quarta-feira, 21 de outubro de 2015

COMO ESCOLHER O TOURO CERTO PARA A TEMPORADA?

Foi-se o tempo em que a escolha nos leilões se resumia ao maior touro da pista. Os critérios para a aquisição de reprodutores evoluíram junto com o próprio melhoramento genético da pecuária nacional, e hoje vão muito além das características fenotípicas, aquelas visíveis ao olho do comprador.
São os dados detalhados de desempenho e produtividade de cada animal que devem estar na ponta do lápis do pecuarista na hora de adquirir um touro melhorador para o rebanho. Uma escolha criteriosa e nada fácil, com mais de 100 opções de eventos durante a tradicional temporada de remates de primavera no Rio Grande do Sul. Comprar de acordo com os objetivos específicos de cada criação é o primeiro passo para o acerto.
Na Wolf Genética, de Dom Pedrito (RS), empresa com 22 anos de seleção da raça Hereford, a pressão de seleção é rigorosa para oferecer animais de ponta ao mercado. De um total de 350 machos produzidos a cada geração, somente os 150 melhores ficam no criatório, divididos em quatro lotes. Os animais com melhores índices e padrão racial mais apurado ficam nos dois primeiros, sendo que metade é usada no próprio rebanho e a outra metade vai à venda.
Em 2014, a média dos touros no Remate Wolf Genética e Pitangueira ficou em R$ 11,9 mil, entre as maiores da raça Hereford na temporada. Para este ano, foram selecionados 45 touros (mais 18 Braford do Grupo Pitangueira). Além de todos os exemplares serem registrados, 90% levam dupla marca e CEIP, o Certificado Especial de Identificação e Produção, emitido pelo MAPA.
A empresa prioriza a produção de animais rústicos e adaptados a diferentes pastagens,  com equilíbrio e consistência genética, segundo a veterinária reponsável, Patricia Wolf:
- Nossa genética é focada em resultados produtivos. Trabalhamos para ter um padrão, sabendo que dentro desse padrão há tipos diferentes, específicos para cada necessidade de criação.
TECNOLOGIA A FAVOR DA SELEÇÃO
A Wolf Genética é uma das pioneiras em terras gaúchas a utilizar a ultrassonografia para avaliação de carcaça do rebanho. Há 17 anos, a ferramenta é usada para a avaliação precisa da área do olho de lombo (AOL), relacionada à quantidade de carne e a espessura de gordura sub-cutânea (EGS) do animal – características fundamentais para a qualidade da carne.
- Além disso, há três anos estamos trabalhando com o Plano de Acasalamento Dirigido (PAD), que serve para determinar o melhor cruzamento para índices específicos, como peso ao nascimento, peso ao desmame e circunferência escrotal – reforça Patricia.
Os dados de cada animal são disponibilizados no catálogo, assim como o resultado da ultrassonografia, realizada poucos dias antes do remate.
A 14ª edição do Remate Wolf Genética e Pitangueira está marcada para o dia 23 de outubro (sexta-feira), a partir das 15h30min, no Sindicato Rural de Dom Pedrito. Os negócios estarão a cargo da Orelhano Agronegócios e Parceria Leilões, com Fábio Crespo no martelo, e a transmissão ao vivo será da Z5 Produções (www.z5tv.com.br).


Fonte: Estela Facchin

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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Bom reprodutor = Satisfação (por João Paulo Schneider da Silva)

Por João Paulo Schneider da Silva - "Kaju" (Diretor Comecial da GAP Genética)

Não há o melhor touro, existe o animal mais adequado à fazenda

Quando se desenvolve a seleção genética, cuja missão é comercializar ou disponibilizar produtos agropecuários com diferencial em tecnologia e qualidade, objetivando, além da satisfação do pecuarista, o incremento da produtividade do setor, sempre com respeito ao meio ambiente, fica clara a atenção dada às expectativas do consumidor de touros. 

O touro requer um investimento razoável e, portanto, precisa gerar bons resultados econômicos ao pecuarista. Para que isso aconteça na plenitude, alguns cuidados e preocupações são considerados antes de se recomendar ou adquirir este ou aquele animal, raça ou o número de animais para cobrir uma vacada. 

É imperativo descobrir os objetivos de produção junto ao pecuarista que deseja o reprodutor, conhecer seu sistema de produção, considerar o ambiente onde está localizado, em termos de solo e clima, recursos de infraestrutura e mão de obra disponível. É como um médico quando escuta o paciente, sempre atento a todos os detalhes fornecidos para o diagnóstico, para apenas depois receitar, sem chances de erro, o melhor remédio. 

A diferença é que o médico trata a saúde humana. Transcreve um remédio e a doença logo sara, dependo da complexidade do problema, mas os resultados de um touro só aparecerão depois de muito tempo, nas crias geradas pelo animal. Também é muito importante se colocar no lugar do comprador. Um bom selecionador sempre terá muitos produtos na prateleira, mas nem sempre possui aquela solução buscada pelo invernista. Nesse caso, seria prudente não “forçar” a venda de produtos que apresentem limitações fisiológicas óbvias para determinadas regiões. 

Por outro lado, o comprador de touros deve conhecer claramente as necessidades de sua fazenda. Há pecuaristas que decidem mudar do sistema de recria para a cria do dia para a noite, ignorando os manejos sanitários e nutricionais e a quantidade de mão de obra que a atividade requer. Independentemente da qualidade de touro ou raça, não é preciso ser um expert para saber que essa história não vai ter um final feliz. Inúmeras vezes isso ocorre com produtores desavisados, que procuram touros ótimos para o cruzamento industrial sem ter qualquer conhecimento sobre tal sistema produtivo. Alguns teimosos ainda vão bater na porta de outro fornecedor menos cuidadoso e conseguir os animais. O problema é que o insucesso gerado recairá sempre sobre a raça utilizada, a qual fica taxada de ruim ou que não se adapta ao Brasil. Touros britânicos, por exemplo, não resolvem todos os problemas de uma fazenda pecuária. Há situações em que é prudente optar por um touro sintético ou um zebuíno, dependendo de quão desafiador seja o ambiente. 

Então, apenas após um sério e detalhado diagnóstico seria sábio sugerir o biotipo animal que mais se adapta ao interessado, entrando aí várias nuances da pecuária como subespécie do bovino (britânico, sintético, zebuíno), raça, idade, época de aquisição, quantidade necessária (relação touro/vaca) e até mesmo o padrão de preço do animal (se comercial ou adquirido em leilão). 

Assim como acontece nas invernadas, não existe a melhor raça e sim o indivíduo com a mais perfeita capacidade de transmitir as características desejadas. Seja qual for o animal, preto, branco ou colorido, não existe o melhor touro, o que há é o reprodutor mais adequado à propriedade, em termos de custo e benefício.
Qualidade espermática, bom perímetro escrotal, bons cascos, aprumos e libido são características indispensáveis e observadas por ocasião do exame andrológico. Mas até esse exame, o animal prova-se apenas quanto a sua capacidade de produzir terneiros. E como ficaria a qualidade esperada dos produtos? Nos dias de hoje, felizmente, os programas de melhoramento e avaliação genética já são bem difundidos e os criatórios mais procurados são aqueles que oferecem dados de desempenho de cada animal e assessoram os pecuaristas a interpretar o reprodutor corretamente para usá-lo em seu benefício particular. Com base nessas informações, podemos estimar com bastante acurácia o rendimento superior de touros avaliados em detrimento dos animais sem avaliação ou controle.
Essa maior qualidade será expressa nos bezerros que vão apresentar mais quilos de peso no desmame e no sobreano, maior precocidade na terminação, melhor conformação na carcaça, área de lombo superior (região do contrafilé), marmoreio intramuscular. Enfim, uma série de atributos de importânciaeconômica será extraída de um rigoroso trabalho de seleção, no qual grupos de animais são submetidos a oportunidades idênticas, com as diferenças ambientais isoladas. 

A garantia de qualidade de um reprodutor e a probabilidade de o mesmo transmitir seus genes passam necessariamente pelo rigor com que o selecionador atende as exigências do programa de avaliação genética do qual participa. Outro aspecto a considerar é o tamanho do rebanho submetido ao programa de seleção, pois quanto maior for a base, maiores serão a variabilidade genética e as possibilidades da seleção. Além disso, o tempo de seleção conduz a gerações mais avançadas e mais consistentes geneticamente. 

Resumindo a conversa, a credibilidade e a reputação da empresa que oferece touros é primordial, pois, mesmo com todos esses cuidados prévios, tratam-se de seres vivos, que são parecidos - mas não iguais - e estão sujeitos a quebrar qualquer previsão e estatística. Ganha relevância a compreensão e a parceria entre cliente e vendedor para ajustar acidentes e eventuais prejuízos. 

Antes de escolher um reprodutor no catálogo do leilão ou no shopping da fazenda, é essencial ser criterioso na interpretação das DEPs (diferenças esperadas na progênie), afinal, já é sabido que DEP de desmama é importante para quem produz bezerros, DEPs de peso ao sobreano são boas para quem quer produzir novilhos, assim como habilidade materna e perímetro escrotal são indicadores de fertilidade nas novilhas. Conhecer essas diferenças ajuda a acertar na compra. 

Garantir os resultados através de uma seleção objetiva e criteriosa leva a um vínculo indissolúvel de confiança. Com isso, é possível atender a verdadeira função social do negócio de touros: o incremento da produtividade do setor e a maior produção de carne de qualidade.
Dica essencial para acertar na compra de um bom reprodutor
Vistorie o animal sempre de baixo para cima e de trás para frente. No posterior, estão as carnes nobres do animal. Boa profundidade e arqueamento de costelas são qualidades essenciais para a funcionalidade do reprodutor. Se o animal tem pouco quarto traseiro, aprumo ou umbigo ruins, não é boa coisa. O formato da cabeça é o que menos importa!
UM BOM TOURO PRECISA TER:
  • Exame andrológico completo – bom perímetro escrotal, acima de 32 cm para raças britânicas e maior que 30 cm para raças sintéticas, além de boa libido.
  • Qualidade espermática – concentração, motilidade e vigor dos gametas. O touro precisa ter as melhores notas nos três quesitos. Não adianta ter motilidade e vigor e não ter concentração, ou seja, ter mais líquido espermático do que os espermatozoides propriamente ditos.
  • Bons aprumos – o touro caminha demais atrás da fêmea e quando faz a cópula, todo aquele peso é apoiado apenas sobre os membros traseiros, ele não se apoia na vaca. Então, uma dica ao comprar touros é olhar sempre de baixo para cima, assim já se avalia aprumo, carne e perímetro escrotal. Ainda tem gente que nota a cabeça do animal.
  • Casco – bom é o casco resistente, normalmente os mais escuros. Branco é ruim, por ser mais suscetível à umidade. Não pode ser encastelado nem achinelado. Precisa ter inclinação normal. Animais excessivamente nutridos sofrem deformações no casco por desequilíbrio na dieta, entre as quantidades recomendadas de proteína e energia.
  • Peso adequado – o touro não pode estar excessivamente gordo (acima de 500 kg aos dois anos de idade ou acima de 650 kg aos três anos).
  • Registro Genealógico – é o selo de certificação que o touro é puro e foi inscrito e controlado em associações de raça.
  • Dados de performance positivos – é a garantia de maior produtividade. Exceção é a DEP negativa para peso ao nascimento, que está relacionada com a facilidade de parto.
  • Resistência a ectoparasitas e a plantas tóxicas – no RS, por exemplo, há um capim chamado mio-mio (Baccharis coridifolia), fatal ao animal que não esteja acostumado a ele. O reprodutor também precisa ter nascido em uma zona que tenha carrapato, pois quando adulto adoece na primeira infestação ou contato com o parasita. Compradores e, principalmente, selecionadores devem pensar nesses detalhes.
  • “Educação do touro” – isso está relacionado com o temperamento calmo e pouco reativo quando vai para a propriedade de destino. Reduz a probabilidade de acidentes.
  • Vida útil no rodeio (longevidade) – um reprodutor precisa ter uma longa vida produtiva no rebanho, pois resulta em uma menor taxa de reposição. O tamanho exagerado do prepúcio é comprometedor nesse aspecto.
  • Baixo custo de manutenção – um touro adaptado, com características morfológicas adequadas ao ambiente (ex.: menor comprimento de pelo), tem menos problemas físicos e doenças, mantém o estado corporal ao longo do ano e o resultado reflete-se em gastos reduzidos para mantê-lo.
  • Maior adaptação – prepúcio pesado arrasta no pasto, machuca o touro, que precisa ser curado. Recomenda-se que seja mais recolhido. Nos zebuínos, apresentam-se mais pendulares, britânicos quase não têm. Nas raças sintéticas, no sentido de cruzamento, animais de pelo fino, boa genética e pouco prepúcio são metas. É importante que o ambiente de seleção seja palco de todas as possibilidades e desafios que o reprodutor enfrentará, que não seja de fartura nem de restrição total de alimentos.
  • Raça – touros britânicos são recomendados até certo paralelo (Trópico de Capricórnio), acima dele, o melhor é usar sêmen ou raças mais adaptadas.

Fonte: Publicado na Revista AG

Portal DBO revela os segredos do confinamento do Marfrig em Porto Feliz


Denis Cardoso
O Portal DBO visitou um dos confinamentos da Marfrig, o de Porto Feliz, interior de São Paulo, que tem capacidade estática para 8.000 animais. Conversamos com o diretor de Compras do frigorífico, José Pedro Crespo, que nos revelou a estratégia de engorda intensiva de animais cruzados, voltados para o mercado de carne de alta qualidade.

Fonte: Portal DBO

Marfrig Bagé recebe 88 autos de infração


A MFB Marfrig Frigoríficos Brasil S.A., em Bagé, recebeu, sexta-feira, 88 autos de infração. O documento foi entregue por auditores-fiscais do Trabalho do novo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (MTPS).
As autuações correspondem às irregularidades constatadas na empresa, durante a força-tarefa realizada em maio. A planta, que abate bovinos, foi a que ficou mais tempo interditada dentre as vistoriadas pelo MPT. Os problemas referem-se às Normas Regulamentadoras - NRs (três da NR-10: segurança em instalações e serviços em eletricidade, 15 da NR-12: segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, 10 da NR-13: caldeiras e vasos de pressão, 1 da NR-35: trabalho em altura, e 46 da NR-36: segurança e saúde no trabalho em empresas de abate de processamento de carnes e derivados) e à Consolidação das Leis do Trabalho - CLT (oito por jornada de trabalho e descanso - intervalos, e cinco por falta de pagamento integral de salários).

Conforme o coordenador do Projeto Frigoríficos do MTPS, Mauro Marques Müller, além da falta de cumprimento de inúmeros dispositivos das normas regulamentadoras de segurança e saúde do trabalhador, foram constados outros aspectos. “Excesso de jornada, intervalos interjornadas abaixo do limite legal; não concessão de descanso semanal; não contabilização, na jornada, das horas de deslocamento para o trabalho; e atuação extraordinária em atividade insalubre, sem autorização do ministério", salienta.

Müller comenta que algumas irregularidades de jornada e descanso geraram cinco autuações por falta de pagamento de salários no prazo legal, prejudicando até 757 trabalhadores. “No conjunto, as autuações poderão gerar a aplicação de R$ 800 mil em multas, após o regular processo administrativo dos autos de infração, através do qual a empresa pode realizar a sua defesa”, enfatiza.

O coordenador informa que a ação não implica em fechamento e paralisação. “Aquela parte da força-tarefa já se resolveu. Daqui para frente, a empresa tem um prazo para se defender. Após, será julgado em Porto Alegre, e, caso seja comprovado, haverá a aplicação da multa”, relata.

A MFB Marfrig Frigoríficos Brasil S.A. se manifestou através de nota, enviada por sua assessoria de imprensa: "A empresa analisará o teor de cada auto de infração e, se cabível, apresentará, tempestivamente, defesa", relata.
fonte: Folha do Sul

Preços médios de gado no Uruguai




fonte: Tardaguila Agromercados

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Cabanha Recalada ANGUS

Balcão de Negócios: é safra de Touros!

Por Fernando F. Velloso 
É chegada a primavera e com ela uma agenda cheia de leilões de reprodutores (especialmente no RS) e de decisões a serem tomadas na renovação dos reprodutores para uso em plantéis (gado registrado) ou em rebanhos comerciais. As rodas de conversa e agora os populares grupos no WhatsApp e Telegram falam das expectativas dos preços, das velhas pressões de compradores e vendedores, etc. 

Em 2014, a nossa empresa foi procurada para desenvolvermos um curso a distância (os populares EAD) sobre “Comercialização de Reprodutores Angus”. Trabalhamos o assunto, reunimos material, discutimos a abordagem, redigimos módulos e capítulos, porém, infelizmente, o interesse do público foi pequeno e o projeto não vingou. Já que o assunto “comprar touros” renova-se a cada ano, trago agora alguns dos itens que são básicos e merecem atenção de quem compra ou vende esse produto.

Origem - Rebanho
Item de primeiro nível de importância na escolha do fornecedor de touros. A compra do reprodutor é a decisão de trazer o resultado de um programa de seleção para a sua casa. Todos os critérios de seleção resultam no touro que ele oferece ao mercado. O investimento em sêmen de qualidade superior, o descarte de animais menos produtivos, o cuidado com o temperamento, a dedicação em tabular corretamente os dados de desempenho e avaliação genética, a incorporação de novas tecnologias em seleção e tantas outras características estão sendo entregues no animal que buscamos anualmente. É até um pouco constrangedor falar na “idoneidade” e da “integridade” do rebanho produtor de genética, pois essas características deveriam ser obrigações de todo produtor rural, mas fique atento (infelizmente) a indícios de animais com “idade adulterada” (a velha caderneta de nascimento) e animais com pais diferentes do registro genealógico. Fala-se até em animais que sofreram cirurgias “estéticas”, fotos trabalhadas em editores de imagem (tal qual as musas das revistas masculinas), etc. Nada disso é muito bonito e buscar reprodutores nessas fontes tão “criativas” é com certeza mal negócio.
Registrados ou selecionados
Somente ter registro genealógico já não é mais suficiente para garantir uma produção eficiente e para atender as expectativas dos compradores. É necessário possuir um programa de seleção, oferecer animais resultantes desse processo e disponibilizar informações de desempenho e avaliação genética (DEPs). Os compradores de touros já perceberam muito bem essas diferenças e dão preferência, corretamente, a fornecedores que participam de programas de melhoramento genético, aplicam as informações em seus plantéis e oferecem animais superiores. A compra de produtos denominados “sem avaliação”, ou seja, sem informações de avaliação genética deve ser desencorajada. Puro de Origem (PO) ou Puro Controlado (PC) Os animais PO costumam ter a preferência de muitos criadores porque têm mais gerações conhecidas e convencionou-se classificá-los como superiores
aos PC. Com o avanço dos programas de melhoramento genético, foi possível verificar que nem sempre os animais PO são superiores aos PC, pois os dados nos mostram que o mais importante é o mérito genético do que o “livro” de registro ao qual pertencem. Sendo assim, muitos touros PC, hoje, estão liderando os sumários, ou seja, com progênies
comprovadamente superiores na raça. As centrais de inseminação também já perceberam muito bem essa situação e incorporam touros PC nas baterias. Sendo assim, fica claro entender que a maior atenção deve ser dada aos dados técnicos dos animais. 

Touros de 1, 2 ou 3 anos 
O produto padrão oferecido nos leilões de reprodutores é o touro de dois anos. Em um passado recente, o padrão era o de três anos, por ser mais rústico e apropriado à maioria dos pecuaristas. No futuro, espera-se que mais touros de um ano sejam comercializados, pois essa já é realidade em países de pecuária mais intensiva como os Estados Unidos. As condições da fazenda do comprador é que definirão a melhor idade do produto a ser comprado, pois atualmente os vendedores já preparam animais com bom desenvolvimento com um, dois ou três anos. Para os que dão preferência por touros de três anos, fica a recomendação de buscar animais usados pelos plantéis na cria do gado de seleção. Esses são, normalmente, os melhores de cada geração. 

Touros tosadosOs vendedores empenham-se em apresentar o melhor possível os animais e alguns adotaram a prática a “tosa”. Esteticamente, pode parecer bem para algumas pessoas, mas essa situação acaba por omitir informações relacionadas à saúde do pelo e ao tipo de pelame (fino, curto, grosso, lanudo), e essas são informações valorizadas pelos compradores, especialmente para os que desejam animais para uso em regiões onde a maior tolerância ao calor é necessária. Prefiro ver nos leilões animais com variações na apresentação dopelo (com “roupa de trabalho”) do que todos uniformizados por uma situação artificial de tosa. Na primeira situação está sendo dada preferência à transparência nas relações.
Dupla marca
Na raça Angus, os touros superiores geneticamente são identificados com a dupla marca (PP ou CACA). Da mesma forma, ocorre em outras raças em que os animais positivos (DECA 1 a 4, o mesmo que TOP 40%), são marcados com uma marca especial para diferenciá-los. Uma decisão muito simples e efetiva é sempre dar preferência para touros dupla marca. Já é uma garantia de desempenho superior conferida pela ciência. Junto a esse critério deve ser combinado o biótipo apropriado e a correção funcional, garantia que precisa ser dada pelo olho do selecionador e comprador. 

Particular ou leilões 
Alguns produtores têm resistência à compra em leilões, pois não se sentem confortáveis com a pressão do pregão. Consideram onerosas as comissões pagas e até possuem algum tipo de temor em relação ao funcionamento dos leilões. Os motivos são compreensíveis, porém, deve ficar claro que os melhores animais são ofertados nos leilões, pois o vendedor busca a melhor possiblidade comercial para esses animais. Sendo assim, a compra direta (fora de leilões) é uma opção, mas deve se admitir que se está optando por um grupo
inferior geneticamente.

Tecnologia embarcada
Já abordei neste espaço o crescente número de tecnologias disponíveis para a seleção de reprodutores (Avaliação Genética, Ultrassonografia de Carcaças, Marcadores Moleculares, Testes para Eficiência Alimentar, etc.). Dessa forma, os touros passaram à categoria de produtos com muita “tecnologia embarcada”. Avalie se seu fornecedor está atualizado em relação à tecnologia e se a propriedade dele detém condições de utilizar essas técnicas, e faça a saudável comparação dos reprodutores disponíveis no mercado.

* Publicado na Revista AG, Coluna do Pasto ao Prato (Edição Outubro/2015) 

Wagyu

A Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu firmou parceria com a TÜV Rheinland Brasil para a elaboração do protocolo oficial de tipificação de carcaças e do programa de raça certificada. A iniciativa da ABC Wagyu garantirá padronização e maior qualidade da carne ao mercado consumidor, bem como facilitará a entrada do produto em outros países. Atualmente, apenas a raça Angus possui esse protocolo, e a TÜV Rheinland é a certificadora oficial do Programa Carne Angus Certificada.
fonte: http://jcrs.uol.com.br / Danilo Ucha

domingo, 18 de outubro de 2015

As raízes da GAP Genética


As raízes da GAP Genética
Referência na criação gaúcha, Eduardo Linhares disseminou sangue britânico pelo Brasil Central
O jeito tranquilo de caminhar pela Estância São Pedro em dias tumultuados do Remate GAP Genética indica que calma e cautela sempre estiveram presentes no trabalho do selecionador Eduardo Macedo Linhares, titular da GAP Genética, de Uruguaiana, RS. Dono de um verdadeiro patrimônio genético de raças britânicas na fronteira entre o Brasil e a Argentina, Linhares traçou uma trajetória que chama a atenção de qualquer selecionador, seja ele gaúcho, ou não. Aos 84 anos, e em plena atividade, ele se mantém no topo da lista de faturamento na temporada de remates de primavera do Estado, além de guardar no currículo feitos históricos como o de julgar animais de ninguém menos que a rainha da Inglaterra, Elizabeth II. 
A façanha ocorreu na tradicionalíssima Royal Show, uma das maiores e mais antigas exposições de raças britânicas do mundo. “Lembro que ao descobrir minha nacionalidade ela me perguntou se era possível criar Devon num País tão quente como o Brasil. Prontamente respondi que sim. Disse que no Sul do País, mais precisamente no Rio Grande do Sul, tínhamos condições de criar qualquer raça proveniente do Reino Unido”.
A declaração à realeza e o orgulho de seu Estado de origem e criação, no entanto, não fizeram de Linhares um homem preso às raízes. Criador de Angus, ele foi o introdutor da raça brangus – cruzamento de angus com o zebuíno nelore, do qual tem o maior rebanho registrado do mundo. Ao longo de sua “carreira” como selecionador, estendeu sua atuação ao Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para testar a genética produzida naquela época apenas no Rio Grande do Sul. Linhares estudava maneiras de alcançar o mercado central com uma produção de animais diferenciados, fruto do trabalho que já realizava visando o mercado uruguaio e argentino. “Queríamos produzir genética adaptada àquelas condições”, diz ele, acrescentando: “Somos o berço das raças britânicas no País. Mas não se deve ignorar o potencial do Brasil como produtor de boa genética bovina, incluindo regiões como o Brasil Central, que hoje detém 80% da nossa pecuária de corte e para onde fornecemos 50% da produção de nossos animais”.
Hoje, o criador mantém propriedades arrendadas na região, que abrigam um plantel de 700 fêmeas Brangus criadas e recriadas em pasto de braquiária e mombaça. As outras 3.500 matrizes da raça ficam no Sul do País, junto a 1.500 fêmeas Angus e 1.300 Hereford e Braford, criadas majoritariamente em pastagens nativas (30% da área é formada com azevém, para uso no inverno). Um time que gera, anualmente, quase 6 mil bezerros. Embora se considere um apaixonado pelas taurinas, Linhares diz que o atual mercado de genética está mais favorável para as compostas. “Elas são o passaporte para levar sangue britânico ao Brasil Central”, diz. “São uma alternativa de animais adaptados e produtivos para uma pecuária que precisa ser mais eficiente.”
Ao todo, são 20.000 hectares dedicados à pecuária, com espaço para o cultivo de arroz, além da criação de cavalos crioulos – um dos grandes campeões do Freio de Ouro, Pampa de São Pedro, carrega a marca GAP. “Não se pode parar. Nossa atividade exige renovação”, diz Linhares, comparando o jeito de fazer pecuária na década de 1950 e nos dias atuais. “Antes selecionávamos animais pelo visual campeiro. Não tínhamos o apoio de dados técnicos, a não ser pedigree e data de nascimento. Importava produzir um Angus grande e novilhos. Hoje, sabemos que tamanho não é documento. Animal bom é animal equilibrado, produtivo e funcional”. 

Um olhar à frente
O aprendizado ele adquiriu ao longo de sua história. Na década de 1970 percorreu países estudando a genética da raça Angus para aprimorar o trabalho da Cabanha Azul, propriedade que antecedeu a GAP, e que comandava ao lado do primo e sócio João Vieira de Macedo Neto. Foi por esse criatório que recebeu suas primeiras premiações em pista e toda a projeção de mercado, com os primeiros remates de Angus e Devon, raça que hoje já não está no seu portfólio de produtos. A parceria terminou em 1993, com o nascimento da GAP. “Foi uma partilha familiar. Não houve brigas, nem desentendimentos,
apenas caminhos diferentes”, lembra Linhares.
Como pecuarista, Eduardo Linhares sempre pensou como geneticista. Na década de 1980, confiou ao zootecnista, Luiz Alberto Fries, todo o trabalho de seleção genética de sua fazenda. Nos anos seguintes, Fries, que morreu em 2007, aos 56 anos, tornou-se um dos principais geneticistas do País, criador do Sistema de Avaliação Natura, e um dos fomentadores do Grupo GenSys, hoje, responsável pela avaliação genética de 10 Projetos com autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para emissão do Ceip (Certificado Especial de Identificação e Produção). “Ele nos orientou a reduzir nossa participação em shows, que na época eram as exposições, e focar todo o trabalho na seleção objetiva. Fomos os primeiros a ceipar animais”, lembra Linhares. “Foi o início da revolução na pecuária de corte”.

Peneira
Todo o plantel da Gap é avaliado pelo Natura e Promebo (Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne), com Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP) para os 20% melhores animais nascidos a cada safra. O princípio do trabalho de seleção é a aposta em animais jovens. “Pode-se descobrir um grande reprodutor logo aos dois anos”, diz Linhares. Mas, para ele, isso não pode ser feito às cegas. “Sem se basear nas informações dos programas de melhoramento, não há crescimento palpável”, afirma.
Na Gap Genética, dos 3.000 machos nascidos anualmente são eliminados 50% no desmame. Dos 1.500 restantes, outro corte acontece no sobreano, restando somente os 650 melhores de cada geração. Os 50 superiores são utilizados como ‘touros de cria’ ou como doadores de sêmen. Os 600 são comercializados no remate anual ou em vendas diretas na fazenda, com demanda cada vez maior. No último leilão da GAP, a oferta teve de ser encorpada para atender a toda clientela. Houve redução no número de animais vendidos na fazenda para o aumento da oferta de pista. Ao todo, 800 touros e matrizes, além de 40 cavalos Crioulos. “A conquista do status de fornecedor de genética se deve, principalmente, à adoção de boas ferramenta de seleção”, acredita a filha e veterinária, Ângela Linhares da Silva. “Isso rege todo nosso trabalho”.
O rigor também se aplica às fêmeas. Na GAP, apenas as superiores são incorporadas ao rebanho, com destaque para eficiência reprodutiva e qualidade na produção de bezerros. As melhores são encaminhadas para a Transferência de Embriões (TE) ou Fertilização In Vitro (FIV). Os touros usados como “pais” do plantel são estudados com base nas DEP’s dos programas Natura e Promebo. Segundo Ângela, desde que o Programa de Acasalamento Dirigido (PAD) foi incorporado ao processo de seleção – há 20 anos – o número de animais ceipados cresceu 25% no rebanho. “Esse é um indicativo de que temos acertado bastante”, considera.

Bom legado
Eduardo Linhares se diz orgulhoso do sucesso conquistado, principalmente pela capacidade dos filhos de coordenar a GAP ao seu lado. Dos cinco herdeiros, quatro trabalham ativamente na fazenda. “Acreditar nas futuras gerações permitiu a longevidade de uma criação iniciada nos primeiros anos do século 20 [1906], herdada por mim e que deve perdurar por muitos anos nas mãos da geração que está chegando.”
Atualmente, toda a parte genética, reprodutiva e sanitária fica nas mãos de Ângela. O filho mais velho, Paulo Eduardo Linhares, coordena a área de agricultura, e a filha Marcia é a responsável pelo setor administrativo do grupo. Também há espaço para os “agregados”, brinca Linhares, referindo-se aos genros. Rodrigo Fialho, marido de Márcia, é o responsável pela nutrição do rebanho; João Paulo Schnneider da Silva, o “Kaju”, casado com Ângela, é quem comanda a área comercial. Ele vem se tornando figura pública do criatório.
No último leilão da GAP, em 27 de setembro, ele comemorou o faturamento de R$ 6,7 milhões, como quem tivesse ganho um campeonato. Além dos apertos de mão, Kaju dividiu a tarefa de coordenar toda equipe, incluindo olhos atentos nos lances e uma enorme contribuição ao leiloeiro, que volta e meia, o solicitava informações adicionais sobre os animais em pista. 
Satisfeito, Eduardo Linhares assiste de camarote: “Estou bem assessorado. Hoje, já posso passar a maior parte do tempo com o golfe e os cavalos, embora eu ainda seja bastante requisitado na estância”, diz ele, que hoje mora em Porto Alegre, ao lado da esposa Maria Helena.

Por: Carolina Rodrigues / revista DBO, outubro de 2015

Frigoríficos avaliam qualidade da carne bovina do Brasil em coletiva de imprensa


Carne bovina será tema de coletiva durante a BeefExpo, em Foz do Iguaçu - Foto: Julio Bittencourt
Carne bovina será tema de coletiva durante a BeefExpo, em Foz do Iguaçu – Foto: Julio Bittencourt
Representantes do Minerva Foods, Marfrig Group e JBS vão a Foz do Iguaçu (PR) debater as perpectivas da comercialização da proteína animal e a qualidade da carne bovina entregue nos mercados interno e externo, no dia 22, às 16h, durante a BeefExpo. Antes do painel, às 15h, os gigantes da agroindústria, participarão de uma coletiva de imprensa, para apresentar dados do setor e para o lançamento do 1º Congresso Internacional de Agrojornalismo, ambas ocasiões noHotel Recanto Cataratas.
Segundo Eduardo Krisztán Pedroso, do setor de originação do JBS, existe uma oportunidade para melhoria dos resultados da cadeia produtiva da carne bovina em geral. Para tanto, é necessário expandir a educação comercial do produtor, com foco na produção de carne de qualidade e atendimento das expectativas do consumidor. “Recentemente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) encomendou um estudo sobre a imagem da carne brasileira no mercado externo. Das classificações possíveis, entre carne ingrediente, culinária ou gourmet, a carne brasileira ainda está no nível ingrediente, sob a ótica dos importadores, com destino prioritário para produtos industrializados, como embutidos, conservas e carne moída. Ou seja, produto regular de mercado, sem valor agregado. A população mundial é crescente, se urbaniza, tem cada vez mais acesso à renda e informação. Os consumidores estão cada vez mais exigentes e seletivos. Precisamos estar atentos às oportunidades”, destaca Pedroso.
Para o representante do Minerva Foods, Fabiano Tito, para chegar a um nível de excelência há grandes desafios para todos os elos da pecuária, entre eles a queda na idade de abate. “O rebanho brasileiro é muito heterogêneo, com raças distintas e perfis diferentes de criadores, que acarretam em produtos também diferentes, com qualidades diversas. Ou seja, temos carnes boas e ruins no Brasil e, para avançarmos, entre as inúmeras estratégias, estão a diminuição da idade de abate, que já tem ocorrido, e o desafio de diminuição do PH da carne, que trará melhor aspecto à proteína vermelha”, enfatiza. “Nossa carne é um pouco mais escura devido ao elevado PH e isso interfere em seu tempo de prateleira, influenciando em um prazo menor para comercialização e exportação, por exemplo. Mas além dessas ações, da porteira para dentro, para fora e mesmo antes de entrar na porteira, há o que se melhorar”, pontua Tito, ao sinalizar também o papel dos insumos, do manejo, nutrição e outros.
Além da qualidade da carne e das estratégias para o avanço do setor, o JBS apresentará na BeefExpo a plataforma Conexão JBS, um conjunto de ferramentas e projetos que unem os elos da cadeia produtiva da carne bovina, desde o pecuarista fornecedor até o consumidor.
Agrojor
A coletiva de imprensa com os frigoríficos, no dia 22, às 15h, faz parte do lançamento do 1º CongressoInternacional de Agrojornalismo, organizado pela Rica Comunicação. Na ocasião serão apresentadas as datas oficiais e outros detalhes do evento, que tem como finalidade reunir profissionais da comunicação para debater as oportunidades e desafios de se noticiar os diversos setores relacionados ao agronegócioque. O congresso será sediado em Campo Grande em 2016. Jornalistas, produtores rurais e especialistas relacionados, debaterão particularidades que travam e impulsionam o desenvolvimento do meio rural na mídia, com o objetivo de encontrar soluções e organizar grupos de trabalho para o avanço e visibilidade, além da valorização da categoria responsável pela disseminação das informações.
Para sinalizar interesse na coletiva de imprensa e saber mais sobre o Agrojor: diego@ricacomunica.com.br