quinta-feira, 26 de abril de 2012

LIQUIDAÇÃO DE PLANTEL PEDRA SÓ



TERNEIRAS PO ANGUS QUE IRÃO A VENDA NA LIQUIDAÇÃO DE PLANTEL DA PEDRA SÓ


Tempos novos, problemas velhos


BOI GORDO – Lygia Pimentel




Estamos em 2012, mais precisamente no oitavo ciclo pecuário desde o início da série histórica mais antiga que tenho aqui com os preços do boi gordo. Isso não significa que esse tenha sido o início da pecuária brasileira, obviamente. De lá para cá, foram 58 anos de evolução para a atividade pecuária.
Mas por mais que a gente evolua, certos problemas parecem sempre os mesmos, quero dizer, parecem voltar de tempos em tempos. É o que aconteceu nesta semana lá nos Estados Unidos.
Desde 2006 os norte-americanos não viam de perto um caso de encefalopatia espongiforme bovina, que costumamos chamar “mal da vaca louca”. Coincidentemente, naquele mesmo ano eles passavam por um período difícil para apecuária. Época de preços nominais estáveis e custos de produção crescentes, ou seja, perda de rentabilidade. Digo coincidentemente porque hoje ocorre algo semelhante.
Apesar da trajetória recente dos preços, o produtor norte-americano sofreu bastante nos últimos meses. Com a forte alta dos grãos e com a alta taxa de animais recriados e terminados em confinamentos, a margem do pessoal diminuiu bastante. Para completar, o cenário piorou devido ao clima no ano passado, que registrou a pior seca em 50 anos e a temperatura mais alta em 70 anos.
Gráfico 1.
Evolução dos preços do boi gordo nos Estados Unidos e no Brasil, em dólares.
O resultado foi que a taxa de abate de fêmeas aumentou e o Tio Sam hoje possui seu menor rebanho nos últimos 60 anos.
E o que acontece nesses momentos de – literalmente – vacas magras é que temos que apertar o cinto pra não comprar uma calça nova. Ao reduzir investimentos, o pessoal costuma esquecer-se da sanidade do rebanho, infelizmente. E aí, amigos… aí chega a hora do tiro de misericórdia! Todo mundo chega junto ao fundo do poço.
Enfim, não é nada bonito de ver. Sabemos bem como é, afinal de contas, foi o que aconteceu conosco em 2005, quando tivemos o surto de febre aftosa no Mato Grosso do Sul.
Vivíamos o pior momento do ciclo pecuário, a fase do abate forçado de matrizes na tentativa de fazer caixa. Aí, alguém se descuidou e “esqueceu” de vacinar o rebanho… pronto!
Gráfico 2.
Evolução dos preços do boi gordo em Barretos – SP, corrigidos pelo IGP-DI.
Mas tudo bem. O que aconteceu nos Estados Unidos esta semana provavelmente será bom para as nossas exportações e poderá ajudar o Brasil a consolidar-se no mercado internacional novamente. Será?
Eu, particularmente, acredito que é sempre positivo quando um grande player deixa o mercado em que concorremos. Mas o fato é que os principais clientes dos Estados Unidos não compram carne brasileira. Os mercados emergentes que compartilhamos compram muito pouco deles, por isso o crescimento recente das vendas de carne norte-americana para esses mercados foi tão expressivo. Portanto, há certamente algo que poderá se desenvolver mais facilmente, talvez algum cliente se interesse pelo nosso mercado, mas ainda é um caminho a percorrer e que leva um pouco de tempo.
Outro fato: antes que a notícia fosse confirmada pelas autoridades, a vaca de leite da Califórnia já havia sumido do mapa. O governo norte-americano imediatamente entrou em ação para rastrear de onde veio e para onde foi o animal doente, eliminou suas evidências, declarou que a carne não foi comercializada e que não há risco de contágio de outros animais. Ou seja, fizeram rapidamente sua parte para evitar que a retaliação dos clientes seja maior do que o necessário. A recuperação pode ser mais rápida do que imaginamos. Já temos noticias de que apenas a Coréia e Indonésia retaliaram as compras de carne bovina norte americana, mas esses são mercados que o Brasil não atende. Japão, Mexico e União Europeia continuam abertos e a Rússia ainda não se pronunciou.
Mais uma questão: não podemos sequer considerar uma análise sobre mercado exportador sem olharmos para o câmbio, seria muito amadorismo. O dólar em R$1,80 ainda não é suficiente para que sejamos assim tão atraentes internacionalmente, o que fez com que a Índia – pasmem – fosse apontada como mais novo líder mundial em exportação de carne bovina pelo Departamento Norte Americano de Agricultura (USDA). E ainda de acordo com o USDA, estamos atrás da Austrália, ou seja, saímos do primeiro para alcançar o terceiro lugar. Mas tudo bem, ainda assim, estamos numa boa posição, faz parte dos ciclos do mercado.
Vale ressaltar que a posição da Índia, na verdade, é uma incógnita, pois os diversos órgãos de estatísticas internacionais (USDA, FAO, OECD, FAPRI) diferem em quase 100% nas estimativas de exportações. Os volumes variam de 750 a próximos de 1.300 mil toneladas de equivalente carcaça. E, apesar do USDA estimar as exportações australianas acima das brasileiras, a análise dos órgãos de ambos os países (Brasil e Austrália) ainda apontam o Brasil na frente.
Temos que considerar também que o período em que alcançamos o maior volume de carne exportada era também o período em que abatíamos o maior volume de animais devido à fase do ciclo pecuário em que nos encontrávamos, ou seja, a fase de baixa.
Portanto, naquele período, o abate brasileiro não era sustentável em termos de desfrute. Abatíamos o que não podíamos, forçosamente. Agora que ainda estamos em fase de colher frutos do investimento na atividade e que não temos abate forçado de matrizes, não conseguimos abater tanto quanto naquele período, o que em termos de inventário de animais pode ser considerado mais saudável.
O que quero dizer com toda essa história é que o mercado futuro disparou na terça-feira e chegou a subir 2,3%. Essa alta não ocorreu pelo fato de que na semana que vem voltaremos a exportar um volume monstruoso e que isso deverá enxugar o mercado de carne empurrando os preços pecuários para cima. Na verdade, o mercado futuro subiu porque queria subir. Ponto!
Pensem comigo. Na sexta-feira (20/04/2012) o indicador recuou R$1,08/@ e na segunda-feira o mercado futuro permaneceu praticamente estável. Sem falar no relatório de posicionamento dos players divulgado na quinta-feira (19/04/2012), onde ficava claro o aumento considerável da posição comprada da Pessoa Jurídica Financeira. Gente grande brincando com um mercado pequeno.
Alguém se lembra da reação dos futuros no dia que os Estados Unidos suspenderam a importação de carne brasileira industrializada? Para quem não se lembra, eu digo: nenhuma. O mercado continuou como se fosse algo ainda distante de mostrar seus efeitos.
Então, pessoal, o que houve foi que acendemos o fósforo perto da gasolina. O mercado queria subir e dava sinais de que isso aconteceria. Lembram-se do que comentamos na semana passada sobre o suporte em 101,55 para o contrato de outubro? Como falei, não é tão claro assim quando e como isso acontecerá, mas o mercado certamente dá seus sinais. Precisamos usar o instinto para enxergá-los.
Quem nos lê pode querer me perguntar: “então você está pessimista em relação às exportações?”. NEGATIVO! A notícia é positiva para o mercado brasileiro. É uma pena pensarmos que é bom pra gente quando o outro vai mal, mas estou falando do efeito e não do fato em si. O fato em si é horrível e preocupante, ainda mais depois da história do pink slime e da perda de imagem da carne bovina no mercado norte-americano.
De toda forma, o que eu quis expor aqui é que talvez a BM&F tenha exagerado um pouco no tamanho da reação, como é típico dos mercados futuros. Afinal, além de gente apostando na alta, tínhamos também uma série de ordens “stop” sendo acionadas, aquelas que servem para estancar o prejuízo. E no fim das contas, quem especula só ganha dinheiro com o mercado em movimento, então ele tinha que se mexer. Se não é para baixo, tem que ser para cima.
Estou dizendo que 104 é um preço alto demais para o mercado em outubro? Absolutamente, não! Mas não é o episódio desta semana que mudará drasticamente o caminho que temos trilhado até agora. O fato poderá nos ajudar a tirar algumas pedras da mochila, mas já rumamos para o aumento natural da produção de carne e, consequentemente, aumento natural das exportações.
Bom, este é só o ponto de vista de alguém que tenta enxergar o mercado da maneira mais racional possível. A moral da história é a mesma de sempre: mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
Hoje gostaria de dar uma excelente notícia. Temos uma cabeça nova para compor o time de profissionais que colaboram com a Bigma Consultoria. Trata-se do início de uma parceria com meu amigo Pedro Dejneka, consultor da PHDerivativos, brasileiro e que mora nos Estados Unidos há 16 anos. A partir de agora ele nos ajudará a aprofundar a análise macroeconômica e de outras commodities. Já falei aqui sobre o Pedrão, o nível de conhecimento e a experiência profissional dele dispensam comentários.
E pra começar, nos próximos dias ele complementará o texto de hoje com uma visão macro de como a coisa pode se desenrolar. Será a parte II dessa visão que desenhamos hoje.
Abraços a todos e até breve!
FONTE: WWW.AGROBLOG.COM.BR / AUTOR LYGIA PIMENTEL

GAP Outono comercializa mais de R$ 1.340.000,00




O remate Virtual GAP Outono, realizado ontem a noite no Salão Nobre da Pastoril de Uruguaiana, comercializou R$ 1.342.620,00.
As médias foram:
Terneiras - R$ 780,00
Terneiros - R$ 841,00
Novilhos - R$ 1.410,00
Novilhas - R$ 911,00
Ventres - R$ 1.820,00
Touros - R$ 5.400,00

Fonte:TRAJANOSILVA.COM.BR

JBS deve confinar 230 mil cabeças de gado em 2012, alta de 9% sobre 2011


Empresa possui cinco confinamentos em três Estados

 A empresa de alimentos JBS informou nesta terça, dia 24, que irá confinar 230 mil cabeças de boi em 2012. O número representa um aumento de 9% ante as 211 mil cabeças confinadas no ano passado. De acordo com a zootecnista e especialista em Economia do Banco Original, instituição financeira controlada pela J&F, holding que engloba a JBS, a Eldorado Brasil e a Flora, Mariana Peres, a empresa de alimentos possui cinco confinamentos localizados em Mato Grosso (1), São Paulo (2) e Goiás (2).

— Mas não trabalhamos com boi próprio, somente em parceria — disse.

Para ela, esse aumento de confinados da empresa reflete a necessidade de intensificação da produção e o melhor entendimento do pecuarista sobre a atividade, que passa a considerá-la como estratégica e não especulativa.

Mariana Peres afirma que o volume de bois confinados no país deverá ser 19,3% maior em 2012. Pesquisa elaborada pelo Banco Original aponta que em 2011, o aumento ante o ano anterior havia sido de 15%. A zootecnista diz que o confinamento passou a ser uma decisão estratégica da empresa para contornar eventuais problemas climáticos que possam afetar a produção.

– Nesse ano, teremos muitos animais em confinamento por conta de problemas com o clima, que afetam os pastos – apontou.

Conforme o estudo, 56% dos entrevistados disseram utilizar o confinamento como estratégia e 44% como especulação (para contar com produto em momentos de menor oferta, em períodos de entressafra, com base nas condições de mercado e retorno). Marcelo Petersen Cypriano, economista do Banco Original, diz que o custo de produção estará mais favorável ao confinador neste ano.

– O preço do milho, que representa até 80% do custo da alimentação em confinamento, será mais baixo que em 2011, por conta da expectativa de uma safra boa do insumo nos Estados Unidos e uma ótima produção na safrinha no Brasil. Já o preço do boi gordo em outubro, pico do confinamento, também estará atraente para o confinador. Esse será um ano de rentabilidade para a atividade – afirmou, sem citar porcentuais.

Para ele, os preços da arroba no mercado físico refletirão o comportamento atual dos preços do boi gordo e do milho no mercado futuro. O banco realizou a pesquisa entre 21 de março e 5 de abril com 227 confinadores de 10 Estados do País (109 clientes da instituição financeira e 118 não clientes), com margem de erro de menos de 2%.

– Se confirmado o crescimento, será um dos maiores porcentuais da atividade. Entre 2003 e 2011, a taxa média de crescimento do número de animais confinados foi de 5,7%, sendo que a maior expansão havia sido registrada em 2004, de 19%, de acordo com o Anuário da Pecuária Brasileira (Anualpec) 2011, elaborado pela Informa Economics FNP, que usamos como base para ponderação de nossos dados – explicou Mariana.

O aumento de 19,3% representa 1,120 milhão de cabeças a mais, ante as 939 mil cabeças de 2011, com base na amostra coletada pelo banco.

– No âmbito Brasil, se ponderarmos nossos dados com os do Anualpec 2011, essa oferta passará de 3,176 milhões de cabeças no ano passado para 3,788 milhões de cabeças em 2012 – completou a zootecnista.

Análise regional

Na análise por Estado, as regiões confinadoras de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apareceram com taxas de crescimento de 6%, 10%, 19% e 31% respectivamente.

– Os dois maiores Estados confinadores, SP e GO, apresentaram porcentuais menores do que a média nacional. São Paulo, por exemplo, é um Estado que ainda utiliza o confinamento especulativo (74%) – disse Mariana.

Para ela, Mato Grosso, que hoje ocupa a terceira posição de maior Estado confinador de acordo com a Anualpec 2011, pode passar para o primeiro lugar, que atualmente é de São Paulo. Na pesquisa do Banco Original, a taxa de crescimento de animais confinados é de 31%.

– Mato Grosso já é o Estado que possui o maior rebanho comercial do país. A intensificação da produção na cria e recria de animais pode levar a região a ser a maior confinadora em pouco tempo – projeta a zootecnista.

Praças menos tradicionais na atividade, como Rondônia, Pará, Tocantins e Bahia, apresentaram porcentuais acima da média nacional, com 20%, 40%, 75% e 100%, respectivamente.

– Há uma influência da expansão agrícola, com o cultivo de grãos na região – ressaltou Cypriano.

O Banco Original quer chegar a uma carteira de crédito de R$ 760 milhões concedida ao agronegócio ao final de 2012. O valor é praticamente 50% superior aos R$ 518 milhões que compunham a carteira de crédito do setor em 2011.

– Hoje (mês de abril) esse montante está em R$ 550 milhões, sendo R$ 470 milhões disponíveis para operações pecuárias e R$ 90 milhões a outros setores do agronegócio, como milho, soja, café, cana, algodão e eucalipto – explicou o diretor da instituição, José Antonio Marinho Neto.

Segundo ele, o banco quer aumentar o crédito para os segmentos além da pecuária, chegando a R$ 150 milhões ao final de 2012.

– Nos próximos dois a três anos, a carteira de crédito ao agronegócio do banco deverá ficar equilibrada: 50% para pecuária e 50% para esses outros setores. Vamos fortalecer nossa relação com as grandes tradings, por exemplo, para chegar no bom fornecedor – completou o executivo.

O objetivo do banco, de acordo com Neto, é ser a maior instituição financeira privada do agronegócio.

– Não queremos competir com o Banco do Brasil. Nosso diferencial não é taxa de juros. Queremos nos relacionar melhor com o pecuarista, com o agricultor, com operações que reduzem o custo total da atividade dos nossos clientes – explicou.

Entre os principais produtos oferecidos pelo Banco em empréstimos e financiamentos estão a Cédula de Produto Rural Financeira (CPR), capital de giro e Nota de Crédito à Exportação (NCE).

Fonte: Agência Estado

Atacado de carne bovina patina na segunda quinzena de abril


O atacado de carne bovina vem patinando na segunda quinzena de abril.

Segundo levantamento realizado pela Scot Consultoria, o boi casado de animais castrados, que na segunda metade do mês estava cotado em R$6,16/kg, atualmente é negociado por R$6,07/kg em São Paulo.

A queda mais significativa foi para as peças de traseiro. Tanto o avulso como o traseiro 1x1 recuaram 2,5% no período, e hoje são vendidos a R$7,40/kg e 7,45/kg, respectivamente.

Este comportamento mostra que o incremento nas vendas por parte do atacado na última semana do mês, não se confirmou, o que ajuda a pressionar o mercado do boi gordo.

Segue a perspectiva de melhora no consumo na primeira semana de maio.

FONTE: SCOT CONSULTORIA

Planos para o futuro da pecuária de corte



Maurício Palma Nogueira, eng. agrônomo e diretor da Bigma Consultoria
mauricio@bigma.com.br
Reprodução permitida desde que citada a fonte
 
A última década, período que se estendeu de 2001 até 2010, testemunhou um avanço significativo da pecuária de corte brasileira. Esse avanço se deu no campo, nos frigoríficos e na participação do Brasil no mercado internacional.

No campo, o avanço tecnológico da pecuária veio ganhando força, agregando produtividade por área e melhoria nos índices zootécnicos. O avanço é mais lento que o registrado na agricultura por diversas razões, sendo que a principal delas é a dificuldade de organizar o fluxo de caixa numa propriedade pecuária. Em termos de investimentos, a pecuária demanda mais aporte de capital do que a agricultura para expandir tecnologicamente.

A indústria frigorífica brasileira viveu um período de grande consolidação durante os primeiros anos do século XXI. Saiu de uma condição quase artesanal para se transformarem em grandes conglomerados multinacionais, adquirindo até plantas em outros países.

Inclusive em nações que até bem pouco tempo atrás acreditava-se pouco provável que seria possível que uma indústria brasileira chegasse com força. É o caso dos Estados Unidos da América.

Depois da expansão, até certo ponto desordenada da maior parte dos frigoríficos brasileiros, agora a luta é para enxugar custos e aprimorar a governança destas empresas. Durante o processo de crescimento tão rápido, os gestores dos frigoríficos não foram eficientes em prever e planejar meios de garantir a rentabilidade. O negócio, mais moderno e mais profissional sob diversos aspectos, continua sendo de alto risco, grande ineficiência operacional e margens baixíssimas.

Produtores e indústrias brasileiras ainda tem muito que melhorar.

O período também testemunhou a incrível expansão do Brasil no mercado internacional de carne bovina. De 2001 até 2007, o Brasil passou de 12% do mercado internacional para 26% do total comercializado no globo.

Figura 1.
Evolução das exportações brasileiras de carne bovina em mil toneladas de equivalentes carcaças nos últimos anos

Fonte: Secex/MDIC/ Bigma Consultoria

De 2008 em diante, as exportações recuaram como consequência de dois fatores principais. Primeiro, a virada do ciclo pecuário, com o final do período em que os pecuaristas vinham descartando vacas e aumentando a oferta de animais abatidos.

O segundo fator é a própria conjuntura internacional do período subsequente à crise financeira global, cujo auge foi em 2008.

Entre 2007 e 2011, o Brasil reduziu 35,4% o volume de carne exportada em toneladas de equivalentes-carcaça.

Em 2011, finamente, a pecuária de corte nacional perdeu o primeiro lugar do ranking para os norte americanos, que exportaram 11,4% a mais que o Brasil, ao aumentarem as suas exportações em 20% quando comparado a 2010.

Mesmo assim, é preciso lembrar que as exportações dos EUA tendem a não se sustentar no curto prazo.

Os órgãos estatísticos do país anunciaram que o rebanho bovino norte americano é o menor dos últimos 60 anos. As estimativas iniciais apontam queda de produção de carne bovina na ordem de 4% durante 2012. Mas já há indícios de que a produção de carne bovina recue mais de 6% ao longo o ano.

Por isso que dizemos que o volume de exportações de carne dos EUA, em 2011, foi fruto de um processo de liquidação de parte do rebanho. A tendência agora é perder espaço e, dependendo da economia, eles precisarão aumentar o volume de importação, além de reduzirem as exportações.

É mais ou menos a mesma situação vivida pelos brasileiros ao longo dos movimentos do ciclo pecuário.

Nos anos finais de baixa do ciclo pecuário, a quantidade de animais abatidos no Brasil também aumenta.

Nesse caso, uma análise desatenta pode levar à conclusão de que estaria ocorrendo um aumento da produtividade e da competitividade do país, quando na verdade trata-se de um movimento de liquidação de parte do rebanho na tentativa de melhorar resultados.

A figura 2 ilustra o volume de animais abatidos ao longo dos últimos anos, segundo estimativa da Bigma Consultoria, com base em dados do IBGE e diversos outros indicadores.

Figura 2.
Estimativa da evolução no número de animais abatidos em milhões de cabeças

Fonte: Bigma Consultoria – base de dados e IBGE

Há um aumento de produtividade e desfrute ao longo dos anos na pecuária brasileira. Mas, quando se analisa esse aumento, é preciso considerar os movimentos do estoque do rebanho, ora aumentando, ora diminuindo.

Assim como em uma propriedade, o cálculo da produtividade da pecuária de um país é a soma do abate total, ou vendas, com a evolução do rebanho.

Além do risco de superestimar os indicadores zootécnicos, corremos o risco também de subestimar os resultados nos anos subsequentes. É o caso das exportações.

É fato que a pecuária brasileira caiu de 26% para 16% do mercado internacional. Mas é fato também que nos atuais indicadores zootécnicos, a bovinocultura de corte do Brasil não tinha condições de manter aquele volume de exportação e nem o volume de abate. Portanto, manter aqueles índices de abate não era sustentável com o nosso rebanho e indicadores atuais.

É importante frisar que essa análise está amplamente relacionada aos indicadores zootécnicos.
Com um rebanho próximo dos 210 milhões de cabeças, incluindo gado de corte e gado de leite, os brasileiros abatem por volta de 40 milhões de animais, um desfrute da ordem de 18% a 20%, dependendo do ano.

Se atingíssemos o desfrute de 25% sobre o rebanho, poderíamos abater 50 a 54 milhões de cabeças ao ano, sem consumir o estoque. E ainda seria possível manter o crescimento do rebanho brasileiro.

E veja que para a realidade das fazendas de ciclo completo, um desfrute de 25% é considerado baixo e ineficiente. No planejamento, geralmente se estabelece metas acima dos 32% para os pecuaristas.

E da mesma maneira que não sustentávamos a nossa produção e as nossas exportações naquele período, os norte americanos tendem também a não sustentar nos próximos anos.

O risco é que com um desfrute bem superior ao do Brasil, os pecuaristas dos Estados Unidos podem responder mais rápido, proporcionalmente ao rebanho. Por isso, qualquer estímulo compensatório, em questão de pouco mais de dois anos, os americanos voltariam a aumentar as exportações.

Em termos de estratégias de cadeia produtiva, a pecuária brasileira pode ter uma janela de dois a quatro anos para consolidar uma posição bem mais confortável, e rentável, no mercado internacional.

Tudo depende do tempo que os americanos levarão para recompor o rebanho. Há, inclusive, quem acredite que muitos pecuaristas de lá tenham desistido da atividade, o que reduziria a capacidade produtiva do país.

E a tendência de curto prazo, para 2012, é que o mercado internacional continue aumentando a demanda por carne bovina. As perspectivas no início do ano eram de que as exportações brasileiras voltassem a crescer. Haverá oferta de animais machos para abate e o mercado continuará comprador.

Tanto é que janeiro registrou um volume exportado 20% superior ao que foi vendido em janeiro de 2011. Há quem brinque que os brasileiros serão os “americanos da vez” em termos de aumento nas exportações anuais.

Ameaças e oportunidades

Consolidar posições num mercado crescente e demandante é fundamental. As estimativas mais aceitas apontam que a demanda internacional por carne bovina irá crescer o equivalente ao abate de cerca de 35 a 45 milhões de cabeças bovinas até 2020. É muito para fazer em pouco tempo, haja vista que o volume previsto para o aumento suplanta até o abate anual do próprio Brasil.

Muitos acreditam que o Brasil seja o único país com capacidade de atender à maior parte desse aumento de demanda. Mas a realidade não é bem assim. Os brasileiros são os que estão em melhores condições para atendê-la, mas não são os únicos.

No mercado internacional outros players se preparam e investem para ocupar espaços cada vez maiores no crescente mercado de carne bovina.

Essa oportunidade internacional não é nenhuma “descoberta da roda”; todos os países em condições de produzir, e de ganhar com o crescimento do mercado, farão de tudo para crescer.

A questão é: quem chega primeiro??? E a resposta é: aquele que tiver a melhor estratégia e a melhor condição de responder em termos de oferta.

Condição o Brasil tem de sobra, mas nos falta estratégia integrada, principalmente nos frigoríficos e nas fazendas pecuárias.

Os frigoríficos podem se organizar com mais facilidade, pois são em menor número. Já os pecuaristas estão pulverizados por todo o país em sistemas de produção os mais diversificados possíveis.

Organizar uma resposta dentro das fazendas requer um esforço conjunto que envolveria a indústria de insumos e serviços, as políticas públicas e a indústria frigorífica.

Nesse jogo de forças internacionais, a pecuária brasileira tem uma vantagem. Ela própria é conduzida num dos principais países dentre os que estão impulsionando o consumo mundial de alimentos.

Por isso o próprio mercado interno é um gigante que pode ser melhor explorado. E, como acontece em outros países, os salários vêm aumentando acima da inflação enquanto a taxa de desemprego vem caindo.

A Índia, outro player cada vez mais agressivo no mercado, perde parte desta vantagem por entraves religiosos, que não permitem o consumo de carne bovina por grande parcela da população.

Esse fato tem dois lados. Um, positivo para o Brasil, é que o estímulo do mercado interno para a pecuária indiana é relativamente menor, apesar de que nem todos os indianos sejam hindus.

No Hinduísmo, a vaca é um símbolo de saúde, força, abundância, generosidade, cheia de vida. A maioria dos hindus respeita a vaca como uma figura matriarcal, por fornecer leite e seus produtos a grande parte da pulação que segue dieta sem carne bovina.

Pela natureza religiosa de parte da população indiana, por muito tempo o potencial da bovinocultura daquele país foi considerado de menor importância pelos brasileiros.

Mas é aí que mora o lado negativo da religiosidade de parte da população do país. O sucesso, e o estímulo para a bovinocultura de corte na Índia, depende mais ainda do mercado externo.

E eles vêm ganhando espaço. Segundo a FAO, as exportações de carne bovina da Índia aumentaram 168% entre 2001 e 2011. Saíram das 243 mil toneladas de equivalentes-carcaça para atingir as cerca de 800 mil toneladas de equivalente carcaça em 2011.

O USDA indica as exportações indianas em mais de um milhão de toneladas de equivalentes-carcaça, mas acabam por incluir as exportações de carne bubalina nas estatísticas.

A maior parte das fontes internacionais coloca a Índia ocupando o quarto lugar do ranking nas exportações bovinas, ficando atrás de Brasil, Austrália e Estados Unidos. A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) coloca a Índia na quinta colocação, ficando pouco atrás do Canadá.

Em termos de concorrência, é preciso entender as condições de cada player, a capacidade de resposta em produção e qual o tipo de mercado que a pecuária daquele país pode atender.

Analisando todos os pontos, é possível avaliar os riscos para cada um dos mercados potenciais ou já consolidados pelo Brasil. Assim as ações em direção às exportações serão mais efetivas e direcionadas.

Observe, na tabela 1, o resumo dos maiores rebanhos do mundo, da produção de carne, quantidade de animais abatidos e taxa de desfrute em cada um destes países.

Tabela 1.
Rebanho, produção de carne, quantidade de animais abatidos e taxa desfrute dos principais países em quantidade de rebanho bovino em 2011.

Fonte: Bigma Consultoria – base de dados/ IBGE/OCDE/USDA/FAPRI/FAO *TEC – Toneladas de equivalente carcaça

Na figura 3 resumimos a coluna de desfrute médio destes rebanhos. Ou seja, a quantidade de animais que podem ser abatidos em relação ao rebanho.

Figura 3.
Taxa de desfrute dos maiores rebanhos globais

Bigma Consultoria – base de dados IBGE/OCDE/USDA/FAPRI/FAO

Estados Unidos, União Europeia, Austrália, China, Canadá, Rússia, Nova Zelândia e Egito trabalham com desfrute superior aos 25% sobre o rebanho, com uma eficiência zootécnica geral bem acima da média.

Especialmente nos que estão acima dos 30%, as dificuldades tecnológicas para aumentar a produção são maiores quando comparadas aos demais. E assim é possível entender quais e onde serão as maiores ameaças ao Brasil.

Veja o caso dos Estados Unidos, com eficiência quase plena sobre a genética disponível nos dias de hoje, e com o rebanho recuando.

A grande questão que se coloca é se o mundo tem vacas para atender a demanda até 2020.

As respostas são duas. Não teremos capacidade de atender a essa demanda, nos atuais índices zootécnicos. Mesmo que melhorem sensivelmente nos próximos anos.

Porém, se os indicadores melhorarem, algumas regiões do globo poderão responder à demanda.

Voltando ao gráfico, vejam as condições privilegiadas que ficam países como Índia, Brasil e México, principalmente. Até mesmo a Argentina.

E numa proporção um pouco menor, Paraguai e Uruguai também podem expandir a participação no mercado internacional.

Estes países, com baixo desfrute, possuem estoques de animais para melhorar a produtividade e ganhar espaço no mercado internacional, diante da demanda crescente para os próximos anos.

Em outras palavras, não há necessidade de compor rebanho para produzir carne. Basta melhorar a eficiência zootécnica.

Na tabela 2 resumimos a capacidade de resposta em animais abatidos e carne bovina produzida em equivalente carcaça para aumentos de um ponto porcentual na taxa média de desfrute.

Tabela 2.
capacidade de resposta em animais abatidos e carne bovina produzida em equivalente carcaça para aumentos de um ponto porcentual na taxa média de desfrute.

Fonte: Bigma Consultoria – base de dados/ IBGE/OCDE/USDA/FAPRI/FAO *TEC – Toneladas de equivalente carcaça

Portanto, existe possibilidade de atender a demanda crescente, mas depende de ações dentro de cada um dos países com estoques de animais e que tenham condições de atender.

Nesse sentido, a Índia torna-se uma grande ameaça, apesar de que as dificuldades por lá são significativamente maiores que as do Brasil no sentido de aplicar tecnologia.

Um dos motivos principais é a estrutura fundiária na Índia, com produtores menores e, consequentemente, mais pulverizados do que no Brasil. Essa á uma análise usada inclusive pelo setor de açúcar e álcool para avaliar as condições de competitividade dos indianos.

Além da dificuldade fundiária, a quantidade de tecnologia a ser aplicada nas fazendas indianas é muito maior do que a do Brasil. Com praticamente o mesmo rebanho, o Brasil produz três vezes mais que a Índia.

Sendo assim, as oportunidades pendem mais para o Brasil. Porém, essas oportunidades não serão desfrutadas sem que ações sejam adotadas nas fazendas.

Aí o risco de que as oportunidades virem ameaças passa a ser considerável. A principal das ameaças é que países com potencial semelhante acordem e façam o que estamos demorando para fazer: melhorar o desfrute de nosso rebanho.

Melhorar um desfrute de 12% para 13% é bem mais simples que passar de 19% para 20%, que por sua vez é mais simples que aumentar de 30% para 31%.

Mas não adianta marketing, propaganda, ações, etc., sem que as tecnologias sejam implementadas nas propriedades.

Portanto, a pecuária do futuro terá que passar, necessariamente, por uma “revolução” nas taxas dos indicadores zootécnicos e de eficiência agronômica.

E quando dizemos futuro, na verdade, é para já! Todo pecuarista sabe que ações adotadas hoje impactarão os resultados apenas daqui a dois ou três anos, na melhor das hipóteses. Esse é o grande desafio da pecuária para os próximos anos. E o momento pode ser extremamente favorável em termos estratégicos.

Produtividade é a palavra de ordem. É aí que temos que mirar os principais objetivos da pecuária de corte e da indústria frigorífica do Brasil.

Obs: Artigo escrito no dia dia primeiro de março de 2012, encomendado pela revista Agro em Focoproduzida pela Editora Mundo e focada em Gestão do Agronegócio

quarta-feira, 25 de abril de 2012

BAGÉ - RS Definidos os preços para feira de terneiros


Produtores e vendedores se reuniram na última segunda-feira com a diretoria do Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte de Bagé.
 
FRANCISCO BOSCO
ENCAMINHAMENTOS: Piegas intermediou negociação
 

O objetivo do encontro foi definir os preços mínimos e prazos para o remate da 38ª Feira de Terneiros, Terneiras e Vaquilhonas de Outono de 2012, que acontece amanhã. Depois de muito debate entre diretoria, escritórios de remates e produtores, os preços foram definidos para os lances mínimos do remate. O prazo de pagamento ficou estipulado em 32 meses, com a data de pagamento no dia 28 de maio de 2012.
O presidente do Núcleo, César Piegas, foi quem intermediou a definição dos preços e prazos.
Durante a manhã de quinta-feira, acontece o julgamento dos lotes nas mangueiras, às 14h, a premiação aos produtores às 15h, tem início o leilão, no pavilhão de remates da Associação e Sindicato Rural de Bagé.

- Terneiros Machos - R$ 3,30
- Terneiras Fêmeas - R$ 3,00
- Vaquilhonas - R$ 2,90

FONTE: MINUANO ON LINE

COTAÇÕES


 Carne Pampa

PREÇOS MÍNIMOS PARA NEGOCIAÇÃO DIA 25/04/2012
INDICADOR ESALQ/CEPEA DE 24/04/2012 - PRAÇA RS


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MACHOSPrograma**H & B***
CarcaçaR$ 6,60R$ 6,50
KG VivoR$ 3,30R$ 3,25
FÊMEASPrograma**H & B***
CarcaçaR$ 6,30R$ 6,19
KG VivoR$ 2,99R$ 2,94
** Programa - Indicador Esalq/Cepea MaxP L(6)
*** H & B - Indicador Esalq/Cepea Prz L(4)
PROGRAMA CARNE CERTIFICADA PAMPA
FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEREFORD E BRAFORD

Venda acelerada na Itapitocai

A temporada de Outono mostra avidez em meio à redução de oferta em relação a 2011 por causa da seca. Ontem, no remate da Estância Itapitocai, em Uruguaiana, os investidores limparam a pista em ritmo acelerado. Segundo Pedro Tellechea, do Tellechea & Bastos Leilões, em apenas 35 minutos foram vendidos os 594 terneiros e as 120 terneiras por R$ 549,43 mil. O leiloeiro Fábio Crespo chama atenção para a média dos machos, de R$ 4,02, e das fêmeas, de R$ 4,51. 
FONTE: CORREIO DO POVO


FOTOS OBTIDAS NO FACEBOOK DE FABIO CRESPO

Produção de carne bovina no Brasil: analista recomenda gestão de risco


Produção de carne bovina no Brasil: analista recomenda gestão de risco
Nesta segunda-feira o analista Leonardo Alencar, responsável pela pesquisa de mercado doFrigorífico Minerva, esteve em Campo Grande-MS para ministrar uma palestra sobre “Cenário e Tendências da Pecuária de Corte”. Em síntese, Alencar acredita que o mercado da pecuáriavive seu ciclo de baixa, mas que o cenário a médio e longo prazo é otimista para o país, principalmente pelas condições pouco favoráveis dos nossos principais concorrentes na produção de carne bovina: Argentina, Austrália, Estados Unidos e União Europeia.
“Vivemos um ciclo da pecuária a cada seis, oito anos. 2012 é a primeira vez nesse período que estamos falando de baixa, mas ainda não podemos confirmar”, disse Alencar. No entanto, na mesma palestra, o pesquisador do Minerva tranqüilizou os pecuaristas: é comum em anos de baixa do ciclo, mesmo que o preço da arroba seja desvalorizado, a remuneração ser melhor para o produtor. “A gente acena com a bandeira amarela, o boi pode ficar abaixo da inflação e o custo pode impactar na lucratividade mesmo. Mas a troca pode ser melhor, facilitando a reposição e, consequentemente, a rentabilidade melhora”, explica Leonardo.
Demanda de carne bovina
Quatro fatores forçarão os produtores de alimentos a aumentar sua produtividade. São eles:

- Crescimento da população mundial (cerca de 9 bilhões de pessoas nas próximas décadas);

- 70% da população se concentra na área urbana;

- Melhora da renda per capita da população mundial;

- Ocidentalização do consumo, ou seja, mais pessoas consumindo diversos tipos de carne.
“É uma pressão para quem está no campo aumentar a produção. No Brasil, 54% da população está na Classe C, que é a primeira a impulsionar o consumo de carne. Na China, a gente brinca dizendo que se cada pessoa consumisse 100 gramas de carne por dia, quase não haveria carne no mundo”, ilustrou o analista. Segundo ele, a China paga pelo pé de galinha o mesmo preço da carne bovina e, se a ocidentalização do consumo chegar ao país oriental, os produtores não saberiam como produzir mais.
Outros dados apresentados por Leonardo Alencar que reforçam o aumento da demanda interna:

- De 2003 a 2011, 40 milhões de pessoas foram inseridas na Classe C no Brasil (considerada clásse média);

- Até 2014, serão mais 12 milhões de pessoas na Classe C e mais 7,7 milhões inseridas nasClasses A e B.

- As classes A, B e C, somadas, representarão 75% da população brasileira.
Posição confortável para o Brasil
Em gráfico demonstrado no mapa mundi, Leonardo Alencar apontou quais são as principais áreas do mundo que têm potencial para aumentar sua produtividade de alimentos. A imagem mostrou que Brasil e uma parte do continente africano têm disponibilidade de área, incidência de chuvas, temperatura, luminosidade e recursos hídricos favoráveis ao aumento da produção de alimentos. Só no Brasil, existem 333 milhões de hectares que podem ser usadas na produção de alimentos sem necessidade de serem desmatadas. Em termos de custo de produção, só a Argentina está numa posição mais confortável que o Brasil, mas também tem seus problemas. Vejam quais as dificuldades que os principais “adversários” do Brasil na corrida pela produção de carne bovina sofrem:
Bandeira da Argentina Argentina: crise política pela estatização da empresa petrolífera e manutenção de preços dos cortes de carne mais populares forçam uma situação artificial;
Bandeira da Austrália Austrália: a seca debilitou o solo e fez com que o país perdesse seu banco natural desementes de pastagens, dificultando o aumento da pecuária de corte;
Bandeira dos Estados Unidos
 Estados Unidos: a seca forçou o abate do rebanho de fêmeas e remoção de parte do rebanho do Sul para o Norte por falta d’água. Confinadores e indústrias estão perdendo dinheiro e o consumidor está pagando caro pela carne. Produção não deve cresce nos próximos anos.
Bandeira da União Europeia União Europeia: não representa números significativos em termos de exportação, mas produz muito para o consumo interno. Entretanto, a crise política fez com que a UE cortasse gastos e, consequentemente, os subsídios agrícolas, que terá impactos a longo prazo.
Gestão de risco na pecuária
O possível movimento de baixa para o ciclo da pecuária força o movimento do boi para baixo, principalmente na época de safra, quando o início da seca e a pouca oferta de pastagens aumentam a escala de abate. Mesmo acreditando na fase de baixa, Alencar salientou que omercado futuro do boi gordo aponta R$ 102 à vista sem Funrural para outubro de 2012.
Veja também
A situação estimula o aumento do confinamento para  produção de boi na entressafra. Alencar disse prever aumento de 8% no gado confinado em SP e + 20% em MS. Neste ano, cerca de 50% do volume de gado confinado deverá ser abatido entre os meses de setembro, outubro e novembro, enquanto em 2011 essa porcentagem foi de 60%, indicando que está acontecendo uma distribuição do abate de gado em confinamento. Deste modo, a pressão no mercado diminui e os dois lados, indústria e pecuarista, saem ganhando. “Se o pecuarista pensar no confinamento como estratégia, ele tem alta probabilidade de conseguir um bom preço na entressafra”, recomenda Alencar.
Além do confinamento, Alencar recomendou o uso de proteções de preço para que o pecuarista consiga lucrar com sua operação. “Se você consegue enxergar o mercado pela frente e acredita em um patamar seguro, use o mercado futuro. Se o mercado ainda é desconhecido, ele pode optar pelo boi a termo”, indica o analista.
O que é mercado a termo?
Simulação de boi a termo convencional
Custo da produção: R$ 80,00 por @.
Mercado futuro para o mês de vencimento: R$ 90,00 a @.
Custo da operação: zero
Realização: R$90,00.
Pecuarista ganha R$ 10,00 por arroba (90 - 80).
Cenário 1: Se o preço sobre a R$ 95,00, ele deixa de lucrar R$ 5,00 por arroba.
Cenário 2: Se o preço cai a R$ 85,00, ele lucra R$ 5,00.
Simulação de boi a termo com preço mínimo
Mercado futuro para o mês de vencimento: R$ 90,00 a @.
Seguro ofertado: R$ 85,00
Custo do seguro: R$ 1,00 por arroba.
Mínimo assegurado: 84,00 (85 - 1).
Se o mercado sobe a R$ 95,00, ele recebe R$94,00 por @, ou seja, acompanha a alta do mercado e tem o preço que pagou pelo seguro retirado.
Se o mercado cai a R$77,00, por exemplo, ele recebe o mínimo de R$84,00 assegurado.
Boi a termo
Vantagens
Desvantagens
Convencional- Operação 100% visualizada.- Não ganha na alta.
Preço mínimo- Se o mercado reage, o pecuarista ganha na alta.
- Reduz o risco da reposição, pois segue o mercado.
- Tem custo.

Concentração de frigoríficos
Carcaça bovina em frigoríficoIndagado pelos pecuaristas sobre a concentração dos frigoríficos, Leonardo comentou que a situação no Brasil ainda é confortável. De acordo com ele, os três maiores frigoríficos brasileiros (Minerva, Marfrig e JBS) são responsáveis por 28% dos abates de bovinos no Brasil. “Nos Estados Unidos a situação é bem diferente. Os três maiores de lá, Tyson, Cargill e JBS, abatem 70% dos bovinos. O que existe no Brasil são situações onde há concentração em algumas localidades, como acontece no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, por exemplo. Em São Paulo existem pelo menos 15 frigoríficos operando. Em Rondônia, a situação é oposta. São tantos frigoríficos que fica difícil aumentar o preço da arroba”, lembrou Leonardo Alencar.
Para resumir sua palestra, o pesquisador de mercado do frigorífico Minerva deu a dica: fazer gestão de risco a curto prazo, usando confinamento e travas de mercado. A médio e longo prazo, o Brasil tem um cenário muito favorável para a pecuária de corte.

Preços do boi gordo desabam para o menor preço em 7 meses na CME com anúncio de caso de Vaca Louca na Califórnia


 Depois de um período de intensa movimentação e forte elevação nos preços, gerado pelo descompasso no quadro de oferta e demanda de carne bovina, a pecuária americana vê agora uma nova confirmação de um foco de vaca louca em seu território, exatamente em um ano em que os preços do gado gordo tendem a atingir novas máximas diante dos baixos estoques bovinos, o menor em 60 anos, destaca a equipe de pecuária da Rural Business .

Os primeiros reflexos já foram vistos nesta terça-feira no mercado futuro do boi gordo transacionado pela CME (Chicago Mercantile Exchange), que desabou no decorrer da sessão, chegando a cair para o menor nível de preços em 10 meses no decorrer do pregão.

O vencimento jun/12, o de maior liquidez, acabou encerrando os trabalhos na casa de US$ 111,575 cents/lb (US$ 73,79/@), o menor nível de cotação desde que começou a ser negociado, enquanto o primeiro contrato, abr/12, caiu 2,5% na sessão, para a casa de US$ 116,80 cents/lb (US$ 77,25/@), valor não visto desde 22 de setembro do ano passado, descontando altas de 7 meses.

De acordo com o USDA (Depto. Agr. EUA), a doença foi confirmada em uma vaca de leite no estado da Califórnia, elevando para 4 o número de casos já detectados no país. Em 2004 os americanos viveram uma crise histórica por conta da doença, que gerou uma queda brusca de 82% em suas exportações, de 1,14 milhão de toneladas ao ano (equivalente carcaça) para 208,65 mil toneladas, destaca a Rural Business.

A estratégia do USDA foi minimizar o novo caso afirmando que a vaca leiteira não entrou na cadeia alimentar. Além disso, o governo busca acalmar a população e evitar uma queda de consumo, enfatizando que a doença não pode ser transmitida pelo leite.

Entretanto, para os investidores o momento é de se reduzir riscos, o que pode gerar ainda mais perdas na CME, que vinha operando com níveis recordes de preços para o boi gordo, renovando máximas para a cotação da carne bovina em todo o país.
Fonte: Rural Business

COTAÇÕES DE GADO GORDO PELO MUNDO


FONTE: TARDÁGUILA AGROMERCADOS

Banco do Brasil atende pedido da FARSUL e renegocia dívidas


O Banco do Brasil atendeu pedido da FARSUL e lançou, nessa terça-feira, 24/04, novas condições para renegociação de dívidas de produtores rurais. As mudanças abrangem operações com aproximadamente 256 mil clientes, vencidas até junho de 2011. São oferecidos recálculos das dívidas, com revisão dos encargos de inadimplemento; alongamento do prazo de pagamento para até 10 anos, desde que 50% da dívida sejam pagos em até cinco anos e encargos financeiros à base de IRP + sobretaxa, dependendo do percentual de entrada. Produtores que optarem pelo pagamento à vista terão condições mais vantajosas.
O presidente do Sistema FARSUL, Carlos Sperotto, havia encaminhado, em 11/04, solicitação dos Sindicatos Rurais, em especial o de Jaguarão para que o Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, interferisse junto ao Banco do Brasil para retomada da renegociação com produtores rurais inadimplentes visando a reintegração dos mesmos ao crédito rural, repetindo processo adotado há 2 anos.
Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul - FARSULwww.farsul.org.br