2009, el entonces director de Asuntos Internacionales del MGAP, Mario Piacenza, viajó a Corea para entregar información solicitada y “en 2010 pusimos el pie en el acelerador” para lograr la apertura, concluyó el ministro.
Un mercado apetecible
Por otra parte, el ministro de Ganadería dijo que Corea es “un mercado que tiene 50 millones de habitantes, con un desarrollo económico que todo el mundo conoce y admira, con un ingreso per cápita de US$ 30.000 al año y una forma de vida occidentalizada”.
Aguerre recordó que sólo el 16% de la superficie de Corea es cultivable –la extensión de Salto y Tacuarembó juntos– y reveló que “en los últimos 10 años pasó de consumir 8 kilos de carne vacuna por habitante por año a 16 kilos por habitante”.
FONTE: EL OBSERVADOR

2º ENCONTRO NACIONAL DA PECUÁRIA DE CORTE


As instituições representantes da pecuária de corte brasileira, bem como, as
empresas frigoríficas e a representante dos varejistas, todas signatárias do presente
documento, objetivando a construção de uma “Agenda Positiva da Carne Bovina”
para o Brasil, elencam como prioridades dos trabalhos de construção desta agenda,
os itens a seguir discriminados:
1) Estudar  as vantagens e  as  desvantagens da formação do preço  da carne
bovina que hoje é São Paulo e, se for o caso que praça formará o preço;
2) Transparência no peso, implantando a comercialização de boi no peso vivo;
3) Liberação do uso de implantes para engorda;
4) Padronização de carcaça e de abate;
5) Implantação do Consecarne;
6) Propor a implantação do PEPRO para a carne bovina;
7) Propor e atuar para a isenção de PIS/COFINS em toda a cadeia da carne
bovina;
8) Divulgar de forma estratificada e regional os preços da carne bovina;
9) Criação de um seguro garantidor para assegurar a liquidez ao pecuarista;
10) Estudar formas de valorar os subprodutos da carne;
11) Buscar novos mercados através de um amplo trabalho de marketing
compartilhando custos;
12) Criação de um fundo para alavancar recursos para investimentos  em
Marketing;
13) Estimular a concorrência através de estímulos aos pequenos e médios
frigoríficos;
14) Estabelecer parcerias e alianças mercadológicas para a produção e
comercialização de carnes diferenciadas;
15) Inclusão de carne bovina na merenda escolar e cesta básica;
16) Controle da utilização de caroço de algodão na produção de carne;
17) Comunicação na cadeia;
18) Confiança e Transparência;
19) Qualidade da carne;
20) Sustentabilidade ambiental, econômica e social;
21) Margens ao longo da cadeia;
22) Produtividade e eficiência;
23) Métricas: Manejo pré-abate
24) Criação de indicadores regionais de preços;

FONTE: AGROLINK.COM.BR

Prejuízos causados pelas lesões em carcaças no abate


A carne é considerada um alimento extremamente nutritivo e saudável, sendo fundamental para a dieta dos seres humanos. O Brasil se destaca por sua produção, possuindo o maior rebanho bovino comercial do mundo, sendo o segundo maior produtor de carne e um dos maiores exportadores do mundo (ABIEC, 2012). Com a constante melhora da genética e produtividade, as perspectivas para a pecuária bovina são otimistas. Porém existem alguns fatores que interferem negativamente na lucratividade do setor e na qualidade da carne. Atualmente a busca por melhor qualidade reflete uma frequente preocupação entre os consumidores, que preconizam um alimento de alta qualidade, além de mercados ainda mais exigentes e uma forte atenção com o bem-estar animal.
Um dos fatores que interferem na qualidade da carne e na lucratividade do setor são as lesões nas carcaças dos bovinos retiradas no abate. Essas lesões podem estar relacionadas a vários fatores, como o manejo antes do abate realizado na propriedade, a aplicação de vacinas e medicamentos de forma indevida, o transporte dos animais e o manejo realizado no frigorífico. Estima-se que nos Estados Unidos essas perdas sejam de aproximadamente US$ 75 milhões, e na Austráliaem torno US$ 20 milhões (BRAGGION e SILVA, 2004). No Brasil não há muitas pesquisas relacionados a essas perdas, mas de acordo com um levantamento realizado na linha de abate foi constatado uma perda anual de US$ 11,3 milhões, somente devido a lesões por aplicação de vacinas e medicamentos (MORO e JUNQUEIRA, 1999).
Dos fatores citados acima, o manejo pré-abate, e a aplicação de medicamentos, são responsáveis pelos maiores prejuízos no frigorífico (MORO et al., 2001). As condenações parciais de carcaças estão relacionadas geralmente a abscessos provenientes de vacinas e medicamentos e por hematomas formados pelo manejo de embarque e desembarque e pelo transporte.
Segundo Braggion e Silva (2004) as lesões por vacinações correspondem a 44,6% do total de alterações nas carcaças, e causam sérios prejuízos. As lesões vacinais geralmente ocorrem pela formação de abscessos que se formam por várias razões. As mais comuns são a má refrigeração, falta de higiene e erros na aplicação (CAMPOS et al., 2008). Os materiais usados nas vacinações, como seringas e agulhas, devem ser descartáveis e outra alternativa é o uso de pistolas (seringas dosadoras), porém estas devem ser desinfetadas para a realização da vacinação. As pistolas são de grande eficiência, pois armazenam várias doses de vacina ou medicamento, economizando tempo e mão de obra durante o manejo.
As condenações são realizadas de acordo com a legislação brasileira (BRASIL, 1952), de acordo com ela, todas as áreas de carcaças que apresentam formação de abscessos devem ser condenadas e se houver contato de pus em outras partes ou até mesmo em partes de carcaças próximas àquela acometida, tais partes deverão ser descartadas, semelhantemente ao destino dado aos abscessos.
O embarque é considerado como “o início do manejo pré-abate”, sendo este o processo que torna os bovinos mais susceptíveis ao estresse (PEREIRA e LOPES, 2008). Além disso, em algumas situações os responsáveis pelo embarque não possuem conhecimento dos princípios básicos de bem-estar animal e utilizam ferrões, objetos pontiagudos e choques elétricos de forma indevida que podem causar lesões durante o processo de condução e entrada dos animais nos caminhões de transporte. Se as operações de transporte, embarque e desembarque dos animais forem bem conduzidas, reduzem o estresse e as lesões, significativamente (ROÇA, 2008).
Segundo Braggion e Silva (2004), chifradas, coices, pisoteios e tombos representaram 24,65% das lesões, que geralmente estão relacionadas a problemas de manejo. Em um estudo citado por esses mesmos autores, rebanhos com25 a50% dos animais com chifres tinham 10,5% de lesões e com a retirada destes animais houve uma redução de2 a5% das lesões.
A área acometida por uma contusão possui uma aparência ruim e desagradável, sendo necessária, na maioria das vezes a remoção, o que causa perda de peso e de seu valor comercial, como também a propensão a contaminações, devido à presença de sangue que é um ótimo meio para o desenvolvimento microbiano (PEREIRA e LOPES, 2008).
Para que as perdas econômicas por lesões sejam diminuídas e boas condições de bem-estar animal seja uma prioridade, devemos nos conscientizar e tomar medidas como: boas práticas durante a aplicação de vacinas e/ou medicamentos, seguir rigorosamente as instruções do fabricante sobre as condições de armazenamento de vacinas e locais de aplicação, adotar práticas de manejo racional na propriedade com o objetivo de diminuir a quantidade de lesões e melhorar o bem-estar animal, avaliar se as instalações da propriedade estão sendo eficientes e a capacitar constantemente os responsáveis pelo manejo realizado na propriedade.

Por Olyntho Dellamanha - Graduando em Medicina Veterinária e estagiário do Dpto. Técnico Ourofino
FONTE: BLOG.OUROFINO.COM

MILHO NO BRASIL



FONTE: http://www.clebersonmsouza.com/

segunda-feira, 16 de julho de 2012

De onde vem a pressão?

O mercado do milho tomou um rumo diferente em julho. Desde o começo do mês os preços subiram no mercado internacional, repercutindo em aumentos também no mercado brasileiro.

Em Campinas-SP, a saca de 60kg está cotada em R$29,00. Uma alta de 13,7% em relação ao começo do mês. Veja a figura 1.



Mas de onde vem essa pressão, considerando que, no Brasil, estamos em plena colheita do milho de segunda safra e a expectativa é de uma oferta de 12 milhões de toneladas a mais em relação à passada? 

O principal ponto é a qualidade do milho norte-americano 2012/2013.

Nos últimos relatórios de acompanhamento de safra, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) revisou para baixo a porcentagem de lavouras em condições boas e excelentes (figura 2).


Com este cenário, o USDA diminuiu as estimativas com relação à produção e estoques finais de milho nos Estados Unidos.

No relatório de oferta e demanda divulgado no dia 12 de julho, o Departamento estimou a produção norte-americana em 329,45 milhões de toneladas em 2012/2013.

Este volume é 12,3% menor na comparação com a estimativa apresentada no relatório anterior (junho). O clima seco e quente está prejudicando as lavouras.

Com isso, os estoques finais nos Estados Unidos foram reduzidos para 30,0 milhões de toneladas em 2012/2013. 

No relatório de junho a estimativa do USDA era de 47,8 milhões de toneladas.

Considerações finais 

Em curto prazo, a expectativa é de mercado firme para o milho.

Além do cenário atual no mercado internacional, a valorização do dólar frente ao real e a boa oferta de milho no mercado interno devem favorecer as exportações brasileiras.Choveu nos Estados Unidos nos últimos dias, mas os volumes nas regiões produtoras de milho foram abaixo do esperado.

Para as próximas semanas a expectativa é de chuva, porém em volumes menores no corn belt ou cinturão do milho (figura 3).


Por outro lado, é preciso acompanhar a evolução da colheita do milho safrinha no Brasil e o aumento da disponibilidade do grão no país.

FONTE: SCOT CONSULTORIA

JBS lança vídeo comemorando o Dia do Pecuarista, em 15/jul


O frigorífico JBS está divulgando um vídeo em homenagem aos pecuaristas brasileiros, para comemorar o Dia do Pecuarista, neste sábado, 15 de julho.
Fonte: JBS,adaptada pela Equipe BeefPoint.

Exportação de boi vivo sem tributo


É possível afirmar que a instituição do imposto de exportação sobre o gado em pé, na verdade, acabaria com essa atividade no país (poderia ocorrer de o imposto ser instituído para incidir sobre um nada)
Eduardo Diamantino*
Boas notícias não são abundantes em direito tributário. Quando acontecem, merecem um comentário e uma pequena análise sobre o mal que poderiam ter causado. Nesse sentido, vale comemorar a acertada decisão proferida pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em 11 de junho, que, por unanimidade, rejeitou a criação do estrambótico imposto de exportação de gado em pé.
A ideia, patrocinada por entidades representativas dos frigoríficos brasileiros, que atende a dois conglomerados gigantescos, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), da União Nacional da Indústria e Empresas da Carne (Uniec) e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), pretendia impedir a exportação de gado vivo, alegando que não se deve exportar matéria-prima e sim produtos acabados. Uma ideia boa que foi totalmente distorcida, chegando ao absurdo de taxar as exportações. O argumento é que a exportação de gado em pé demonstrou uma significativa expansão nos últimos anos, o que poderia vir a limitar a oferta de carne no país. Entretanto, dados mostram que o rebanho e o consumo de carne e de couros no Brasil têm aumentado, apesar do crescimento das exportações de bovinos vivos.
Atualmente, o Brasil exporta gado em pé para a Venezuela e para alguns países de origem muçulmana. Os últimos importam o animal vivo por questões religiosas. Os muçulmanos só comem carne bovina quando o abate é realizado de determinada forma (abate halal). A Venezuela, por sua vez, que em 2011 foi o destino de 79,32% das exportações do boi vivo, importa o gado em pé porque, desde que assumiu o poder, o presidente Hugo Chávez já expropriou milhões de hectares de fazendas locais — e nem precisamos dizer que sob a gestão estatal as propriedades perderam muito da capacidade produtiva. Dessa forma, a importação de animais vivos serve como forma de manter em funcionamento os frigoríficos venezuelanos.
Com essas considerações, é possível afirmar que a instituição do imposto de exportação sobre o gado em pé, na verdade, acabaria com essa atividade no país (poderia ocorrer de o imposto ser instituído para incidir sobre um nada). Isso porque o valor do imposto — os frigoríficos sugeriram alíquota de 30% —, somado ao custo do transporte, muito provavelmente tornaria o produto brasileiro desinteressante para o mercado internacional. E o que é pior: a instituição do imposto não faria com que os países que atualmente importam o animal vivo passassem a importar a carne brasileira in natura, porque, como referido, os países importadores têm um interesse peculiar pelo boi vivo.
A impressão que a situação passa é a de que o objetivo dos frigoríficos é limitar o mercado dos pecuaristas, que ficariam reféns dos interesses dos primeiros. Em outros termos, os frigoríficos, com a medida, almejavam criar reserva de mercado — o que restringiria a capacidade do produtor rural de vender sua produção. Isso deixaria os produtores rurais como escravos dos interesses dos frigoríficos. O Brasil é um dos maiores criadores de gado do mundo e, atualmente, o maior exportador de carne bovina, com potencial de crescimento. Por isso, o país necessita de produtores rurais fortes no mercado, com capacidade de investir na melhoria genética dos animais e também nas pastagens, de forma a aumentar a qualidade e oferta do produto no mercado interno e mundial.
Ademais, o efeito de vetar exportações criando reserva de mercado desestimula a produção de carne. Não é novidade que em economia o melhor remédio é o mercado. A prova cabal dessa alegação são os nossos irmãos argentinos. Lá, entenderam por bem proibir a exportação de bovinos vivos, entre outras atrocidades. O resultado revelado pela própria Abiec, aquela que queria criar o famigerado imposto, não deixa dúvidas: em 1995, o Brasil tinha rebanho de 161.228.000 cabeças. Em 2010, passamos a ter 209.541.000 cabeças. Um crescimento de 30%, à base de muita exportação. Em contrapartida, os argentinos saíram de 52.649.000 para 48.950.000 cabeças, no mesmo período, um decréscimo de 7%, graças à barreira de mercado.
No comércio internacional, consagrou-se a ideia de que os países devem exportar produtos e serviços, e não tributos. E a Constituição Federal de 1988 chancelou essa ideia. Os dispositivos que imunizam produtos e serviços destinados ao exterior da incidência de impostos, bem como aquele que imuniza a receita decorrente de exportação da incidência de contribuições, revelam essa opção da Carta da República de desonerar de tributos os produtos e serviços destinados à exportação, de forma a garantir (ou, pelo menos, permitir) a competitividade deles no mercado internacional. Não custa transcrever os dispositivos da Constituição Federal que regem o assunto:
Art. 155. Compete aos estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
(…) II – operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;
Parágrafo 2º – O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:
X – não incidirá:
a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores (…)”
Atualmente, o Imposto de Exportação é plenamente justificado no caso do cigarro e das armas. Nesses exemplos, taxaram-se os produtos em um movimento de defesa do mercado, para se evitar que uma vez exportados retornassem ao nosso país de forma incorreta.
Diante desse conjunto de disposições constitucionais, a conclusão a que se chega é: imposto de exportação só deve ser instituído em situações excepcionais. E é por isso que a doutrina afirma que o imposto de exportação possui função extrafiscal, ou seja, essa espécie de imposto não serve (ao menos não exclusivamente) como forma de arrecadação, mas sim como instrumento de implementação de uma política pública, seja cambiária, econômica ou social.
*Sócio do escritório Diamantino Advogados Associados em São Paulo e vice-presidente da Academia Brasileira de Direito Tributário (ABDT).

Calmaria no mercado de boi gordo

Com escalas alongadas e chegada do boi a termo, figoríficos saem das compras 
Mônica Costa

A menor procura por bois para abate, típica dos finais de semana, e a pressão exercida pelos frigoríficos que seguem com escalas confortáveis, explicam a calmaria no mercado do boi gordo nesta sexta-feira, 13.
Poucos negócios foram fechados e a indústria mantém uma programação de abates de seis dias, em média, mas há escalas maiores. A oferta atual de boiadas composta por animais de pasto e confinamento inclui também animais negociados no mercado à termo que começam a ser entregues. Para a próxima semana o mercado tende a se manter pressionado devido às escalas confortáveis e grande oferta de animais.
Em São Paulo, o indicador boi gordo da Esalq BM&FBovespa registrou recuo de 0,91% na sexta-feira, 13, e a média da arroba nas praças paulistas atingiu  R$ 91,5 à vista. Nas compras a prazo, a queda foi 0,75%, para R$ 91,84/@.
A retração nos abates devido às dificuldades no escoamento da carne deu folego às cotações no mercado atacadista de carne com osso.
No mercado futuro, os contratos com vencimento em julho encerraram o pregão a R$ 91,42/@, aumento de 1,53% na comparação com o fechamento anterior. Para outubro, os contratos terminaram a sexta-feira cotados a R$ 96,23/@, reajuste de 1,77%.
Confira AQUI as cotações das principais praças

Fonte: Portal DBO com informações Scot Consultoria

Russos chegam ao Brasil dia 23



Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirma para o próximo dia 23 a visita ao Brasil de uma missão de veterinários russos. Roteiro ainda não está definido, adianta o chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa) em Mato Grosso, Leandro Machado. Mas como o objetivo é vistoriar as condições sanitárias dos estabelecimentos exportadores de carne, a expectativa é que o Estado, assim como Paraná e Rio Grande do Sul, sejam visitados no período de duas semanas em que os técnicos estarão no Brasil.

Nestes 3 estados, as plantas aptas à comercialização com aquele país foram embargadas há quase 1 ano (15 de julho de 2011). Na época, o veto à exportação envolveu cerca de 20 unidades em Mato Grosso, sendo 16 de carne bovina e 4 de suína e outras 66 no Paraná e Rio Grande do Sul. Levantamento realizado pelo Sindicato das Indústrias Frigoríficos em Mato Grosso (Sindifrigo), com base nos números divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) mostra que as exportações matogrossenses da carne bovina permaneceram estáveis no acumulado de janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2011.

Até maio, o volume de embarques totalizou 70,468 mil toneladas, gerando receita de US$ 329,012 milhões. Em quantidade, o resultado foi 0,05% superior ao registrado em igual período de 2011, quando foram exportadas 70,427 mil (t). Em receita, a variação foi de 0,89%, com US$ 326,078 milhões. Diretor do Sindifrigo, Paulo  Bellincanta, lembra que há 1 ano as indústrias frigoríficas vêm reivindicando intervenção do governo para mudança do veto russo. “Eles alegaram problemas sanitários, mas isso não procede”. Bellincanta diz que a Rússia é o principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo cerca de 40% das exportações do produto.

Para suinocultura o embargo trouxe prejuízos ainda maiores, comenta o diretor da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues. “Nossa exportação caiu 56% nesse ano em comparação com 2011”.

domingo, 15 de julho de 2012

Análise: Exportação de carne cai no 1º semestre e afeta balança brasileira


JOSÉ VICENTE FERRAZ
 
Folha de São Paulo
O desempenho das exportações brasileiras em junho foi bastante fraco e gerou o pior superavit semestral da balança comercial nos últimos dez anos.

A interpretação geral desse resultado é que, diante da crise econômica que se concentra na Europa, mas não se restringe a ela, os compradores estão mais escassos, enquanto a concorrência para exportar se acirra.

No caso das principais três carnes (frango, bovina e suína), o resultado da exportação ficou bem abaixo das expectativas, ao recuar em volume, em valor e em preços médios tanto em relação a junho de 2011 como a maio deste ano.

Parece oportuno analisar cada caso, pois, se o desempenho alcançado em junho pelas exportações se transformar numa tendência duradoura, as cadeias produtivas das três carnes sofrerão impactos importantes decorrentes de possíveis quedas de preços e o consumidor poderá, nesse sentido, ser beneficiado.

No caso da carne de frango, as quedas no volume exportado em junho ante junho de 2011 e maio deste ano foram de, respectivamente, 7,4% e 15%.

São percentuais significativos, mas que perdem um pouco da relevância quando se observa que, no acumulado do primeiro semestre em relação a igual período de 2011, houve crescimento de 3,5% nos embarques.

As exportações de carne bovina, em volume, recuaram também em junho em relação a junho de 2011 (4,5%) e em relação a maio (10,7%), queda inferior à registrada para a carne de frango.

Essa queda pode também ser relativizada quando se verifica que, no primeiro semestre, os volumes embarcados cresceram pouco mais de 1% em relação ao volume do primeiro semestre de 2011.

Finalmente, no caso das exportações de carne suína, as quedas no volume exportado em junho foram de expressivos 16,3% em relação a junho de 2011 e de 18% em relação a maio passado.

Nesse caso, a situação parece mais grave, pois, além de as quedas serem maiores, numa análise de mais longo prazo se observa estagnação dos volumes embarcados.

Em termos de valor das exportações, os resultados de junho foram ainda piores que os de volume, mas talvez seja possível considerar que, diante da desvalorização do real ante o dólar, os importadores tenham sido estimulados a barganhar maiores descontos, o que pode minimizar um pouco os resultados.

Em síntese, pode-se dizer que os resultados das exportações de carnes em junho colocam em xeque as expectativas de desempenho, em 2012, até melhor do que o registrado em 2011, notadamente para as carnes bovina e de frango, que, por algumas características específicas de mercado e a competitividade da produção nacional, se acreditava até certo ponto imunes a perdas mais substantivas de mercado.

É preciso apurar até que ponto os resultados alcançados decorrem de uma situação conjuntural de um mercado menos comprador ou se, efetivamente, a produção nacional está perdendo competitividade e, nesse caso, quais fatores estão levando a isso.
 

CNA: MP do novo Código Florestal traz mais segurança jurídica


A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, disse, nesta quinta-feira (12/7), que o parecer do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) à Medida Provisória 571, que complementa o novo Código Florestal (Lei 12.651/12), traz novos avanços para a legislação ambiental brasileira, que contribuirão para garantir segurança jurídica no campo. “Pela primeira vez, o Congresso Nacional está tendo a oportunidade de decidir sobre o tema e está construindo um texto que trouxe tranqüilidade e segurança jurídica aos produtores” destacou a senadora, ao defender o relatório aprovado pela Comissão Especial Mista que avaliou a Medida Provisória.
Para a senadora, a MP que complementa o novo Código traz equilíbrio entre a produção de alimentos e a preservação ambiental, o que ajudará o Brasil a continuar produzindo alimentos, biocombustíveis e florestas plantadas em 27,7% do território nacional, conservando intactos 61% dos seus biomas. Apesar de considerar que ainda há ajustes a serem feitos, ela listou vários pontos positivos na nova legislação, tanto na nova lei, como na MP, fruto do debate democrático no Legislativo, onde, segundo ela, prevaleceu a vontade da maioria.
Entre estes pontos, a presidente da CNA citou a flexibilização na recomposição das Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas margens dos rios, cujas faixas mínimas de metragem, na maioria dos casos, irão variar de 5 a 20 metros para os rios com até 10 metros de largura, nas propriedades com até 10 módulos fiscais, e faixas máximas de 100 metros. “Na lei anterior, as faixas eram de 30 a 500 metros”, lembrou. Sobre este ponto, a senadora informou que certamente serão apresentados destaques para delegar aos Estados a responsabilidade de decidir as metragens nas margens dos rios.
A senadora mencionou outros avanços do texto, como o cômputo das APPs (Áreas de Preservação Permanente) no cálculo da reserva legal, a conversão das multas em serviços de preservação ambiental, o fim da obrigatoriedade de averbação das áreas de reserva legal em cartório, e a isenção de recomposição de reserva legal nas propriedades com até quatro módulos fiscais. Os produtores terão estes benefícios a partir da adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA). Ela destacou, também, a consolidação das atividades agropecuárias e da infraestrutura em APPs.
Entre os pontos a serem resolvidos, ela citou a mudança no conceito de veredas que, no texto da MP, impede o uso do potencial das culturas irrigadas. “O Brasil tem um potencial de 30 milhões de hectares e só utiliza cinco milhões de hectares de áreas de irrigação. Não podemos obstruir nosso potencial para produzir mais e o instrumento que temos é a ampliação do uso das áreas de irrigação. O assunto não está encerrado e, com certeza, haverá destaques para esta questão”, ressaltou.
Fonte: CNA

sábado, 14 de julho de 2012

Na Europa, produtores recebem 20% a mais do que o mercado na carne bovina devido a subsídios


Os subsídios agrícolas concedidos pelos países desenvolvidos alcançaram US$ 252 bilhões em 2011, ou 4,6% a mais do que no ano anterior, segundo levantamento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A entidade ressalta que a alta registrada foi em dólar. O valor em euros (182 bilhões) permaneceu idêntico ao de 2010. O volume representa 19% das receitas agrícolas totais na OCDE, o menor nível observado desde que a entidade começou a calcular o apoio aos agricultores nos anos 1980. No ano passado, a OCDE havia publicado que os subsídios de 2010 tinham representado 18% da receita total, mas agora o índice subiu para 20%, com a sua revisão.
O recente declínio no apoio aos produtores ocorreu em virtude do aumento no preço das commodities no mercado mundial, mais do que em razão de mudanças nas políticas agrícolas. Com as cotações dos produtos em alta, agricultores americanos, europeus e asiáticos precisaram de menos ajuda.
Em todo caso, os subsídios que causam uma distorção no comércio – definidos como pagamentos baseados na produção – ainda representam 51% do total, comparados aos 86% entre 1986 e 1988.
Alguns países tentam cortar a ajuda ligada à produção e implantam o pagamento baseado em área histórica, número de rebanho, renda agrícola, etc. Quanto menor a ajuda ligada à produção, o produtor terá menos necessidade de aumentar a colheita com o objetivo de obter maiores subsídios.
A Nova Zelândia continua a dar o menor apoio aos seus agricultores, de apenas 1% da renda agrícola, e na Austrália são concedidos 3%. Os campeões continuam a ser Noruega (58%), Suíça (54%), Islândia (48%) e Coreia (45%).
Na União Europeia, os subsídios alcançaram US$ 103,1 bilhões, equivalente a 18% da renda agrícola. Na média, os agricultores recebem 5% a mais do que os preços praticados no comércio mundial. Mas alguns produtos tem benefícios maiores, como o caso do açúcar (preços 6% mais altos), carnes bovina e ovina (20% superior), além de barreiras para importações que permitem que produtores de frangos ganhem 50% mais que os preços de mercado.
Nos EUA, a ajuda alcançou US$ 30,5 bilhões, representando 8% da renda agrícola, abaixo da média da OCDE. Os preços ao produtor eram 13% mais altos do que no mercado internacional entre 1886 e 1988, mas recuou para 1% entre 2009 e 2011.
No Japão, o apoio aos agricultores totalizaram US$ 61 bilhões no ano passado contra os US$ 55,2 bilhões em 2010. Os preços recebidos por eles eram 1,8 vezes mais altos do que no mercado mundial.
Fonte: jornal Valor Econômico

Pressão baixista também sobre a reposição


Queda de preços para a reposição nesta semana. O mercado está influenciado pela boa oferta de animais e pelo momento de preços frágeis para o boi gordo.
A ausência de boas perspectivas para o preço dos animais terminados impacta diretamente as cotações da reposição, principalmente as das categorias mais próximas à terminação, por terem o retorno do investimento atrelado a estas cotações - do boi ou vaca gorda.
O valor do contrato futuro de boi gordo para novembro, em oito dias úteis, até o fechamento do dia 11/7, caiu 4,0%, passando de R$99,50/@ para R$95,50/@.
O ânimo dos confinadores será testado frente a este cenário, e é bem provável que tenhamos mudanças nos planejamentos de engorda no segundo semestre.
Analisando o preço do boi magro, em relação ao início do ano, a atual cotação da categoria em São Paulo, de R$1,15 mil/cabeça, está 5,7% menor, em valores nominais.
Agora é ficar de olho nas relações entre o boi e a reposição. Em momentos de pressão sobre o mercado pecuário, pode haver oportunidades nas trocas.
Colaborou Gustavo Aguiar, zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria.