quinta-feira, 25 de julho de 2013

O brinco do boi gaúcho é diferente do brasileiro


por Fernando Furtado Velloso

Novamente, volta à imprensa com polêmica o projeto de lei para a identificação compulsória dos bovinos no RS. Passados dois anos de discussões na Câmara Setorial da Carne Bovina com representantes de toda cadeia (produtores, universidades, institutos de pesquisa, indústria frigorífica, etc.), agora, surgem gritos contrários a este trabalho, pois é algo que foi pouco discutido (?), porque vai gerar trabalho e futuros custos ao produtor.

Pois bem, apesar do tema identificação animal e rastreabilidade serem bastante batidos e até cansativos entre nós, não há como escapar. O RS tem uma pecuária distinta do resto do Brasil, tem menor escala e a vocação e oportunidade para explorar o mercado de carne de qualidade. Porém, não irá avançar neste sentido se igualando á pecuária brasileira, mas, sim, se diferenciando com produto realmente de qualidade, com mais garantias de origem, com maior transparência na produção e também com a necessária identificação de seu rebanho. Os resistentes (ou descrentes em mudanças) irão alegar que é impossível e desnecessário. O nosso vizinho Uruguai adotou a identificação compulsória de todo o rebanho como uma das formas para ampliar o mercado de sua carne e, hoje, exporta mais que a Argentina e acessa muito mais países que o Brasil. A dimensão do país e o tamanho do rebanho são similares aos nossos e não posso aceitar que eles tenham mais condições ou capacidade que nós. Até mesmo oportunidades de exportação de bovinos vivos são perdidas pelo RS pela falta de um sistema de identificação oficial.

Desde 2007, Santa Catarina é considerada zona Livre de Aftosa Sem Vacinação pela OIE (Organização Internacional de Epizootias) e, para alcançar este status, o estado teve de identificar em um programa oficial todos os bovinos, para assim garantir que não há entrada de gado de outros estados. E quando digo ˝todos˝, me refiro, sim, a 100% dos bovinos daquele estado, ou aproximadamente quatro milhões de cabeças. Logo, é possível fazer este trabalho no Brasil e de forma independente como estado.

Somos um povo cheio de virtudes e o nosso bairrismo é louvável, porém temos diversos genes do SOU CONTRA que nos prejudicam muito. O projeto de lei que está sendo apresentado à Assembleia Legislativa não é uma proposta isolada do governo, mas sim uma necessidade para nossa pecuária e algo que foi exaustivamente discutido na Câmara Setorial da Carne Bovina. Na onda de protestos, alguns podem dizer que a ″Câmara da Carne Não Me Representa″, e assim seguiremos como a história do balde gaúcho de caranguejos. Por hora, este trabalho foi até desvinculado do possível Instituto Gaúcho da Carne para que ganhássemos agilidade. Contra o argumento que irá gerar mais trabalho fico até sem jeito. Trabalho? Existe meio de melhorar a nossa pecuária sem trabalho? Não vejo. Nesta linha de raciocínio, uma via é arrendar para a soja. Assim, poderemos matear e contrariar tranquilos. Pense bem, o brinco que serve para o boi gaúcho não é o mesmo do boi brasileiro.

fonte:  Jornal Folha do Sul

MAPA vai aprimorar inspeção em produtos de origem animal


Com o objetivo de agilizar a equivalência de sistemas de inspeção em produtos de origem animal com o serviço federal, representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e dos serviços estaduais definiram medidas imediatas a serem adotadas pelo governo federal. O resultado é decorrência da oficina Evolução dos Serviços Equivalentes de Inspeção de Produtos de Origem Animal, que ocorreu entre os dias 10 e 12 de julho, em Brasília.
Foram identificados pelos participantes da oficina três eixos com necessidades de mudanças. Primeiro, é preciso agilizar o processo de adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). Segundo, padronizar os critérios técnico-científicos e operacionais utilizados no Sistema. “Além disso, também é necessário viabilizar a estruturação dos serviços de inspeção”, explica a diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa, Judi Nóbrega.
Para resolver essas questões, serão adotadas medidas pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA/Mapa) nos próximos meses, como atualização do Decreto nº 5.741/06, que simplifica o processo de adesão dos estados ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), do qual o Sisbi-POA faz parte.
Outras ações envolvem instalar e estruturar a coordenação do Sisbi-POA, repassar recursos para fortalecer os serviços de inspeção nos estados equivalentes e viabilizar o acesso desses estados à rede de Laboratórios Nacionais Agropecuários (Lanagros).
Os estados equivalentes também deverão adotar ações comuns, inclusive identificando os estabelecimentos aptos à inclusão no Sistema. Será necessário, ainda, elaborar planos de ação para avaliar esses locais quanto à evolução no atendimento aos requisitos de equivalência.
Saiba mais
O Sisbi-POA padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade e segurança alimentar. Com a adesão, os produtos podem ser comercializados em todo o território nacional.
fonte: MAPA

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Diagnóstico de abatedouros será retomado no RS




Diagnóstico de abatedouros será retomado no RS 
Representantes do Conselho de Pecuária de Corte do Fundesa - Fundo de Desenvolvimento e Defesa Animal do RS - decidiram retomar os trabalhos para a realização do diagnóstico da situação de abatedouros e frigoríficos do Rio Grande do Sul. O levantamento estava em fase de estruturação e agora os componentes do grupo buscam fontes de financiamento para colaborar no custeio.

O objetivo é conhecer a realidade do setor para a definição de estratégias para revitalizar as plantas. Conforme o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, "desta forma será possível contribuir para o atendimento integral a todas as normas oficiais de abate."A expectativa do grupo é de concluir o estudo nos próximos meses.

Participaram da reunião, representantes do Fundesa,  Ministério da Agricultura, Secretaria de Agricultura Pecuária e Agronegócio, Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Federação da Agricultura e Sindicato das Indústrias de Carnes do RS.

fonte: Agrolink com informações de assessoria

Fiscais agropecuários envia mensagem pública ao governador do RS


A Associação dos Fiscais Estaduais Agropecuários do Rio Grande do Sul, AFAGRO, publicou nota pedindo ao governador Tarso Genro mais atenção ao trabalho dos servidores. A categoria pede, há mais de um ano, a realização de concurso público para a função de Fiscal Estadual Agropecuário devido ao acúmulo de trabalho e à falta de profissionais, como foi apurado pela Secretaria da Agricultura em levantamento recente.

Segundo dados da própria Seapa, faltam 277 fiscais agropecuários para que o trabalho seja realizado com segurança. Quando não há profissional para fiscalizar abatedouros, linhas de produção, quantidade e rastreabilidade dos agrotóxicos utilizados nas plantações, a qualidade do alimento que chega à mesa do gaúcho pode ficar comprometida, a exemplo do escândalo do leite ocorrido há pouco no Estado.

A necessidade de mais fiscais é apontada por diversas lideranças do agronegócio, que precisam da figura deste servidor para garantir a produção  com qualidade e sanidade. Abaixo, a íntegra do texto publicado:

Senhor Governador,

A Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul - AFAGRO vem a público solicitar a revisão no número de vagas no concurso público para Fiscal Estadual Agropecuário. Levantamento realizado pela própria Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA) aponta carência de 277 profissionais - sendo 217 médicos veterinários e 60 engenheiros agrônomos. E o concurso anunciado pelo governo, que ainda não teve edital publicado, prevê apenas 120 vagas.

Temos certeza de que a contratação de Fiscais Agropecuários é um investimento imprescindível  para a sustentabilidade da economia do nosso Estado. A falta destes profissionais pode provocar problemas em diversas áreas. Afinal é o fiscal estadual agropecuário quem vistoria a qualidade e sanidade da carne, do leite e de outros produtos de origem animal com inspeção estadual. Também é responsável pela defesa sanitária e atua nas propriedades para a verificação da existência de pragas e doenças, além do comércio e uso de agrotóxicos. Em resumo, é o Fiscal Estadual Agropecuário que ajuda a garantir a qualidade dos produtos que chegam à mesa do consumidor gaúcho.

No momento em que o superávit da balança comercial gaúcha se deve à agropecuária, economizar na contratação de Fiscais Agropecuários é um péssimo negócio. A decisão é sua.

Fiscais Estaduais Agropecuários - garantindo saúde no campo e a qualidade dos alimentos.

fonte: Agrolink com informações de assessoria

Principais indicadores do mercado do boi – 24-07-2013

Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&F, margem bruta, câmbio
O indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista teve desvalorização 0,01% nessa terça-feira (23) sendo cotado a R$103,15/@. O indicador a prazo foi cotado em R$104,05.
A partir de 2/jan/12 o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa deixou de considerar o Funrural.
Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro à vista x margem bruta
O indicador Esalq/BM&F Bezerro registrou valorização de 0,05%, cotado a R$824,06/cabeça nessa terça-feira (23). A margem bruta na reposição foi de R$877,92 e teve desvalorização de 0,06%.
Gráfico 2. Indicador de Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista em dólares e dólar
Na terça-feira (23), o dólar desvalorizou 0,53% e foi cotado em R$2,23. O boi gordo em dólares registrou valorização de 0,52% sendo cotado a US$46,34. Verifique as variações ocorridas no gráfico acima.
Tabela 2. Fechamento do mercado futuro em 23/07/13
O contrato futuro do boi gordo para Ago/13 teve desvalorização de R$0,18 e foi negociado a R$101,70.
Gráfico 3. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x contratos futuros para ago/13
Acesse a tabela completa com as cotações de todas as praças levantadas na seçãocotações.
No atacado da carne bovina, o equivalente físico teve baixa, sendo este fechado a R$96,02. O spread (diferença) entre os valores da carne no atacado e do Indicador do boi gordo foi de -R$7,14 e sua variação teve alta de R$1,49 no dia. Confira a tabela abaixo.
Tabela 3. Atacado da carne bovina
Gráfico 4. Spread Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x equivalente físico
fonte: Beefpoint

Saiba mais sobre a PGA – sistema de rastreabilidade da CNA para a pecuária de corte brasileira

A Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA), é resultado de uma parceria firmada entre a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), que criou uma Base de Dados Única (BDU), com informações sobre a cadeia produtiva de todas as 27 unidades federativas do Brasil.
A PGA garante maior controle, transparência e credibilidade dos sistemas agropecuários, registrando todas as ocorrências praticadas por produtores, frigoríficos, fabricantes de elementos de identificação animal, órgãos executores de sanidade agropecuária, entre outros. A PGA integra na BDU as bases de dados dos órgãos executores de sanidade agropecuária dos estados, base de dados corporativos do MAPA e dados específicos da própria plataforma.
Com isso, o MAPA tem o registro de todas as operações agropecuárias do país, desde os dados de cada propriedade até o registro do transito de animais do país.
Comentário BeefPoint: convidamos o técnico da CNA responsável pelo PGA para escrever um artigo mais detalhado sobre o sistema, para publicarmos, divulgarmos, e debatermos no BeefPoint.
Fonte: CNA.

Expointer deverá consolidar retomada do agronegócio


Expointer deverá consolidar retomada do agronegócioA Expointer que será lançada nesta quarta-feira com a pompa e a circunstância do otimismo, em Porto Alegre, deverá consolidar a recuperação do agronegócio no Rio Grande do Sul.
Graças a uma rara conjunção – boa safra, valorização da soja no mercado internacional, clima favorável e amplo financiamento aos produtores –, os negócios poderão superar as cifras do ano passado, quando foi rompida a barreira dos R$ 2 bilhões.
Marcada para ocorrer de 24 de agosto a 1º de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, a Expointer vai assinalar a retomada do vigor no campo após as quebras de safra de 2012. Para o secretário da Agricultura do Estado, Luiz Fernando Mainardi, será uma feira para se comemorar o que define como "ano espetacular" para o setor.
– O desempenho da agricultura e da pecuária estabiliza a economia gaúcha – destaca Mainardi.
O campo é o motor da economia gaúcha. Representa um quarto do Produto Interno Bruto (PIB), e tem o poder de alavancar a indústria e a área de serviços. Levantamento da Fundação de Economia Estatística (FEE) aponta que, na última década, vigorou a máxima de que o PIB gaúcho cresce mais do que o brasileiro quando a agropecuária foi bem.
O agronegócio apresentou taxas positivas nos anos de 2001, 2003, 2006, 2007, 2009, 2010 e 2011. Quando houve estiagem e colheita escassa, o PIB do Estado encolheu mais do que o nacional. O economista da FEE Sérgio Fischer prevê que 2013 será de retomada do desenvolvimento, após a frustração do ano passado.
– O PIB gaúcho poderá ter um crescimento maior do que o do Brasil – analisa.
A coordenadora do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Sul), Maria Flávia de Figueiredo Tavares, acrescenta que não apenas a safra de grãos turbina a economia. Lembra que a produção de citros, vinhos e carnes se expandiu, aderindo a novas tecnologias.
– O agronegócio vem com força maior, de uma forma mais empresarial – observa.
Produtores estão alentados. O presidente da Comissão de Feiras e Exposições da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Francisco Schardong, diz que a Expointer vai ser a vitrina para a América do Sul. Promete que o evento será ainda mais dinâmico e inovador, com destaques para irrigação, agricultura de precisão e intercâmbio com outros países participantes.
Na agendaO que: Expointer 2013
Quando: 24 de agosto a 1º de setembro
Onde: parque Assis Brasil, em Esteio

Crédito chega a quase R$ 2 bilhões
Para sustentar o crescimento previsto na safra 2013/2014, os governos federal e estadual preveem valores recordes em crédito para a temporada. Na Expointer, a oferta de recursos também deve ter alta neste ano.
As cinco principais instituições presentes na feira estimam uma disponibilidade de pelo menos R$ 1,95 bilhão em crédito, valor que pode crescer conforme a demanda dos compradores. Armazenamento e irrigação devem puxar a alta na liberação de recursos.
– Esperamos pelo menos dobrar as contratações na feira deste ano – estima o gerente de planejamento da BRDE, Alexander Leitzke.
Os valores se somam aos já anunciados nos planos Safra. O governo federal anunciou R$ 136 bilhões para a agricultura empresarial, enquanto o Estado terá R$ 2,7 bilhões no total.
Clima da próxima safra ainda é dúvida
É cedo para prever como a tempo vai se comportar durante a próxima safra de verão. A tendência atual é para um período de neutralidade, sem influência dos fenômenos El Niño e La Niña, o que dificulta uma previsão mais precisa dos meteorologistas para o cultivo das culturas de soja, milho e arroz, principais produtos das lavouras gaúchas.
Apesar das duas últimas grandes estiagens da década terem ocorrido sob influência dos fenômenos – El Niño, em 2005, e La Niña, em 2012 –, a previsão de neutralidade não é garantia de sucesso no campo. Até outubro, os prognósticos apontam chuva próxima da média histórica e bem distribuída.
– Dizer que não terá influência de El Niño e La Niña não quer dizer um período normal. Muitas quebras de safra ocorreram em épocas de neutralidade – afirma o coordenador do 8º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Solismar Prestes.
Sem resfriamento ou aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o tempo fica suscetível a outros fatores, difíceis de serem previstos com antecedência.
– Neste momento não é bom bater o martelo. A tendência é de neutralidade, mas é muito prematuro para afirmar – diz o meteorologista da Fepagro Glauco Freitas.
Valorização do dólar favorece carne e grãos
A valorização do dólar frente ao real deve impulsionar os ganhos no segundo semestre. O cenário amplia o valor recebido por produtos como carne bovina e grãos. No caso da pecuária, o ano já tinha uma perspectiva positiva nos negócios, devido à maior demanda dos mercados internacionais e à disponibilidade do produto no Brasil. A elevação nas exportações de carne deve chegar a 20%, contra os 10% previstos no início de 2013.
No mercado de grãos, a alta do dólar prejudica a compra de insumos para a próxima safra, mas garante lucro extra ao agricultor que tem produto armazenado. Em 2012, a soja alcançou valores recordes devido à seca nos EUA. Em 2013, os preços caíram, mas ainda permanecem acima da média.
Irrigação deve puxar vendas
As indústrias de máquinas e implementos agrícolas esperam repetir, no mínimo, o volume de vendas da última Expointer, quando tiveram grande participação no resultado final de R$ 2,02 bilhões. A perspectiva é tão alentadora que o número de expositores do segmento deverá aumentar 10% – o total será conhecido nos próximos dias.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Estado (Simers), Claudio Bier, destaca que os pivôs de irrigação devem ser puxadores de vendas. Já há lista de espera entre os produtores rurais, porque a fabricação dos equipamentos está abaixo dos pedidos, apesar do ritmo intenso dos operários.
Bier diz que o programa Mais Água, Mais Renda, do governo estadual, facilitou a liberação de financiamentos para a compra de pivôs. Na Expointer de 2012, quando o projeto engrenava, já ocorreu a procura. Neste ano, deve crescer ainda mais como defesa contra o ciclo de estiagens que assola o Estado.
O setor todo está otimista. Bier diz que a excelente safra deste ano, a valorização dos grãos no mercado internacional e as garantias de financiamento levarão os produtores às compras de tratores, colheitadeiras e outras máquinas agrícolas.

fonte: vitrinedigit@l

Embrapa lança primeiro aplicativo para nutrição de bovinos de corte

Obter bons resultados na produção de carne a pasto não depende apenas de variáveis como: disponibilidade de forrageiras, qualidade do pasto, formas de manejos e condições climáticas. O produtor precisa saber como investir, sobretudo, no período seco, momento mais crítico para suplementar o gado. Entretanto, tomar certas decisões com presteza e assertividade não é tarefa fácil, ainda mais se isso envolve perdas e ganhos.

Para auxiliar na tomada de decisão do produtor e na avaliação do benefício: custo da suplementação no período da seca, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária lança o Suplementa Certo, primeiro aplicativo para smartphones e tablets, com sistema operacional Android, desenvolvido com o objetivo de ajudar na escolha de produtos e estratégias pertinentes a nutrição de bovinos de corte.

Fruto da parceria entre a Embrapa Gado de Corte e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a aplicação para avaliação de benefício - custo da suplementação na seca (BCSS) - permite comparar, dentro de um mesmo tipo de suplementação, produtos de diferentes marcas de produtos. Além disso, realiza a comparação entre tipos distintos de suplementação, ou seja, suplementação com sal proteinado e semiconfinamento. Outra informação disponível no App é o número mínimo de cochos que deve ser disponibilizado ao lote a ser suplementado. Na visão do idealizador e pesquisador da Embrapa, Sérgio Raposo de Medeiros, esse é um diferencial importante do aplicativo.

“A quantidade mínima de cochos varia dependendo da estratégia, proteinado ou semiconfinamento, do porte dos animais, e do número de animais do lote. Esse é um dos principais motivos para resultado sub-ótimos da suplementação e, portanto, uma informação que aumenta a chance de obtenção do potencial da técnica no campo”, ressalta Raposo.

Ao inserir as informações sobre os produtos e o lote de animais a ser suplementado, o pecuarista terá acesso, após a comparação dos dados, a índices que mostram a margem da suplementação, que corresponde à diferença entre a Receita e o Custo da estratégia e/ou produto analisado; o ganho de peso que recupera o investimento, chamado de ponto de equilíbrio, e o retorno, em reais, para cada real investido. “Seja qual for o critério usado para a escolha, a ferramenta auxilia o produtor a tomar uma decisão mais segura, permitindo a obtenção de resultados superiores”, explica.

Com a adoção da tecnologia espera-se impactar a prática da suplementação, principalmente, na margem de escolha e ação do produtor. A expectativa, segundo Raposo, é de incentivar uma atividade mais consciente, na qual o pecuarista esteja mais conectado com os resultados e engajado na cobrança por produtos de suplementação de melhor desempenho. Portanto, com o uso do aplicativo anseia-se que haja maior controle nas tomadas de decisões.

O lançamento do aplicativo Suplementa Certo confirma o esforço contínuo da Embrapa em transferir tecnologia para a comunidade rural. O software integra as principais metodologias para cálculo do custo-benefício no uso da suplementação animal bovina no período de estiagem. Tudo isso na comodidade de um smartphone, um notepad ou qualquer outro dispositivo móvel que possua o sistema operacional Android. Vale ressaltar, que o seu uso não depende da internet.

A apresentação oficial ocorre no dia 25 de julho, no Hotel Foyer do Royal Palm Plaza, em Campinas-SP, durante a 50ª Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia. O aplicativo estará disponível para download através do Google Play após essa data. 

fonte: Agrolink com informações de assessoria

Soja e carnes têm receitas melhores e sustentam saldo da balança neste mês

A soja  e as carnes continuam dando suporte para a balança comercial. Os dados de ontem da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicam que as vendas externas de soja perderam ritmo na média diária neste mês. Julho terá, no entanto, um número maior de dias do que junho, o que vai permitir um volume total a ser exportado de 6,7 milhões de toneladas, um pouco acima dos 6,6 milhões do mês passado. Se as exportações de julho atingirem esse volume, o país terá exportado 29 milhões de toneladas de soja em apenas quatro meses, 74% dos 39 milhões que deverão ser vendidos neste ano, segundo a Abiove (Associação Brasileiras das Indústrias Brasileiras de Óleos Vegetais). As receitas dessas vendas externas continuam irrigando o saldo total da balança comercial, que é positivo neste mês em US$ 137 milhões. A soja em grãos deverá render US$ 3,6 bilhões neste mês, após ter atingido US$ 3,4 bilhões no anterior. Em julho do ano passado, foram US$ 2,2 bilhões, conforme os dados da Secex. O segmento de carnes também registra um bom desempenho nos últimos meses. As exportações de carne bovina deste mês superam as do mês passado e devem somar 110 mil toneladas de produto "in natura". As receitas deverão subir para US$ 490 milhões. A carne de frango, a principal nesse segmento, perdeu um pouco de força, quando se compara a média diária com a do mês anterior, mas as receitas serão maiores devido ao número de dias. Pelos dados atuais da Secex, as exportações de frango deverão somar 315 mil toneladas de produto "in natura", com receitas previstas de US$ 612 milhões.

fonte: Folha de S. Paulo

terça-feira, 23 de julho de 2013

Jaguaretê amplia o projeto Simental


LUCIANA BRAMBILLA/DIVULGAÇÃO/JC
Luiz Antônio Queiroz, da fazenda Jaguaretê
Luiz Antônio Queiroz, da fazenda Jaguaretê
A fazenda Jaguaretê, de Eldorado do Sul, que possui o maior rebanho do mundo de gado Simental PO, com 1.400 fêmeas e machos (o rebanho total é de 2.500 cabeças em 1.100 hectares), vai levar 35 animais de alta linhagem para a Expointer, dia 24 de agosto, em Esteio. Um dos destaques, certamente, será o touro Naipe, com 20 meses, mas já com 935 quilos de peso, recentemente considerado campeão nacional da raça, em São Paulo. Os proprietários da Jaguaretê, Rosalu e Luiz Antônio Queiroz, possuem duas fazendas na Grande Porto Alegre e estão se preparando para arrendar outra, pois venderam a que possuíam no Mato Grosso, e ampliar suas atividades no campo gaúcho, difundindo a raça sul-africana e estimulando seu uso no cruzamento industrial com as raças britânicas Angus, Hereford e Devon. A linhagem da Jaguaretê, o Simental precoce, um pouco menor do que os primeiros animais importados há alguns anos, é focada na produção de carne e cruza com raças britânicas.
Jaguaretê II

A raça tem importante potencial de ganho de peso especialmente no 1º ano de vida dos terneiros por conta das características de produção de leite. As fêmeas atingem média de 214 kg nos seus primeiros oito meses, enquanto os machos chegam a 218 kg no mesmo período. Em confinamento, como os mil bois atuais da Jaguaretê, os animais ganham, em média, 1,2 quilo diário de peso e chegam a dar rendimento de 58% no abate, ou seja, 8% a mais de carne do que um boi considerado excelente. Com 100/120 dias de confinamento, chegam a 480/500 quilos aos 18 meses, quando são abatidos, para garantir a qualidade da carne. Fazenda moderna, com instalações de primeiro nível, a Jaguaretê acaba de instalar dois pivôs de irrigação, ao custo de R$ 1,5 milhão, para produção de milho e azevém destinados à alimentação do gado confinado.
Jaguaretê III

Para difundir o Simental no Estado, Luiz Antônio Queiroz criou um projeto, que já conta com 20 parceiros gaúchos, no qual a Jaguaretê vende o sêmem, fêmeas ou reprodutores, e os criadores que os adquirirem terão como garantia a compra posterior dos terneiros desmamados com um prêmio em relação ao preço de mercado. Esses animais serão posteriormente abatidos e comercializados com um selo de origem e certificação. O próximo passo é abrir pontos de venda específicos desta carne, no Rio de Janeiro e em São Paulo, fechando a cadeia da produção à comercialização. A fazenda também cria ovinos Texel.

fonte: 
Painel EconômicoDanilo Ucha | ucha@jornaldocomercio.com.br

Painel 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Governo do RS lança a 36ª Expointer nesta quarta




Governo do RS lança a 36ª Expointer nesta quarta

O Governo do Estado dá a largada, na próxima quarta-feira (24), à 36ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer). A exposição deste ano ocorre de 24 de agosto a 1º setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O lançamento do maior evento da agropecuária da América Latina ocorrerá durante almoço no Centro de Eventos Casa do Gaúcho, do Parque Harmonia, na Capital.

Para este ano, a expectativa é de que a feira deverá superar os R$ 2 bilhões comercializados em máquinas agrícolas no ano passado. Cerca de 6 mil animais - de 150 raças de bovinos, bubalinos, equinos, ovinos, suínos, entre outros - devem ser inscritos na feira. Em 2012, foram comercializados R$ 13 milhões em animais. As inscrições para a Expointer vão até a sexta-feira (26), e podem ser realizadas pelo site da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) e das entidades representativas das raças. “Vamos convidar os produtores, as entidades, todos os segmentos das cadeias produtivas ligadas ao campo e o povo gaúcho a comemorar o grande momento que a produção primária vive”, destacou o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi.

O otimismo do secretário se baseia nos excelentes números do atual ano agrícola, quando a produção primária do Rio Grande do Sul deve fechar com um rendimento superior em pelo menos 20% ao melhor resultado obtido até aqui, na safra 2010/2011. A previsão é de que a economia do Estado cresça o dobro da nacional. Conforme Mainardi, o trabalho dos produtores, o clima e os cenários econômicos nacional e internacional contribuíram para os resultados positivos no setor. “Não podemos esquecer do crédito farto e barato e dos programas que os governos do Estado e da União disponibilizaram e que também são responsáveis por este grande momento”, explicou o secretário.

Investimentos no Parque Assis Brasil
O Parque Assis Brasil está passando por um processo de reestruturação e modernização. Os investimentos - custeados com recursos próprios, R$ 18 milhões oriundos do BNDES e uma parceria firmada com a iniciativa privada - vão possibilitar a reorganização do Parque a partir de um Plano Diretor.

Diretor do Parque Assis Brasil e da Expointer, Telmo Motta acredita que o evento deve superar o público da exposição anterior. “Um exemplo é o recorde, em termos de público e vendas, alcançado ano passado. Esperamos superar a casa dos 500 mil participantes”.

URUGUAY - La w de los precios del novillo



Mientras, seguirán situaciones complejas, plantas que cierran, trabajadores que se quejan y paralizan tareas.

Los problemas de sobredimensionamiento seguirán presentes. Pero se irán amortiguando gradualmente. Además, hay en realidad allí, encubiertos, dos problemas. Uno es el problema general del país, de contar con capacidad para faenar tres millones de vacunos por año, y solamente procesar poco más de dos millones. Pero otro problema es el de algunas empresas que tienen su propio exceso de tamaño y que están con dificultades para captar todo el ganado que necesitarían.

Mientras esas tensiones se procesan, parece estar empezando una poszafra, con las características típicas de ese período: muy baja faena, precios que van gradualmente recuperándose y obligan a mirar hasta setiembre como fase de precios en ascenso.

La industria hizo el mayor ajuste que pudo una vez que cumplió con sus compromisos de Hilton en junio. Esta semana ratificó que los precios de exportación no están ante una caída grave, la oferta permanece muy escasa y empieza a construirse la segunda curva de la especie de w que forman los precios del ganado gordo cada año. Dos momentos de suba, en marzo y setiembre, dos momentos de baja en julio y diciembre.

Ahora que falta menos de un mes para el comienzo del rebrote de las pasturas en el norte parece claro que no habrá mucho más ajuste en el precio del ganado gordo. Aunque algunas empresas sigan con fuertes problemas de costos, la baja oferta y los precios del mercado local e internacional consolidarán otro año con un precio mínimo para los mejores animales en el entorno de US$ 3,50 en cuarta balanza

fonte: Agrotemário


NOVILHOS A VENDA

NOVILHOS
Lote: 0172
Quantidade: 110
Peso Médio: 340
Sexo: Machos
Tipo idade: Anos
Idade: 2,5
Raça: Cruza Européia
Animal: Novilhos
Valor: R$ 3,50
Cidade: Jaguarão
Estado: RS
País: Brasil
Observação: GADO CRUZA EUROPÉIA COM PREDOMINÂNCIA DE ANGUS.CARRAPATEADOS, EM CAMPO NATIVO.
Imagens do lote

O Mapa da Inseminação Artificial no Brasil (ABS Pecplan)


Foto: Divulgação/Assessoria

Evolução IA Leite

por Márcio Nery – Diretor Geral da ABS Pecplan
Capítulo 1 - O Crescimento da IA nos últimos 24 Anos
Segundo as enciclopédias a inseminação artificial nasceu de uma bem sucedida experiência do monge italiano Lázaro Spallanzani, que em 1779, colheu sêmen de um cachorro e inseminou uma cadela no cio, vindo a nascer 3 filhotes. Mais de 2 séculos se passaram desde então, a IA sofreu grandes e profundas transformações e uma grande evolução tecnológica passando a ser uma tecnologia de fácil domínio e de expressiva contribuição no melhoramento genético de várias espécies animais.

No Brasil, os relatos das primeiras inseminações a nível de campo são de 1941, mas somente nos anos 70 com a entrada de empresas especializadas neste segmento é que a técnica obteve um grande impulso. Mais do que democratizar o acesso de todos os criadores a bons touros, a indústria da IA estimulou os programas de melhoramento genético e os
testes de progênie fazendo com que o nível de evolução genética dos rebanhos e por consequência os índices de desempenho dos rebanhos de corte e leite, usuários da IA, evoluíssem de forma impressionante.

Mas como evoluiu o uso da IA no Brasil nestes últimos 25 anos? Estamos crescendo? Qual é a situação atual deste mercado e as projeções para o futuro? O que precisa ser feito?
Para responder estas e outras perguntas estamos iniciando aqui uma série de artigos técnicos que chamamos de O MAPA DA IA NO BRASIL. Nesta edição iremos tratar de alguns
números e estatísticas atualizadas. Nas próximas edições iremos falar sobre Raças de Corte, Raças de Leite, Panorama Mundial, Os problemas da IA no Brasil, as Evoluções tecnológicas, o Futuro da IA e iremos encerrar com uma entrevista com importantes conhecedores do IA e do Brasil Pecuário. 

Em 1978 o mercado nacional utilizou 1,4 milhões de doses de sêmen e nos primeiros 10 anos o crescimento foi muito modesto. Apresentou uma taxa de crescimento composto anual (cc) de 2%, mas na segunda década analisada o crescimento anualizado foi de 13% e foram utilizadas 5,9 milhões de doses. Grande parte deste crescimento deve-se ao fato da entrada de novas empresas de IA no Brasil e um grande crescimento portanto da força de vendas.

Na década seguinte repete-se o fraco desempenho e o mesmo crescimento composto de 2%. Ao entrarmos na análise inicial da quarta década, temos 4 anos de análise e um
crescimento anual composto de 16%. A se confirmarem nossas previsões de crescimento próximo de 2% para 2012, teremos em 5 anos um crescimento composto de 12% e
talvez uma boa indicação de que iremos seguir o padrão de 10 anos de vacas gordas. Seguindo esta tendência e imaginando um crescimento de 10% poderemos chegar
a 2018 com mais de 18 milhões de doses vendidas no mercado interno, o que sem dúvida será uma marca considerável. 

No quadro podemos ter uma visão de como a técnica está presente em cada unidade da federação no Brasil. Os dados são referentes a uma estimativa da ASBIA 2012 e o número de cabeças são do Anualpec 2012. Para a finalidade de cálculo assumimos no leite um índice de 1,8 doses/vaca/ano e no corte 1,0 dose/vaca/ano. Consideramos o total de vacas de leite e no corte vacas e novilhas de 2 a 3 anos. Como podemos ver as variações são extremas onde temos 40% de IA nas vacas de leite do RS até valores inferiores a 1% no corte em vários estados do Brasil. Ao analisarmos o desempenho da IA no leite fica claro que nos 3 estados do sul, a influência de sua colonização e os bons programas de estímulo a IA desenvolvidos por governos, cooperativas e prefeituras conseguiram gerar os maiores índices de IA no Brasil, com 40% no RS, 26% em SC e 24% no PR. Coincidência ou não (
dará um bom debate) estes 3 estados apresentam também as melhores médias de lactações em todo Brasil. Na sequência segue-se ES também com 24% e MG com 23%.
Interessante o bom número em alguns estados como por exemplo o CE com 17% e uma pecuária de leite que vem crescendo em qualidade e já apresenta também uma média de lactação por vaca muito superior aos estados vizinhos do NE. 

No corte temos apenas 6 estados acima de 10% ( MS, PR, SP, MT, RS e AC), e a grande realidade deste setor é o uso da monta natural em 92% do rebanho. A união da IA com o TF formando a IATF deu um impulso grande desde 2007, mas ainda insuficiente para um vigoroso crescimento. Mais do que isso vimos o atrasar da estação das chuvas e a péssima condição das pastagens no Brasil parar todo este processo. No total das doses comercializadas, temos 6 estados que comercializam mais de 1 milhão de doses ano e representam 70% do total nacional. São por ordem de volume MG, RS, GO, MT, MS e PR. Na média nacional portanto, e utilizando os índices mencionados temos hoje no Brasil um índice de 17% do uso da Inseminação Artificial no Leite e 8% nas vacas de corte. É um fato inegável que este índice vem aumentando anualmente, mas ainda estamos muito longe do que o país precisa para construir uma pecuária eficiente e competitiva no cenário internacional. Considerando apenas a demanda por touros para monta natural, o aumento do uso da técnica poderá contribuir também para estas fazendas uma vez que os ´´ bois de boiada´´ darão lugar aos tourinhos filhos de IA, com melhor genética. Esta demanda anual hoje deverá estar ao redor de 335 mil tourinhos de leite e 1,7 milhões de tourinhos de corte, um verdadeiro exército a serviço ou de-serviço do melhoramento. Ao analisarmos as regiões brasileiras
observamos que graças a evolução do corte, o Centro Oeste brasileiro já é região de maior volume de comercialização de sêmen no Brasil, seguido do Sul e depois pelo Sudeste que perdeu a primeira posição. Ainda vale notar que as doses de leite comercializadas no Centro Oeste já são mais que o dobro do Nordeste.

Definitivamente o cenário potencial do país é imenso, mas com certeza as dificuldades e barreiras são também consideráveis. Na próxima edição do ABS News, iremos
fazer uma revisão sobre as raças de corte e leite e sua evolução até 2012 uma vez que até lá teremos o relatório oficial da ASBIA .


CAPÍTULO 2 - O desempenho do leite nos últimos 24 anos
O Brasil, com suas 16 milhões de cabeças de vacas de leite, representa um dos maiores rebanhos mundiais sendo o 5º. maior produtor mundial, atrás de EUA, Índia, China e Rússia. Mas, quando a questão é produtividade, nossos números ainda são muito tímidos e colocam o Brasil e seus menos de 1500 litros/vaca/ano nas últimas posições. Estes números são extremamente impactantes e contribuem para baixa rentabilidade da atividade em nosso país. Temos, entretanto, bons exemplos. Encontramos regiões onde se observa desempenhos de produtividade elevados tanto quando se mede por animal, chegando a mais de 10 mil kg/vaca/ano, ou quando se mede por área com números que ultrapassam os 40 mil kg/ha/ano. Nestes bons exemplos e nas áreas onde isso ocorre temos na Inseminação Artificial e no melhoramento genético uma importante e muitas vezes decisiva ferramenta.

A capacidade da raça HOLANDESA de, em apenas uma geração, triplicar a produtividade média encontrada pelo Brasil, faz desta raça a porta de entrada e maior vendedora de sêmen de leite. Na disputa pela segunda colocação temos a JERSEY cada vez mais demandada pelas questões dos sólidos no leite e uma raça muita adaptada ao pastoreio. O GIR LEITEIRO com seu programa de teste de progênie de mais de 25 anos conseguiu alavancar de forma impressionante a demanda por esta raça. E com um taxa de crescimento superior a 25% nos últimos anos vem o GIROLANDO, que mesmo sem contar com um teste de progênie forte e efetivo, tem credibilidade e demanda e muitos dizem que eguramente será a segunda raça em volume de vendas já em 2014.

Todos os números mostrados neste artigo demonstram claramente a necessidade de se aumentar o uso da IA nos rebanhos de leite no Brasil, mas iremos deixar para
debater os motivos e barreiras a este crescimento em outra edição. 


CAPÍTULO 3 - O desempenho do corte nos últimos 24 anos
Na última edição do ABS News fizemos uma análise da evolução da IA no leite, e nesta edição é a vez do corte. Aqui também os números são gigantescos e não comparáveis a nível mundial. As dimensões do rebanho fazem do Brasil um dos maiores produtores e o maior exportador mundial de carne bovina. Números expressivos mas que, entretanto, podem
ser melhorados à medida que o país cuidar melhor da qualidade da carne produzida e da porteira para dentro houver uma mudança importante nos números que refletem o desempenho agronômico, zootécnico e financeiro das fazendas.

O avanço da agricultura sobre as áreas de pecuária de corte é inevitável e na outra ponta temos a questão ambiental que decreta claramente que teremos que produzir nas terras que já estão abertas e nada mais será derrubado. Este empurrão já está sendo benéfico para pecuária de corte onde vemos bons exemplos surgindo por todos os lados.
Neste contexto a Inseminação Artificial novamente se apresenta como uma ferramenta extremamente importante para a mudança necessária, não apenas no aspecto genético, mas no que ela pode trazer a reboque para dentro da propriedade.

Analisando o período de 1997 a 2007 vemos um crescimento modesto no uso da IA no gado de corte, com uma taxa de crescimento composto de 3,3%. Mas a partir de 2007 uma revolução ocorreu, a IATF veio como uma locomotiva possibilitar o avanço da técnica. Quando analisamos a evolução de 2007 a 2012 temos uma taxa de 14,4%, uma verdadeira revolução. Hoje acreditamos que mais de 80% das 7,4 milhões de IA no corte são via IATF. Estes números devem crescer mais ainda quando a pecuária de corte entender que não pode depender exclusivamente da chuva para que as vacas e novilhas tenham condição corporal adequada para iniciar no tempo correto a estação de IATF.

Nas regiões de destaque da pecuária de corte, os índices de utilização da IA já são superiores aos países mais desenvolvidos tecnologicamente, entretanto este fato não deve causar estranheza uma vez que o cruzamento industrial nas áreas tropicais somente é possível via IA.

No mapa podemos ver como está distribuído o uso da IA nas diversas regiões brasileiras, bem como o % do uso da IA. Podemos observar que o crescimento foi muito forte nos últimos 5 anos, mas entretanto não foi suficiente para impedir que os índices de desempenho zootécnicos recuassem. Quando analisamos kg equivalente carcaça/rebanho total,
percebemos uma redução em todas as principais regiões de corte indicando claramente uma necessidade de rever a situação da pecuária de corte no país. Seguramente sem o apoio da IA a situação poderia ser pior.

Ao analisarmos as raças que compõe o quadro da IA no Brasil, temos que fazer isso em 2 tempos pois Nelore e Angus são definitivamente a preferência nacional. Em 2005 juntas representavam 81% do total de doses de corte e em 2012 representaram 87%. O crescimento da IA no corte está diretamente relacionada ao crescimento destes dois grupos NELORE & ANGUS. 
Seguramente temos outras raças de muita importância que estão sendo trabalhadas por seus criadores e associações e no quadro listamos as principais
em destaque onde percebe-se claramente que outro agrupamento está emergindo fortemente desde 2006 o HEREFORD/BRAFORD.

CAPÍTULO 4 - Conclusão
Nas últimas três edições do ABS News o Diretor Geral da ABS Pecplan, Márcio Nery, redigiu reportagens especiais com o objetivo de traçar um mapa atual da Inseminação Artificial no Brasil. Dados tabulados pela ASBIA e outras instituições especializadas neste mercado foram analisados, especificando a realidade dos rebanhos de corte e leite, de norte a sul do Brasil. Agora, nesta reportagem que encerra essa série de matérias, estão reunidos depoimentos de profissionais que também trabalham com a técnica e lidam diretamente com os produtores. São opiniões que podem ajudar a entender porque o índice de utilização da IA no país ainda é tão pequeno. Ao mesmo tempo sugerir mudanças de atitude e foco rofissional para que a técnica cresça de forma mais vigorosa nos próximos 10 anos.

Segundo o Presidente da ASBIA, Lino Rodrigues Filho, de acordo com a experiência das empresas que compõem a entidade, haveria pelo menos quatro alternativas de
crescimento:
• Aumentar o volume de IA realizado entre os produtores já adeptos à técnica
• Diversificar a linha de produtos e serviços oferecidos para os produtores adeptos à IA
• Ampliar o alcance da IA entre produtores que ainda não conhecem a técnica
• Levar a novos produtos e serviços novos produtores 

“Para os próximos 10 anos há uma sinalização irreversível da necessidade de redução de custos através do incremento de produtividade com a utilização de tecnologia. O setor da pecuária dentre as diferentes atividades do agronegócio - e da produção de proteínas - é aquele que oferece as maiores possibilidades de crescimento”, destaca Lino. “Enquanto na produção de cana-de-açúcar e grãos fala-se de ‘Agricultura de Precisão’, no caso da pecuária bovina observamos exemplos fantásticos de uso de tecnologia e produtividade. Há
animais produzindo 30Kg de leite diários, enquanto que a média nacional não ultrapassa 4kg por vaca. Interessante observar que no grupo mais produtivo há uma forte correlação com o uso de tecnologia, tanto na genética, como também no manejo e alimentação”, completa.

A utilização da Inseminação Artificial representa, em média, 3% do custo total de geração de um novo animal, pronto para a produção leiteira ou para o ganho de peso. 
Estudos realizados pelo Prof. Pietro Baruzzelli indicam que a utilização da IATF pode gerar um incremento de até 22% na produtividade da matriz, sem contar os benefícios de incremento na velocidade de crescimento. “Os programas de terceirização da IA com uso de IATF no gado de corte já estão mostrando o caminho de como a inseminação pode crescer: menor preocupação e necessidade de investimento por parte do pecuarista, que paga apenas por resultados comprovadamente
atingidos. O desafio é como levar modelo semelhante para o gado de leite também. Exemplos de sucesso podem ser encontrados na Índia, Reino Unido, França, Estados Unidos e até mesmo algumas regiões brasileiras como o RS”, afirma Carlos Saviani, Gerente de Marketing Estratégico da Genus ABS. “O mais importante é como fazer que o crescimento da IA seja conectado com o aumento do melhoramento genético e não apenas com a reprodução - como conseguir vacas prenhes - para que possamos gerar mais valor e com isso também captar mais valor. Em suínos, por exemplo, a IA é vista apenas como uma das ferramentas para se obter melhoramento genético. O lucro não vem da venda de sêmen ou
animais, mas sim do comprovado melhoramento que é gerado e traduzido para o produtor em ganhos financeiros”, detalha.

Três Pilares de Crescimento
Ainda de acordo com os estudos da ASBIA, o crescimento da IA entre os pecuaristas brasileiros está alicerçada sobre três pilares principais: desenvolvimento do mercado com
a busca de novos produtores utilizando a IA; informação, comunicação e cultura de valor nas cadeias produtivas de carne e leite; criação de programas de fomento da técnica junto às agências de financiamento. “A técnica IA no Brasil tem apresentado crescimento significativo nos últimos anos, porém muito aquém do potencial do setor. Novidades e aperfeiçoamento em programas de IATF, por parte da indústria de hormônios, carregam o mérito do crescimento da técnica. Outra parte importante dessa cadeia é a mão
de obra, que três características resumem bem: escassa, essencial e dispendiosa”, atesta Diego Alves Costa, Gerente de Negócios do Distrito MS da ABS Pecplan.
“As empresas de genética contribuem, há décadas, formando e capacitando novos profissionais, porém ainda insuficientes para atender a demanda dos milhões de vacas não inseminadas – algo em torno de 88% das fêmeas bovinas nunca receberam uma dose sequer de sêmen”, complementa.
Sem dúvida, com as taxas de matrizes Inseminadas no Brasil, em torno de 10%, abre-se uma oportunidade significativa de ampliação, considerando-se também o tamanho do rebanho nacional. Uma realidade que se sustenta tanto pela necessidade de sobrevivência dos produtores, de produzir mais e melhor via incremento do uso da tecnologia, assim como pelos resultados obtidos naqueles que já utilizam a tecnologia. Caso nos próximos 10 anos haja um incremento de 50% nas matrizes inseminadas, mediante a conquista de
novos produtores adeptos, todo o setor se beneficiará e atingirá elevados níveis de sustentabilidade. “Os resultados a campo comprovam que a IATF é o que
impulsiona o uso de sêmen. O que precisamos é de mais informação para a escolha dos protocolos adequados a cada rebanho. Um protocolo prático, simples e de baixo custo. Acrescentaria que a valorização de produtos diferenciados, como marcas de carne, incentiva o produtor a investir mais e buscar mais qualidade, como exemplo dos programas de carne Angus e carne Hereford”, comenta Marcelo Selistre, Gerente de Produto Corte Europeu da ABS Pecplan. “Temos que vialibizar protocolos de IATF com custos mais acessíveis para que os produtores se beneficiem a remuneração melhor por qualidade, tanto em frigoríficos quanto em laticínios. Além disso, propagar os Programas de Inseminação Artificial (PIA) por parte das prefeituras em parceria com as empresas, associações de produtores e entidades do setor, oferecendo sêmen e serviços de qualidade, inseminadores qualificados e assistência técnica a campo”, concorda Ricardo Koyama, Gerente de Negócios da ABS Pecplan no Distrito Sul.

Mais carne e mais leite
Eficientes programas de comunicação e informação são os meios para criar uma cultura de valor para a IA. Nas cadeias de leite e de corte é fundamental que se instale
a demonstração dos benefícios da tecnologia, com informações mais precisas e uma grande difusão junto aqueles produtores que ainda não recorrem às diferentes
técnicas. É necessário também, divulgar os benefícios aos diferentes profissionais envolvidos no sistema produtivo. Criar grupos de referência e demonstrar continuamente os resultados. Seria oportuno também, em cada microrregião, realizar comparativos entre grupos que não realizam o processo de IA e aqueles que aderiram à técnica. “O grande crescimento da IA nos últimos tempos está relacionado às vacas Nelore e IATF. Mas quando pensamos no leite existem mais variáveis envolvidas, pois todo dia se inicia uma estação de monta. Creio que o crescimento da IA para leite vai se concretizar quando os produtores começarem a ter acesso aos programas de acompanhamento e conhecerem melhor os índices reprodutivos de cada propriedade, aí sim orientar a atitudes para aumentar a eficiência porteira adentro”, declara Klaus Hanser de Freitas, Gerente de Produto
Leite da ABS Pecplan. “Parcerias envolvendo grupos de produtores e empresas que possam implementar uma estratégia para aumentar a eficiência reprodutiva, que
gera um aumento exponencial da produção de leite, vai encantar os produtores que nunca pensaram em inseminar pelas diversas desculpas como custo mais alto, problema de mão de obra, ineficiência da técnica, etc. Para isso precisamos de um pacote onde programa de acompanhamento reprodutivo e estratégia de implementação da IA, além da análise do resultado que é fundamental e funciona”, reflete. A produção de proteína animal é aquela que oferece menores riscos para os programas de crédito, devido à liquidez dos produtores. Entretanto, os programas existentes são excessivamente tímidos e não valorizam as garantias de crédito disponíveis. Estimular os governos estaduais e federais a desenvolverem programas de incentivo à utilização de tecnologias produtivas contribuiria significativamente ao desenvolvimento de mercado, com produtos e serviços que já estão
disponíveis de forma imediata. “Vejo uma possibilidade de crescimento muito forte nas vendas de sexado (leite e corte), desde que os preços desse sêmen sejam adequados ao mercado e os produtores utilizem os produtos com critério técnico”, reforça Odilon Resende Filho, Supervisor da ABS Pecplan no Sudeste. “Antes mesmo de implantar programas de IA temos que orientar os produtores a melhorar a nutrição animal, capacitação de mão de obra dentro da fazenda e melhora nas estruturas físicas das propriedades”,
relembra Raul Abreu, Gerente de Negócios no RS. Segundo O IBGE, há no Brasil cerca de 5 milhões de propriedades rurais e há pelo menos uma cabeça de gado em 85% delas. Essa estatística confirma a importância da pecuária (corte e leite) para a economia. “Os números da inseminação artificial no Brasil avançam, porém muito menos do que o esperado. Na verdade, essa eterna “luta contra as estatísticas da comercialização de sêmen” já teve vários capítulos, mas até o momento – sejamos
francos conosco mesmos – em que pese o incansável trabalho de alguns, como empresas de genética bovina e entidades de classes, os índices permanecemos muito
aquém do alcançado em outros países. Dois exemplos: Estados Unidos e Holanda, onde o percentual de inseminação gira em torno de 90%”, reflete Paulo de Castro Marques, Presidente da Associação Brasileira de Angus. “Entendo que seja preciso intensificar os investimentos em extensão rural, demonstrando aos pequenos e médios produtores rurais a importância de ter animais preparados – em termos de genética e de manejo – para receber essa nova tecnologia (inseminação). Assim, acredito, a informação seja a melhor alternativa para ajudar a impulsionar os índices de inseminação artificial nos próximos anos”, completa. 

Márcio Nery, Diretor Geral da ABS Pecplan, que também é vice-presidente da ASBIA, confirma que nessa série de artigos fica claro a grande oportunidade que a Inseminação Artificial tem no Brasil e as boas perspectivas de que sejam atingidas a 18 milhões de doses até 2018, ou até mesmo a 20 milhões de doses conforme soprem os ventos do mercado. “O certo é que necessitamos atuar com consistência nos potenciais fatores que possam estar impedindo uma maior evolução do uso da IA, e neste sentido temos uma análise parcial da enquete do site da ABS Pecplan deste mês. Em primeiro lugar isolado com quase 54% das respostas temos a FALTA DE MÃO DE OBRA E INSEMINADORES, o que pode e deve ser entendido também como uma necessidade de se aumentar as equipes de IATF nas áreas de corte. O interessante é que não faltam cursos de inseminação! Temos as Centrais de IA, SENAR, Sindicatos Rurais e autônomos com cursos por todo Brasil e durante todo o ano. Seguramente distâncias e custos não seriam também impedimentos. Temos portanto que entender melhor este problema e o que estamos fazendo de errado. No segundo posto com 34% podemos juntar 4 conceitos comuns mas que na sua grande maioria estão errados: CUSTO, COMPLEXIDADE DA TÉCNICA, REDUÇÃO DE FERTILIDADE e QUALIDADE GENÉTICA. Não importa se a percepção está incorreta, temos que trabalhar para mudar estes conceitos ou corrigir seu uso.

Com 12% fica a necessidade de contato com as empresas de IA, seguramente nossos agentes de campo necessitam entender de que 10% do mercado de não usuários da IA significam 6 milhões de vacas de corte e 1,5 milhão de vacas de leite. Nada mal!”, finaliza.

Resultado parcial da enquete do site.
Quais são os maiores entraves para o
crescimento da inseminação artificial no
Brasil?
1 Falta de contato com representantes das empresas de IA
2 Custo elevado em relação à monta natural 
3 Processo complexo que exige instalações e equipamentos caros
4 Redução da fertilidade e prenhês 
5 Falta de inseminadores e escolas de formação de inseminadores
6 Não existe diferença genética significativa dos touros de monta natural. 

Fonte: Artigos de autoria e cedidos pela empresa ABS Pecplan.