sábado, 20 de julho de 2013

O MINERAL QUE VOCÊ FORNECE AO REBANHO CONTÉM MONENSINA?


O Brasil é um grande produtor e exportador de produtos de origem animal, destacando-se principalmente na produção de carnes. Em um mercado competitivo, no qual a margem de lucro é pequena, a eficiência na produção animal é um fator predominante para o sucesso na atividade. Dentro deste cenário, pesquisas para aumentar a eficiência dos animais, reduzindo a quantidade de alimento consumida para a produção de carne, e ainda com efeitos sobre o meio ambiente, com a redução na produção de dejetos e gases do efeito estufa, estão sendo realizadas em grande proporção.

Existem vários tipos de aditivos para o consumo animal, podendo estes serem antibióticos, probióticos e óleos essenciais e funcionais. Nesse artigo discutiremos a classe de aditivos denominada antibióticos para bovinos, mais especificamente um ionóforo, em particular a monensina sódica.

Os aditivos normalmente são inseridos nas rações de animais confinados, semi-confinados e/ou em suplementos fornecidos no pasto. A adição da monensina sódica não altera a palatabilidade da ração ou suplemento, portanto não influência o consumo voluntário do animal (sempre respeitando um período de adaptação), apenas melhora as condições para as bactérias digestoras de alimentos presentes no rúmem do animal.
A monensina sódica é um antibiótico que altera a população de microrganismos ruminais. No começo ela era usada para combater coccidiose, doença que pode diminuir drasticamente a produção em aves. Porém, em ruminantes, os experimentos estudando os efeitos dessas substâncias no rúmen foram iniciados nas décadas de 70-80, com a posterior liberação para o uso comercial.
Existem dois tipos de bactérias no rúmen, as chamadas gram-positivas e as gram-negativas. São chamadas assim, pois o teste utilizado para identificá-las é chamado teste de gram. A diferença principal entre elas é a presença de uma camada externa nas gram-negativas que impede a ação dos ionóforos. Portanto, a monensina sódica diminui a população de bactérias gram-positivas no rúmen em favor das gram-negativas, resultando numa série de alterações na digestão ruminal, melhorando assim a digestão dos alimentos ingeridos pelo bovino (dentro de certos limites).
Primeiramente, a proporção dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), ou ácidos graxos voláteis (AGV), produzidos no rúmen, é alterada. Os AGCC ou AGV são a principal fonte de energia para os animais ruminantes. Os principais AGCC produzidos são o acetato, o propionato e o butirato, sendo que o mais eficiente para o metabolismo do animal é o propionato, pois é prontamente transformado em glicose no fígado, fornecendo energia ao animal. Já os outros precisam passar por um série de mudanças antes de serem aproveitados, demandando mais tempo e energia. A maior população de bactérias gram-negativas resulta proporcionalmente numa maior produção de propionato e menor produção de acetato e butirato. A maior produção de propionato em relação aos outros AGCC também resulta na redução da produção de metano, gás que é responsável pelo efeito estufa
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Em segundo lugar, a degradação de proteína pelos microrganismos no rúmen é reduzida, proporcionando que uma maior quantidade da proteína ingerida seja digerida depois do rúmen, pelas próprias enzimas do animal. Isso é vantajoso quando a dieta do animal contém proteínas de alto valor biológico, ou seja, que o animal pode utilizar sem precisar transformá-la, pois as bactérias proteolíticas (que são gram-positivas) muitas vezes mudam o arranjo da proteína, atrapalhando a digestão pelo animal. Além disso, a menor digestão de proteína no rúmen reduz a produção de amônia.

A monensina ainda contribui para manter o pH ruminal estabilizado numa faixa adequada, que evita problemas como a acidose, pois as bactérias gram-positivas são as principais produtoras de ácido lático.
Devido aos efeitos citados, quando fornecida a monensina para os animais podemos observar uma série de mudanças no comportamento alimentar deles. A taxa de passagem do alimento é reduzida em cerca de 44% no rúmen e 10% em todo o trato digestivo, o que proporciona um maior tempo para os microrganismos ruminais digerirem as fibras do alimento, assim como para os animais digerirem a proteína da dieta.

Podemos notar ainda uma ligeira redução no consumo de matéria seca, porém como a digestão se torna mais eficiente também é observado um aumento na conversão alimentar, que acaba tornando o uso dos recursos mais eficiente. O aditivo, no geral, não apresenta diferença no acabamento de carcaça dos animais, sendo observada pouca variação em relação aos animais que não consumiram a monensina na dieta.
Para obtermos os efeitos desejados devemos respeitar as doses recomendadas pelos fabricantes, tendo em mente que é necessário um período de adaptação. Em animais confinados é recomendado começar com 5 a 10 gramas para cada tonelada de ração, estabilizando em 25 a 30 gramas. No fornecimento de monensina via suplemento em animais a pasto, o recomendado é fornecer 50 a 100 miligramas diários por cabeça no período de adaptação (cinco a sete dias) e 200 miligramas diários por cabeça, a cada 450 gramas de suplemento. Respeitando a dose correta não existem evidências de resíduos de monensina na carcaça dos animais, não havendo assim período de carência para o produto.
O uso da monensina sódica é, portanto, uma boa alternativa para aumentarmos a eficiência da atividade, levando ao uso mais racional dos recursos disponíveis. Porém, a utilização desse recurso no rebanho deve ser acompanhada por um experiente formulador de ração, no caso de confinamentos, e em animais a pasto suplementados, o suplemento deve ser comprado de uma empresa competente e idônea.

ÉTORE MASCHIO
Engenharia Agronômica – ESALQ/USP
ARARIPE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA
GABRIEL RIALTO
Engenharia Agronômica – ESALQ/USP
ARARIPE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA
PAULO ARARIPE
Engenheiro Agrônomo – ESALQ/USP
ARARIPE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA
FONTE: PORTAL KLFF

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pelo Blog.

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