quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Margem da indústria melhora com a queda no preço da arroba


Em outubro, a arroba do boi gordo, nos dez primeiros dias, acumula queda de 1,5% em São Paulo, estando cotada em R$95,50 à vista, com ofertas de compra e alguns negócios abaixo da referência.

O aumento de oferta de animais de cocho e o grande volume de contratos a termo pressionam o mercado. Sem contar as compras realizadas nas praças vizinhas.

A situação só tem melhorado para a indústria. As margens aferidas pelos frigoríficos em 2012 estão entre as maiores já registradas.

Este mês, enquanto a matéria prima fica mais barata, o preço da carne bovina com osso se mantém estável.

O boi casado de animais castrados está sendo negociado por R$6,42/kg.

Com isso, a margem entre o Equivalente Carcaça (carne com osso mais couro, sebo, miúdos e subprodutos) e o preço pago pela arroba do boi gordo em São Paulo, que iniciou o outubro em 22,4%, está em 25,2%.

COTAÇÕES

 Carne Pampa

PREÇOS MÍNIMOS PARA NEGOCIAÇÃO DIA 10/10/2012
INDICADOR ESALQ/CEPEA DE 09/10/2012 - PRAÇA RS


Ver todas cotações    Ver gráfico

MACHOSPrograma**H & B***
CarcaçaR$ 6,20R$ 6,14
KG VivoR$ 3,10R$ 3,07
FÊMEASPrograma**H & B***
CarcaçaR$ 5,80R$ 5,78
KG VivoR$ 2,72R$ 2,71
** Programa - Indicador Esalq/Cepea MaxP L(6)
*** H & B - Indicador Esalq/Cepea Prz L(4)
PROGRAMA CARNE CERTIFICADA PAMPA
FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEREFORD E BRAFORD

RS recebe parecer quanto ao Sistema de Identificação e Registro Animal


O Grupo Técnico da Rastreabilidade da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio reuniu-se com a Coordenação da Rastreabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O objetivo do encontro foi o recebimento de parecer da Consultoria-Geral da União quanto ao Projeto de Sistema de Identificação e Registro Animal.
O referido parecer destaca o fato de que “um sistema de identificação e registro individual de animais é utilizado para o controle dos mesmos a fim de garantir o status sanitário de uma determinada área, através da identificação de seu rebanho e controle de sua movimentação, podendo também ser utilizado como ferramenta para sistemas de rastreabilidade.
O Sistema Estadual prevê a identificação e registro de bovídeos por geração nascida, garantindo um controle do nascimento ao abate. Estas informações poderão servir de base, de forma voluntária, para a rastreabilidade do abate à mesa do consumidor.
Em linhas gerais, as normas estabelecidas pela Legislação Federal quanto à rastreabilidade, não restringem os Estados na criação de Sistemas de Identificação e Registro Individual para os animais, sendo que modelo semelhante pode ser observado em Santa Catarina, que identificou individualmente todo o seu rebanho. A restrição imposta por lei federal se refere, à utilização de maneira compulsória desses sistemas em protocolos de rastreabilidade envolvendo toda a cadeia produtiva da carne.
Segundo Eduardo Vergara, Fiscal Estadual responsável pela base de dados do Estado, “a reunião também buscou orientações para finalizar o processo de integração ao webservice e evoluir conjuntamente no envio das informações à PGA (Plataforma de Gestão Agropecuária) da Base de Dados Única”.
O Rio Grande do Sul tem a proposição de avançar no processo de descentralização, sendo que uma das ferramentas será a liberação da impressão da Guia de Transito Animal (GTA) pelo produtor. Foram discutidos ainda, assuntos relativos à publicação da nova Instrução Normativa que se refere a elementos de identificação e codificação numérica, que deve ser publicada em breve.
De acordo com a Fiscal Estadual e Coordenadora do Grupo de Trabalho que trata da rastreabilidade, Anna Suñé, “o Ministério da Agricultura irá liberar uma faixa de numeração para o estado do Rio Grande do Sul que facilitará a transversalidade com o atual Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov)”.
Estiveram presentes na reunião os Fiscais Federais Alexandre Bastos e André Carneiro de Brasília, Alicia Farinatti e Gilson Souza, da Superintendência do Mapa em Porto Alegre, técnicos da Procergs e fiscais estaduais da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio.
 Fonte: Seapa/RS

USDA: relatório anual de produção pecuária do Brasil - set/2012


Rebanho
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê um aumento de 3% no rebanho bovino brasileiro em 2013, principalmente devido ao suporte financeiro do Governo para a reconstrução do rebanho bovino, melhoramento genético, renovação das pastagens e preços sustentados do gado. Dessa forma, o rebanho bovino deverá alcançar quase 210 milhões de cabeças até o final do ano.
O Plano Agrícola e Pecuário para o ano comercial de 2012-13 (1o de outubro de 2012 a 30 de setembro de 2013), anunciado recentemente, fornece um total de R$ 115,2 bilhões, a taxas de juros subsidiadas para agricultura comercial e orientado àexportação, incluindo R$ 750.000 por produtor para renovação de pastagem e reconstrução do rebanho através de melhoramento genético. O programa permite pagamento em cinco anos, com um período de carência de 18 meses.
Além disso, grandes frigoríficos também estão aumentando o financiamento para seus fornecedores de gado, similar ao financiamento disponível para sistemas integrados de produção de frango e suíno. Os pecuaristas brasileiros também podem se beneficiar do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), com taxas de juros de 5,5% a.a. para implementar a integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF). Apesar de seu estágio inicial, este programa oferece uma oportunidade sustentável para a reforma de pastagens degradadas no país, estimadas em 90 milhões de hectares, com um impacto significante em longo prazo na produção de carne bovina.
O USDA também prevê um aumento de 20% nas exportações de gado em 2013 devido principalmente à maior exportação à Venezuela e aos preços competitivos do gado no Brasil. O setor indústrial brasileiro de frigoríficos oficialmente enviou ao Governo Federal em 31 de janeiro de 2012 um pedido para uma tarifa de exportação de gados vivos de 30%, mas o Governo não tomou uma decisão sobre esse assunto.
Dados de produção, oferta e demanda
   
Carne bovina
Segundo o USDA, a produção de carne bovina aumentará 2,5% em 2013 devido principalmente à demanda internacional e a um pequeno aumento na demanda doméstica. A desvalorização da moeda brasileira combinada com a maior oferta de gado deverão manter a carne bovina com preços competitivos nos mercados mundiais em 2013. As margens de lucros para os processadores deverão aumentar devido à maior disponibilidade de gado e à melhor competitividade da carne brasileira no exterior por causa da desvalorização do Rel em mais de 10% em 2012.
SObre as exportações de carne bovina do Brasil, o USDA estima um aumento de 8% ou mais em 2013, à medida que os exportadores brasileiros estão otimistas sobre a recuperação da exportação à Rússia, apesar do lento processo de re-habilitação das plantas brasileiras. O USDA também antecipou envios a outros mercados, como Egito, China, Chile, Cuba, Iraque e Marrocos. Apesar da crise financeira na União Europeia (UE), os exportadores também deverão aumentar as exportações para este mercado, pois algumas fazendas brasileiras estão inscritas no programa de rastreabilidade da UE (SISBOV), devido à flexibilidade da Instrução Normativa #61 permitida pela UE. Além disso, o USDA também espera uma contínua recuperação nas exportações de carne bovina processada aos Estados Unidos.
Nota: as diferenças entre os dados de exportação reportados pelas fontes comerciais brasileiras e esses usados pelo USDA são devido ao uso de diferentes fatores de conversão. As fontes brasileiras usam um fator de 2,5% para conversão de carne bovina processada em Pesos Equivalentes Carcaça (CWE, sigla em inglês), enquanto o USDA usa 1,79. O mesmo se aplica para carne bovina sem osso, onde o USDA usa 1,40 como fator de conversão, enquanto as fontes comerciais brasileiras usam 1,36. Além disso, e segundo as instruções de relatório do Serviço Agrícola Externo (FAS), os miúdos não foram incluídos.
De acordo com fontes comerciais, oficiais da Rússia estão ameaçando proibir importações de carne brasileira devido ao uso de ractopamina. Entretanto, oficiais brasileiros não receberam nenhum aviso oficial do Governo da Rússia referente a essa possibilidade. Além disso, a UE está ameaçando restringir as exportações brasileiras de carne também devido à aprovação pelo Governo brasileiro do zilpaterol e da ractopamina. O Governo brasileiro está elaborando um plano de segregação para apresentar aos oficiais da UE. Nesse meio tempo, o Governo brasileiro entrou em um acordo com duas companhias dos Estados Unidos que produzem esses aditivos para evitar que vendam esses produtos no mercado brasileiro até que o plano seja executado.
Dados de produção, oferta e demanda

Fonte: USDA,/BeefPoint.

Produzir a carne bovina do seu supermercado compensa?


Com décadas de mercado, a rede Bergamini tem produção própria de carne bovina há mais de 30 anos, e com isso, é capaz de vender seus produtos com preços menores, além de ter suas lojas sempre bem abastecidas. Mas, será que essa prática pode dar certo em qualquer empresa?
A família Bergamini já produzia gado de corte há quase 100 anos e, na década de 70, seus herdeiros resolveram abrir supermercados. 10 anos depois, eles resolveram unir os dois negócios e passaram a abastecer suas lojas com as carnes que produziam. Agora, 90% de toda carne vermelha que vendem nas duas unidades da rede é produzida por eles, que complementam o estoque com carnes de frigoríficos, para dar mais opções para os seus clientes.
Por terem abastecimento próprio, as lojas recebem a carne apenas 24h depois do abatimento dos animais. Com isso, eles oferecem carnes mais frescas e conseguem controlar melhor o estoque. Egidio Gouveia, gerente de compras do Bergamini, diz que “O fato de acompanharmos todo o processo de produção da carne, desde a criação do boi, abatimento, desossa, corte e embalagem, nos assegura um produto de boa qualidade e com garantia de origem”. Além disso, o custo é reduzido entre 10% e 15%, e as entregas são mais organizadas, pois tudo é controlado pela família.
Hoje, a rede vende mais de 14 mil quilos de carne bovina por mês, e tem alcançado um aumento de mais de 5% ao ano. Segundo Alcides Torres, diretor e analista da Scot – consultoria de agronegócios, a Bergamini alcançou o sucesso devido à experiência que tem no segmento de agropecuária e por já ter começado com uma estrutura para essa finalidade (a fazenda da família possui mais de 11 mil cabeças de gado da raça Nelore).
E por esse motivo mesmo, o especialista em varejo Marco Quintarelli, do Grupo Azo, diz que produzir a própria carne bovina não compensa para qualquer supermercado: “Investir na produção de gado de corte só é indicado para varejistas que querem diversificar sua área de atuação ou caso a demanda de carne bovina nas lojas seja alta o suficiente para compensar o investimento”.
De qualquer forma, se você estiver pensando em começar um negócio desse tipo, a dica éplanejar bem, já que vai exigir bastante trabalho, gastos e licenças. O ideal é inicialmente, criar o gado de corte de forma independente, sem pensar na rede de varejo. Depois de iniciar vendendo para outros frigoríficos, aí se pode pensar no abastecimento próprio. Dessa forma, você consegue alcançar uma escala de fornecimento, e evita que o negócio seja destruído pelos altos custos da produção.
Para controlar melhor os custos, a família Bergamini não reproduz o gado, mas trabalha apenas com animais para engorda, gastando praticamente só com a alimentação. Segundo Torres, da Scot Consultoria, isso garante maiores lucros, pois no período de engorda, todo alimento consumido pelos animais é transformado em carne e gordura, o que aumenta a qualidade do produto final.
Além disso, eles trabalham com abatedouros particulares. “Terceirizamos essa etapa porque montar e manter toda a estrutura para abater o animal é muito caro e trabalhoso. Também seria necessário construir um frigorífico, o que poderia implicar na prestação de serviço para outros criadores, o que não é nosso objetivo”, afirma o gerente de compras da rede.
A família também só compra gado de criadores licenciados, aplica todas as vacinas nos animais e os alimenta somente com pastagem natural e compostos minerais e vitamínicos, evitando qualquer tipo de anabolizante. Eles também não agridem os bois na hora do manejo, para evitar manchas escuras e o enrijecimento da carne, e examinam a carne antes de chegar às redes, de forma que todas recebam o selo do SIF (Serviço de Inspeção Federal).
Muito interessante o negócio da família Bergamini, né? Se te inspirou, vá em frente, mas sempre com muita calma, planejamento e, claro, os equipamentos da Catral.

Zé Catral
 
Fonte: Supermercado Moderno
Foto: Portal do Agronegócio

Carne bovina tem o melhor desempenho nos embarques

Exportadores brasileirosforam beneficiados por crise nos países concorrentes
Mônica Costa 


A carne bovina ganha destaque nas exportações entre as proteínas de origem animal em 2012, que  acumularam US$ 11,41 bilhões até setembro. Dados divulgados pelo do Ministério da Agricultura (Mapa) mostram que os negócios com carne bovina registraram faturamento de US$ 4,15 bilhões no acumulado do ano, valor 5%  superior à receita registrada no mesmo período do ano passado.  
 
O volume embarcado teve um aumento de 9,8%. Foram 896 mil toneladas contra 816 mil toneladas vendidas para o exterior no ano passado. O preço médio dos embarques, contudo, registrou redução de 4,4% no período. 
 
As exportações de carne suína registraram aumento de 1,8% em receita e 8,9% em volume, enquanto que os embarques de frango registraram queda de 5,9% no valor e alta de 1,2% em relação ao volume. 
 
Além da crise nos setores de carne suína e de aves, a pecuária bovina pode ter sido beneficiada pela redução do rebanho nos Estados Unidos. Segundo José Bernardes, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), os problemas políticos na Argentina e de sanidade animal no Paraguai também podem ter contribuido para o resultado. 
 
Mato Grosso - O desempenho das exportações mato-grossenses acompanhou o ritmo nacional, com aumento de 10% nas exportações no acumulado do ano. De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) foram embarcados 116,9 mil toneladas de carne bovina in natura entre janeiro e setembro deste ano, volume 10,3% superior ao desempenho no mesmo período de 2011, quando foram embarcadas 105,9 mil toneladas. 
 
Em 2012, até o mês de setembro as exportações renderam US$ 578,7 milhões, valor superior em 3,8% aos US$ 557,7 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. No Estado, os embarques de carne suína recuaram 38% e os de frango, 19%.
Fonte: Portal DBO

URUGUAY - Hoy se embarcan otros 8.000 terneros con destino a Turquía


Si las condiciones del tiempo lo permiten, hoy se procederá a cargar en el puerto de Montevideo otros 8.000 terneros con destino al mercado de Turquía. En la víspera se estaba ingresando la ración y demás insumos para el suministro a la hacienda durante el mes de viaje. La operación está a cargo de la empresa Gladenur y todo parece indicar la reanudación de los negocios hacia ese país europeo, después de un buen tiempo de interrupción de las exportaciones en pie de ganados de razas carniceras. Hace poco más de una semana salió otro barco que aún está en viaje hacia Turquía.
Además, casi con seguridad esta semana Escritorio Dutra comenzará a comprar terneros con el mismo destino. Teniendo en cuenta el período de cuarentena obligatorio, seguramente esa operación se concretará en la primera quincena de noviembre.
FONTE: TARDÁGUILA AGROMERCADOS

Setembro teve chuva acima da média no Estado



Setembro foi o mês com maior volume de chuva este ano
Setembro foi o mês com maior volume de chuva este ano
O meteorologista do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e da Fepagro, Glauco Freitas, fez o levantamento da distribuição da chuva ocorrida no mês de setembro. A estação meteorológica do Irga, em Cachoeira do Sul, registrou o maior acumulado de chuva entre os dados oficiais do Estado, com 334 mm. Isso representa praticamente o dobro da média histórica do mês na região.
Depois de oito meses consecutivos registrando volumes abaixo da média no Estado, o mês de setembro é o primeiro mês que superou a média histórica, com ocorrência de 166 mm para o esperado de 155 mm.
A previsão para os próximos sete dias segue a tendência de muita chuva no Rio Grande do Sul. As regiões entre o Centro e o Sul do Estado são as que devem receber os maiores volumes, com 100 e 150 mm. Além disso, o calor será intenso em algumas regiões. A combinação de ar bastante aquecido, alta umidade e a chegada de uma nova frente fria irão provocar novos temporais.

Informações:
Glauco Freitas
Centro Estadual de Meteorologia | CemetRS

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Secretaria de Defesa Agropecuária inicia processo de boas práticas regulatórias


A adoção de boas práticas regulatórias proporciona benefícios à eficácia e eficiência na atuação do Estado, no sentido de promover a cidadania, o progresso econômico e a minimização dos impactos sociais, econômicos e ambientais da regulamentação técnica.
 
A atividade de regulamentação técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária – SDA/Mapa, correspondente à edição, publicação e revogação de atos normativos destinados à regência da sanidade animal e vegetal, assim como para o controle e padronização de insumos e serviços agropecuários e de produtos de origem animal e vegetal, exerce papel fundamental neste cenário, dado a expressiva e crescente importância do agronegócio brasileiro no âmbito nacional e internacional.
Neste sentido, a Secretaria vem realizando gestões com vistas à melhoria da qualidade e efetividade do sistema de regulação da defesa agropecuária. Para tanto, foi instituído o Comitê Permanente de Análise e Revisão de Atos Normativos da Secretaria de Defesa Agropecuária – CPAR/SDA, por meio da Portaria Nº 121, de 26/09/2012, publicada no Boletim de Pessoal Nº 27, de 28/09/2012.
 
A partir das competências designadas ao Comitê, em articulação com as demais instâncias técnicas da SDA, pretende-se promover maior integração e harmonização das atividades de regulação entre estas instâncias, contribuindo para o reconhecimento tanto no âmbito interno, como no internacional, da qualidade na execução das atividades de regulamentação sob competência da Secretaria.
 
O primeiro desafio do CPAR/SDA será o de promover a adoção do Manual de Boas Práticas Regulatórias da SDA/MAPA. Além disso, ficarão sob sua responsabilidade a elaboração da Agenda Regulatória, o acompanhamento e a orientação dos atos normativos, assim como a proposição de ações de melhoria e medidas de fortalecimento da atividade regulatória no âmbito da SDA.
 
Fonte: MAPA

domingo, 7 de outubro de 2012

Carta Conjuntura - O impacto da produção agrícola brasileira


por Pamela Alves



O Brasil é o maior produtor mundial de café, cana-de-açúcar, laranja, suco de laranja e feijão. O país está entre os três maiores produtores de soja, milho, carne bovina, carne de frango, grãos e produtos hortícolas.

Sua participação no consumo mundial de carne bovina é de 14%, atrás somente dos Estados Unidos e da União Europeia. A participação no consumo mundial de carne de frango é de 12%. O país está em terceiro lugar após os Estados Unidos e a China.

A economia brasileira consome ainda 6% da produção mundial de milho, em grande parte para a alimentação animal. Além disso, o Brasil consome 8% da produção mundial de farelo de soja e 13% da produção de óleo de soja.

A emergência do Brasil como um grande exportador de produtos agrícolas tem implicações significativas para os Estados Unidos. O setor agrícola norte americano baseia-se nos mercados de exportação. Em 2011, os Estados Unidos exportaram US$146 bilhões em produtos agrícolas, 52% mais que em 2006, cujo faturamento foi de US$76 bilhões. 

Neste período, o Brasil aumentou suas exportações agrícolas de US$36,60 bilhões para US$81,70 bilhões. A exportação de produtos agrícolas do Brasil para os Estados Unidos aumentou substancialmente. Em 2006, o faturamento foi de US$16,4 bilhões passando para US$38,0 bilhões em 2011, uma expansão de 132%.

História recente das politicas agricolas brasileiras

A migração interna e a expansão das fronteiras agrícolas do Brasil foram incentivadas pelo governo brasileiro desde a década de 1950, especialmente após a legislação da reforma agrária promulgada em 1964. Estas reformas, em grande parte, foram projetadas para reduzir o conflito social em áreas do Sul do Brasil. 

A agricultura mecanizada foi se expandindo para garantir a soberania brasileira sobre a região amazônica. A migração interna para a região Centro-Oeste, particularmente para o Mato Grosso, continua até hoje.

Nesse período o objetivo era abastecer os centros urbanos e gerar divisas para financiar as importações necessárias à industrialização por substituição de importações. A prioridade era abastecer o mercado interno, exportando-se apenas o excedente. A agricultura deveria produzir alimentos para suprir o setor urbano, em crescimento acelerado e, assim, viabilizar o desenvolvimento industrial.

Na década de 1960, a produção agrícola apresentou desempenho superior ao da década anterior. A economia brasileira se abriu ao mercado global, com aumento das exportações de produtos agrícolas industrializados. No final da década, a situação do mercado internacional estava favorável. Os preços dos insumos e bens de capital estavam em declínio e os preços agrícolas em alta. Isso mostrava o acerto da política agrícola que estava sendo adotada.

A expansão das exportações manteve-se na década de 1970, pois os preços internacionais incentivavam o aumento das exportações agrícolas. Predominou a política de crédito rural altamente subsidiado. A taxa de juro dos empréstimos manteve-se fixada em 15% nominais ao ano. Em 1980 a participação das exportações de produtos agrícolas brasileiros, em relação ao total exportado, era de 4,0%. Já em 2000 era de 3,1%. Até 2009, segundo a FAO, a participação do Brasil no mercado mundial teve um incremento de 5,6%. Com taxas de crescimento de produção superior ao crescimento do consumo doméstico, o Brasil emergiu como um fornecedor mundial.

Quadro analitico dos fatores competitivos

Os fatores competitivos determinantes, diretos e indiretos, para a decisão pela compra de determinado produto se baseiam em três critérios principais: custo de entrega, diferenciação do produto e a confiabilidade de abastecimento.

Para muitos consumidores de produtos agrícolas, o custo de entrega é o critério mais importante na decisão de compra e determina a competitividade de determinado fornecedor em relação aos demais. Alguns fatores que influenciam no custo de entrega são a utilização de biotecnologia (sementes de alta produtividade, por exemplo) e as tecnologias de produção (mecanização e irrigação, por exemplo). 

O custo de entrega depende diretamente dos custos de produção do bem e do custo de transporte. Os custos de produção, por sua vez dependem dos custos de insumos e salários.

Além do custo de entrega, os compradores avaliam o nível de diferenciação dos produtos domésticos e importados na hora de decidir a compra. A marca do produto e a forma de processamento são importantes e permitem que as características do produto e sua reputação formem a base da decisão de compra, tornando o custo de entrega menos importante. 

É necessário fortalecer setores, grupos de empreendedores e empresas atuantes nos mercados agrícolas brasileiros. Para que o setor obtenha maior capacidade competitiva, é necessário, portanto, a efetivação de políticas de promoção do comércio exterior e de promoção de mudanças tecnológicas e de estímulo às inovações nas empresas.

A facilidade de acesso às novas tecnologias, com as informações em tempo real, a tendência de todos os produtos, inclusive insumos agrícolas, é se tornarem pouco diferenciados. Atualmente o marketing cria diferenciais, visando fugir da armadilha de vender pelo menor preço. O fornecedor busca criar uma esfera envolvente e atrativa o suficiente para chamar a atenção de seu cliente e conseguir fidelidade. Para isso investigam qual a melhor maneira de agregar ao seu produto um diferencial e torná-lo mais competitivo.

Produção, consumo e comércio dos produtos agrícolas brasileiros

Em 2010, a produção agrícola representou 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e 20% dos empregos formais. 

O setor é constituído por cerca de cinco milhões de fazendas, sendo metade operada por pequenos produtores que produzem apenas 7% da produção agrícola total do Brasil. Cerca de 1,6 milhão de fazendas são grandes propriedades comerciais, localizadas principalmente na região do Cerrado, no Brasil Central. Estas fazendas contabilizam mais de três quartos do total da produção agrícola.

O Brasil tem recursos naturais abundantes, incluindo terras substancialmente aráveis e quase três vezes as reservas de água doce dos Estados Unidos. A diversidade de climas e solos do Brasil favorece as diversas culturas, permitindo duas colheitas por ano em determinadas regiões. Embora o Brasil e os Estados Unidos sejam os maiores exportadores mundiais de muitos dos mesmos produtos, a concorrência direta entre os dois países é limitada. Por exemplo, ambos os países abastecem a China com soja, no entanto, o rápido crescimento da demanda de soja pelos chineses permitiu que ambos os países ampliassem essas exportações.

Produção agrícola

Embora a agricultura brasileira tenha sido próspera durante décadas, experimentou uma expansão especialmente forte entre 1995 e 2005, devido às reformas econômicas e a liberalização do governo, que levou mais agricultores à fonte de capital, insumos e tecnologia de investidores internacionais.

No final da década de 80, com o processo de abertura comercial, as empresas brasileiras voltaram a enxergar nas exportações um componente estratégico para a diluição de riscos e ganho da competitividade. Este esforço de conquista do mercado internacional se intensificou especialmente após a desvalorização cambial de 1999.

Incitadas pela conjuntura internacional favorável, principalmente a partir de 2002, as exportações brasileiras atingiram o patamar de US$198,00 bilhões em 2008, em razão do acelerado crescimento do comércio internacional, da baixa inflação e das taxas de juros reais próximas de zero ou negativas nos principais países desenvolvidos.

O clima tropical e os solos ácidos do Cerrado inicialmente limitaram a produção de muitas culturas, mas os agricultores e cientistas brasileiros superaram essas limitações pelo uso de calcários e fertilizantes, bem como o desenvolvimento de novas variedades de sementes para uso regional. A tecnologia também desempenhou um papel importante através do uso de culturas geneticamente modificadas, legalizadas em 2004 e 2009, que permitiram que o Brasil se tornasse o segundo maior produtor de lavouras biotecnológicas do mundo.

Em 2010, o valor da produção total do Brasil chegou a R$154,00 bilhões (US$87,40 bilhões), 9% mais que no ano anterior, devido à alta dos preços internacionais. Combinados, esses três principais produtos representaram metade do valor da produção total das culturas: soja (24%), cana-de-açúcar (18%) e milho (10%).

Dessa forma a política externa brasileira passou a dar maior importância à promoção das exportações. Ao longo dos últimos anos assentou-se a visão de que o incentivo às exportações deve ser o foco da política comercial.

Consumo agrícola

A demanda por alimentos está levando os produtores agrícolas a mudarem as estratégias de comercialização para o mercado interno, haja visto que os preços domésticos subiram mais que nos mercados de exportação.

Entre 2006/07 e 2010/11, o consumo brasileiro de quase todos os produtos agrícolas cresceu em volume, apesar das taxas de crescimento diferentes entre os grupos de mercadorias. O consumo de óleo de soja cresceu tanto para a produção de biodiesel quanto para uso na culinária. A forte demanda por carnes pelos consumidores brasileiros aumentou o consumo de soja e de farelos, ingredientes usados na alimentação do gado bovino, suíno e de aves. Entre os grãos, o consumo de milho aumentou em quase 10 milhões de toneladas durante esse período. 

Comércio agrícola

O comércio agrícola internacional representa um grande e crescente mercado para os produtos brasileiros. A representatividade dos produtos agrícolas em relação ao total exportado passou de 27% em 2006 para 32% em 2011. 

Entre 2006 e 2011, o superávit brasileiro mais que dobrou, atingindo R$70,70 bilhões. Grande parte desse crescimento ocorreu entre 2007 e 2008 e entre 2010 e 2011, reflexo da alta de preços das commodities mundiais.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) o superávit da balança comercial brasileira somou US$ 29,79 bilhões em 2011, crescimento de 47,8% em relação a 2010.

O aumento do saldo comercial em 2011 está relacionado, à elevação dos preços das commodities no mercado externo. Com o preço em alta, as vendas externas se tornaram mais rentáveis, o que aumentou o valor das exportações.

Conclusão

O Brasil ainda tem potencial de crescimento, podendo colocar seus produtos agrícolas em mercados com crescente demanda. 

Para tal será necessário um esforço conjunto entre governo e agricultores para promover os produtos nacionais e garantir a competitividade nas exportações.

O Brasil possui excelentes características para se destacar em âmbito internacional. Clima apropriado para que aconteçam safras de verão e inverno, crescentes em produção; grande quantidade de terras agricultáveis; tecnologia e água em abundancia. Com isto, o Brasil possui diferenciais. 

O maior empenho e o interesse para refinar a política comercial viriam de bom grado.

Colaborou Paola Grigolli, engenheira agrônoma e trainee da Scot Consultoria.

Mercado de touros RS: Preços altos compensam menor oferta de animais


Foto: Divulgação/Assessoria

Termometro da temporada

Qualidade genética e alternativa de crédito atraem produtores a remates

Apesar da redução de oferta em relação a anos anteriores, os melhores preços e a qualidade colocada em pista estão impulsionando as vendas de animais nas primeiras semanas dos remates de primavera no Estado. Com a alta dos preços do boi gordo, a procura por fêmeas para a produção de terneiros e novilhas é o principal destaque do início da temporada.

Para os leiloeiros, existe uma forte demanda de mercado por ventres, mas a procura pelos touros também é grande. O principal motivo apontado por especialistas é a busca da genética oferecida pelas propriedades.

– Apesar de a oferta de animais ser menor, os produtores estão indo às compras. Se vende menos por um preço melhor – afirma o presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Rio Grande do Sul (Sindler), Jarbas Knorr.

As facilidades de financiamento pelos bancos são um chamariz para os produtores que querem aumentar o plantel. Juntos, Banco do Brasil (BB) e Banrisul oferecem R$ 130 milhões para aquisição de animais nos remates.

– Nada impede que, se tivermos outras demandas, possamos disponibilizar mais recursos – diz Tarcísio Hübner, superintendente do BB no Estado.

A tendência, conforme os especialistas em vendas, é manter o mesmo ritmo ao longo de toda a temporada de primavera. O otimismo vem das vendas de animais a outros Estados.

– Os criadores estão investindo em genética e isso tem chamado a atenção de todo o Brasil, pois o principal plantel ainda está no Rio Grande do Sul – diz Paulo de Castro Marques, presidente da Associação Brasileira de Angus (ABA).

Fonte: Zero Hora

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sábado, 6 de outubro de 2012

Set/12: taxa de câmbio favorece Brasil em suas exportações de carne bovina


Com os dados publicados mensalmente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), podemos analisar as informações sobre as exportações de carne bovina in natura do mês de setembro, o acumulado anual e comparar com anos anteriores.
Em setembro, foram exportadas pelo Brasil 91 mil toneladas de carne bovina, gerando receita de US$421 milhões. Com preço médio de US$4.632/tonelada. Em relação ao mês anterior, as exportações permaneceram praticamente estáveis. O volume foi 0,3% maior e a receita foi 0,1% menor, deixando o preço médio de exportação menor em 0,4%.
Em relação ao mês de set/11, as exportações aumentaram 22,5% em volume e 7,7% em receita. Neste mesmo mês há um ano, o volume foi de 74 mil toneladas e a receita foi de US$ 391 milhões.
Tabela 01 – Exportações brasileiras de carne bovina in natura
No acumulado de janeiro a setembro/12, as exportações foram maiores em volume (11,2%) e em receita (4,5%) comparando com 2011, alcançando 678 mil toneladas e US$3,2 bilhões. A receita é crescente desde 2003, porém foi prejudicada na crise econômica de 2008, mostrando queda em 2009 e recuperando seu crescimento a partir de 2010. De 2009 a 2012, a receita acumulada anual teve crescimento de 48,4%, pois em 2009 a receita foi de US$2,17 bilhões.
Já o volume exportado foi prejudicado durante o ano de 2008, atingindo menor quantidade em 2011, de 610 mil toneladas. Anteriormente à crise, o maior volume exportado foi de 1,0 milhão de toneladas em 2007 no acumulado anual de janeiro a setembro.
Gráfico 01 - Exportações brasileiras de carne bovina in natura em volume e receita acumulados de janeiro a setembro ano a ano
O preço médio da tonelada exportada de carne bovina vem aumentando. O maior preço médio de venda foi o de 2011, no período de janeiro a setembro, de US$5.052/tonelada. Neste ano, o valor médio do mesmo período foi de US$4.747/tonelada, com queda de 6,0% sobre 2011. Porém, sobre 2010 e 2009, o valor méido de 2012 é maior em 22% e 50% respectivamente.
Gráfico 02 – Preço médio no acumulado de janeiro a setembro ano a ano da tonelada exportada pelo Brasil de carne bovina in natura
Observando a taxa de câmbio, esta se mantém acima dos R$2,00/US$ desde mai/12, o que proporciona maior competitividade no mercado externo. Quanto mais desvalorizado o Real comparado ao Dólar, mais o boi gordo brasileiro fica barato em dólares. Desde maio, com o Dólar cima de R$2,00, a arroba do boi gordo permaneceu abaixo de US$50,00, o que não acontece desde julho/2010.
Porém, a taxa de câmbio entre o Real e o Dólar é um dos fatores que determinam as condições para exportação. Toda a situação econômica mundial influencia a comercialização de carne bovina. A Europa por exemplo, está com importações reduzidas devido ao cenário econômico interno com dificuldades. Os EUA também passam por dificuldades internas, como redução do rebanho, margens negativas para o setor e menor produção de carne bovina. A Austrália é outro forte exportador, competindo diretamente com o Brasil e a Índia tem suas esportações de carne de búfalo crescentes, porém em níveis inferiores aos do Brasil e Austrália, além de ter como clientes mercados menos exigentes.
Gráfico 03 – Taxa de câmbio Real x Dólar e boi gordo em Dólares
Artigo escrito por Marcelo Whately, analista de mercado da Equipe BeefPoint.