segunda-feira, 25 de julho de 2011

Boi: Futuros recuam na BM&F, mas físico começa semana com tendência de estabilidade a leve alta

Boi Gordo: futuros recuam na BM&F, mas físico começa semana com tendência de estabilidade a leve alta nos preços. Em S. Paulo, negócios acontecem ao redor de R$ 100,00/@ e escalas são para quinta-feira (21).



Preços do boi gordo recuam na BM&F nesta segunda-feira. Para Caio Junqueira, da Cross Investimentos, a queda se dá por conta do movimento de realização de lucros, com a diminuição de posições compradas e o aumento de vendedores no mercado. Apesar do recuo nos preços futuros, o cenário físico, que ainda é referência para os preços, segue bastante sustentado pela baixa oferta de animais terminados.

Em São Paulo, a arroba vale hoje em torno de R$99 a R$100, à vista. " A gente escuta falar em indústrias menores pagando até ao redor de R$102 a R$103, com 30 a 40 dias de prazo", comenta. A tendência para esta semana é de preços estáveis, com possibilidade de leves altas, já que o mercado trabalha hoje com valores mais arredondados. "Provavelmente flua um pouco melhor a compras da indústria nesses patamares de preços", conclui.

O mercado de reposição segue enfraquecido já o pecuarista não consegue segurar o animal por muito tempo em função das degradações da pastagens "O fluxo de venda de boi magro está um pouco maior, precisa a reposição dar uma cedida", diz.
Fonte: Notícias Agrícolas // João Batista Olivi e Marília Pozzer

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Consumo de carne bovina cai no Brasil

Exclusiva: Consumo de carne bovina cai no Brasil

Projeções indicam que o Brasil consumirá, em 2011, 9,1% menos carne bovina que em 2010. O País deve consumir 5,7 milhões toneladas até o final do ano, enquanto o consumo registrado em 2010 chegou a 6,2 milhões toneladas. A última queda registrada até então havia ocorrido entre 2007 e 2008, quando o consumo caiu de 5,6 milhões de toneladas para 5,5 milhões de toneladas.

Fonte: Anualpec 2011

O terrorismo da entressafra

O confinamento é uma atividade que demanda alto investimento em curto espaço de tempo. Como eu costumo dizer “é lavoura de boi, planta em maio colhe em outubro”.
Normalmente se começa a falar em confinamento apenas no meio do ano, mas as decisões são tomadas com antecedência. Hoje se compra oportunidade e a recria passou efetivamente a fazer parte da operação de uma forma estratégica. A produção ou compra - ou ambas – de insumos também é decidida com antecedência e é igualmente importante. Estas questões com maior ou menor interferência, com mais ou menos competência, estão sob a gestão do produtor. Todos esses fatores junto com as informações de mercado (mercado futuro, volume de exportações, câmbio, juros, etc) é que ajudam o produtor a tomar a melhor decisão.
Mas, ultimamente, com base nas informações que vêm da indústria, notamos uma repetição de fatos em relação ao comportamento de mercado, que tem ano após ano a intenção de derrubar os preços. Isso acontece anos após ano. E isso parece estar acontecendo novamente. Não é preciso ser vidente para garantir que todo ano a Rússia vai criar algum problema para a compra de carnes de outro país – as escalas vão estar cheias pelos primeiros dias frios, o terrorismo do mercado a termo vai ser implantado e outras tantas “desculpas”.
É muito comum o pecuarista dizer que determinadas ações são "estratégias dos frigoríficos", como se o fato da analise impedisse seus efeitos. Toda medida quando atinge seu fim foi vitoriosa, por mais previsível que possa ser. O Brasil abate em torno de 36 milhões de cabeças por ano, das quais em torno de 2,5 milhões são de confinamento.
No segundo semestre a dependência de animais confinados por parte da indústria é bastante acentuada e mesmo assim o pecuarista se submete as pressões da indústria. Não sou contra, mesmo porque seria inútil o confinamento próprio dos frigoríficos ou qualquer tipo de regulamentação nesse sentido. Da mesma forma não vejo no que seja um problema para o mercado, ou que não tenha seus benefícios para os produtores. Apenas acho que não devemos deixar nos impressionar ou convencer pela forma com que a indústria eventualmente usa das informações para criar pressão.
Quando cedemos a essa pressão, estamos na verdade criando e alimentando uma baixa real. A máxima que diz "o lucro está na compra" é totalmente real, mas devemos acrescentar que em parte também está na venda. Não concordo totalmente com a ideia que quem determina o preço é a indústria. Ela determina sim, mas fortemente calçada na reação dos pecuaristas as suas estratégias.
Usar as informações de forma adequada e as ferramentas de comercialização de forma consciente certamente vão colaborar com um mercado mais equilibrado.

FONTE: BLOG DE JOÃO LEBRON

Momento difícil para a carne bovina brasileira


As exportações brasileiras de carne bovina caíram 9% na comparação anual. A queda nas vendas ao exterior se explica em grande parte pela alta dos preços do gado, apesar da produção relativamente estável, uma vez que houve um aumento no consumo de carne bovina no mercado brasileiro, que consome cerca de 76% da produção local, além de uma apreciação de 7% na moeda brasileira, que hoje é cotada a R$ 1= US$ 0,60.

Apesar da produção total de carne bovina no Brasil nos nove meses até março ter caído apenas 2% para 5 milhões de toneladas (graças ao número de cabeças de gado, que tem estado escasso desde 2007), os preços médios da carne bovina para exportação subiram 27% para R$ 3,32/kg. No entanto, a indústria de exportação enfrentou um ano difícil, com margens menores, com os preços médios subindo 37% para US$ 198,5¢/kg, enquanto os preços médios para exportação cresceram 27%, para US$ 4.642/ton.

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Embora a Rússia continue sendo o maior mercado para a carne bovina brasileira (responsável por 33% das exportações brasileira), as exportações para o mercado russo caíram 5% para 289.787 toneladas. Por outro lado, os países do Oriente Médio foram a principal região para as exportações de carne bovina brasileira, respondendo por 42% do total, um crescimento de 6% frente ao mesmo período do ano passado para 363.947 toneladas. O aumento nas exportações para o Oriente Médio ocorreu principalmente devido a um crescimento de 8% nas vendas para o Irã (172.054 toneladas) e num aumento de 49% nas exportações para o Egito (para 100.738 toneladas).

Enquanto isso, a América do Sul foi o terceiro maior mercado para a carne bovina brasileira, crescendo 21% para 67.808 toneladas, puxado principalmente por um aumento de 4% nas vendas para a Venezuela (para 45.918 toneladas) e num salto de 89% nas exportações para o Chile, para 21.470 toneladas. As exportações para o mercado da União Europeia responderam por apenas 5% das exportações totais, recuando 9% na comparação anual para 42.935 toneladas devido à continuidade das medidas de restrição ao gado brasileiro desde 2008.

FONTE: BOLETIM MELHORES AÇÕES resumida por www.lundnegocios.com.br

RS planeja recuperar a Cria


A Secretaria da Agricultura está empenhada em recuperar a Central Rio-Grandense de Inseminação Artificial (Cria) cujo banco genético e os móveis estão parados em um prédio da Embrapa, em Pelotas. Conforme o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, a área econômica autorizou a secretaria a chamar 30 concursados para seu quadro geral e seis deles serão direcionados para atuar na Cria.

Pelos planos do secretário, a central deve se tornar braço importante de um programa público de inseminação para criadores de gado de corte. Antes da reativação, contudo, o Estado terá de definir se a estrutura será mantida em Pelotas ou transferida para outro município. Segundo o diretor do Departamento de Defesa Animal (DDA), Eraldo Marques, a Cria possui estoque de sêmen, mas não está comercializando o produto até que estas questões sejam resolvidas.

A transferência da Cria para Pelotas ocorreu com a interdição da sede, que funcionava dentro do parque Assis Brasil, em Esteio, ainda no governo passado. A gestão Yeda também tinha a intenção de reerguer a central, mas o projeto não avançou. Em 2007, a produção chegou a 30 mil doses de sêmen, vendidos a preço de custo, especialmente a produtores familiares, e melhorando a genética do rebanho. Há três anos, a Cria perdeu o registro para produção pelas precárias instalações. Atualmente, segundo a chefe do Serviço de Fiscalização de Insumos Agropecuários do Ministério da Agricultura, Alejandra Müller, ela mantém autorização federal só para comercialização de material genético.

Fundada em 1973 e sistematicamente alvo de críticas do setor privado por oferecer preços mais baixos que os de mercado, a Cria conferiu estrutura ao serviço de inseminação artificial pública feito desde a década de 40.

Governo PR elabora projeto para modernizar a pecuária

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná está preparando projeto que visa a modernização da pecuária de corte no Estado. Além de pensar na melhoria da qualidade e no aumento da produtividade do rebanho bovino, técnicos do Sistema Seagri – entre eles os das empresas vinculadas Emater e Iapar – estudam formas de agregar valor à atividade, gerando mais renda para os pecuaristas.

Ao receber a proposta inicial, o secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, lembrou que uma das metas do governo é tornar o ambiente sanitário do Estado mais adequado, como forma de conquistar novos mercados. “Temos excelentes criadores, mas animais de muitas raças e pouco volume de carne. Para que o Paraná tenha condições de entrar no mercado internacional é preciso, acima de tudo, melhorar a qualidade do rebanho”, disse Ortigara.

A proposta, segundo o secretário, é fomentar a atividade induzindo os produtores à criação de determinadas linhas genéticas, que resultem numa carne de melhor qualidade. “O Paraná não tem padrão e nem constância de carne macia”, destacou Ortigara. De acordo com ele, é isso que exige o mercado internacional, e uma raça ideal para atender a essa exigência seria a Angus, mas é preciso que ela predomine no Estado.

AÇÕES – Entre as ações propostas pelos técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral) e Departamento de Desenvolvimento Agropecuário (Deagro) estão reduzir a idade média de abate em no mínimo seis meses; ampliar a oferta de bezerros, com qualidade, produzidos no Estado e reduzir a entrada de bezerros de outros estados; estimular a reforma e recuperação das pastagens; ampliar em 12% o número de matrizes de corte; oferecer linhas de crédito suficientes para a modernização da atividade e estimular o melhoramento genético e de infraestrutura das propriedades.

Os técnicos acreditam que estas e outras ações sirvam de atrativo para que novos criadores entrem na atividade e ampliem seus rebanhos, melhorando os índices zootécnicos. As medidas também melhorariam as condições sanitárias do rebanho paranaense, contribuindo para aumentar a exportação de carne.

O presidente da Emater, Rubens Niederheitmann, concorda que a carne bovina produzida no Estado tem que ter volume e padrão. “Com definição de diretrizes técnicas determinadas é possível se chegar a esse nível de produção” afirmou. Para ele, o Paraná tem tecnologia de produção e manejo, e é preciso aproveitar melhor o clima e o solo para se criar boi a pasto. “O governo não pode mudar a realidade do mercado, mas podemos dar as diretrizes para que as cadeias produtivas se organizem”, disse Niederheitmann.

ESTRATÉGIA – Para elaboração do projeto final, a Secretaria da Agricultura pretende debater o tema com representantes de todas as cadeias produtivas do setor. A ideia é realizar seminários nas diferentes regiões do Estado, encerrando com um encontro para reunir todas as propostas consideradas viáveis.

FONTE: Agência Estadual de Notícias - Paraná

Alinhados, os preços da arroba no Mato Grosso do Sul seguem em alta

De acordo com dados da Scot Consultoria, o boi gordo em Dourados, Campo Grande e Três Lagoas no Mato Grosso do Sul, está cotado em R$93,00/@, a prazo, livre de funrural.

Os preços das três praças se alinharam no início da semana anterior.

No último reajuste, todas tiveram alta de R$1,00/@, nas mesmas condições.

Durante julho a valorização chega a 4,4% em Dourados e 3,3% em Campo Grande e Três Lagoas.

Observe a figura 1.



Os diferenciais de base estão em -6,5%, ante -5,2% no início de julho.

As escalas atendem, em média, 3 dias

FONTE: SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: indicador fecha a semana valendo R$ 101,73/@

Na última sexta-feira, o indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista foi cotado a R$ 100,75/@, com valorização de R$ 0,04. O indicador a prazo registrou alta de R$ 0,09, sendo cotado a R$ 101,73/@.

Tabela 1. Principais indicadores, Esalq/BM&FBovespa, relação de troca, câmbio



Tabela 2. Fechamento do mercado futuro em 22/07/11



Gráfico 1. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x contratos futuros para outubro/11



Como está o mercado na sua região? Utilize o formulário para troca de informações sobre o mercado do boi gordo e reposição informando preços e o que está acontecendo no mercado de sua região.

Tabela 3. Atacado da carne bovina



Gráfico 2. Indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo à vista x equivalente físico



Gráfico 3. Indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro MS à vista (R$/cabeça)x relação de troca (boi gordo de 16,5@ por bezerros)


FONTE: BEEFPOINT

Rabobank: indústria de carne bovina deve acelerar processos de consolidação

Fusões e aquisições entre os processadores de carne bovina de todo o mundo deverão acelerar, disse o Rabobank em seu relatório do segundo trimestre de 2011 chamado Previsões Trimestrais para Mercados Globais e Regionais.

A capacidade é maior do que a oferta disponível e a "próxima era de processadores de carne bovina bem sucedidos precisará ter tamanho e alcance para ter acesso aos animais que precisam, bem como para aproveitar as oportunidades comerciais que estão cada vez mais presentes na indústria global de carne bovina", disse o relatório.

A consolidação deverá ser moderada nos Estados Unidos, que já trabalhou durante um prolongado período de compra e venda. Por outro lado, a indústria em outros locais tem bastante espaço para se contrair.

"A competição entre os frigoríficos por gado se tornou acirrada e tem forçado os preços dos animais para cima. Não há nada novo nisso, mas o desafio aos frigoríficos sob essas circunstâncias se tornou mais complicado. Outro importante desafio que os processadores de carne bovina enfrentam nesse ambiente é a liquidez financeira para trabalhar o capital diante dos preços extremamente altos dos animais".

Os processadores de nível médio são particularmente vulneráveis a menos que tenham uma posição definida em algum nicho no mercado. Por exemplo, no estado brasileiro do Mato Grosso, que é responsável por 12% do rebanho total do Brasil, 17 das 40 plantas frigoríficas estão fechadas. Na Argentina, várias plantas fecharam no ano passado (ou estão fechadas temporariamente) como resultado dessa pressão. Na Austrália, a joint venture entre Cargill e Teys Group terá uma participação combinada de 19% nos abates australianos.

FONTE: MeatingPlace.com, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint

Fernando Sampaio: Marketing da Carne, perspectivas e desafios


O Diretor Executivo e Coordenador de Sustentabilidade da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, iniciou sua palestra no Congresso Internacional da Carne, realizado em Campo Grande/MS no início de junho, falando sobre a escritora Chimamanda Adichie e uma apresentação feita por ela sobre "O perigo da história única".

Chimamanda nasceu na Nigéria. Seu pai era professor universitário e sua mãe também trabalhava na universidade. Ela conta que aprendeu a ler muito cedo e adorava os livros de escritores ingleses e norte-americanos e que nestas histórias as personagens eram sempre brancas, comiam maçãs, brincavam na neve e falavam muito sobre o tempo - comentando como o dia estava lindo, pois o sol tinha aparecido.

Quando começou a escrever suas próprias histórias, ainda criança, ela lembra que suas personagens tinham as mesmas características, mesmo sem nunca ter visto a neve, comer mangas todos os dias e nunca falar sobre o tempo, porque não havia necessidade.

"Isso mostra o quão impressionáveis e vulneráveis nós somos em face a uma história. Eu acreditava que os personagens dos livros tinham que ser estrangeiros e a história tinha que ser sobre coisas com as quais eu não podia me identificar. Mas as coisas mudaram quando descobri livros Africanos. Não haviam muitos disponíveis e eles não eram tão fáceis de encontrar como os livros estrangeiros. Mas lembro que lendo esses livros eu passei por uma mudança na minha percepção da literatura, entendi que pessoas como eu também podiam existir na literatura e passei a escrever sobre coisas que eu reconhecia. Então a descoberta desses escritores africanos me salvou de ter uma história única daquilo que os livros são".

Adichie ainda contou que mais tarde quando foi aos EUA para estudar, sua companheira de quarto, norte-americana, ficou chocada quando a conheceu. "Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar Inglês tão bem e ficou confusa quando eu disse que a Nigéria tinha o Inglês como língua oficial. Ela ainda perguntou se podia ouvir a música da minha tribo e ficou ainda mais desapontada quando eu coloquei no rádio uma música da Mariah Carey. Ela também presumiu que eu não sabia como se usava um fogão. O que me espantou foi isso: ela tinha sentido pena de mim mesmo antes de ter me visto". Ou seja, a americana tinha um única história sobre a África na cabeça, uma história de catástrofe e nessa história não havia a possibilidade dos africanos serem semelhantes a ela, de forma alguma.

"A única história cria estereótipos e o problema deles não é eles serem mentiras, mas eles serem incompletos. Na África existem muitas histórias de catástrofes, mas existem outras histórias e é igualmente importante falar sobre elas. Sempre pensei que é impossível me relacionar com um pessoa ou lugar sem me relacionar com todas as histórias dessa pessoa ou lugar. A consequência da história úncia é que ela rouba as pessoas de sua dignidade e enfatiza o quanto somos diferentes ao invés do quanto somos semelhantes. (.) Quando rejeitamos uma história única, quando percebemos que nunca há uma história única sobre nenhum lugar, reconquistamos uma espécie de paraíso", finalizou a escritora.



Baseado neste relato, o diretor da Abiec, lembrou que o Agronegócio brasileiro está sofrendo com uma história úncia, que está sendo contada apenas por alguns. "Precisamos mudar essa história que se conta sobre a pecuária brasileira".



Apresentando os dados acima sobre as exportações brasileira de carne bovina, que cresceram expressivamente nos últimos anos, Sampaio comentou que o mundo está se perguntando como nós estamos conseguindo fazer isso. "A história que estão contando é que o motivo do nosso sucesso é que o boi brasileiro é criado no meio do mato queimado".



Segundo ele, hoje não temos uma carne brasileira e sim várias carnes e isso é uma vantagem e precisamos explorar essa segmentação do mercado, explicando aos nossos clientes que no Brasil tem carne orgânica, de Angus, de Nelore, precoce, superprecoce, criada a pasto, em confinamento, etc.

O Brasil tem que contar a história do produtor como é feito nos EUA, Austrália e Argentina, ressaltou Fernando Sampaio.

"As histórias do sucesso do campo norte-americano começaram com o cinema, nos filmes de faroeste, e são contadas até hoje



Na Argentina existe a figura do gaúcho, que é reverenciado como um símbolo nacional e está diretamente ligado a atividade pecuária.



O diretor da Abiec afirmou que "o campo brasileiro também deve mostrar suas histórias, seus heróis, suas conquistas, e mostrar que o produtor brasileiro está lutando para aumentar sua produtividade".

Todos os principais produtores de carne bovina, sempre mostraram que têm um país bonito e uma carne boa. "Temos que mostra isso e ressaltar nosso diferencial, pois num futuro próximos somos nós que temos condições de alimentar o mundo".



"A história do Brasil ainda é muito recente e não tivemos ainda a opção de contá-la, mas vamos fazer isso agora com a campanha Pecuária do Brasil. Vamos juntos, produtor e indústria, contar nossa história e mudar a imagem que a sociedade tem da produção de carnes, vamos mostrar que somos um setor dinâmico".



Esta campanha será baseada num plano de comunicação que mostrará, através de histórias reais, um setor cada vez mais moderno e sustentável. "Apresentaremos nossas contribuições para o país (O Brasil evolui com a pecuária) e a atualização constante do setor (A pecuária evolui com o Brasil). O projeto ainda focará em ações como a atualização do SIC (Serviço de Informação da Carne), divulgação para a imprensa e públicos estratégicos, publicidade para formadores de opinião, site e ações nas redes sociais e um evento nacional no final de 2011, apresentando os destaques do setor.

Paralelo a isso a Abiec irá continuar com o programa Brazilian Beef, com ampliação e atualização do plano de divulgação da carne brasileira no exterior, em parceria com a Apex. Focando nas qualidades do produto nacional, bem como na crescente produtividade e sustentabilidade da carne brasileira, essencial para alimentar as gerações atuais e futuras.

Sampaio comentou que também é preciso promover mudanças na educação, pois a metodologia atual está errada. "Hoje uma criança pode não saber resolver uma equação de matemática, mas quase todas elas sabem que a carne prejudica o meio ambiente. Vamos dizer que isso é mentira. E para qualquer Ong que venha com hipocrisia dizer como temos que produzir e onde temos que produzir, vamos mostrar com dados que estamos fazendo a coisa certa".

Com convicção ele finalizou sua apresentação dizendo: "tenho orgulho de trabalhar na indústria da carne e de vender carne brasileira".
FONTE: BEEFPOINT

Frio no pasto pode ajudar no aquecimento do preço do boi


Rogério Goulart, administrador de empresas, pecuarista e editor da Carta Pecuária
cartapecuaria@gmail.com
Reprodução permitida desde que citada a fonte
Comemoração da Carta Pecuária

É semana de festa! A Carta Pecuária completa oito anos de atividade ajudando-nos a melhorar nossa comercialização de gado.

Parabéns para todos nós e obrigado.

Fico contente ao olhar para trás e ver como a coisa toda começou. A Carta Pecuária era uma publicação diária em 2003. Virou semanal em 2004.

Em 2007 comecei a escrever a Carta Pecuária de Longo-Prazo, texto irmão desse aqui, porém muito mais aprofundado.

Em 2008 inauguramos o serviço de palestras. Em 2010 abrimos espaço para anúncios publicitários e em 2011 começamos a escrever para a Revista DBO.

Porém, o que é um aniversário sem presente? Pois esse ano temos um! O texto da Carta Pecuária de Longo-Prazo é agora aberta para o mercado, caro leitor. Em parceria com o texto trimestral da Scot Consultoria, agora você poderá acompanhar o mercado a cada três meses com a profundidade de análise e cobertura de praticamente todos os aspectos da pecuária que tanto você quanto eu exigimos.

Convido-o a acessar e ver por você mesmo as reflexões práticas sobre a pecuária. Antecipe-se aos acontecimentos. Alimente-se de boas informações para comercializar de forma eficiente seu rebanho.

Análise do mercado

Nada como um dia após o outro. Exatamente um mês atrás o contrato de outubro na bolsa valia ao redor de 99 reais. Hoje ele vale ao redor de 108 reais. Descontando o funrural que ainda incide sobre esses contratos de 2011, significa que o vencimento de outubro saiu de 97 para 105 reais. Alta de 8 reais.

Como se comportou o mercado dos frigoríficos nesse último mês? Livre do funrural, a arroba saiu de 95 reais trinta dias atrás para ao redor de 99~100 reais que vale hoje. Alta de cinco reais. Todos esses preços tanto do contrato futuro quanto do físico são preços à vista. Hmmm, parece que o contrato de outubro “andou” mais rápido que o mercado físico, então.

Repare no gráfico abaixo a vida desse contrato de outubro.



Desde janeiro até recentemente ele acompanhava lado-a-lado o indicador. Com o início da queda dos preços da safra nos frigoríficos, ele resolveu cair também. Foi nessa fase que em vários momentos comentamos que isso não fazia sentido e que o contrato de outubro estava distorcido da realidade.

Mas hoje o contrato de outubro não está mais distorcido.

Ah, não. Os valores atuais podem não ser os maiores da história — a arroba à vista já chegou a valer ano passado bem mais que os 108 reais de hoje, como demonstrado no gráfico — porém não são valores para a gente menosprezar.

Repare no próximo gráfico. Esse é um gráfico chamado ponto-e-figura desde 1994. Um gráfico PeF não possui uma escala de tempo como no gráfico anterior. O sobe e desce é desenhado somente a cada variação de 2% nos preços, e somente uma variação acima de 6% é colocada aqui.

Quando sobe é desenhado “x”, quando cai se desenha “o”. Simples assim. Esse gráfico é excelente para eliminar o excesso de zigue-e-zague que os gráficos costumam fazer e por isso foca no essencial do movimento.



Por focar no essencial ele é especialmente útil para nós hoje. Dezoito anos já é maturidade, caro leitor.

Já podemos usar essas informações sem medo. O que esse gráfico mostra? Ele mostra o quanto a arroba está valendo acima ou abaixo da inflação.

Quanto mais a arroba está valendo acima da inflação, melhor.

Os contratos da entressafra estão em alta, certo? Coloquei essa alta aí nesse gráfico. São esses “x” em vermelho. O pico da entressafra em outubro está esperando uma arroba valendo 16% acima da inflação.

Esqueça os 28% do pico de 2010 por um momento. Repare no essencial. Os preços que a bolsa indicam para essa entressafra se equiparam ao que ocorreu no pico de 2008 e estão entre os melhores da história do plano real. Ou seja, não é pouca coisa já ir pensando em aproveitar esses valores atuais e, se tiver boi à termo ou negócios de trava pelos contratos futuros com os frigoríficos, fica aí a sugestão de começar a mexer o doce e garantir alguma coisa.

Para quem não trava nada com os frigoríficos e vai de peito aberto para o mercado, a sugestão é fazer negócios com opções de venda. O Banco JBS gentilmente me enviou uma lista de preços para o produtor fazer o seguro da arroba com eles. Veja que você não é obrigado a entregar o boi, certo?

É negócio com o banco, e não com o frigorífico. Por exemplo, nessa sexta-feira se quisesse garantir um preço de 100 reais para outubro você iria pagar somente R$ 0,40 para essa tranquilidade.

Não tenho nenhum vínculo com o banco e eles não me pagam nada, caro leitor. Indico porque acredito que é um bom negócio. Fale com a Giuliana no Banco JBS pelo telefone (11) 3144-4190.

Obviamente, opções na bolsa não é exclusividade do Banco JBS. Você pode fazer esses negócios em qualquer corretora que opera mercado futuro na bolsa. É só perguntar para seu corretor, mas acho que já falei para você ver isso com o seu corretor antes, não é mesmo?

No mais, a geada que ocorreu a umas semanas atrás aqui no MS, PR e SP realmente fez um estrago nos pastos e nas lavouras de milho. Coloquei no site da Carta Pecuária um vídeo ( Clique aqui ) para ilustrar o efeito do que ocorreu.

Em uma frase, os pastos do sul do Mato Grosso do Sul estão parecendo os pastos de Goiás agora. Só que lá é por causa da seca, aqui, pelo frio.

Dos oito anos que moro aqui, isso nunca ocorreu nessa intensidade. Não creio que o mercado precificou o impacto disso corretamente.

Isso pode se desdobrar em duas coisas. Atraso na entrega dos bois à pasto nessa entressafra e uma safra a partir de dezembro mais intensa. “Ah, Rogério, não tem boi de pasto no segundo semestre! Isso não é importante!”

Será que não tem mesmo, caro leitor? Pois em pesquisas informais que pude levantar, a oferta de bois semi-confinados é no mínimo o dobro da oferta de bois confinados e a grande maioria desses animais se encontra no MS. Não feche na ideia que o confinamento é tudo na entressafra. Não é.

Seguindo em frente, vamos dar uma olhada novamente no desenrolar do mercado de frango. Da última vez que olhamos ele tinha encostado no boi. Dissemos que isso era altista para a pecuária. Vamos atualizar essa história.

Repare no gráfico abaixo.


De fato, o frango bateu no boi e subiu. Depois de uns dias o boi subiu também. Só que a alta do frango foi bem mais forte até agora que a do boi, caro leitor. O frango desde seu piso em junho já subiu 10%, enquanto o boi 5%, e enquanto essa alta das duas carnes pesa no bolso do consumidor, por enquanto o susto está mais no frango que no boi.

Então, para resumir. Os preços dos contratos futuros não estão mais distorcidos e a partir de agora abre-se a temporada de bons preços para a entressafra. Apesar de bons, pelo frango e pelos fatos recentes relativos ao clima no MS e PR, talvez a coisa ainda traga um pouco mais de surpresas no decorrer de agosto no que
tange uma possível continuação dessa alta por mais um tempo.

Para quem não sabe, normalmente o que acontece no Rio Grande do Sul é um aperitivo do que poderá ocorrer no Brasil Central. Esse ano o quilo do boi e o quilo do bezerro por algumas semanas permaneceram no mesmo valor, segundo um pecuarista que tem fazenda nos pampas e que escreveu para mim. O boi foi
buscar o bezerro, em outras palavras.

Poderemos ver isso novamente no Brasil Central esse ano? Não sei. Já ocorreu antes? Já, sim. Aliás, isso é muito corriqueiro de ocorrer nos picos das entressafras.

Atualmente a arroba do bezerro vale R$ 114,00.


Fonte: Carta Pecuária

Nota da Bigma Consultoria: O texto de Rogério Goulart, da Carta Pecuária, publicado nesse espaço, foi resumido e alguns gráficos podem ter sido suprimidos. Acesse a análise completa e com os gráficos no site da Carta Pecuária
FONTE:BIGMA CONSUTORIA

Frigorífico

Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, que já teve grandes frigoríficos - Wilson, Armour, Swift, Bordon, Cooperativa de Carnes - e viu todos fecharem por falta de oferta de gado para abate, vai ganhar um novo, desta vez de pequeno porte. O Predileto, dirigido por Rubem Bicca, está em obras e começará abatendo apenas 40 animais diários. Conforme o mercado, poderá aumentar para 70 reses/dia.

FONTE: JORNAL DO COMERCIO

Economia uruguaia cresce, mas país teme Brasildependência


Sob influência brasileira cada vez maior, o Uruguai se aproxima de uma marca impensável há quase dez anos, quando vivia o auge de sua crise bancária e lutava para convencer seus credores a reestruturar a dívida pública.
O governo prevê expansão de 6% em 2011 e todos os analistas trabalham com a perspectiva de nova alta do PIB em 2012, levando o país a completar uma década ininterrupta de crescimento da economia, sem dar nenhum calote e com a atração de investimentos que permitiram até mesmo driblar os efeitos da quebra do Lehman Brothers sobre a região.

O que muitos empresários e autoridades locais discutem agora é se a presença do grande vizinho setentrional em setores considerados estratégicos está criando um processo novo: o de "Brasildependência".

Os frigoríficos brasileiros já dominam 36% do abate total de gado bovino, a gaúcha Camil beneficia metade da safra local de arroz e a Ambev é dona das três principais marcas uruguaias de cerveja. A Petrobras tem 21% do mercado de revenda de combustíveis, iniciou trabalhos de exploração de petróleo na plataforma continental e controla a distribuição de gás canalizado em Montevidéu.

Além disso, novos investidores estão chegando: o Banco do Brasil pediu autorização para operar comercialmente no país, o grupo Fasano abriu no verão passado um complexo hoteleiro de alto luxo em Punta del Este e o laboratório Eurofarma adquiriu recentemente o controle da indústria farmacêutica Gartier.

O avanço das empresas brasileiras motivou um alerta do presidente José Mujica, durante reunião de cúpula do Mercosul, no mês passado. Em seguida ao pronunciamento oficial da colega Dilma Rousseff, Mujica advertiu que "devemos lutar para que a burguesia paulista assuma a responsabilidade de gerar empresas aliadas, e não colonizadas, em toda a América do Sul".

O crescimento da presença brasileira pode ser visto em diversos indicadores. Entre 2005 e 2010, a participação do Brasil como destino das exportações uruguaias subiu oito pontos percentuais, de 13,6% para 21,5% das vendas totais. No mesmo período, o número de turistas brasileiros aumentou 92%. Seis anos atrás, havia quase seis visitantes argentinos para cada brasileiro. No ano passado, a proporção foi de pouco mais de três por um.

A invasão tupiniquim em Punta del Este, principalmente no início do verão, é tão grande que já motivou piadas dos uruguaios sobre o estranho hábito dos "novos ricos" falando alto em português e bebendo champanhe Veuve Clicquot em taças de acrílico, enquanto torram seus corpos nas areias brancas do balneário.

"É preciso ter muito cuidado para não ferir suscetibilidades", afirma um funcionário do Itamaraty com experiência em lidar com o governo e empresários locais. Isso se reflete em sutilezas. O principal executivo de uma multinacional brasileira em Montevidéu, cujo orçamento global para novos investimentos em apenas um ano é superior a todo o PIB do Uruguai, tomou a precaução de nunca mencionar tais números em público, exatamente para evitar comparações.

"Antes, sabíamos o nome e o sobrenome do ministro da Economia da Argentina, mas não tínhamos ideia de quem era o ministro da Fazenda do Brasil. Isso mudou", observa Álvaro Queijo, sócio e diretor-geral da Cristalpet. Instalada na capital uruguaia, a empresa tem a maior unidade produtiva da América Latina de pré-formas PET, que servem de base para garrafas de refrigerantes e outras bebidas.

Queijo dá o exemplo da própria companhia para dizer que "hoje, na área industrial, o Uruguai é Brasildependente". A Cristalpet fatura US$ 140 milhões por ano e fabrica 150 milhões por mês de pré-formas. Cerca de 80% da produção é exportada, tendo o Brasil como maior cliente, com seis em cada dez unidades fabricadas. O salto ocorreu em 2002, quando começou a exportar para a subsidiária brasileira da Coca-Cola, que já era sua cliente no Uruguai. Ela fornece atualmente 50% dos moldes de PET usados nas engarrafadoras da Coca-Cola no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Paradoxalmente, o aumento da participação brasileira em vários setores da economia coincide com a diversificação de investimentos em outros ramos da indústria. O caso mais simbólico é o da celulose, com a chegada da finlandesa UPM (ex- Botnia), em 2007. Sua instalação às margens do rio Uruguai provocou um conflito diplomático com a Argentina e o bloqueio por três anos de uma ponte fronteiriça, mas a empresa investiu US$ 1,2 bilhão e ajudou a blindar o país no pior momento da recessão global. Hoje, ocupa o terceiro lugar na lista de exportadores.

Em maio, o consórcio Montes del Plata - formado pela sueco-finlandesa Stora Enso e pela chilena Arauco - deu início à construção de nova unidade para produzir 1,3 milhão de toneladas por ano de celulose. O investimento, de R$ 1,9 bilhão, será o maior já realizado no Uruguai. Um megaprojeto indiano para a exploração de minério de ferro aguarda o sinal verde do governo, embora enfrente resistência da população.

As companhias brasileiras se alimentaram da onda de prosperidade que elas mesmas ajudaram a criar no país. O Itaú comprou as operações locais do BankBoston em 2006 e é atualmente o terceiro maior banco no Uruguai, com 118 mil clientes e 17 agências. O Banco do Brasil acaba de fazer um aporte de US$ 7 milhões na subsidiária uruguaia do Patagônia, que já controla na Argentina, para transformá-lo de instituição financeira para estrangeiros em banco comercial. A autorização foi pedida às autoridades monetárias dos dois países e o Banco do Brasil espera obtê-la até o fim de 2011.

O Minerva, um dos maiores processadores de carnes do Brasil, pagou US$ 65 milhões em janeiro pelo controle do frigorífico Pul. No ano passado, o Pul representou 6,6% das 2,2 milhões de cabeças de gado abatidas no Uruguai. Marfrig e JBS já tinham 29,4% do total. Só a Marfrig comprou quatro frigoríficos no país - Cledinor, Tacuarembó, Colônia e Inaler. A Bertin havia assumido o Canelones em 2006, antes de ser incorporada pela JBS.

Para algumas empresas brasileiras, expandir negócios no Uruguai faz pouca diferença no balanço global, mas é algo visto como importante para conquistar espaço em mercados próximos - além de ser quase um apêndice da política externa do governo. "É fundamental, para a Petrobras, estar consolidada em países que têm democracia madura e estabilidade política", diz Irani Varella, presidente da estatal no Uruguai. "Além disso, a nossa presença não deixa de ser um instrumento de integração entre os dois países."

Desde 2006, quando comprou a rede da Shell, a Petrobras mantém em 89 o número de postos de serviços no Uruguai. A rede não aumentou porque depende de licitações públicas, que não foram mais abertas. Apesar disso, e dos preços controlados pelo governo, tem crescido organicamente. "O mercado de combustíveis sobe numa média de 6% ao ano, nos últimos três anos", diz Varella, informando que só nos seis primeiros meses de 2011 a Petrobras conseguiu avanço de 0,5 ponto percentual em participação no mercado uruguaio.

Para outras empresas, como o laboratório Eurofarma e a seguradora Porto Seguro, a chegada ao Uruguai desempenhou papel relevante no processo de internacionalização. "O nosso objetivo até 2014 é estar presente em quase toda a América Latina", diz Júlio César Gagliardi, vice-presidente comercial e de operações da Eurofarma, que comprou a uruguaia Gautier em 2010, sua segunda aquisição no exterior. A Gautier tem cerca de 4% do mercado local e a Eurofarma aposta em medicamentos que contam com bioequivalência e biodisponibilidade no Brasil para crescer no país vizinho.

Já a Porto Seguro, que está no Uruguai desde 1995, aproveitou dois fatos recentes para se expandir: a explosão nas vendas de veículos - houve um recorde de 43 mil automóveis novos emplacados no ano passado - e uma nova lei, que instituiu o seguro obrigatório. Diferentemente do caso brasileiro, os donos de veículos podem escolher livremente a seguradora para essa apólice, no Uruguai.

No segmento automotivo, a empresa conquistou 20% do mercado. São 100 mil clientes no país, incluindo outros tipos de seguros. "Nossa evolução no Uruguai é altamente satisfatória, levando em conta fatores como o tamanho do mercado, a alta concorrência e o peso que ainda tem o Estado nesse setor", afirma Fernando Viera, diretor da Porto Seguro no Uruguai.

Fonte: Valor Econômico

Oferta justa eleva preço da arroba do boi

A arroba do boi gordo passou de novo, na última semana, a casa dos R$ 100 no mercado paulista. Os preços voltaram a ficar firmes, depois de um período de pressão entre maio e junho, por conta da entressafra e do ainda pequeno volume de animais de confinamento entrando no mercado, de acordo com analistas.

Em março, a arroba chegou aos R$ 104 no interior de São Paulo, lembra Alex Lopes, analista da Scot Consultoria. No entanto, a queda das temperaturas entre maio e junho prejudicou as pastagens e levou pecuaristas a desovarem animais. “Houve uma bolha [de oferta]“, afirma.

Agora, segundo Lopes, acabou o animal de pasto e o volume de bois confinados não deve crescer como se esperava. “Deve haver um aumento em relação ao ano passado, mas não tão expressivo”, comenta Lopes.

No primeiro semestre, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) estimou avanço de 30% a 31% no confinamento em 2011 sobre o ano passado. Em 2010, o grupo de cerca de 60 pecuaristas ligados à Assocon ofertou 1,99 milhão de bois para abate.

Mas o presidente da Assocon, Eduardo Alves de Moura, reconhece que o crescimento de 30% a 31% no país não deve se concretizar. Diz, porém, que ainda é difícil estimar um novo número. Para o dirigente, apenas o Mato Grosso tem potencial para um aumento da ordem de 30%, pois há confinamentos novos no Estado e as pastagens locais sofreram muito por causa da seca e da morte súbita do capim.

A razão para o confinamento crescer menos que o previsto é principalmente a alta dos custos de produção. “O custo do milho aumentou muito e o grão tem um peso muito grande no confinamento”, afirma Moura. Ele acrescenta que os preços do boi magro para reposição também subiram.

Segundo Nádia Alcântara, da consultoria Informa Economics FNP, enquanto um boi magro era negociado a R$ 1.044 em julho do ano passado, atualmente está entre R$ 1.100 e R$ 1.200. Ela acrescenta que há oferta de animais confinados no mercado, mas “em volumes pequenos”.

Ainda que a demanda este ano “patine” em relação a 2010, como diz Alex Lopes, a expectativa é de preços firmes para o boi até setembro, quando começa a entrar um volume maior de animais confinados.

Para Lopes, a recomposição do rebanho nacional – iniciada em 2007 após forte abate de matrizes em anos anteriores – “está acontecendo aos poucos, de forma gradativa”. Segundo ele, apesar de a recomposição ocorrer, esta “ainda não conseguiu atingir a demanda existente.”

FONTE: Valor Econômico .

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Arroba do boi gordo sobe 1,1%, diz Cepea

Oferta restrita manteve preços aquecidos na semana
Marcela Caetano

A baixa oferta de animais para abate manteve os preços do boi gordo sustentados na maioria das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA). Entre 13 e 20 de julho, o indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa subiu 1,1% e atingiu R$ 100,26 na quarta-feira, 20. O valor é à vista e sem descontar o Funrural. No acumulado de julho, a alta é de 4%.

Em São Paulo, foram reportados negócios a R$ 100,00 livres de Funrural. Conforme análise do Cepea, estas aquisições ocorrem em casos em que os frigoríficos têm urgência para preencher a escala, ou os animais estão muito próximos da planta. O valor também está sendo pago por lotes de melhor qualidade.

Em Mato Grosso do Sul, a referência é de R$ 93/@, a prazo, sem imposto, mas há relatos de compras pelo mesmo valor à vista, informa a Scot Consultoria. “Nesta semana a oferta foi reduzida e as escalas estavam entre dois ou três dias, com grande capacidade ociosa. Por isso, não há nada no horizonte que indique queda de preços”, avalia Alcides Torres, diretor-presidente da Scot Consultoria.

Preços devem continuar em alta no semestre

Torres afirma que o efeito da entrada de animais que estava causando a queda dos preços acabou e que as perspectivas são boas para o semestre. “Na pior das hipóteses os preços ficarão firmes”, diz. Nos últimos 14 anos, os preços aumentaram, em média, 9,4% no segundo semestre em relação ao primeiro. Se esta média se confirmar neste ano, a arroba do boi gordo deve atingir os R$ 110,00/@. Se a média for a mesma do ano passado, com alta de 20%, os preços poderão ultrapassar os R$ 115,00/@. “Cenário para chegar aos R$ 110,00/@ tem”, avalia, ao considerar a oferta restrita como principal fator altista.
Fonte: Portal DBO com informações do Cepea

Confira a entrevista com Lygia Pimentel - Especialista - XP Investimentos

Boi: preços no atacado reagem em pleno período de baixo consumo. Oferta reduzida de animais terminados justifica essa elevação.Tendência de alta na arroba deve permanecer com início do mês.



FONTE: NOTICIAS AGRICOLAS

Embargo: Rússia atirou no que viu e acertou no que não estava previsto

Campinas - Referindo-se ao embargo parcial que a Rússia impôs às carnes brasileiras desde 15 de junho passado, setores ligados ao problema e mesmo os meios de comunicação têm dito que a proibição [de exportar para a Rússia] foi imposta a 85 empresas.

No futuro, os embargos podem, eventualmente, ser direcionados a empresas mas, no momento, ele atinge, especificamente, três estados – Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul onde – aí sim – 85 empresas estão habilitadas a exportar carnes (bovina, suína, de frango e/ou de peru) para a Rússia.

Isso está bem claro no relatório que o Serviço de Inspeção Veterinária e Fitossanitária da Rússia – o Rosselkhoznadzor - publicou e disponibilizou na internet. Lá está escrito que na inspeção por amostragem ao acaso realizada em abril passado, 29 plantas foram auditadas pelos inspetores russos. Desse total, 19 plantas apresentavam não-conformidades com os requisitos russos e da União Aduaneira [entre Rússia, Cazaquistão e Belarus]. “Como a maioria dessas plantas está localizada nos Estados de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, as restrições temporárias impostas a partir de 15 de junho recaíram sobre as exportações de produtos de origem animal desses três Estados”, diz o relatório russo.

Eventualmente, outras plantas excluídas da amostragem ao acaso poderiam apresentar situação idêntica às 19 com não-conformidades. De toda forma, o que se constata é que essas 19 acabaram afetando outras 66 plantas, mais de 75% das 85 plantas habilitadas nos três estados.

Em síntese, não basta ser bom para garantir a permanência no mercado (neste caso, externo): é preciso que seu vizinho também o seja. E isto solicita vigilância geral, em especial dos órgãos oficiais.


Clique aqui para ler (em inglês) a íntegra do relatório que o Rosselkhoznadzor disponibilizou na internet sobre os entendimentos com as autoridades brasileiras após o embargo em vigor desde 15 de junho de 2011.

FONTE: Avisite

Especialistas revelam como será o boi do futuro


O boi ocupa muito espaço, consome muita água e tem ciclo produtivo longo, o que implica custos de produção bem mais elevados do que os do suíno e do frango, diz especialista.

Analistas do agronegócio carne têm visões diferentes sobre o futuro, mas, em geral, concordam quanto à expansão do mercado: exportações, produção e consumo interno vão crescer em conjunto. José Vicente Ferraz, da consultoria Informa Economics-FNP, que tinha a China como grande mercado consumidor futuro de carne bovina, reviu sua opinião. Ele acredita que as carnes de suínos e de frangos poderão ocupar mais espaço no país asiático que a do boi. “Até por força do hábito, a população está preferindo a carne desses outros animais”, diz. Mesmo assim, Ferraz afirma que haverá mercado para a carne bovina na China. “Afinal, há 1,3 bilhão de bocas a ser alimentadas.”

Ferraz aposta no aumento do preço da carne bovina para o consumidor e em sua inevitável elitização. “Embora a renda deva subir do ponto de vista mundial, o produto vai encarecer ainda mais. O boi ocupa muito espaço e seu ciclo produtivo é mais longo, o que implica custos. Em meu ponto de vista, essa carne deverá restringir-se a nichos. Ganha o produtor, perde o consumidor.” Para ele, exportar vai dar mais lucro, e o mercado interno deverá se nivelar aos preços internacionais.

Uma coisa é certa, segundo o analista da FNP, as exportações deverão ter seus preços elevados, enquanto o volume estará condicionado ao fim das barreiras comerciais. No longo prazo, Ferraz acha que as barreiras não se sustentam diante da necessidade de comida. Principalmente a Europa vai ter dificuldades para produzir boi. No que diz respeito ao câmbio, outra questão ligada ao futuro, na opinião de Ferraz, a desvalorização do real faz as commodities perder competividade lá fora, mas o impacto é menor no caso da carne, pois o preço da arroba está subindo.



Segundo o analista, a demanda mundial por todo tipo de alimentos tornará necessário que o Brasil dobre sua produção, caso contrário, poderá até haver instabilidade no mercado internacional.

O analista teme a persistência de um entrave gigantesco que se arrasta há décadas: “Há 30 anos repetimos isso, mas agora o contexto é diferente. Quando a produção brasileira de alimentos aumentar consideravelmente, conforme previsto, o que fazer para exportá-la se a logística do país continuar precária?”.

Segundo Gustavo Aguiar, da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), haverá incremento de 23% na produção brasileira anual, que hoje é de 7,8 milhões de toneladas de carne, até 2020. Também o número de cabeças abatidas, que soma atualmente 41,2 milhões, experimentará um acréscimo de 19%. Quanto ao consumo mundial, a Scot aponta ainda para um incremento de 8,6 milhões de toneladas, de 64,9 milhões para 73,6 milhões de toneladas.

Aguiar avisa, no entanto, que esses números somente serão possíveis por meio do ganho em peso de carcaça, considerado ainda baixo no Brasil. Hoje, a carcaça pesa, em média, 220 quilos, somando-se machos e fêmeas, informa ele. “O peso médio da Austrália, de 260 quilos, seria uma meta factível”, diz. Para o analista da Scot, o preço da carne realmente vai se elevar nos próximos anos. Mas faz uma ressalva: “O preço sobe, porém, internamente e nos países emergentes, como a China, é visível a melhoria da renda da população. O consumo vai aumentar”.

Outro estudioso do mercado, Miguel Cavalcanti, do BeefPoint, acrescenta uma terceira opinião. “O preço da carne vai subir em relação à de frangos e suínos, mas temos de pensar em produzir, vender e lucrar com base na qualidade, na diferenciação e no sabor. É mais caro? Sim, mas é melhor, o mercado paga mais”, acredita.

Segundo Cavalcanti, butiques de carne da cidade de São Paulo já negociam cortes nobres a R$160 o quilo, como em alguns pontos de venda mais sofisticados de Nova York. No entanto, haverá disponibilidade de cortes mais baratos. “No caso do Brasil, a pirâmide social mudou. Mais e mais gente está tendo renda. No mundo, o fenômeno é similar. Em 2014, a China terá 200 milhões de pessoas nas classes A e B, ou seja, um Brasil inteiro de gente rica. E a classe C chinesa contará com mais de 300 milhões de pessoas. Haverá espaço para todos os tipos de carne.”

Fonte: Globo Rural. Por Sebastião Nascimento

Definidas as bases do Programa Carne Gaúcha

No prazo de quatro anos todas as mais de 14 milhões de cabeças bovinas do Rio Grande do Sul deverão estar integradas ao Programa de Rastreabilidade. Em dez anos, o Estado aumentará em 50% a produção de carnes e no período de seis anos terá que dobrar o atual volume de exportação.
Estes as principais metas do Programa Carne Gaúcha, definidas no Seminário de Alinhamento Estratégico da Cadeia da Carne Bovina, realizados nos dois últimos dias no Hotel Araçá, no município de Capão da Canoa. O programa, que vinha sendo chamado de “a melhor carne do mundo”, vai atuar, ainda, na melhoria das condições sanitárias do rebanho do Rio Grande do Sul.
Atualmente, das pouco mais de 14 milhões de cabeças que o Estado possui registradas, apenas cerca de 150 mil, criadas em 140 propriedades, são rastreadas. No Estado existem 370 mil produtores que, no ano passado, abateram 1.950.000 cabeças. Destas, 97% foram consumidas pelos gaúchos e apenas 3% foram exportadas.
A estimativa do secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, é de que sejam investimentos de aproximadamente 100 milhões de reais em apenas duas vertentes do programa. “Na sanidade animal, com a adesão ao Suasa, investiremos 31 milhões de reais, sendo 25 milhões do Governo Federal e seis do Governo do estado, na melhoria de nossas estruturas de vigilância. E para implantarmos o programa de rastreabilidade serão necessários aproximadamente 60 milhões de reais”, explicou o secretário.
O custo médio do brinco é de R$ 4,00, que poderá ser financiado pelo Estado ou pela iniciativa privada ou, ainda, numa ação conjunta entre Estado e produtores. “Vamos, agora, definir o modelo”, antecipou Mainardi. Estas medidas são essenciais para a carne produzida no Estado sejam certificadas, condição primordial para que agreguem valor, e obtenham o selo “Carne Gaúcha”.
Missões representativas da Câmara Setorial da Carne Bovina devem viajar ao Uruguai, que concluiu, no início deste mês, o programa de rastreabilidade, iniciado a quatro anos. O País possui um número semelhante de gado bovino ao gaúcho. E, também, à Austrália, País pioneiro neste programa.
Também será reativada a Central Riograndense de Inseminação Artificial (Cria) para um programa de disseminação de genética, bem como desenvolvidas ações para melhorar a alimentação dos rebanhos. Aliado a isso, o Estado vai ampliar a experiência piloto de combate à tuberculose e à brucelose desenvolvida no Alto Taquari.


Assessoria de Comunicação Social
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