segunda-feira, 23 de julho de 2012

Boi gordo nos EUA desvaloriza 4,5% entre 19/jun e 17/jul


Em 18/jul, o Brasil tinha os menores preços pagos pelo boi gordo entre os principais países produtores. Os frigoríficos pagavam em São Paulo US$ 3,07/quilo de carcaça, no RS US$3,19 e no MS US$2,90, preço maior somente do praticado no Paraguai, de US$ 2,69. Ns três estados, houve desvalorização de 0,3% e 1,0% em SP e MS e valorização de 2,2% no RS no período de trinta dias. No Paraguai, houve desvalorização de 0,7%.
Os maiores preços do boi gordo são encontrados na União Europeia, a US$ 5,01 e nos EUA, a US$ 4,01 e neste mesmo período, houve desvalorização de 1,4% na UE e 4,5% nos EUA. A maior desvalorização do boi gordo ocorreu na Argentina, de 6,7% no animal para exportação (US$ 3,60) e 9,1% no mercado interno (US$ 3,51).
FONTE: BEEFPOINT

Pecuaristas estão preocupados com aumento de furtos de gado no RS

No primeiro semestre deste ano, cerca de dois mil animais foram levados.
O prejuízo é grande em 11 municípios da região.


Há mais de 30 anos, o pecuarista Waldecy Machado é vítima de ladrões de gado. Recentemente, oito vacas avaliadas em R$ 12 mil foram abatidas dentro da propriedade, em Santana do Livramento. Para chamar a atenção, o pecuarista colocou as cabeças dos animais na cerca junto com uma faixa de protesto “Aqui jaz o fruto da impunidade”, às margens da BR-293.
Em Bagé, de duas a três propriedades são atacadas por semana. O produtor João Rubim calcula que já teve 70 animais furtados. O prejuízo é de quase R$ 140 mil.
Preocupados com o aumento dos casos de furto de animais, pecuaristas de Dom Pedritoresolveram se prevenir contra os crime. Eles contrataram seguranças para tentar diminuir as ocorrências.
“Uma dos motivos que fazem elevar este número é que o crime tem pena prevista de um a quatro anos, então muitas vezes, a gente faz o trabalho, identifica os autores, mas a prisão é difícil porque a pena é muito branda”, explica Cristiano Ritta, delegado de Polícia de Bagé.
A polícia investiga uma quadrilha especializada em furto de gado com integrantes em Bagé,Pelotas e Rio Grande.
FONTE: GLOBO RURAL

Pecuaristas vão se reunir com Abiec para propor Consecarne

Na próxima terça feira, dia 24, pecuaristas de todo país, liderados pela Frente Nacional da Pecuária – Fenapec – vão se reunir com a diretoria da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne – Abiec – para discutirem uma agenda positiva da cadeia produtiva da carne bovina.
Segundo informou Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista –UDR –, entidade que faz parte da Fenapec e discutirá o ponto mais relevante do encontro que será a criação do Consecarne:
“Este conselho da carne está sendo inspirado no Consecana, que, aliás, vem dando muito certo e trouxe equilíbrio entre Usineiros e Produtores de cana de açúcar, de forma que temos que criar uma regra semelhante para frigoríficos e pecuaristas, pois a situação dos criadores e invernistas está cada dia mais grave com o prejuízo e o empobrecimento de um setor que em função desta baixa inexplicável da arroba do boi e da vaca está migrando de forma preocupante para outras atividades.”
A idéia do Consecarne, segundo Nabhan, é primordialmente estabelecer um preço mínimo (custo e lucratividade) para o produtor, conforme conversa que já teve com alguns representantes de indústrias frigoríficas, como a JBS, Marfrig e outros que já manifestaram disposição para apoiarem a iniciativa, portanto o que está faltando é por em prática o Conselho que será composto por pecuarista e indústria.
Outro apoio relevante para os produtores é o da Frente Parlamentar da Agropecuária do Congresso Nacional, onde seu Presidente, Deputado Homero Pereira (PSD-MT) informou que logo após o recesso Parlamentar será realizadas “Audiências Públicas” para se discutir agendas positivas e o fortalecimento de um setor produtivo tão relevante do Agronegócio que é a pecuária nacional.
Fonte: União Democrática Ruralista – UDR, adaptada pela Equipe BeefPoint.

Mercado de imóveis rurais em Mato Grosso do Sul inflaciona em 30%


Maior procura de áreas para plantio elevou valores no mercado de imóveis rurais entre 2011 e 2012

A grande procura de terras para plantio inflacionou o mercado de imóveis rurais em Mato Grosso do Sul em aproximadamente 30%, segundo corretores. O índice reflete o bom momento da agricultura regional, empolgada com os preços “exorbitantes” das commodities no mercado internacional, principalmente da soja, carro-chefe da agricultura estadual.

“Claro que os preços dependem muito da localização, do solo e uma série de fatores. Mas, se comparado ao primeiro semestre do ano passado, os preços hoje estão em média 30% maiores”, afirmou o corretor de imóveis, que atua no mercado de fazendas, Edson Fernandes.

Segundo outro corretor, Roberto Dias, o aumento é resultado direto da valorização da soja. “É um produto que está em um patamar alto de preços no mercado internacional, valorizou muito neste ano. Então tem muita gente querendo plantar para vender a soja, e isso aumentou o preço das terras”, explicou. Segundo Dias, a inflação dos imóveis rurais ficou entre 25% e 30%.

Farelo de soja versus boi gordo: pior relação de troca dos últimos anos


Segundo levantamento da Scot Consultoria, o farelo de soja está cotado em R$1.318,00 (preço médio) em julho em São Paulo.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o pecuarista está pagando 105,3% mais pelo farelo.

Considerando a praça de São Paulo, são necessárias 14,25 arrobas de boi gordo para a compra de uma tonelada de farelo de soja.

É a pior relação de troca dos últimos treze meses, considerando os valores nominais.

O poder de compra do pecuarista em relação ao farelo de soja diminuiu 118,3% em relação a julho de 2011.

Alta dos insumos e dos custos de produção em julho


Mais um mês de custos em alta. Os aumentos em julho para os sistemas pecuários de produção de corte, de baixa tecnologia e alta tecnologia foram de 1,8% e 1,2%, respectivamente.

A alta acumulada para os custos de produção das pecuárias de corte de baixa e de alta tecnologia nos primeiros sete meses deste ano foi de 4,7% e 5,3%, nesta ordem.

Vale a pena salientar que, neste intervalo de tempo, até meados de julho, a cotação da arroba do boi gordo em São Paulo caiu 7,1%.

Portanto, além dos custos em alta, o pecuarista se depara com um preço menor da arroba do boi gordo. Isto retrata o encurtamento de margens da atividade.

O destaque entre os componentes do custo foi para o item alimentos concentrados proteicos, cuja alta, em média, foi de 3,7%.

Mercado do boi gordo terminou a semana pressionado


Mercado com volume pequeno de negócios e manutenção da pressão de baixa.

Os frigoríficos aproveitam as escalas confortáveis para testar o mercado.

Em São Paulo, segundo levantamento da Scot Consultoria, existem ofertas de compra de até R$88,00/@, à vista, mas sem negócios nestes valores.

Esta estratégia é mais evidente em empresas que se abastecem nas praças vizinhas, como Mato Grosso do Sul e Goiás. Nestas regiões a oferta também está boa.

No Mato Grosso, após a pressão de baixa nas últimas semanas, houve diminuição nos negócios e ajustes positivos nas cotações.

Nesta semana o recuo médio nas 31 praças pesquisadas foi de 0,3%. A maior queda ocorreu em Pelotas-RS, de 1,5%.

No Sudoeste de Rondônia, Cuiabá e Norte de Minas as cotações subiram 1,2%.

No mercado atacadista de carne com osso os preços estão estáveis. A redução dos abates na última semana diminuiu os estoques, mas a oferta ainda é maior que a demanda.

domingo, 22 de julho de 2012

Caracu: conheça mais esta raça


Licio Isfer, Engenheiro Civil, criador de gado da raça Caracu e produtor de grãos e floresta (pinus e eucalipto) na Fazenda Guarauna, em Palmeira, PR participou de entrevista com o BeefPoint mostrando sua experiência com a raça. Leia a conversa na íntegra:
BeefPoint: Por favor, conte brevemente o histórico da raça Caracu e o número de criadores.
Sr. Lício Isfer: O gado Caracu esta no Brasil desde o período colonial, a raça foi formado a partir do gado trazido pelos colonizadores portugueses e ao longo do tempo adaptou-se aos diversos ambientes do País.
Com mais de quatro séculos de adaptação, o Caracu reúne características como: rusticidade, adaptabilidade, habilidade materna, longevidade, resistência a parasitas, cascos duros, entre outras.
A partir de 1980, uma nova fase na seleção da raça com a utilização de técnicas modernas, foi iniciada. Este projeto foi coordenado pela Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC) tendo como parceiros o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (IZ), Embrapa – Gado de Corte (Campo Grande/MS) e o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR). Este trabalho permitiu um salto na seleção da raça, fazendo com que animais extremamente adaptados passassem a expressar características produtivas, como ganho de peso, conformação de carcaça, precocidade, entre outras, fazendo da raça caracu, uma ótima opção para o cruzamento industrial e reforçando a importância dela na pecuária nacional.
Touro Solidário da Guaraúna
BeefPoint: Sobre o rebanho da raça no Brasil,
  • Qual o tamanho do rebanho no país?
  • Como está e qual é o crescimento anual do rebanho?
  • Como está distribuído geograficamente no país?
Sr. Lício: O rebanho controlado é 125.000 animais, considerando os sócios e não sócios da ABCC. Atualmente cerca de 5000 animais são registrados por ano, o que significa uma estagnação. A raça Caracu esta presente em: Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Pará. Existe também um núcleo de criadores no Paraguai.
BeefPoint: Quais são as principais características da raça?
Sr. Lício: A principal característica da raça Caracu é a adaptabilidade. Ao longo dos séculos de criação em território brasileiro, ela se adaptou desde os frios campos de Palmas no interior do Paraná, ao calor tropical do Pará. O que faz com que os touros da raça possam realizar monta natural nas mais condições mais extremas. Sendo a única raça européia com esta capacidade. Obviamente que com a adaptabilidade vem a rusticidade, ou seja, a capacidade de produzir em condições desfavoráveis, além de resistência a parasitoses.
As fêmeas têm grande habilidade materna, com razoável produção de leite e facilidade de parto. Estas características tornam o caracu uma ótima opção para o cruzamento industrial nas regiões centro-oeste e norte.
BeefPoint: Qual o principal modelo utilizado atualemente para terminação dos animais: a pasto ou confinamento? E qual o mais indicado?
Sr. Lício: Pelas características da raça a grande maioria dos criadores produz a pasto, alguns terminam em confinamento com bons resultados. Não há um modelo mais indicado, isso depende da propriedade.
BeefPoint: Como a ABCC busca novos produtores associados? Quais formas de fomento da raça para os associados atuais?
Sr. Lício: A busca por novos associados se dá pela divulgação das características da raça, participação em exposições, organização de reuniões técnicas, organização de material de pesquisa com resultados da raça. Para os associados, o trabalho é no sentido da busca por animais mais produtivos, através da utilização de programas de melhoramento como o Geneplus da Embrapa.
BeefPoint: Quais principais planos para o ano de 2012? E para o longo-prazo?
Sr. Lício: O grande objetivo da ABCC é fazer com que a raça ocupe o espaço que merece dentro da pecuária nacional, contribuindo para o aumento da produtividade dos rebanhos através do cruzamento. E quem sabe tornar-se um produto de exportação para países da América do Sul, Central e África.
BeefPoint: Fique a vontade para deixar uma mensagem da Associação/raça aos leitores BeefPoint.
Sr. Lício: A raça Caracu é por sua história e características um patrimônio da pecuária nacional, foi ela que sustentou a produção antes da chegada dos zebuínos, o que quase a levou a extinção. Agora moderna ela pode sem dúvida fazer uma parceria com o Nelore para produção de um cruzamento genuinamente Nacional, com ganho para o Brasil.
Matriz doadora de oócitos
Novilhas 20 24 meses de idade
FONTE: BEEFPOINT

Principais indicadores do mercado do boi – 20-07-2012


Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&F, margem bruta, câmbio
O indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista permaneceu estável nessa quinta-feira (19) sendo cotado a R$ 90,40/@. O indicador a prazo foi cotado em R$ 91,52.
A partir de 2/jan o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa deixou de considerar o Funrural.
Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro à vista x margem bruta
O indicador Esalq/BM&F Bezerro teve desvalorização 2,83% e é cotado a R$ 679,31/cabeça nesta quinta-feira (19). A margem bruta na reposição foi de R$ 812,29 e teve valorização de 2,50%.
Gráfico 2. Indicador de Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista em dólares e dólar
Na quinta-feira (20), o dólar foi cotado em R$ 2,02 com desvalorização de 0,10%. O boi gordo em dólares teve desvalorização de 0,10% sendo cotado a US$44,68. Verifique as variações ocorridas no gráfico acima.
Tabela 2. Fechamento do mercado futuro em 19/07/12
O contrato futuro do boi gordo para Ago/12 foi negociado a R$ 91,30 e sua variação teve baixa de 0,45%.
Gráfico 3. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x contratos futuros para ago/12
Acesse a tabela completa com as cotações de todas as praças levantadas na seção cotações
No atacado da carne bovina, o equivalente físico permaneceu estável é cotado a R$ 89,15. O spread (diferença) entre o índice do boi gordo e equivalente físico foi de R$ 1,26 e sua variação permaneceu estável no dia. Confira a tabela abaixo.
Tabela 3. Atacado da carne bovina
Gráfico 4. Spread Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x equivalente físico
FONTE: BEEFPOINT

Exportações de tripas de bovinos registram alta de 14% no primeiro semestre


Exportações de tripas de bovino no primeiro semestre foram de 37,4 mil toneladas
De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações de tripas de bovino no primeiro semestre foram de 37,4 mil toneladas em volume embarcado acumulado, quantia 14% superior aos primeiros seis meses de 2011, de acordo com a Scot Consultoria.
Com o registro de aumento nas exportações de tripas de bovino, o faturamento do período se mostrou 22,7% superior ao primeiro semestre de 2011, ficando em US$ 151,2 milhões.
No primeiro semestre de 2012, o preço da tonelada da tripa de bovinos no mercado internacional ficou, em média, em US$ 4.051,28. um aumento de 8% em relação ao mesmo período de 2011.
Hong Kong e Rússia permanecem os principais clientes do produto brasileiro.
Fonte: Scot Consultoria

Rodadas de negócios com compradores árabes promovidas por Apex-Brasil e Câmara Árabe estimam US$ 55,85 milhões em exportações para os próximos doze meses


Empresários estrangeiros também fizeram visitas técnicas a empresas e participaram de encontros com entidades setoriais
A Câmara de Comercio Árabe e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) promoveram, na semana passada, em São Paulo, 306 reuniões de negócios entre 61 empresários brasileiros do setor de alimentos e bebidas e potenciais compradores oriundos de países árabes. Os encontros devem gerar um total de negócios da ordem US$ 55,85 milhões para os próximos 12 meses.
O evento chamado “Projeto Comprador Alimentos – Mercado Árabe” reuniu 10 importadores de Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Argélia, Jordânia e Bahrein.
A rodada teve duração de dois dias. No terceiro, a delegação de empresários árabes participou de reuniões com representantes da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e de uma loja de rede de supermercados Pão de Açúcar. Também foram promovidos encontros nas empresas Marfrig e Cibal Halal.
Os mercados dos países árabes importam, anualmente, cerca de US$ 80 bilhões de alimentos, sendo o segundo mercado de destino das exportações brasileiras neste setor. Em 2011, o Brasil exportou US$ 10,6 bilhões.

BNDES perderia R$ 2,6 bi se deixasse frigoríficos


Em nota o banco esclarece que "Os ativos terão seu valor reconhecido quando estes investimentos maturarem"

DO PORTAL DO AGRONEGÓCIO
Os aportes nos frigoríficos são alvos de críticas frequentes, não apenas pelos potenciais prejuízos financeiros, mas também pelos efeitos que esses recursos tiveram sobre o mercado.

As "perdas" do BNDESPar, braço de participações do BNDES, com o investimento direto nos maiores frigoríficos do país somam quase R$ 2,56 bilhões. Esse é o prejuízo que o banco de investimento teria se decidisse vender, a preços de mercado, as ações de JBS, Marfrig e BRF-Brasil Foods que mantém em sua carteira, apesar dos ganhos com esta última.

Segundo o Valor Data, essas ações valiam o equivalente a R$ 6,92 bilhões ao preço de fechamento de ontem. Isso significa uma desvalorização de 27% sobre a quantia desembolsada pelo banco, estimada em R$ 9,5 bilhões. O montante desconsidera os R$ 250 milhões investidos em 2008 na compra de 21,8% do capital do Independência, que viraram pó depois que a empresa suspendeu suas atividades e entrou em recuperação judicial em 2009.

Mais de R$ 8,1 bilhões, cerca de 85% do total, estão alocados no capital da JBS. Ontem, o quinhão do BNDES na companhia era avaliado em apenas R$ 5,88 bilhões - um prejuízo de R$ 2,21 bilhões ou 27,4%. Outros R$ 982,3 milhões foram aplicados em compra de ações da Marfrig, que valeriam pouco mais de R$ 444 milhões ao preço de mercado - uma perda de R$ 538,2 milhões ou 54,8%. A exceção são as ações da BRF-Brasil Foods, pelas quais o banco pagou R$ 400 milhões em 2009. Ontem, elas valiam R$ 593 milhões - lucro de R$ 193 milhões ou 48,25%.

Trata-se de um prejuízo apenas potencial, já que o BNDES não pretende se desfazer de suas posições e os papéis ainda podem subir. Em contrapartida, a persistência dos preços em níveis baixos e as perspectivas apenas tímidas de valorização deixam o BNDES "preso" aos frigoríficos e estende o horizonte de uma eventual saída.

O BNDES

Em nota, o BNDES afirmou que a estratégia de gestão da carteira de renda variável da instituição é baseada na criação de valor no longo prazo, "observando o período de maturidade dos investimentos e o ciclo peculiar de cada setor" e que o cálculo do valor de mercado das ações, "feito em momento de baixa, não reflete o resultado obtido pelo BNDESPar". O banco reafirma sua aposta no segmento e assegura que a estratégia de verticalização, agregação de valor e fortalecimento das empresas em regiões com vantagem de custo "continua válida". "Os ativos terão seu valor reconhecido quando estes investimentos maturarem".

Os aportes do BNDES nas processadoras de carne começaram há cinco anos, em junho de 2007. Na ocasião, o banco desembolsou R$ 1,13 bilhão na compra de ações da JBS, ao preço de R$ 8,15 por ação. Na mesma semana, investiu R$ 102 milhões na compra de ações no IPO da Marfrig, ao preço unitário de R$ 17. De lá para cá, a presença do banco no setor só fez aumentar. Em 2008, poucos meses antes do estouro da crise financeira nos Estados Unidos, o BNDES colocou mais R$ 988 milhões na JBS (por meio de compras diretas e do fundo de investimento PROT), ao preço de R$ 7,07 por ação, e mais R$ 715 milhões na Marfrig, a R$ 21,50 por ação. Ontem, as ações de JBS e Marfrig fecharam a R$ 5,75 e R$ 9,26, respectivamente. Para Cauê Pinheiro, analista da corretora SLW, o preço-alvo dessas ações em 12 meses é de R$ 7,16 e R$ 11,90.

Contudo, a maior "tacada" do BNDES em 2008 foi a compra de uma participação de 27,1% no capital do Bertin, pela qual desembolsou a bagatela de R$ 2,5 bilhões. O objetivo era reforçar o caixa da empresa, que havia feito uma série de aquisições, e dar sustentação ao seu processo de internacionalização.

Estímulos

O plano fez água em poucos meses. Assolado pela crise, o Bertin, que tinha o capital fechado, encerrou 2008 com um prejuízo de R$ 681 milhões e dívidas de R$ 5,5 bilhões. A solução do BNDES para evitar o que poderia ser um dos maiores fiascos de sua história foi estimular a JBS a incorporar o Bertin, em setembro de 2009. Nesse processo, o BNDES recebeu 250,2 milhões de ações da JBS pela fatia que detinha no Bertin. A JBS não atribuiu um valor nominal a esses papéis. Mas, dividindo-se o valor investido no Bertin pelo número de ações da JBS recebidas, é como se o BNDES tivesse desembolsado R$ 9,99 por cada uma delas.

Em troca dessa ajuda, o BNDES aceitou subscrever o equivalente a R$ 3,5 bilhões em debêntures para apoiar a compra da americana Pilgrim's Pride, segunda maior processadora de aves do mundo, então em recuperação judicial. Esses títulos seriam conversíveis em papéis da JBS USA, que planejava fazer uma oferta de ações nos EUA. O IPO não aconteceu, e as debêntures foram convertidas em ações da própria JBS, em julho de 2011, ao preço de R$ 7,04 por ação. Com isso, a participação do BNDES saltou de 18% para 31,4%.

O BNDES realizou apenas mais uma compra de papéis da Marfrig, em novembro de 2009. Foram 169,37 milhões para apoiar a compra da Seara, a R$ 19 por ação. Contudo, a estatal já "contratou" uma nova compra. Em julho de 2010, a estatal subscreveu R$ 2,5 bilhões em debêntures obrigatoriamente conversíveis em ações para financiar a aquisição da americana Keystone Foods - uma das maiores fornecedoras globais de processados de carnes para redes de restaurantes como o McDonald's.

Trocas

Pelos termos da oferta da debênture, a Marfrig emitirá, em julho de 2015, 102 milhões de novas ações, que serão trocadas pelo preço médio, ponderado pelo volume, dos pregões do último ano de negociação antes da conversão, ao preço mínimo de R$ 24,50. Se os ações da Marfrig não ultrapassarem esse piso, a fatia do BNDES na companhia passará dos atuais 13,9% para quase 24%. Nessa hipótese, o banco estatal faria uma troca desvantajosa, pagando um ágio pelas ações. Até ontem, esse "prêmio" seria de 62% em relação ao preço de mercado.

Uma fonte da Marfrig pondera que a diferença entre o mínimo de R$ 24,50 e a cotação de mercado na conversão do papéis é menor, se considerados os juros pagos ao BNDES. As debêntures preveem o pagamento anual de um cupom, calculado pela variação acumulada da Taxa DI em um ano mais um 'spread' de 1%. Com o pagamento desses juros, que devem ultrapassar R$ 1 bilhão até 2015, o preço "real" de conversão ficaria entre R$ 16 e R$ 17 por ação, argumentou a fonte.

As empresas de proteína animal formam o quarto grupo em que o BNDESPar mais investe - cerca de 8,5% de sua carteira de ações - atrás apenas dos setores de petróleo e gás, mineração e energia elétrica. "A decisão de investir em proteína animal foi tomada, entre outros motivos, porque a exposição da carteira da BNDESPar ao setor de alimentos era muito inferior à representatividade que a atividade tem para a economia brasileira", justificou o banco.

Contribuições

Os aportes nos frigoríficos são alvos de críticas frequentes, não apenas pelos potenciais prejuízos financeiros, mas também pelos efeitos que esses recursos tiveram sobre o mercado. Um empresário do setor argumenta que o "excesso de dinheiro" do BNDES criou "distorções", estimulando aquisições que, na opinião dele, são ineficientes.

"Do ponto de vista da gestão de carteira foi um desastre. Os investimentos foram feitos no boom, baseadas em projeções excessivamente otimistas. Agora, o governo ficou preso a essas empresas. E vai ficar ainda mais", argumenta José Carlos Hausknecht, sócio da MB Agro. Ele afirma ainda que a estratégia do BNDES favoreceu a concentração e deixou em dificuldade os pequenos e médios frigoríficos, muitos dos quais ficaram pelo caminho durante os anos de crise. "Isso não foi bom para os pecuaristas, que em algumas regiões ficaram nas mãos de um único comprador". Ele rechaça ainda o fato de o BNDES financiar empresas no exterior. "O banco está criando concorrentes lá fora, gerando empregos e renda em outros países".

João Sampaio, vice-presidente de relações institucionais da Marfrig e ex-secretário de Agricultura de São Paulo, rechaça as críticas. "A entrada do BNDES trouxe mais profissionalismo ao setor, impôs novos padrões de governança e responsabilidade socioambiental, que passaram a balizar todo o setor", afirma.

Antônio Camardelli, presidente da Abiec, a associação que representa os frigoríficos exportadores, afirma ainda que os recursos do BNDES garantiram que plantas de frigoríficos que quebraram na crise de 2008 continuassem a funcionar, nas mãos de empresas mais sólidas. "Sem elas, teríamos uma porta aberta para a clandestinidade. O BNDES trouxe um aumento do padrão de segurança, de legitimidade e legalidade do processo", afirma.

Ele argumenta que, ao financiar a expansão dos frigoríficos no exterior, o banco permitiu que a indústria brasileira ampliasse suas margens ao atuar em segmentos de maior valor agregado - aos quais não teria acesso se ficasse no Brasil, menos competitivo e prejudicado por barreiras sanitárias e comerciais. "Tivemos um encurtamento da cadeia de lucros."

sábado, 21 de julho de 2012

COTAÇÕES


FONTE: CORREIO DO POVO

RAÇA BRAFORD

FONTE: CANAL RURAL

RAÇA HEREFORD

FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEREFORD E BRAFORD

Frigorífico Silva amplia vantagens para produtor Carne Pampa®



Desde o dia 10/7 está em vigor a nova tabela de bonificação do Frigorífico Silva que amplia a bonificação para animais até 6 dentes provenientes do cruzamento com Hereford e Braford aceitos pelo Programa Carne Certificada Pampa®.

Para o Gerente Executivo do Programa Carne Certificada Pampa®, Méd. Vet. Guilherme Dias “A medida contempla todos os participantes do programa e amplia as vantagens da tabela do Frigorífico Silva. Esta iniciativa mostra o momento de maturidade do Programa neste Frigorífico que está trabalhando fortemente com clientes especializados, principalmente em São Paulo, que requerem alta qualidade e cortes especiais”.

Segundo o diretor comercial do Frigorífico Silva, Gabriel da Silva Moraes, a nova tabela, que contempla animais de até seis dentes, foi criada para atender a solicitação de clientes.

-"São animais ainda jovens, mas com carcaça mais desenvolvida e um melhor marmoreio da carne. Atualizamos a tabela para abranger um mercado ainda maior, em restaurantes de São Paulo, e aumentaremos o número de animais certificados", conta Silva.


FONTE:ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEREFORD E BRAFORD

Margem da indústria frigorífica está melhor em 2012


O Equivalente Scot Carcaça é um índice elaborado pela Scot Consultoria, que afere a receita da venda de todos os produtos do abate, carcaça, miúdos, derivados e subprodutos, no mercado atacadista de São Paulo.
Atualmente está em R$114,33/@, o que gera uma receita 23,6%maior que o valor da arroba, R$92,50/@, a prazo. Esta margem é 6,9 pontos percentuais maior que no mesmo período do ano passado.
Vale ressaltar que não indica lucro, uma vez que os custos não são considerados.Na média desde o início de 2012, a margem de comercialização do Equivalente Scot Carcaça está em 17,4%, 4,4 pontos percentuais acima da observada no mesmo período de 2011.
O Equivalente Scot Desossa tem composição semelhante à do Equivalente Scot Carcaça, mas considera a venda da carne sem osso, ao invés da carcaça.
Atualmente está em R$117,95/@, o que gera margem de 27,5%, 8,6 pontos percentuais maior que há um ano. Na média desde o começo do ano, a margem está em 24,5%, 7,8 pontos percentuais acima da média no mesmo intervalo em 2011.
Colaborou Hyberville Neto, médico veterinário e analista de mercado da Scot Consultoria.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Nova Zelândia: missão gaúcha conclui visita às indústrias e propriedades neozelandesas

Organizada pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), a missão gaúcha formada por representantes do Governo do Estado, do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), Farsul e Senar, completou, nesta terça-feira (17), o segundo dia de visita à Nova Zelândia. Entre segunda-feira (16) e terça-feira, os integrantes do grupo visitaram propriedades dedicadas à produção de carne e leite, indústrias e mantiveram contatos com produtores e entidades representativas.

Coordenada pelo titular da Seapa, Luiz Fernando Mainardi, a missão, que também visitará a Austrália, foi conhecer experiências em rastreabilidade bovina, prática que começa a ser adotada de forma obrigatória no País neste mês, e modelos de produção da bovinocultura de leite. As observações subsidiarão a formatação de programas em fase de elaboração pelo Governo do Estado, em sintonia com as Câmaras Setoriais da Carne e do Leite.

Uma das empresas visitada foi a Fonterra, maior produtora de lácteos do mundo, que processa anualmente 21 bilhões de litros de leite com 40% do mercado global de laticínios. A empresa, criada em 1927, possui 10.500 sócios proprietários e a cada década vem se destacando pelo forte investimento tecnológico, sendo a primeira empresa no mundo a mecanizar integralmente a produção de queijo com tecnologia na concentração de proteína do leite. Fortes investimentos aliados a uma parceria com a Massey University, uma das principais universidades do país, surgida em 1928, tem possibilitado à Nova Zelândia ocupar um lugar de destaque mundial na produção leiteira e de carne bovina.

O mesmo grupo conheceu, no município de Palmerston North, uma propriedade de 500 hectares destinada à produção de leite, onde conferiu as pastagens como um dos grandes diferencias do país. Formadas fundamentalmente por trevo e azevém, as pastagens chegam a durar até dez anos sem necessidade de replantio, o que permite um diferencial nutricional com menor incidência de mão de obra. A produção média do país está em torno de 30 litros de leite vaca/dia.

O programa local de rastreabilidade, que a partir deste mês passa a funcionar em caráter obrigatório, é coordenado pelo Instituto Nacional de Rastreabilidade (NAIT), e prevê rastrear integralmente o rebanho bovino formado por aproximadamente 4,4 milhões de bovinos de corte e 6,2 milhões de bovinos de leite.

Opinião

As observações sobre o funcionamento da produção de leite no campo, na indústria e as condições para buscar o mercado, com o desenvolvimento de novos produtos, aliado ao papel da universidade, dão a certeza de que o Estado está no caminho correto ao construir um programa que compreenda o todo da cadeia produtiva do leite.

Esta é a opinião do titular da Seapa, Luiz Fernando Mainardi, segundo quem a produção gaúcha só terá importância comercial se forem desenvolvidas ações estratégicas para isso. “Só vamos conseguir entender os elos da cadeia se vermos isso como um sistema integrado quer começa no produtor, na fazenda, chegando até o consumidor final e, por isso. precisamos criar um Programa de Estado, e não somente de governo¨, acrescentou o secretário.

Para o presidente do Sindilat, Wilson.Zanata, o que impressionou foi o profissionalismo dos produtores e o fato da pesquisa das universidades chegar mais facilmente ao campo. Além do produto leite ter supremacia sobre os outros produtos como a carne. “Aqui os pastos são perenes e renovados a cada 10 anos porque foram feitos investimentos em pesquisas que desenvolveram variedades adequadas para este cultivo”, disse Zanata.

Feiilding

Em Feiilding, localizada ao sul da Nova Zelândia, o outro grupo visitou uma propriedade de 1000 hectares que faz a terminação de bovinos e abate em torno de 1000 animais ao ano.

O grupo também realizou visita a uma associação de raças onde predomina a Angus e Hereford. Segundo a coordenadora do Programa da Carne Gaúcha da Secretaria da Agricultura, Ana Suñe, nesta instituição foram salientados os benefícios que o NAIT trará para o registro genealógico para melhorar estatisticas sobre a bovinocultura. Também foi possível conferir pelo grupo o recebimento de animais em um frigorífico onde os abates são totalmente automatizados e os cortes especificos identificados pelo sistema de rastreabilidade.

Nesta quarta feira (18), a delegação esta em deslocamento para a cidade de Hamilton, ainda na Nova Zelândia onde fica até a sexta feira (20), quando partem para a Austrália.

Fonte: Governo do RS

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Agro do Brasil ganhará mercado na próxima década, diz FAO/OCDE



Participação do País cresce em industrializados como óleo vegetal, frango e açúcar branco
 
O Brasil continuará aumentando sua participação no mercado mundial de alimentos nos próximos 10 anos, apesar de uma desaceleração no crescimento da produção de vários itens. As projeções são do banco de dados do estudo Agricultural Outlook 2012-2021 (Perspectivas Agrícolas), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), liberado recentemente e analisado pelo Sou Agro.
Todos os anos, o Outlook traça o cenário da produção e comércio de itens alimentícios para os 10 anos seguintes. As projeções apontam que, nesse período, o Brasil aumentará sua participação nas exportações mundiais de farelos (de 17,3% para 18,3%) e óleos vegetais (de 2,7% para 3,9%); carnes bovina (de 17,8% para 19,2%), suína (de 7,4% para 7,7%) e de aves (de 32,3% para 37,0%); e açúcar branco (de 21,4% para 43,1%).

“Economias emergentes vão capturar uma parcela crescente do mercado agrícola mundial em expansão. Os países mais proeminentes como Brasil, China, Indonésia, Tailândia, Rússia e Ucrânia fizeram investimentos significativos para aumentar a capacidade de produção”, diz o documento.

Por outro lado, o estudo prevê que o País perca espaço no comércio global de dois produtos no qual é forte: açúcar bruto, produto no qual é o maior exportador (de 57,6% para 51,4%), e oleaginosas – notadamente a soja, no qual é o terceiro colocado (de 31,8% para 27,9%). Essas quedas, no entanto, são acompanhadas por aumentos na relevância brasileira no comércio de derivados de maior valor agregado: farelo e óleos vegetais, no caso da soja, e açúcar branco (refinado). No mercado total de açúcar, a participação nacional sobe de 42,4% para 51,4% no período. Deve haver uma retração na participação brasileira em mercados no qual o País não é grande exportador: arroz, carne de ovinos e leite em pó.

Crescimento desacelera

Apesar do aumento da produção global de alimentos, o ritmo de crescimento da oferta cairá significativamente na próxima década, para 1,7% ao ano, ante 2,6% anuais registrados entre 2002 e 2011. No caso das oleaginosas, por exemplo, a alta anual média da produção brasileira deve cair de 4,9% ao ano para menos de 2% no período das projeções. A soja responde pela maior parte das oleaginosas plantadas no País.

Essa desaceleração resultará de empecilhos ao aumento da oferta, como o aumento dos custos, a maior restrição de recursos para a agropecuária, o crescimento das pressões ambientais e os impactos das mudanças climáticas. Entre os recursos mais escassos está a terra: o Outlook prevê que, até 2050, a área agricultável mundial cresça apenas 5%, ou 69 milhões de hectares adicionais aptos à agropecuária.

Também pesa o fato de os países emergentes, que puxaram o crescimento percentual na última década, estarem atingindo um nível tecnológico mais próximo do mundo desenvolvido. Entre 2002 e 2011, a produção agropecuária cresceu a 3% ao ano nos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o dobro do ritmo verificado nos países da OCDE (desenvolvidos). Mas na próxima década, é a agroprodução dos BRICs que deve avançar a um ritmo de 1,5% ao ano, enquanto na OCDE o avanço deverá ficar pouco acima de 1,2% anuais.

Enquanto o crescimento desacelera, a pressão de demanda continua forte, o que leva a FAO e a OCDE a prever que os preços agrícolas permanecerão acima das médias históricas até 2021, pelo menos. Além do crescimento populacional, pesam nessa demanda o aumento da renda per capita mundial, a urbanização e a mudança de dieta nos países emergentes.

Brasil avança mais em etanol e pescados

A base de dados completa do Outlook FAO/OCDE projeta que a produção brasileira de etanol vai mais que dobrar na próxima década, atingindo 51,3 bilhões de litros em 2021. “A produção de bioetanol e biodiesel deve quase dobrar até 2021, fortemente concentrada no Brasil, nos Estados Unidos e na União Europeia”, afirma o documento.

No mercado de etanol, deverá se firmar um curioso comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos, acreditam os autores do Outlook. Por conta da grande e crescente frota de carros flex, o Brasil deverá aumentar a importação de etanol de milho americano, até atingir 7,5 bilhões de litros anuais em 2021.

Mas os Estados Unidos também deverão elevar suas compras de etanol brasileiro de cana-de-açúcar, para atender o mandato de uso de biocombustíveis avançados, chegando a 16 bilhões de litros em 2021. O etanol de cana é considerado avançado pelo órgão ambiental americano, pois reduz as emissões de gases do efeito estufa em mais de 60% em relação à gasolina, o que não ocorre no etanol de milho.

Para atender o crescimento projetado para o etanol e uma alta de cerca de 30% n produção de açúcar, o Brasil elevará sua produção de cana mais de 90% entre 2011 e 2021, para 1 bilhão de toneladas. Já a produção de biodiesel deve avançar 30%, para 3,2 bilhões de litros.

Depois da cana, a aquicultura é a área em que o Brasil agro mais deve crescer. A FAO e a OCDE projetam um aumento de 50% na produção brasileira, para 796 mil toneladas de pescados em 2021. Embora a um ritmo bem menor, de 9% de alta na década, a pesca de captura do Brasil será uma das que mais vai crescer no mundo, atingindo 809 mil toneladas. No total, a produção nacional de pescados deve avançar 27%, para 1,6 milhão de toneladas por ano. No mundo, a aquicultura deve superar a captura na produção de pescados em 2018.

Também registrarão fortes crescimentos entre 2011 e 2021 as produções brasileiras de óleos vegetais (27%); leite em pó (22,5%); farelos (24%); carne de aves ( 22%); leite (19); milho, sorgo e outros grãos para ração (18%); e oleaginosas (15%) . Em ritmo menor, avançarão a carne suína (13%), a carne bovina (12%), o trigo (10%), a carne de ovinos (4,5%) e o arroz (2%).

Exportações de carne bovina crescem 2,5% no primeiro semestre



Resultado sofreu impacto da forte queda nas exportações para o Irã




Brasil  exportou 557.395,58 toneladas de carne bovinaentre janeiro e junho de 2012, um crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período de 2011. De acordo com os números divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) nesta terça-feira (17/7), houve ainda um aumento de 1,8% no faturamento, que alcançou os US$ 2,64 bilhões nos primeiros seis meses do ano. 

Para a entidade, a expectativa para o segundo semestre deste ano também é positiva, principalmente com a retomada dos embarques para o Irã. Após superar problemas políticos que impactaram negativamente nas exportações para o país, o Irã voltou a comprar carnes do Brasil . Em junho, houver um aumento de 242% nos embarques em comparação a maio. 

Até o final do ano, o setor espera atingir os US$ 6 bilhões em exportações. 

O destaque é do Chile, aumentou as exportações brasileiras de carne em 260% em faturamento e 241% em volume no primeiro semestre. 

Passada a Primavera Árabe, as vendas para o Egito cresceram 39% em faturamento e 41% em volume no primeiro semestre de 2012. Com a mudança da classificação de risco do Brasil para a doença da vaca louca, o Egito passará a comprar também produtos industrializados, de maior valor agregado. 

A Abiec aposta no crescimento das vendas para o mercado asiático puxado por Hong Kong, que apresentou alta de 32% em faturamento e 18% em volume nos primeiros seis meses deste ano. 

Já a Rússia teve uma queda de 3,3% em volume e 5,7% em faturamento de janeiro a junho, mas o mercado espera melhoras no segundo semestre com o aumento no número de plantas habilitadas a exportar para o país. 

Autor: Vinculado ao expressomt.economia.agronegocio