terça-feira, 12 de junho de 2012

Camex barra taxação de boi em pé

Abiec buscará alternativas para evitar prejuízos com decisão, mas não a considera uma derrota
Marcela Caetano
A Camex negou o pedido da União Nacional da Indústria e Empresas da Carne (Uniec) e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) de sobretaxar com 30% de imposto de exportação as vendas brasileiras ao Exterior de bovinos vivos. 

De acordo com o colegiado, formado ministros e secretários executivos dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Agricultura , Pecuária e Abastecimento (Mapa), das Relações Exterior (MRE), da Fazenda (MFaz), do Planejamento, da Casa Civil e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o  volume das exportações não tem aumentado de modo a ameaçar o suprimento nacional, uma vez que o rebanho e o consumo de carne e de couros no Brasil têm aumentado, apesar do crescimento das exportações de bovinos vivos.
Em documento protocolado em janeiro deste ano, os  frigoríficos alegavam que a exportação de gado vivo registrou um acentuado crescimento nos últimos anos, o que estaria limitando a oferta de carne no Brasil.

“A decisão da Camex é soberana. Dentro da Abiec nós vamos trabalhar dentro de alternativas para nos proteger de processos futuros que possam ser maléficos para a indústria”, afirmou o presidente da Abiec, Antonio Camardelli, na Feicorte, nesta terça-feira, em São Paulo.
Segundo ele, uma das opções seria trabalhar entre indústria exportadora e governo com a apresentação de propostas para os importadores. “A Turquia taxa em 200% a carne e 0% o boi. Então fica plausível que eu, via governo, peça que quem taxar a carne em 0% taxe o boi em 0% também. Aí todo mundo fica contemplado. Eu não considero isso uma derrota. Foi uma decisão do mercado, do setor e da Camex.”

 “Esperávamos uma atitude mais corajosa do governo para dar um tom de regulação para um conflito que é real”, acrescentou Francisco Victer, presidente da União Nacional da Indústria e Empresas da Carne (Uniec). Segundo Victer, o poder público deveria atuar como mediador, mas a decisão da Camex mostra que o governo ainda não está preocupado com o tema.
“O Camex alega que o crescimento das exportações não é significativo, mas o que queríamos era regular antes que a situação assuma maiores proporções. Atualmente o país tem capacidade ociosa que chega a até 50% em algumas regiões, é um contrassenso que haja frigoríficos fechando por falta de matéria prima enquanto o pecuarista exporta o boi inteiro."
O presidente da Uniec salientou que a desoneração da matéria prima, determinada pela Lei Kandir, impede a competitividade com a indústria, que é taxada desde a saída do boi da fazenda. “O propósito não era manter uma reserva de mercado, como acusam os produtores, mas regular o mercado”, continua.

Segundo Daniel Freire, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), a decisão dos ministérios foi unânime. “Isso mostra que a opção pela exportação de gado em pé não prejudica a cadeia produtiva”, disse.
A decisão coloca fim ao processo. “Todos nós temos que observar o desenvolvimento do setor como um todo. Não se pode olhar um segmento sem olhar para o conjunto", avaliou Freire.
De acordo com a Scot Consultoria, até abril foram embarcadas 137.894 mil bovinos vivos, volume 10% menor que as exportações de gado em pé no mesmo período do ano passado, quando foram comercializados 154.790 mil animais.


Fonte: Portal DBO

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