domingo, 9 de março de 2014

Hora de Pelotas se preparar para a volta do El Niño

Por: Bruno Marsilli
Fenômeno deve acontecer em 2014 e provocar chuva em excesso na Região Sul do Brasil, o que aumenta o risco de enchentes e situações de calamidade


Arte: Rafaela Azevedo - DP (Foto: Moizés Vasconcellos - DP)
Em 2009/2010, período de último do fenômeno, Pelotas registrou o acúmulo de 1.173,1 milímetros de chuva. (Foto: Moizés Vasconcellos - DP)
Em 2009/2010, período de último do fenômeno, Pelotas registrou o acúmulo de 1.173,1 milímetros de chuva. (Foto: Moizés Vasconcellos - DP)
O alerta está sendo disparado de forma antecipada para Pelotas e os municípios da Zona Sul. Em 2014, as águas do Oceano Pacífico Equatorial devem aquecer mais do que o normal e provocar o retorno do fenômeno El Niño. A informação parte da Organização Meteorológica Mundial, agência ligada às Nações Unidas (ONU), que recentemente apresentou resultados de pesquisas espaciais em convenção sobre o clima em Genebra, na Suíça. O estudo aponta mais de 76% de chance do evento climático acontecer durante o terceiro trimestre deste ano.
O El Niño se apresenta de diferentes formas ao redor do globo terrestre, alterando consideravelmente o clima. Na América do Sul, os efeitos vão desde intensas secas até altos índices de precipitação. Na Região Sul do Brasil o fenômeno provoca chuvas acima da média. Ou seja, a cidade de Pelotas também sofre alterações de clima em períodos de El Niño, quando os níveis de precipitação no município podem ultrapassar a média mensal. Em uma série de dois capítulos, o Diário Popular explica a influência do fenômeno na região, o risco de enchentes e a necessidade de organização da Defesa Civil para lidar com possíveis situações de calamidade pública.
Neste capítulo, o Jornal aborda a manifestação do El Niño em Pelotas, utilizando como base o último evento climático deste tipo registrado em 2009, de acordo com a MetSul Meteorologia. Nesta segunda-feira (10) levanta a discussão sobre a rede de Defesa Civil, partindo de um questionamento: caso ocorram problemas de escoamento de água, o município estaria preparado para agir?
Apesar de o El Niño ser um fenômeno de alta variabilidade de duração e intensidade, sempre acaba por exercer algum tipo de impacto na população. Seja ele positivo ou negativo. Na agricultura, por exemplo, o aumento das chuvas pode ser benéfico ou problemático. Em algumas culturas, como a da soja, do feijão e do milho, a ocorrência na época de primavera e verão é favorável à produtividade. Já para o arroz, o excesso de precipitações e, por consequência, dias com menos radiação solar são fatores que podem prejudicar o período reprodutivo do grão. "Se chover muito em setembro, na entrada da primavera, pode haver um atraso na semeadura e depois afetar o período reprodutivo do grão. Já para as culturas de sequeiro, o aumento das chuvas é favorável para a produtividade, já que são culturas que dependem de mais água", explica o pesquisador e coordenador do Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa Clima Temperado, Sílvio Steinmetz.
A possibilidade de ocorrência do El Niño no último trimestre de 2014 está longe de ser uma boa notícia para outro tipo de cultura: a do camarão. A exemplo do que aconteceu neste ano, quando o aquecimento anormal das águas do oceano Atlântico Sul ocasionou o aumento das chuvas na região, a safra de 2015 também pode ser impactada pelo El Niño, caso ele se confirme. "O prognóstico nos leva a crer que teremos El Niño no final do ano. De fato, a Lagoa dos Patos costuma aumentar seu volume, já que toda água escoa para lá. Então, pode haver problemas na próxima safra", destaca a meteorologista do MetSul, Estael Sias.
Em 2009/2010, período de último do fenômeno, Pelotas registrou o acúmulo de 1.173,1 milímetros de chuva, bastante acima da média histórica, que é de 807 milímetros entre os meses de agosto e fevereiro. "Em algumas cidades do Estado chegou a chover entre 500 e 600 milímetros num mês", recorda Estael. Embora os números revelem o aumento nos níveis de precipitação, não é regra que todos os meses no período de El Niño ultrapassem a média mensal.
"Algumas ocorrências de El Niño podem ser mais ou menos chuvosas. Assim como o fenômeno La Niña, que pode não ser tão seco como de costume", explica a meteorologista. O La Niña é exatamente o inverso do El Niño. Ao invés de esquentarem, as águas do Pacífico Equatorial esfriam mais do que o normal, provocando fortes e duradouras ondas de calor no Sul do Brasil. Geralmente a ocorrência do evento climático inicia logo após o término de um El Niño. Mas, de acordo com a meteorologista, são poucas as chances de ocorrer desta vez. "A escala mostra isso. Outros fatores são levados em consideração para o La Niña. Mas pelo que vimos até agora, o fenômeno não acontecerá", comenta.
fonte: Diario Polpular

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